Notas iniciais
Espero que gostem dessa fic que me fez sofrer pacas escrevendo.

Regina acordou assustada, o quarto estava escuro ao seu lado a cama estava fria, Emma não estava lá, e provavelmente fazia horas, ela tocou o lado onde à loira dormia estava gelado como o tempo lá fora, sentiu um calafrio percorrer sua espinha e levantou-se rapidamente.

Colocou seu robe por cima da camisola que vestia e procurou em cada canto da casa pela sua esposa, mas parecia que ela havia simplesmente desaparecido, começou sentir um nó em sua garganta e o pânico se apossando de seu corpo, pegou o celular e discou o número de Emma, nenhum toque, aquele silêncio só fazia seu medo aumentar, esperou mais alguns minutos e tentou de novo, a ligação não completava, quando finalmente conseguiu ligar foi direto para caixa postal. Ela não estava em lugar nenhum, olhou para a janela e estava começando a chover, uma garoa fina.

Subiu para seu quarto apressada e pegou a primeira roupa quente no armário, ia sair procurando Emma nem que fosse até o inferno.

Todo aquele seu desespero para achar Emma, todo seu medo, não era daquele dia, todos aqueles sentimentos estava há dias ali guardados. Emma sempre foi fechada, ela sabia disso, ela preferia não falar nada, Regina não pressionava, mas há duas semanas as coisas pioraram, desde que Emma tinha perdido o bebê que elas estavam esperando ela se fechou de uma forma que Regina não conseguia mais acesso a ela, parecia que tinha um abismo entre ambas, Regina se sentia desesperada, ela não dizia uma palavra, como ajudaria alguém assim? Sentia-se inútil, culpada. Queria que sua esposa dissesse algo, qualquer coisa, mas Emma só falava de coisas triviais com ela, nada sobre o assunto que a fazia ficar bêbada pelo menos duas vezes na semana, que todos os dias de manhã a fazia chorar, Regina ficava deitada, fingindo que dormia enquanto escutava os soluços de Emma, na primeira vez correu até Emma que estava no banheiro e a abraçou, mas ela não quis, ela a afastou, Regina sentiu que estava perdendo Emma naquele momento, mas preferiu esmagar tudo aquilo e fingir que estava tudo bem, mas agora, a loira havia sumido, como ia fingir isso? Todos aqueles sentimentos ruins estavam à tona.

Started making his way past

Two in the morning

She hasn't been sober for days

Leaning now into the breeze

Preferiu tentar falar com alguém, antes de se desesperar, talvez tudo estivesse bem, e ela só tinha saído. Resolveu esquecer todos os problemas que tinha com sua sogra e ligou, escutou dar três toques até ouvir a voz dela sonolenta:

— Regina?

— Sim... – sentiu o nó que estava em sua garganta crescer, respirou fundo tentando não deixar a voz embagar. – Você sabe onde está Emma? Ela está com você?

Silêncio. Regina voltou a sentir que tinha algo errado, que tudo estava desmoronando apenas com aqueles segundos de silêncio.

— Não, ela não está com você? – a voz de Mary soou imediatamente preocupada.

Aquilo não era bom, Emma não estava com seus pais e Mary soava preocupada.

— Não, ela sumiu. – tentou com todas suas forças não demonstrar o desespero que sentia, mas era impossível, Mary percebeu.

— Ok. Eu vou tentar ligar para algumas pessoas, eu te aviso qualquer coisa.

Regina balançou a cabeça mesmo sabendo que ela não veria, mordeu os lábios e sussurrou um obrigada, sua voz havia se perdido, as lágrimas agora escorriam rapidamente de seus olhos mesmo ela tentando impedir.

Pegou as chaves do carro e saiu, suas mãos tremiam, colocar a chave na ignição foi difícil, respirou fundo e tentou pensar como os Charmings, positivo. Deu partida no veiculo e começou a procurar Emma pelas ruas, pensou em passar em alguns bares que haviam em Storybrooke, talvez Emma tivesse neles.

Forgive me, I'm trying to find my calling

I'm calling at night

I don't mean to be a bother, but have you seen this girl?

Lembrou-se dos diversos sonhos naquela semana, em qual a maioria deles perdia Emma de alguma forma, mas possivelmente já havia perdido, ela não dizia mais coisas a Regina, ela ficava calada. Talvez ela fosse culpada, por Emma acabar daquela forma, por ela ter se fechado, por elas terem perdido um filho.

Passou em todos os bares abertos naquela hora, procurou em todos os cantos, nenhum deles estava Emma, o desespero que antes sentia agora tinha tomado conta de seu corpo inteiro, sentia que algo podia ter acontecido, e se culparia pelo resto dos seus dias se algo acontecesse com aquela mulher.

Ela amava Emma, desde o primeiro olhar, desde a primeira provocação, por que as coisas tinham tomado aquele rumo? Ela talvez não merecesse mesmo um final feliz, porque todos eles eram tirados dela. Ela estava cansada de perder pessoas que amava, não queria perder Emma, parou o carro e olhou para suas mãos que tremiam, seu corpo todo tremia e sentiu frio, um frio que poderia congelar sua alma, seu coração apertava e doía de preocupação, de angustia, de desespero.

