Remember Me
10 Capítulo 9 - A little surprise to Daddy
Notas iniciais
Querido Baby Bear,
desde o dia em que eu soube que seria pai, eu sabia que as datas especiais seriam comemoradas de forma diferente em nossa casa. O Natal agora seria com uma criança espevitada ansiosa para abrir os presentes na manhã de inverno mais esperada por quase toda a população, na Páscoa nós iríamos decorar ovos e fazer toda aquela caça à eles que as crianças adoram, no Halloween teríamos que ser pacientes ao decorar abóboras enormes e ter toda uma disposição de percorrer o bairro batendo de porta em porta com um bando de crianças fantasiadas de seus personagens favoritos, e quem sabe não nos renderíamos também às vestimentas divertidas? Teríamos aniversários a mais para celebrar, a cada ano com um tema de seu gosto em cada fase da sua infância. Eu estava ansioso para realizar tudo isso, antes eu não dava muita importância, mas agora ver um sorriso no seu rosto é minha meta de vida. E, como também era esperado, o dia dos pais. Para esse eu mal podia conter a empolgação.
Naquele ano a ansiedade veio em dose dupla. Acordei em um momento qualquer daquele domingo ensolarado especial de junho com a claridade do dia entrando no quarto, tateei a cama e me vi sozinho nela, o relógio no criado-mudo marcava poucos minutos depois das 10 a.m. então constatei que Rach já estava cuidando das obrigações de mãe. Levantei preguiçosamente e bocejei me arrastando até o banheiro do nosso quarto, como todas as manhãs, mas, diferente das outras, encontrei um bilhete peculiar colado no espelho, reconheci a letra da sua mãe, mas a assinatura final estava com as letras meio tortas, então deduzi que sua mãozinha fora guiada a escrever.
Vou te confessar que aquilo me fez abrir o maior sorriso do mundo, e eu ainda mal sabia o que me esperava a seguir. Peguei o aparelho e fiz como indicava o bilhete. Me sentei na cama e dei play.
A primeira coisa que apareceu foi a barriga da sua mãe bem próxima à câmera frontal tentando ajeitar o aparelho em uma posição perfeita, quando esteve satisfeita ela se afastou e sentou no sofá, pegando a Bella do tapete e a pondo sobre as pernas e você sentado ao lado dela. Vocês ainda usavam pijamas e tinham o rosto amassado de sono. Eu estava louco para ver aquilo.
— Então, Nate, preparado?
Rach perguntou sorrindo para você no vídeo, que assentiu copiosamente sorrindo sapeca olhando para a câmera. Bella só sabia morder o dedinho em meio à baba dos seus deliciosos 9 meses, encarava a si mesma na tela de olhos arregalados.
— Pode começar, filho.
— Déda, "feiz" dia dos Dédas. Amo "voxê" muitão, daqui até lá no "xéu" e "vota ota veix".
Eu tava ficando maluco com aquilo. Já podia sentir algumas lágrimas quererem escorrer, pisquei várias vezes tentando espantá-las. Você então parou por alguns segundos e olhou para sua mãe com um dedinho na boca. Sorri com aquilo.
— Vai, bebê. Termina pro Déda.
— "Esquexeu", mamãe.
Gargalhei dessa vez.
— Você e a Bella têm muita sorte...
— AH, "LEMBOU"!
Deus, eu estava amando!
— Eu e a Bella têm "sote" de "tê" um Déda "axim", que "binca", "faix vião", conta "histolinha". "Bigado" Déda por "xê" o "melior" Déda do mundo todinho!
Àquela altura eu já não conseguia mais segurar, funguei uma vez olhando a perfeição daquele simples gesto de amor. Bella esticou a mãozinha tentando alcançar a tela e eu me derreti por completo. Sua mãe então beijou seus cabelos e olhou sorrindo para a câmera.
— Meu amor, que presentão nós temos aqui, hein? Isso tudo é pra você, nós te amamos muito e- foi interrompida.
— Da da da da da.
Depois de Bella demonstrar sua empolgação, ela continuou.
— você é o "melior" Déda do mundo todinho.
Ela imitou você. Minha risada foi inevitável.
— E, para comemorar dignamente, temos mais uma surpresa.
Então ela olhou para você outra vez e acenou com a cabeça. O que veio a seguir me desarmou completamente.
— May the angels "potect" you, "touble" "neget" you, and "heven" accept you weiiiin it's time to go "ome". May you "aways" have "penty", your "gass" never empty, know in "you" "bey" "you'e" never "aone"
Eu já soluçava à essa altura, você cantando do seu jeitinho errado deixou a música que eu costumava cantar para você mais linda ainda. E sua vozinha doce de criança me fez querer te agarrar naquele momento.
— May your tears come from laughing, you find friends worth having, as every year passes they mean more than gold. May you win and stay humble, smile more than grumble, and know when you stumble, you're never alone...
A voz linda e afinada da sua mãe preencheu o ambiente e eu observava embasbacado. Então veio a melhor parte:
— Never aloooooooooooone, never aloooone
Você cantaram juntos o início do refrão e eu chorei junto com aquilo. Então você continuou:
— I "wil" be in "evey" "biiit" of "you" "hat" when you face the "unnown".
— Wherever you fly, this isn't goodbye, my love will follow you stay with you baby you're never alone.
— "Feiz" dia dos Dédas. Amamos "voxê"!
— Feliz dia dos Dédas, meu amor. Nós três te amamos muito e somos felizardos em te termos em nossas vidas. A cada manhã, cada dia, cada mês e ano, você é especial para nós e sem você nada faria sentido.
— Déda!
Quase infartei com o último grito da Bella apontando para a tela, seguido de sua gargalhada gostosa.
Sua mãe finalizou aí e eu já não sabia o que sentir. Um sentimento cresceu em meu peito vendo a coisa mais linda que eu já havia presenciado na vida. Eu intercalava o iPad entre uma mão e outra para secar as ininterruptas lágrimas. Essa música tinha um significado especial, eu sempre cantava para você e, logo depois, para sua irmã quando ela nasceu. Ela transmitia tudo o que eu queria dizer à vocês sempre, desde o momento em que eu soube que seria "Déda". "Never Alone" era única!
A única vontade que eu tinha naquele instante era de agarrar vocês e beijar até não aguentar mais. Saí em disparada do quarto largando tudo para trás e segui os sons de risadas na cozinha. Sua mãe havia colocado você e sua irmã sentados no balcão enquanto preparavam alguma massa em uma tigela, os três sujos de farinha e a expressão em completa felicidade. Aquilo era o meu lar, minha família, e eu tinha a plena certeza de que com vocês, eu nunca estaria sozinho.
Com amor,
Déda.

Fale com o autor