Naquela tarde enevoada, com luzes pálidas e difusas

Minha alma se dilacerou e caminhou às escuras

A procura de um pouco de vida, tentando se libertar

Pela falta imensurável deixada por promessas de um eterno amar

O buraco já escancarado voltou a amedrontar repetitivamente

Voluptuosas reminiscências fazendo tristes lágrimas pungentes

Os dias tem sido vagarosos e insípidos, as noites gélidas e vazias

As meras alegrias passam por mim como breves ventanias

Encaro os ponteiros na esperança de que minha dor vá com as horas

Desejando ir à um lugar onde a agonia não me encontre, onde não haja memórias

O pretérito tem sido costurado em minha mente vezes demais

Como se eu quisesse presenciar o que passou

E não relembrar dos momentos que agora são imortais

Não consigo desprender-me do sentimento insubjugável que aqui morou

Esculpindo sorrisos tão verdadeiros quanto as mentiras que me enganaram

Tentando confundir cada parte de mim que tanto te amaram

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!