I don't mean to be a bother, but have you seen this girl?

She's been running through my dreams

And it's driving me crazy, it seems

I'm gonna ask her to marry me

Even though she doesn't believe in love



Lembrou-se quando finalmente disse a Emma sobre seus sentimentos, o rosto dela transformado em uma expressão de choque, ela fugiu, e Regina ficou confusa, sentiu dor por dias pensando que não tinha sido correspondida, até Emma ir até ela e dizer que não sabia lidar com aquilo, que a amava, mas ela não aguentaria mais perder ninguém e então Regina entendeu que Emma assim como ela, também teve sua cota de sofrimento, ela prometeu que iria proteger a loira, prometeu que cuidaria, e que levariam aquilo devagar. Mas havia falhado.

Saiu do carro e começou andar pela estrada de Storybrooke, suas pernas estavam fracas, queria gritar de desespero, queria socar alguém, queria pedir para ela aparecer. Sentiu seu telefone vibrar no bolso e pegou ele rapidamente para atender.

A chuva molhava seus cabelos e sua roupa ouviu alguém falar algo no outro lado da ligação, mas não conseguia entender o que, começou a caminhar tentando pegar o sinal melhor que tivesse naquele lugar.

— Regina? – era a voz de Tinker.

— Tinker? – a morena indagou com sua voz embargada.

— Onde você está? – ela percebeu a voz de preocupação da amiga do outro lado da linha, olhou para os lados um pouco zonza, nem ao menos sabia onde estava.

— Na estrada, em algum lugar. – respondeu fraca.

Waking the neighbors, unfamiliar faces she pleads though she tries

A mulher tinha falado algo, como se fosse para ela voltar, ou esperar lá, ela não sabia ao certo, em algum momento seu cérebro parou de entender as palavras e desligou o telefone.

Voltou a caminhar mesmo que sua vontade fosse se jogar no chão e gritar o nome de Emma Swan e pedir, implorar para que ela voltasse.

Não se deu conta quando já estava perto novamente do Granny’s seu carro em algum lugar perdido, suas roupas molhadas, seu cabelo ensopado e seus olhos vermelhos, viu Mary olhar para ela na frente do Granny’s, seus olhos se encontraram e ela sentiu seu corpo ceder ao ver os olhos da mulher, um par de braços segurou a mulher rapidamente para ela não se machucar. Ela não fazia ideia de quem era naquele momento.

Ouviu várias vozes falarem ao mesmo tempo, mas não conseguia raciocinar direito para entender, até ouvir da voz de sua própria sogra.

Funny how it rained all day

I didn't think much of it then

But it's starting to all make sense

Oh, I can see now

That all of these clouds are following me

In my desperate endeavor

To find my whoever, wherever she may be

— Nós a encontramos... – ela sentiu um pouco de esperança, seus olhos demonstravam isso, mas logo as esperanças morreram ao ver Mary balançar a cabeça.

— Regina... – ouviu David falar, ele estava ao lado da mulher, seus olhos também vermelhos – Ela se foi.

A morena gritou, todos olharam para ela, provavelmente porque ninguém esperava aquilo. Ela curvou seu corpo sentindo aquela dor muito conhecida, seu coração apertou, sentiu-se tentada a tirar ele e ela mesma esmagá-lo para que aquela dor passasse. Ela ajoelhou no chão ainda chorando, as lágrimas escorriam junto com a chuva que caia em seu rosto, sentia que algo estava dilacerando seu peito e apertou suas mãos ao lado do corpo com força. Todos olhavam para Regina ali, mas ninguém tinha coragem de chegar perto, Mary chorava nos braços de David, e Ruby que a segurava antes olhava para a morena espantada.

Viu Tinker abaixar ao seu lado depois de um longo tempo e abraça-la, mas não retribuiu, não conseguia sair daquela posição.

I'm not coming back

I've done something so terrible

I'm terrified to speak

But you'd expect that from me

I'm mixed up, I'll be blunt

Now the rain is just washing you out of my hair

And out of my mind

Ouviu mais conversas desconexas ao seu redor, mas tudo que conseguiu captar foi a uma única palavra:

Suicidio.

Aquilo só piorou seu estado, sentiu uma enorme culpa, era óbvio naquele momento que ela nunca havia feito a mulher feliz, ela não conseguia parar de chorar, sentiu seu corpo começando a ficar mole, e depois tudo apagar.

Acordou na manhã seguinte e sentiu o golpe da dor, a cama estava vazia, só tinha ela lá e isso só a fez lembrar que aquilo não era um pesadelo, era real, voltou a deitar na cama e tentou dormir, mas não conseguia, sua cabeça rodava e não conseguia respirar, queria apagar a noite anterior de sua mente.

Levantou-se para ir ao banheiro e encontrou algo que nem lembrava que tinha feito na noite anterior antes de cochilar com Emma, ela ia contar na manhã seguinte, iam descobrir juntas, mas acabou esquecendo completamente.

Olhou o teste de gravidez em sua mão e sentiu seu coração afundar.

Positivo.

So many thousands of feet off the ground

I'm over you now

I'm at home in the clouds, towering over your head

Notas finais
Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!