Notas iniciais
E então nos despedimos aqui :( Foi maravilhoso esse tempo com vcs, eu não mudaria nada e sou eternamente agradecida por vcs fazerem parte disso comigo. Eu quero agradecer a cada um de vcs que acompanhou, favoritou, recomendou (recomendações lindas) e comentou. Até aos fantasminhas, eu agradeço de coração mesmo. Despedidas nunca são alegres, mas eu sinto aqui no meu interior uma sensação de dever cumprido que não tem preço, me sinto realizada. Cada um de vcs é querido por mim e deixaram suas melhores lembranças para mim. No futuro, eu com certeza vou olhar para trás e lembrar disso aqui. Eu só tenho um pedido a fazer: assim como nunca vou esquecer isso aqui, quero que vcs tbm sempre se lembrem de mim... sugestivo, não? Tem um recadinho (não tão "inho" assim) lá nas notas finais, quem estiver interessado leia, quem não quiser, tudo bem, é mais um conselho do que qualquer outra coisa :) Obrigada por serem como são e fazerem isso ser real junto comigo. YOU GUYS ARE THE BEST!

A sala de espera do hospital parecia pequena demais para o número de pessoas que se encontrava ali. De um lado, Judy Fabray e a Sra. Puckerman pareciam ansiosas em seus acentos acolchoados enquanto a mulher loira, como a filha, e vestida elegantemente torcia as mãos em seu colo. Perto delas, uma Shelby em o que parecia uma mistura de nervosismo e empolgação olhava sem parar para o corredor que seguia em frente à eles, enquanto Russel Fabray e Will Berry entretinham os netos que pareciam entediados pela espera e ao mesmo tempo um pouco agitados.

Estavam ali há algumas horas que mais pareciam anos, à espera de qualquer comunicado de que Rachel Hudson e Quinn Puckerman estavam bem. As duas mulheres estavam em quartos separados, obviamente, acompanhadas de seus respectivos maridos e deixando os familiares a ponto de arrancarem os cabelos ou abrirem uma cratera no chão de tanto andarem de um lado a outro.

— Vovô, ainda vai demorar muito? — a pequena Bailey, de nove anos, se dirigiu à Russel com um olhar entediado, aquele brilho esverdeado idêntico ao de Quinn.

— Vovô não sabe, meu anjinho. Temos que esperar mais um pouco.

— Vô, o senhor disse isso há uma hora. — Beth revidou em seu típico mau humor de quando estava impaciente. A garota, de recém completos doze anos, estava entrando na pré-adolescência e já demonstrava os sinais de uma personalidade difícil.

— Paciência, querida.

Isabella, em toda a sua inocência e doçura características de sua personalidade, já prestes a completar onze anos de idade, parecia empenhada em tentar desvendar o que seu irmão mais velho tanto fazia, enquanto ele tinha as sobrancelhas claras levemente unidas, total sinal de concentração, os olhos presos à um papel amassado em suas mãos e poucas palavras meio apagadas escritas nele.

— O que é isso? — perguntou de repente, fazendo com que o garoto saísse de seus pensamentos e a encarasse um pouco raivoso, dobrando o papel rapidamente e o enfiando no bolso do casaco.

— É coisa minha. Nada que te interessa.

Bella franziu as sobrancelhas e cruzou os braços.

— Ih, desculpa Sr. Mal Humorado. Não precisa também falar assim.

— Shh! Crianças, falem mais baixo. Estamos em um hospital. — Will pediu aos netos em uma repreensão disfarçada.

— Ai, vovô. Eu to cansada de esperar. — Bella resmungou se jogando na cadeira ao lado do avô e jogando a cabeça para trás enquanto bufava.

— Tenha calma, Bella. Já já seu pai aparece aí e nós poderemos ver a mamãe.

— Isso parece como a eternidade. — Nathan revirou os olhos — Por que tem que demorar tanto, eihn?

Como se fosse previsto e combinado, um barulho de porta abrindo preencheu o corredor e todos se levantaram ao mesmo tempo, observando um Noah Puckerman em vestimentas de hospital com o semblante extasiado e exalando felicidade.

— E aí? — Judy foi a primeira a se pronunciar.

— Eu to pagando os meus pecados. — ele respondeu em meio a um sorriso babaca que iluminava seu rosto — Mais uma menina!

Todos gritaram em euforia e foram imediatamente repreendidos por uma enfermeira pela algazarra. Um a um abraçou Puck apertado e lhe desejou parabéns, enquanto o rapaz agradecia e tentava não deixar as lágrimas rolarem.

— E como a Quinn está? — Russel quis saber.

