Remember Me - Extras
6 VI. Road Trip!
Notas iniciais
Eu sabia que havia me metido em uma roubada. Eu sabia disso no momento em que eu olhei para o quintal a minha frente e vi o porta-malas do meu recentemente adquirido SUV sendo preenchido. O carro agora de sete lugares havia sido uma necessidade devido a quantidade de filhos que eu tinha. O nosso carro antigo não comportava mais tranquilamente uma cadeirinha, um assento de elevação e dois adolescentes. Não havia maneira no inferno de encaixarmos tudo isso no banco traseiro de um Toyota Prius. Rachel agora havia se apossado dele para pequenos trajetos que ela fazia às vezes com as crianças. Sem contar que eu também tinha "sobrinhos" que viviam ao nosso redor e pegando caronas, assim como meus filhos faziam com seus "tios". Então, lá estava minha nova belezinha estacionada na entrada de carros.
Com o porta-malas aberto sendo preenchido com algumas malas.
A ideia havia sido minha, confesso, mas agora não parecia tão animadora. Claro, eu estava contente, pelas crianças principalmente, mas a maior parte do meu interior estremecia de medo. Sim, medo. Puck e eu estávamos indo para passar cinco dias em Nova York com Nate, Bella, Beth e Bailey. Sim, somos malucos. Nossas esposas ficariam em casa com os pequenos, Elijah e Brooklyn estavam com dois anos e não havia maneira de eu estar levando Connor, de apenas quatro anos, para a Big Apple com mais quatro adolescentes. Ao invés disso, ele iria passar esse tempo na casa de Brittany e Santana, junto com Jayden. Rachel estava relutante no início, mas nosso menino havia se comportado nas últimas semanas e de alguma forma estava chateado de ter os irmãos mais velhos se divertindo em uma viagem, então concordamos em deixar ele na casa do melhor amigo. E sabíamos também que Santana saberia domar as ferinhas, ela havia imposto um certo medo saudável em todas as crianças.
E lá estávamos nós. Não era muito mais do que cinco da manhã, mas tendo em mente que eram quase quatro horas de viagem, sem contar as paradas que com certeza faríamos, então quanto mais cedo, melhor. Rachel estava terminando de abastecer o porta-malas ao lado de Quinn, ambas se certificando de que as crianças mais velhas não estavam se esquecendo de nada. Puck tinha uma Brooklyn adormecida em seus braços e eu tentava entreter Connor, que ainda estava de pijama e em meu colo, ele havia acabado de acordar porque meus filhos mais velhos não sabiam o significado da palavra silêncio dentro de casa. Eu estava muito satisfeito que Elijah ainda dormia em seu berço no andar de cima.
— Hey, carinha. A tia Santie estará aqui em breve, você vai brincar muito com o Jayden. — eu tentava explicar para a criança choramingando em meu ombro, vez ou outra esfregando o rosto no tecido da minha camisa.
— Mas Déda, eu quero ir com você.
Havíamos tido aquela conversa na noite anterior e em todas antes quando o colocávamos na cama. Era sempre a mesma história.
— O Déda já explicou que agora é uma viagem para as crianças grandes, você estará indo para se divertir com Jayden e logo estaremos todos juntos de novo.
Levantei o rosto ainda esfregando suavemente as costas do menino em meus braços, observando Nate encostado no carro mexendo em seu celular, Beth quase dormindo em pé e Bella e Bailey entretidas em uma conversa. Suspirei e encarei Puck ao meu lado.
— Você tem sorte dela estar dormindo. Estou tendo um tempo difícil aqui. — murmurei, acenando para Connor.
Puck apenas riu e continuou a bater levemente no bumbum coberto por uma fralda da filha mais nova. Rachel e Quinn finalmente ficaram satisfeitas e fecharam o porta-malas, indo diretamente se despedir dos quatro filhos e organizarem todos dentro do veículo.
— Dude, eu estou preocupado. — Puck resmungou.
— Com o que exatamente?
— Nós dois sabemos o que esses quatro podem fazer juntos. Eles podem não ser mais crianças, mas os quatro têm maneiras peculiares de arranjar problemas. Eu estou preocupado sobre essa viagem.
Dei risada e balancei a cabeça concordando.
— Em que nós nos metemos?
Ouvi a porta do carro bater e observei as duas mulheres caminharem até a varanda.
— Os quatro já estão em seus lugares e com cintos de segurança. Beth já está dormindo, o que seria menos um para vocês lidarem por agora. Bella e Bailey não vão demorar a ir pelo mesmo caminho e Nate está entretido com o celular. — Rachel informou, pronta para pegar o menino dos meus braços — Finn, por favor, controle o tempo daquele menino no telefone. Ele vai ser sugado.
