Remember me
24 Capitulo 24
Notas iniciais
Assim que chegaram às urgências, os enfermeiros levaram Regina para ser socorrida ao mesmo tempo em que Emma falava nervosamente com o neurologista da esposa ao celular.
Desejou que Killian e Tinker ainda estivessem em Paris, pois como médico, o amigo seria de muita ajuda naquele momento angustiante. Antes que terminasse a ligação, foi informada que a esposa já estava acordada e que poderia vê-la. Chegou ao quarto no instante em que a médica mostrava uma imagem na tela de um aparelho para Regina. Aproximou-se da cama onde ela estava e notou as lágrimas rolando pelo rosto delicado da esposa e sentiu o coração quase parar.
― Querida? ― pegou a mão dela encarando-a, esperando que dissesse algo, porém ela não fazia mais nada a não ser chorar. ― Pelo amor de Deus, me diz o que houve, doutora! ― Já estava quase pulando no pescoço da médica.
― Nada que em nove meses não se resolva. ― sorriu ― Ou melhor, para ser mais exata, seis meses e duas semanas.
Emma, confusa encarou a ambas, vendo o sorriso brotar no rosto de sua morena. Regina pegou a mão da esposa e pousou na barriga, nesse instante a loira percebeu estar à amostra e parcialmente coberta por um gel. Ela piscou duas vezes olhando para sua mulher antes de sorrir bobamente.
― Vida...meu amor...você está...
― Grávida! ― sorriu ― Vamos ter outro bebê.
― Grá-grávida? ― gaguejou arregalando os olhos ― Grávida do tipo tem um bebê aqui dentro? ― olhou incrédula para o ventre da mulher.
― Se não me engano, esse é o único tipo de gravidez. ― seu riso encheu o quarto provocando na loira um meio sorriso, ainda sem poder acreditar.
― Mas o teste havia dado negativo, não entendo.
― Os testes de farmácia podem facilmente falhar ― esclareceu a médica.
― Meu amor... Oh céus! ― beijou-a, sentiu seus olhos arderem ― Não posso acreditar que... ― sua voz falhou devido ao tamanho de sua emoção.
― Pois acredite, mamãe! ― a morena respondeu com a voz embargada.
― Está tudo bem com eles, doutora?
― Veja você mesma.
A médica passou transdutor manual pela barriga de Regina, mexeu no teclado do aparelho e ampliou a figura mostrando as primeiras imagens nebulosas e granuladas do pequeno feto. Emma acariciou a face da esposa que já estava mais uma vez em lágrimas, se entreolharam e sorriram, mal aguentavam tamanha era a felicidade.
Olharam atentamente quando a mulher pressionou mais uma vez o instrumento e apertou um botão, ligando o áudio do aparelho, imediatamente o som de batidas aceleradas tomou conta do lugar.
― Esse é o som do coraçãozinho do seu bebê. Como pode ver, sua esposa tem uma saúde excelente e o bebê se desenvolve bem. ― desligou o aparelho ― Meus parabéns, senhora Swan Mills.
― Obrigada. ― agradeceu, emocionada, enquanto auxiliava carinhosamente Regina retirar o gel.
A médica acenou com a cabeça antes de sair deixando o casal a sós. Emma encarou a esposa que ainda mantinha um sorriso, não muito diferente do que se desenhava em sua face. Soluçou, olhando-a antes de tomá-la nos braços. Esteve afogada no medo, temia que ela tivesse tido uma crise e voltasse a esquecer de tudo. Havia sido tomada por esse receio durante os meses em que Regina havia recuperado a memória e hoje quando ela tinha se sentido mal, não podia ter pensado em outra coisa.
Regina suspirou nos braços de sua loira. Não havia palavras para descrever a imensa felicidade que cercava sua família. Contudo, se preocupou ao sentir os músculos tensos de Emma.
― O que houve, querida? ― a olhando nos olhos.
― Tive medo que esquecesse de mim novamente. ― murmurou com a voz grave.
― Isso não vai acontecer, querida. Mesmo com amnésia não havia te esquecido, sempre a tinha em meus sonhos e meu coração sabia que pertencia a você.
Emma sorriu sentindo como seu coração se aquecia pelas palavras de Regina. Não tinha dúvidas de que era a mulher mais feliz do mundo e também tinha certeza que nada poderia apagar o infinito amor que sentiam. Acariciou a barriga onde seu filho descansava, sentindo-a passar os dedos em seus cabelos e em seguida passar a mão pelo rosto dela enxugando as lágrimas que molhavam sua face.
Regina suspirou ao sentir o toque carinhoso da esposa que agora acariciava a extensão de sua barriga com pequenos beijos. Fechou os olhos, sentindo a respiração cálida da loira entre seus lábios, beijando-lhe a testa e as bochechas suavemente, roçou seus lábios contra os dela com delicadeza e, por fim, seus lábios se uniram em um beijo doce, onde foi posto todo o amor e carinho de que dispunham naquele gesto.