— Ela tá bem. Exausta, mas tá bem. Nossa terceira garotinha é bem grande e deu um pouco de trabalho e uma certa canseira na mamãe, mas as duas agora estão bem. — ele parecia a pessoa mais radiante do mundo. Então se virou para as duas filhas — Hey, macaquinhas. Venham conhecer a Brooklyn.

As duas garotas loirinhas e sorridentes seguiram o pai pelo corredor para conhecerem a irmãzinha e poderem finalmente falar com a mãe. Enquanto isso, os que restaram na sala de espera voltaram a se sentar para esperar por mais notícias agora de Rachel. Estava demorando um pouco, visto que ela havia passado mal primeiro que Quinn, mas ao que parecia a pequena Brooklyn Fabray-Puckerman tinha pressa de conhecer o mundo.

Nathan voltara a sentar meio isolado da família e puxara o papel de seu bolso outra vez. Estava em uma fase estranha da vida, muitas vezes ele mesmo não se compreendia e tentava recorrer ao pai e aos avós Christopher e Will, mas nem sempre ele tinha coragem para se abrir. E agora então com um novo bebê, seria tão ou mais difícil quanto. Não que ele estivesse com ciúmes, longe disso, estava até bastante empolgado com a ideia de ter outro bebê em casa para ajudar a tomar conta. Afinal, foi assim da última vez.

Abriu o papel amassado e releu pela enésima vez o que havia escrito. Era um começo, na verdade, ainda iria se prolongar e dizer tudo o que queria, mas isso requereria tempo e disposição, e agora com toda aquela confusão acontecendo, teria que adiar, mais uma vez, aquele momento.

Seus pensamentos foram interrompidos ao perceber seu pai vir caminhando pelo corredor, com as mesmas vestimentas do hospital que Puck trajava, o semblante visivelmente cansado, um pouco suado até, e um irreconhecível brilho nos olhos.

— Finn! — Shelby se levantou em um rompante ao notar o genro se aproximando — Como foi?

O rapaz alto suspirou e retirou a touca fina branca da cabeça, deixando aos poucos um sorriso torto brotar em seus lábios.

— Foi um momento complicado, a Rach teve que ser bastante forte. Por pouco não recorreram à cesariana, mas graças à Deus deu tudo certo e agora os dois estão bem.

Todos ali respiraram aliviados e então Nathan se deu conta.

— Dois? Quer dizer...

Finn alargou o sorriso.

— Com 3,350 kg e 50 cm, eu sou pai de um garotão!

Mais uma vez eles comemoraram, dessa vez mais contidos para não levarem outra bronca. Finn recebeu as felicitações de todos e tratou de ligar para os pais que não puderam estar ali, mas assim que possível iriam visitar o mais novo membro da família. O rapaz avisou que o bebê já estava sendo preparado para ir ao berçário, então todos podiam ir vê-lo em breve. Seu telefone tocou no bolso da calça e ele atendeu sorridente à amiga.

— Hey, Santie.

Então, GiganFinn, nasceu?

Ele parecia abobalhado.

— Nasceu. Um garotão, como a Rach suspeitava desde o início.

Você nasceu para fazer meninos. Bella salva nessa família. — ela brincou.

— Que horas vocês vêm?

Vou só terminar de vestir os meninos e já saímos. Nos esperem.

— Tudo bem. Até.

Guardou o aparelho e observou a enfermeira avisar que o bebê já estava no berçário. Chamou a família e os amigos e foram até lá, ansiosos.

Vários pares de olhos abobalhados encaravam aquele pedacinho de gente que Finn indicou através do vidro, envolto em uma manta branca e uma touquinha listrada cobrindo a cabeça enquanto se esgoelava.

— Esse puxou mesmo à mãe. — Will murmurou, arrancando alguns risos.

— Ele é precioso. — Shelby babou ao lado do marido.

"Acabei de chegar" eles puderam ler a plaquinha branca com letrinhas azuis colada ao bercinho que ele ocupava "Elijah Berry-Hudson".

— Ele lembra vocês dois. — Will reparou.

— Finalmente, né? — Finn brincou — O Nate é a minha cara, a Bella e o Connor são a Rachel todinhos. Alguma hora isso tinha que acontecer.

Isabella então tirou os grandes olhos castanhos escuros, como os de Rachel, do irmãozinho e puxou a camisa de Finn, chamando sua atenção.

— É mais um menino, Déda. — ela disse sugestivamente.

— Sim, Bella. Agora você tem mais um irmão.

— Então isso quer dizer que... — ela fez suspense e fez sinal para que Finn se abaixasse e se aproximasse para que ela pudesse cochichar em seu ouvido — ... Eu ainda sou sua princesa.

Finn sorriu e pôs o rosto rente ao dela, narizes quase se tocando, para que se olhassem nos olhos e pudessem sentir toda aquela conexão de Déda e filha que só eles tinham.