— Pode deixar, querida. — sorri lhe entregando nosso filho, que havia pegado no sono outra vez. Ela o acomodou em seu quadril e ele suspirou em seu sono — Vamos ficar bem.
— Por favor, meninos, tomem cuidado na estrada e nos avisem assim que chegarem. — Quinn pediu, tomando Brooklyn do marido — E não hesitem em nos ligar para qualquer problema.
— Ei, temos tudo sob controle. — Puck garantiu. Balancei a cabeça concordando.
— Não é como se nunca ficamos com as crianças antes.
— Não com os quatro juntos, sozinhos. — Rachel enfatizou — Eles podem num piscar de olhos ter vocês dois ao redor de seus dedos mindinhos.
— Não somos tão liberais assim. — eu disse, ultrajado. Rachel revirou os olhos.
— Claro que não.
De repente a cabeça do meu filho mais velho aparece para fora de uma janela traseira.
— A gente sai ainda hoje?
Rolei os olhos. Aquele menino estava me saindo muito do impaciente.
— Aquieta aí, moleque. Já estamos indo.
Ele rolou os olhos e voltou para dentro.
— Não esquece, amor. O celular.
— Pode deixar, Rach. — me inclinei sobre ela e a beijei nos lábios, depois beijei a cabeça do nosso filho em seu ombro — Eu te amo.
— Também te amo. Cuidado e juízo.
— Sempre tenho, querida.
Puck e Quinn se despediram e finalmente entramos no carro, acenando para nossas esposas enquanto deixávamos a entrada e seguíamos pela rua. Nós tínhamos uma longa viagem pela frente.
...
Com 1 hora de viagem e eu já estava completamente arrependido. Começando pelo fato de que, vinte minutos depois que saímos de casa, Bella reclamou que precisava usar o banheiro. Paramos em uma loja de conveniências e colocamos todos para usar o banheiro, menos Beth, já que Puck não havia conseguido fazê-la acordar o suficiente para caminhar até a loja. Quinze minutos depois que voltamos para a estrada, Beth acordou e disse que precisava usar o banheiro.
Agora era pouco mais de seis da manhã e o sol já estava nascendo, e tanto Bailey quanto Bella admiravam extasiadas a perfeição da natureza com seus rostos colados no vidro da janela em suas cadeiras. Observei pelo espelho retrovisor e vi Nate sentado em uma extremidade da terceira fileira de bancos e Beth na outra. Estaria tudo bem se eu não tivesse pego meu filho com ambos os pés sobre o banco, sentado de costas para a porta e sem um cinto de segurança. Ah, e digitando no celular copiosamente.
— Nate! — chamei alto o suficiente, mas fui ignorado — Nate! Nathan! — gritei e obtive não só a atenção do garoto, mas como também olhos arregalados das três meninas — Sente-se direito, coloque o cinto e me dê este telefone agora mesmo.
— Ah, qual é, pai. — ele rolou os olhos e voltou para o aparelho em suas mãos. É, em acessos de raiva e quando era contrariado, meu filho não me chamava de "Déda".
— Nathan, me entregue este telefone agora mesmo e coloque o cinto de segurança. Se você não fizer o que eu mando, iremos parar no meio da estrada e esperar até que você esteja pronto.
Com uma bufada, Nate se arrumou no banco e colocou o cinto, revirando os olhos no fim do processo.
— E não revire os olhos pra mim. Agora, o telefone. Entregue a sua irmã e então à mim.
— Ah, pai, por quê? Eu não estou fazendo nada demais.
— Exatamente por isso, você não está fazendo nada demais portanto não precisa dele. E mude sua atitude comigo, rapaz.
Outra bufada e ele enfim colocou o celular na mão da irmã, com uma força desnecessária, e Bella passou o aparelho pra mim por cima do banco do motorista. Coloquei no console junto com o meu próprio e voltei a por a mão no volante. Dois minutos de um silêncio confortante quando um grito de raiva soou.
— Déda! Nate chutou minha cadeira.
— Foi sem querer, idiota.
— Não me chame de idiota! — Bella gritou apontando o dedo para o irmão.
Nate agarrou o dedo dela no ar e torceu para trás, fazendo-a gritar de dor.
— Merda, Nate, pare de ser um imbecil. Tá machucando a menina. — Beth se intrometeu.
— Cale a boca, Drama Queen. Ninguém falou com você.
