Remember you
1 One
Notas iniciais
Edmundo encarou o colchão, ainda zonzo por ter que retornar á realidade. Correndo os olhos pelo quarto, percebeu que Lúcia dormia calmamente em sua cama de prata, enquanto Pedro tinha uma expressão um pouco severa durante o sono.
Calçou os sapatos em silêncio, pois não queria acordar ninguém. A maioria das pessoas no palácio dormia em alto sono. Vestiu um casaco, pois a neve caia calmamente lá fora. Não muito fria; Somente o bastante para que a noite não se tornasse muito quente.
Alguma coisa reluzia em meio a neve. Enquanto baixava a ponte levadiça com uma das mãos, mantinha os olhos fixos pela pequena janela que se postava ali. Tirou os sapatos, pois sabia que o contato deles com a madeira poderia acordar algum dos guardas.
Quando se aproximou, quase caiu para trás: Era ela. Estava pequena comparada com sua antiga altura de gigante, talvez alguns centímetros menor que Edmundo. Os cabelos estavam loiros, com o tom muito próximo de limão. Os olhos eram cinzentos extremamente frios. Mesmo estando com um casaco de pele de urso, Edmundo sentiu calafrios.
-Não pode ser.
Ele queria pronunciar mais alguma coisa. Estava desarmado e completamente a mercê de quem quer que fosse.
Então percebeu que a criatura estava congelada. Como tão pouca neve pode ter feito isso com ela? Pensou na hipótese tentadora de leva-la para o palácio e derrete-la. Era bem provável que ninguém a reconhece-se. Como conhecia bem a feiticeira, mesmo estando assim, tão diferente da original, sabia que ela poderia mata-lo com apenas alguns socos.
Ajoelhou-se, deixando seus joelhos em contato com a neve. Tocou a pele branca como papel de Jadis e suspirou. Estava surpreendente; Quente como uma fogueira.
Um estranho brilho se projetou acima de Edmundo. Quando ergueu os olhos, não pode evitar a fazer uma reverência.
-Aslam – Murmurou, pois era o leão que acabara de surgir.
- Você sabe o quê deve fazer, não é? – A voz de Aslam pareceu esquentar tudo ao redor. A neve cessou. O rosto, tão branco, de Jadis esfriou, ficando em temperatura ideal.
- Na verdade não, Aslam. – Mentiu. Na verdade tinha um palpite, mais não acreditava que pudesse conseguir. – Quer dizer... Vão mata-la.
- Não irão reconhecê-la. Você sim, por que conviveu com ela por mais tempo que seus irmãos.
- Quando ela acordar, vai querer me matar – Suspirou Edmundo, olhando para trás, certificando-se de que as luzes do palácio estavam apagadas.
- Quem disse que ela se lembrará de você? – Aslam disse em meio a um pequeno ronronar, que poderia ter sido uma risada.
O rosto de Edmundo exibiu um ponto de interrogação.
- Simples, criança. – Aslam sacudiu levemente a juba – Quando ela acordar, não se lembrará do que foi. Eu lhe concedi uma chance de mudar. Chame-a de Jade. Assim ela não desconfiará de nada.
- Tudo...Tudo bem. – Edmundo olhou para o rosto da ex-feiticeira , que agora tinha um tom muito menos branco. – Que você me ajude.
Quando olhou novamente, Aslam não estava mais lá. Edmundo voltou a atenção para Jade. Tocou-lhe novamente o rosto e notou a delicadeza que a pele passava para os seus dedos.
Colocou os ouvidos nos seios e escutou os batimentos cardíacos. Lembrou-se do que ouvira, anos atrás, ao sair da casa do castor: Ela não é humana.
- Agora é. – Sussurrou para si mesmo, pegando-a no colo.
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