— Você SEMPRE vai ser a minha princesa. Mesmo que eu tenha mais dez filhas, você vai ser a princesa número 1.

Bella então deu seu sorriso de covinhas e agarrou o pescoço do pai em um forte abraço e depois lhe beijou a bochecha.

— Obrigada, Déda.

— Por nada, princesa Boo. — deu uma piscadela para a filha, que retribuiu o gesto.

— Sorte sua que não perdeu o trono, eihn Bella? — Nate brincou com a irmã lhe dando um empurrãozinho e ela apenas sorriu em deboche.

Às vezes ela lembrava muito a Santana também.

— Pra mim, ele tem cara de joelho. — Nathan observou pelo vidro.

— Ai, seu insensível. — a voz de Beth foi ouvida no corredor do berçário enquanto ela se aproximava com Bailey para olhar o vidro também.

— Chegou a rainha do drama. — o garoto loiro zombou.

Beth apenas rolou os olhos e cruzou os braços, ignorando o comentário. Puck se aproximou de Finn e lhe apertou o ombro.

— Parabéns, dude.

— Pra você também, cara. — ele se virou e deram um abraço com tapinhas nas costas, logo voltando a olhar pelo vidro — Qual deles?

— Aquela ali que a enfermeira tá colocando no bercinho. Brooklyn Puckerman, a cara do papai aqui.

Finn teve que rir e concordar.

— Déda!

Um gritinho foi ouvido no corredor e todos ali observaram o garotinho de apenas dois anos vir correndo com suas perninhas desengonçadas e se jogar nos braços do pai. Finn o pegou no ar e o virou para olhar o berçário.

— Hey, campeão. Aqui tem que falar baixinho, tá bom?

— Cadê o neném?

— É aquele ali, maninho. — Nate se aproximou e apontou no vidro — Aquele ali é o Elijah.

Santana chegou até eles segurando o pequeno Jayden de três anos, e o melhor amigo de Connor também ficou encantado com os novos bebês. Os dois garotos eram realmente unidos, assim como provavelmente Elijah e Brooklyn também seriam. Só faltavam mesmo Kurt e Blaine para estarem completos, mas o casal estava em uma viagem com os filhos pela Europa.

— Ele é "peteno", Déda.

— Igual você foi um dia, Little Monkey. — Finn sorriu nostálgico — Igual você foi um dia.

...

F's P.O.V.

Ainda é meio surreal. Sendo pai pela quarta vez e a cada uma delas parece mais mágico e inacreditável. Impossível até quando se pensado, porém possível de realização ao ver que tudo isso está diante de meus olhos. Sinto que a qualquer momento poderia explodir de felicidade.

Com Nathan, o que prevaleceu foi o medo. Era algo novo em minha vida, não sabia direito como agir, senti toda a responsabilidade por uma outra vida pesar em meus ombros sem aviso prévio. Mas depois que pude finalmente pegar meu primogênito nos braços, senti-lo verdadeiramente, foi que descobri a real razão do que era amar incondicionalmente. Poderia até ser clichê no sentido literal da palavra, mas quem ama é piegas e não tem jeito. Era como sentir meu próprio coração agora bater fora do corpo. Era toda a minha vida ali nos meus braços.

Com Bella foi menos aterrorizante, mas ainda sim fiquei assustado. Uma menina agora. Um mundo completamente diferente do meu, novos gostos, escolhas e jeitos. Uma princesinha dependente de mim e que eu cuidaria e protegeria com unhas e dentes, e que, de bônus, ainda tinha um pequeno cavalheiro para me ajudar. Isabella é meu ar, o meu lado mais delicado, a minha eterna princesa Boo.

Connor foi a surpresa no melhor sentido da palavra. E Rach planejou um fim de semana entre nós dois para me contar. A gente não havia planejado e ficara decidido pararmos em Isabella, mas o destino resolveu nos surpreender e então ele veio.

E agora tinha Elijah, que com poucos dias de vida e já tem um significado imenso. Meu quarto filho é como se fosse a comprovação, a assinatura que faltava, o carimbo final de que eu ocupava a função mais especial na Terra. Estava realizado.

E não podemos esquecer de Rachel.

Ah, ela... Ela é meu porto seguro. Minha casa, meu lar, a mãe dos quatro tesouros mais preciosos da minha vida. Sem ela nada disso aqui seria capaz de existir. Ela é meu chão, minha base, o amor da minha vida. Minha amiga, companheira, esposa, amante, eterna namorada. Mais piegas que isso, impossível. Mas é a mais pura verdade.