— Não me mande calar a boca!
Apertei as mãos no volante quando os gritos continuaram. Puck ao meu lado estava massageando as têmporas com os olhos fechados. Beth e Nate discutiam agora e Bella estava chorando pelo dedo machucado. Bailey assistia tudo quieta.
— Chega!
O carro ficou em completo silêncio com o grito de Puck. Ele se virou em seu assento com os olhos em fúria para encarar os quatro criadores de problemas. Pelo retrovisor, vi Beth se encolher sob seu cinto e Bella parou de chorar no mesmo instante, secando os olhos com as costas da mão e fungando. Nate encarava Puck ainda atordoado.
— Estamos há quase duas horas nessa viagem e eu já estou estressado pelo resto do dia. — ele continuou a palestra. As quatro crianças o olhavam atentamente. Nate e Bella, assim como Connor e agora Elijah, sabiam que tanto Puck quanto Quinn podiam repreendê-los, mesmo quando Rach ou eu estávamos presentes. Isso valia também para Santana, Brittany, Kurt ou Blaine, se eles mereciam. Tínhamos uma política aberta quanto à punição de todas as crianças, se de fato eles estivessem fazendo algo errado, o adulto presente podia repreendê-los da maneira que achava necessário — Nate, peça desculpas à Bella por machucá-la. Elisabeth, não quero ouvir xingamentos da sua parte, mocinha. E não se intrometer quando não é da sua conta.
— Mas, pai, eu tava defendendo...
— Não importa. Isso era assunto para o tio Finn resolver. Nate?
— Tá, foi mal.
— Não é a mim que você deve desculpas. — Puck ergueu uma sobrancelha.
— Desculpa, Bella.
— Beth, quando estivermos no hotel, eu terei uma conversinha com você. Não quero saber da senhorita xingando por aí. E Bailey também.
— Mas eu nem disse nada. — a menina mais nova se defendeu.
— Antes que diga. O mesmo para Nate e Bella. Entenderam?
— Sim, senhor. — quatro respostas cabisbaixas soaram pelo veículo.
— Melhor assim. Agora nós vamos continuar a viagem sem mais brigas ou gritaria. Conversem civilizadamente.
Novamente caímos em um silêncio sepulcral até que a voz relutante de Bailey soou.
— Pai? Podemos parar agora? Estou com fome...
...
O café da manhã havia sido um pesadelo. Estávamos a 1 hora do hotel que ficaríamos hospedados, mas como as crianças estavam com fome e, bem, nós também, resolvemos parar em um restaurante na estrada. Péssima decisão.
Tudo começou nos pedidos. Estávamos os seis ocupando uma mesa perto da janela, uma garçonete sorridente surgiu ao nosso lado com um bloco e um lápis, pronta para nos atender, e eu peguei o olhar sorrateiro do meu filho na pequena moça. E então todas as crianças começaram a falar ao mesmo tempo, pude ouvir diversos tipos de pratos aleatórios e a cara amedrontada da mocinha de pé a nossa frente.
— Um de cada vez, pelo amor de Deus! — Puck implorou, já sem paciência nenhuma, assim como eu.
Enfim todos tiveram seus pedidos devidamente anotados e eu finalmente pensei que teríamos um bom tempo ali, afinal aquela agitação toda devia ser apenas fome, e uma vez que todos estivessem alimentados, dormiriam pelo resto da viagem.
Mas, como sempre, alguma coisa tinha que dar errado.
Nossos pratos haviam sido colocados na mesa, exceto o de Bailey pois eles haviam confundido com o de outro cliente, e isso havia deixado a garota choramingando de fome e reclamando a cada dois segundos pelo mal atendimento. E, para somar na equação problemática, Bailey era aquela criança que levava horas para comer, o que atrasaria a viagem. Nem pensar que eu estava obtendo alimento dentro do meu carro impecavelmente limpo. Beth e Bella, que estavam sentadas lado a lado, comiam calmamente suas refeições, até que por alguma obra infeliz do destino, começou a passar na TV do local alguma notícia sobre um dos inúmeros ídolos juvenis da minha filha de 13 anos, resultando em sua empolgação e, consequentemente, seu braço batendo no copo de suco a sua frente quando ela se levantou do banco. Eu juro que assisti aquilo em câmera lenta, o barulho do copo de vidro caindo sobre a mesa e seu conteúdo amarelo se espalhando por todo lugar, inclusive sobre o colo de Beth, que querendo escapar daquilo antes que atingisse suas roupas super estilosas, se levantou também num rompante, resultando em derrubar Bailey no chão com um empurrão.