― Eu te amo, minha vida! ― disse ainda com os lábios colados ao dela.
― Eu também te amo, meu anjo loiro.
— E nos também amamos vocês.
Uma vozinha infantil preencheu o ambiente. Ambas sorriram ao ver os filhos entrando no quarto.
― Como chegaram aqui? ― perguntou Emma.
― Tia Mary nos trouxe. ― o menino falou, se erguendo para beijar a mãe ― Já está bem, mamãe?
― Estou, meu príncipe.
― Não vai mais mimi igual à Bela dormecida? ― perguntou a loirinha franzindo o pequeno cenho.
― Não, meu amor ― sorriu, recebendo a filha nos braços ― Mas sabe de uma coisa... a sua mãe e eu temos uma novidade para contar a vocês. ― fez uma expressão de suspense ao ver os rostinhos curiosos ― Vocês vão ganhar um irmãozinho ou uma irmãzinha!
― Quando a cegonha vai tlazer nosso maninho?
― Não tem cegonha, Lucy. O bebê tá aqui dentro. ― explicou, passando a mão no ventre da mãe morena ― A barriga da mamãe vai ficar grande igual à da tia Mary. Eu sei tudo sobre essa história de bebês.
Regina ergueu uma sobrancelha para a loira como se questionasse a origem da informação que o filho soltara. Emma apenas deu de ombro, pois dessa vez ela era inocente.
― Certo, garoto, depois teremos uma conversinha. ― disse Emma arrepiando os cabelos do filho.
― Mamães... ― Lucille as encarou com uma expressão fofa ― Qual vai ser o nome do meu maninho?
— Eva!
Regina chamou sua linda garotinha, observando como a filha estava crescendo rápido enquanto parecia ontem que havia descoberto que estava grávida. Seu bebê agora estava completando quatro anos.
― Filha, olha quem veio para o seu aniversário.
― Oi, titios! ― gritou a moreninha de olhos amendoados, correndo para abraçar o casal.
― Ei, boneca linda.― falou Killian pondo-a no colo enquanto era beijado na bochecha ― Que beijo gostoso!
― E a Tinker aqui? Não ganha beijo?― sorriu apontando para sua bochecha onde logo recebeu um beijo estalado.
― Tia Tink, eu estava com muita saudade!
― Nos também estávamos, meu amor.
Regina sorriu tocando a barriga volumosa da amiga. Tinker esperava um menino que dentro de três meses chegaria para completar a felicidade do casal.
Emma e Regina tinham uma amizade muito grande por eles, o que não diminuiu nem um pouco ao passar dos anos, pelo contrário, sempre que podiam se falavam ao telefone e se encontravam assim como faziam com Mary Margareth e David. Era dado como certo que se reunissem em datas especiais, festividades ou como naquela ocasião de férias onde todos se achavam na ilha de Saint Peter Port.
― Onde estão os outros pequenos? ―perguntou a loira.
― Henry e Lucy estão na praia se transformando em pequenos camarões com a mãe. Só consegui tirar essa danadinha para reaplicar o protetor solar.
Regina acompanhou os amigos até o terraço, que tinha a paisagem da extensão da praia e uma tenda armada com comida e bebida. Lá estavam também Mary Margareth e David junto da pequena Allison, filha do casal. A loirinha era apenas alguns meses mais velha que Eva, o que a tornou amiga inseparável nas brincadeiras da prima.
Assim que Emma e as crianças viram o casal chegando, saíram da água para cumprimentá-los, ficando todos reunidos sob a tenda. Os adultos desfrutando de uma boa conversa enquanto as crianças brincavam correndo e gritando de um lado para o outro.
Depois do almoço, os pequenos já estavam mais quietos aguardando a digestão para entrar na água. Notando a calmaria, a atenção dos adultos foi direcionada para as crianças, se focando em Eva sentada sobre a areia da praia ao lado de Allison. A loirinha entregava a Eva um saquinho de guloseimas, recebendo um beijo espontâneo no rosto em agradecimento ao mimo, deixando-a vermelhinha de vergonha e Emma incrédula com tamanha ousadia da sobrinha.
― São tão lindos! ― comentou Mary Margareth.
― Allison é uma fofa! Minha princesinha não poderia ter escolhido melhor. ―disse Regina, sorrindo.
― Regina! ―exclamou a esposa, pasma.
― O que?
― É a nossa bebê... ― falou com voz chorosa.
― Você é muito boba, amor. ―passou a mão no rosto de sua mulher fazendo-a encarar o sorriso dela.
― Se já está ciumenta assim, imagine quando as crianças estiverem na idade de namorar. ― ponderou Tinker.