Esses cinco. Minha família, a coisa mais importante que tenho na vida. Algo meu, que construí ao lado de alguém especial e que me faz hoje o homem mais feliz do universo. Eu só tenho vitórias. Rachel, Nathan, Isabella, Connor e Elijah são minhas melhores conquistas. Sem eles, eu não seria nem metade do que sou hoje, o Déda mais realizado do mundo.

Baby Bear, Princesa Boo, Little Monkey e Pequeno Eli, obrigado por me darem a chance de provar, principalmente, a mim mesmo que eu posso sempre mais do que sou capaz, como por exemplo, ser o Déda de vocês.

Rach, meu amor, obrigado por me presentear com essas quatro pipocas espevitadas. Obrigado por me mostrar o que é um lar, por fazer eu me sentir sortudo a cada manhã ao levantar da cama, por sempre estar ali.

Vou me despedindo senão isso aqui vai ficar enorme. Um beijo a cada um de vocês, minha família.

Com amor,

Déda.

Larguei a caneta sobre a mesa enquanto sorria abobalhado para o papel a minha frente. Isso não era o final, era apenas o começo de uma nova jornada. E eu estava empolgado demais para começá-la.

— Déda? — ouvi Nate me chamar da porta do quarto e sorri para ele, fazendo sinal para que entrasse — Escrevendo outra vez?

— Parece que esse é o meu dom.

Ele soltou um riso e balançou a cabeça concordando.

— Eu que o diga...

Percebi que ele queria falar algo, eu conhecia esse moleque há treze anos e ele nunca mudava.

— Fale de uma vez.

Nate me encarou como se houvesse sido pego e então suas bochechas se tornaram rosadas.

— E-eu... Só queria... Lhe entregar... Lhe entregar isto.

Ele me estendeu um papel amassado que pareceu ser dobrado e desdobrado diversas vezes. Sorri e peguei de sua mão.

— O que é?

— Só... Leia.

Franzi o cenho e então assenti, antes de vê-lo deixar o quarto um pouco mais tímido que de costume. Ouvi o choro alto de Elijah no andar de baixo e Rachel gritar alguma coisa com Bella, que discutia pela TV com Connor. A rotina estava começando.

Me recostei na cadeira giratória da escrivaninha e vi o porta-retratos na minha mesa e sorri. Meus quatro filhos juntos. Comecei a desdobrar o papel e me concentrar nas letras tortas um pouco apagadas, porém legíveis. A letra do meu filho.

Querido Déda Bear,

eu nem sei direito como começar essa carta. Eu não sou muito bom com as palavras, eu prefiro demonstrar, mas já que por um simples pedaço de papel isso é praticamente impossível, eu me dediquei total a esse tempo só para lhe escrever essa nota. Pode estar confuso ao ler, se perguntando o porquê de eu estar fazendo isso, mas eu senti a extrema necessidade. Você me escreveu durante um tempo que eu considero muito grande, então decidi que era hora de retribuir.

...

FIM

Notas finais
Então galera, aproveitando essa última nota final para deixar um recado de coração à todos vocês. Não é pessoal com ninguém, de forma alguma, e se quiserem passar adiante sintam-se à vontade. Bom, ultimamente eu tenho observado aqui alguns autores desanimando com suas fics por causa da quantidade de review. Não é minha intenção julgar ninguém pelas próprias escolhas, até porque eu não sou ninguém além de mera autora como vocês, mas eu acredito que pensar dessa forma não é um bom caminho a se tomar. Estamos todos aqui porque amamos o que fazemos, certo? Só pode ser isso, porque ninguém aqui é pago pelo o que tá fazendo e tá aqui ainda por vontade própria. Então por que administrarmos isso com cobranças e ameaças? Um review, uma recomendação ou uma favoritação são consequências de um trabalho, não vamos transformá-los na causa disso aqui. Até porque se formos depender de outros para tudo que formos fazer na vida, poderemos sempre estar sujeitos à decepções e frustrações. Não to dizendo que não ganhar reconhecimento seja bom, mas devemos tomar isso como um bônus, uma motivação para continuar o que amamos, não como o real e único motivo para fazer acontecer. Desistir de algo que te faz bem e é seu porque ninguém dá bola é pensar pequeno, na minha humilde opinião. Poxa, você fez aquilo se concretizar e deu um duro danado, já não basta saber que conquistou aquela ideia sozinho e que pode se orgulhar de si mesmo? Meu pensamento é sempre o mesmo a cada história publicada: "Que se dane se não vão gostar, eu to aqui porque eu amo o que faço e me deixa feliz." Escrever me deixa feliz. Se alguém vier a se agradar com meu trabalho, a recompensa é grandiosa, com certeza. Mas não serão 738675 visualizações e apenas 2 reviews que farão eu parar de fazer o que eu amo. Eu jamais permitiria isso :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!