Aquilo havia acontecido em milésimos de segundos.
No próximo segundo eu tinha uma Bella de olhos arregalados tapando a boca com as duas mãos, Beth olhando assustada para a irmã jogada no chão, tentando ao mesmo tempo fugir do suco de laranja pingando da mesa e Bailey com uma feição de pura raiva e o rosto avermelhado de vergonha, porque todo mundo do estabelecimento estava olhando para nós.
— Isabella Mary Hudson! — eu disse entredentes, numa voz calma demais que assustava mais do que se eu tivesse gritado — Olha o que você fez!
— Dé-Déda, eu... Me desculpe. Eu sinto muito. Eu não queria-
— Chega! Você está indo exatamente nesse momento atrás de um pano para limpar isso, não quero saber como. Depois você vai se desculpar com as meninas, sentar seu pequeno traseiro nesse banco e terminar seu café da manhã em silêncio. Não quero ouvir nenhuma reclamação. Entendeu?
— Sim, senhor. — ela assentiu e abaixou a cabeça, envergonhada.
Vimos quando a mesma garçonete que nos atendeu se aproximou com um rolo de papel toalha e um borrifador com desinfetante. Fiquei de pé e a fiz parar.
— Senhorita, eu quero pedir perdão pela confusão que minha filha fez. Pode entregar o material de limpeza à ela, já que ela fez, ela vai limpar. — a mocinha assentiu rapidamente sem questionar e entregou as coisas para Bella, que agarrou e fungou uma vez, um choro estava prestes a vir.
Observei Puck levantar Bailey do chão e checar se ela havia se machucado, mas a menina balançou a cabeça negando e se desvencilhou dos braços do pai, marchando até o banheiro feminino do estabelecimento com lágrimas raivosas rolando por suas bochechas. Beth tinha a expressão culpada e assustada, ela parecia não entender direito o que havia acontecido. Nate continuava sentado no canto da janela, com a boca aberta em choque e descrença.
— Ok, crianças. Vamos voltar a comer e terminar isso aqui para seguirmos viagem. — Puck pediu, calmamente. Eu estava longe de estar calmo. — Eu já volto.
Ele seguiu para o banheiro e a garçonete recolheu as coisas de Bella quando minha filha terminou de limpar a mesa e o assento de Beth. Ela se sentou de volta em seu lugar e teve seus olhos sobre o prato durante o resto de sua refeição. Nate sabia melhor do que isso e também voltou a comer em silêncio, assim como Beth se sentou e comeu suas panquecas. Pedi outro suco para Bella e ela agradeceu quase inaudivelmente quando o copo foi posto em sua frente. Puck voltou minutos depois com Bailey que parecia mais calma, porém ela estava séria e não olhou para ninguém ao redor da mesa quando se sentou em frente ao seu prato recém colocado com seus ovos mexidos e torradas francesas. O resto da refeição foi em completo silêncio a não ser pelo barulho dos talheres sobre o prato.
Quando finalmente voltamos ao carro e todos se acomodaram em seus lugares, Puck tomou o controle do carro e eu agradeci silenciosamente, ocupando o banco do passageiro. Recostei minha cabeça no encosto do banco e fechei os olhos por alguns segundos.
— Bay, me desculpe por te empurrar. — a voz de Beth soou pelo veículo silencioso. Ela parecia realmente culpada.
— Não quero falar sobre isso agora, Beth. A gente conversa no hotel. — pelo espelho retrovisor vi Bailey falar baixinho encarando a janela e Beth assentir devagar.
Encarei Bella e vi que minha filha chorava silenciosamente com a cabeça encostada no vidro, limpando a bochecha raivosamente vez ou outra. Suspirei pesadamente e voltei a fechar os olhos, imaginando se essa era realmente uma viagem para relaxarmos nas férias.
...
Quando finalmente chegamos ao hotel, eu dei graças à Deus que pelo menos aquela parte havia terminado sem maiores problemas além de fungadas audíveis dentro do veículo e que finalmente não estávamos mais enclausurados dentro dele, respirei o ar de Nova York e pude sorrir minimamente. Apesar da correria e da poluição, eu amava essa cidade.
Fizemos o check-in na recepção e subimos de elevador até nosso andar. Estávamos ocupando dois quartos lado a lado, com duas camas King-size cada um e um banheiro particular. Eu iria ocupar um com meus dois filhos e Puck o outro com as duas meninas, havíamos pensado até em deixar um só para as crianças, mas depois do que aconteceu no caminho e no restaurante, essa opção estava fora de cogitação, como um castigo para eles. Quando as malas chegaram, eu acomodei todas no armário e deixei as crianças olharem a vista maravilhosa pela janela, eles estavam deslumbrados com a cidade e até mesmo o incidente havia sido esquecido no momento. Mas eu não podia deixar isso passar.