― Creio que não, amor, quando os pequenos tiverem trinta, Emm não vai ser mais tão ciumenta. ― argumentou Killian fazendo-os rir.
― Isso é bem feito. Lembro quando Mary ainda estava grávida, minha irmã vivia me provocando e agora olha só ― implicou David, apontando para Lucille e Eva que brincavam com Allison.
― David, não comece...
― Não adianta, Emm, sabe como é seu irmão. ― falou Mary Margareth beliscando a bochecha do marido ― Mas uma coisa é certa, é fácil sentimos ciúmes de nossas crias.
― Eu não sinto! ― Regina logo negou, com um sorrisinho de lado. Obvio que ela tinha ciúmes de seus bebês, mas disfarçava bem, ao contrário da esposa.
― Como não? Henry! ― Emma chamou o menino que apenas ouvia a conversa enquanto jogava em seu smartphone ― Fale para os seus tios o que sua mãe disse quando você perguntou se podia namorar.
― Antes ou depois de você chorar, mãe? ― riu ao ver a mãe loira ficar corada.
― Ah, seu moleque dedo-duro! ― ela abraçou o filho, enchendo-o de beijos― Apenas fiquei emocionada em ver que meu garoto está crescendo, ora.
A conversa alegre e descontraída continuou por mais alguns minutos sendo interrompida pelos gritos entusiasmados das crianças na praia, levando os adultos para ver a pequena água-viva que Lucille encontrou, deixando Regina e Emma apenas observando-os de longe.
― Minha rainha.― a chamou, sentando-a em seu colo.
― Hummm...― murmurou encostando a cabeça na clavícula da esposa.
― O que achou dessa casa?
― Eu adorei! É linda, aconchegante e a vista então... é perfeita ― comentou olhando as crianças e os amigos brincarem pela extensão da praia.
― Então comece a fazer seus projetos para decorá-la, pois ela é nossa. ― tirou as chaves da bermuda, balançando o molho em frente à esposa.
― Emm! Você é louca! ―sorriu beijando-a― Obrigada, meu amor!
― Você sabia disso e mesmo assim se casou duas vezes comigo ― falou acompanhando-a no riso ― Mas agora eu quero saber se é só um beijinho que eu ganho.
― Você me deu uma casa só para me seduzir? ― ergueu uma sobrancelha.
― Oh, creio que não preciso de tanto. ― sussurrou enquanto lhe mordia levemente o lóbulo da orelha, sentindo-a estremecer.
― Se acha irresistível, não é, loirinha? ―fechou os olhos, ouvindo o risinho malicioso dela ― Então, o que acha de estrearmos nosso novo quarto?
― Estrear pela quinta vez desde ontem? ― a loira respondeu debochadamente.
― Mas agora é diferente, descobri que a casa é nossa e...Vem, sua loira abusada.
Beijou-a, calando qualquer gracinha, antes de entrarem na bela casa.
― Regina, pelo amor de Deus, temos visitas! ― se fez de difícil ― O que vão dizer?
― Amo você, querida, e vou passar o resto da minha vida demonstrando isso. E quanto aos outros... deixe que falem o que quiserem, não me importo, não me importo com mais nada além de amar minha esposa!
― Como se pode amar tanto alguém como amo você? ― disse a loira agora a pegando no colo.
― Não sei, meu amor, pois te amo na mesma medida. ― suspirou alegre ― São nesses momentos que tenho certeza do porquê nunca ter te esquecido totalmente.
― Por que sou irresistível?
― Também ― Regina sorriu acariciando a face amada ― Só que o mais importante é o infinito amor que sinto por você, o qual nada e ninguém podem apagar ― encarou os olhos esmeralda ― Nem o tempo, a distância e muito menos a morte.
Nada no mundo seria mais belo do que tê-la em seus braços... Nada seria mais intenso e prazeroso do que fazer amor com aquela mulher, sua mulher. E nada seria mais emocionante do que saber que ao acordar, lá estaria ela aninhada ao seu corpo como uma pequena e linda gata manhosa esperando que lhe acordasse com deliciosos beijos por todo seu rosto e pescoço como a loira fazia pelas manhãs... Nada no mundo seria maior do aquele amor que habitava seu ser.
O coração de Emma apertou-se. Para uma mulher forte e autossuficiente como ela, era assustador amar com tanta intensidade e saber que Regina tinha imenso poder sobre sua vida e felicidade. Mas não importava, a amava e amaria sempre, e sabia que por ela enfrentaria qualquer coisa, moveria céus e terras, apenas para vê-la sorrir.
Então, quando seus corpos já não aguentavam mais, ambas caíram em um sono gostoso, aninhando-se uma nos braços da outra e sabendo que viriam ainda muitos dias de felicidade, os quais desfrutariam cada segundo dos mesmos juntas.
Fim
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