— Nate, você tem permissão para ir olhar pelo hotel. Pode ter o seu celular com você para que eu o chame quando acabar aqui, e mais tarde iremos conversar sobre seu comportamento no carro. Não saia deste hotel ou você vai se arrepender. Entendido?
— Sim, Déda. — ele disse empolgado como ele tomou o aparelho das minhas mãos e correu porta afora.
Observei como Bella se mexeu desconfortavelmente ainda olhando pela janela. Ela sabia que estava em problemas e que eu não iria deixar passar. Ela estava acostumada ao modo de disciplina que Rachel e eu dávamos à eles, se se comportassem mal, iríamos sentar e conversar sobre o que estava passando pela cabeça deles e se eles entendiam porque era errado. Depois recolhíamos seus objetos de diversão e eles automaticamente estavam de castigo. Às vezes funcionava, e quando não obtínhamos o bom comportamento, eles estavam indo para levar palmadas no traseiro.
— Boo, venha até aqui, por favor.
Vi como Bella se virou sobre seus pés, com a cabeça baixa e as mãos atrás de seu corpo. Ela caminhou lentamente até estar parada na minha frente, enquanto eu estava sentado em uma das camas. Levantei seu queixo para fazê-la me olhar e percebi que ela lutava contra as lágrimas que enchiam seus olhos.
— Déda, eu sinto muito com o que aconteceu no café da manhã. Eu realmente não queria fazer aquilo. — ela balbuciou antes de dar uma fungada.
— Eu sei que você sente muito, Boo. Mas isso não apaga o que você fez. Você quase sujou a roupa de Beth e fez Bailey se sentir muito envergonhada por cair no meio de um restaurante cheio. Se não fosse a sua empolgação exagerada, tudo isso poderia ser evitado.
— Eu sinto muito. — ela soluçou.
— Você não deve desculpas à mim, Boo. Bailey está muito chateada e eu acho que o certo é vocês duas conversarem. Ela é sua melhor amiga, então acredito que além dela estar chateada pelo o que aconteceu, ela está mais triste por não estar falando com você nesse momento. — ela assentiu com a cabeça e fungou outra vez — Você entende por que você está errada?
— Sim, Déda.
— Por que você está chorando desde que saímos do restaurante? — falei, secando seu rosto com meus polegares.
— E-eu me senti muito envergonhada, principalmente quando você me fez limpar a mesa. Eu realmente não queria fazer aquilo... Foi meio que humilhante depois disso.
Sorri e a puxei para se sentar em meu colo.
— Você merecia aquilo, Boo. Você estava errada e você merecia ter um castigo, uma consequência dos seus atos para você poder pensar sobre isso para não acontecer uma segunda vez. Você entende isso?
— Entendo, Déda. Eu estou arrependida.
— Ótimo, é bom ouvir que você compreende o modo que eu puni você. Eu não quero estragar nossa viagem, e como você se mostrou arrependida, você pode se desculpar com a Bailey e depois estará livre de problemas.
Vi a maneira que ela arregalou os olhos.
— Sem castigo ou palmada?
Ri de minha pequena criadora de confusão.
— Sem castigo ou palmada. — ela me abraçou apertado — Contanto que não volte a se repetir, aí então a senhorita estará em apuros, mocinha.
— Prometo, Déda. Eu vou me controlar da próxima vez. — sorri e acariciei seu rosto.
— Boa garota. Imagine se você sujasse as roupas de Beth? O drama que enfrentaríamos? — tentei quebrar a tensão. Bella riu e secou a lágrima que havia escorrido.
— Seria o inferno.
— Opa, controle sua linguagem também, mocinha.
— Desculpa, Déda.
— Tudo bem. Agora vá lavar esse rosto enquanto eu ligo para o tio Puck para darmos uma volta pela cidade.
Trinta minutos mais tarde finalmente estávamos passeando pela maravilhosa Big Apple. Puck e eu deixamos que Bella e Bailey andassem mais a frente para que as duas pudessem conversar, Beth ia ao nosso lado com seu celular tirando fotos de tudo que a garota achava conveniente para ter como lembrança da cidade que nunca dorme e Nate ia mais atrás, também tomando algumas fotos.
Suspirei e sorri. Acho que finalmente estávamos indo para ter a viagem que havíamos planejado.
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