Remember Me
8 Capítulo 7 - An important choice
Notas iniciais
Espiei pela porta da cozinha para ver se a barra estava limpa. Eu precisava passar pelo corredor do primeiro andar e chegar até o porão sem que ninguém me visse, eu levava uma mochila vazia nas costas onde eu colocaria as cartas para que pudesse ler no meu quarto sem me preocupar em ser pego no flagra. Ninguém poderia descobrir, nem Bella sabia, ela só havia lido aquela carta comigo porque eu achei que ela merecia, mas ela nem desconfiava que havia uma caixa lotada delas, e eu não sabia se estava pronto para contar para minha irmã, sei lá vai que ela dá com a língua nos dentes.
Vendo que não havia ninguém, andei sem fazer barulho até a porta que levava para o porão e a abri lentamente, tentando não fazer nenhum ruído. Com Bella eu não precisava me preocupar por enquanto, já que ela estava de cama por conta do tornozelo torcido, mas minha mãe estava em casa cuidando dela e eu não fazia ideia de onde ela estava nesse momento. Desci as escadas rapidamente e tratei de enfiar logo as cartas na mochila, assim como as fotos que estavam juntas. Fechei a caixa de novo e coloquei no mesmo lugar que a encontrei para não deixar pistas, pus a mochila nas costas e voltei à minha tentativa de chegar ao meu quarto sem ser visto. Estava dando certo, subi para o segundo andar na ponta dos pés, sorri me aproximando do meu quarto pela vitória conquistada quando uma voz fez a minha espinha gelar.
— Nate, o que tá fazendo?
Parei no lugar e me virei devagar a tempo de ver minha mãe fechar a porta do quarto da minha irmã. Arregalei os olhos sem saber o que fazer ou falar, abri e fechei a boca várias vezes e sorri amarelo.
— E-eu? N-nada.
— Nada...? E essa mochila? Você está saindo, por acaso? — ela ergueu as sobrancelhas. Droga.
— N-não. É que... Eu, err... — pensa, Nate, pensa — Eu... Eu resolvi... Estudar um pouco lá embaixo, m-mas... Mas aí mudei de ideia e vim guardar o material de novo.
Péssima desculpa, Déda diria.
— Estudar? No recesso? Você está bem, filho? — ela franziu a testa — Digo, isso é ótimo. Mas não é você.
— Eu não posso querer reforçar meu conhecimento, mãezinha querida? Eu amo aquela escola.
Não força, Nate. Não força.
— Tudo bem. — ela fez uma cara desconfiada — Eu acho ótimo isso, mas se eu não te conhecesse tão bem, eu acreditaria. — ela riu e bagunçou meu cabelo antes de se afastar até as escadas — Estou pedindo o jantar hoje, o que vai querer?
— Comida japonesa é legal. — dei de ombros e ela assentiu antes de descer.
Pude finalmente respirar aliviado e entrei em meu quarto como uma bala. Às vezes tenho que me submeter a certas situações inimagináveis para mim, amar a escola, até parece. Ainda bem que ela não acreditava.
Larguei a mochila sobre a cama e peguei uma carta aleatória dentro dela, me joguei sobre o pufe em forma de carro e comecei a ler.
Querido Baby Bear,
você já deve ter parado para se perguntar em algum momento da sua vida o porquê de você ter esse nome, ou como foi a escolha dele, ou se sua mãe e eu tínhamos em mente colocarmos outro nome em você, pois eu mesmo já me perguntei várias vezes o porquê de ter o nome que tenho. Ok, pode ter ficado confuso. Mas eu resolvi escrever essa carta porque acho que essa identidade que carregamos para o resto de nossas vidas (alguns até mudam ao longo do tempo, mas sabem lá no fundo o seu verdadeiro eu) e que é total responsabilidade de nossos progenitores definem tanto quem somos, senão não haveria os significados, não é mesmo? Eu acredito que a escolha do nome de alguém que você dá a vida deve ser feita de acordo com o que ela vai representar para você no mundo, por isso é tão importante. E imagina só o peso que a gente põe nos ombros quando recebe uma tarefa dessas? Bom, a sua foi tão trabalhosa quanto imaginávamos.
Foi numa tarde de nevasca em Boston onde as aulas da faculdade haviam sido suspensas. Um maravilhosamente comemorado e bem vindo Snow Day. Estávamos todos presos em casa e sem nada pra fazer, nenhum filme prendia a atenção, já havíamos zerado todos os jogos de tabuleiro, ninguém tinha nenhum assunto relevante, tava um completo tédio. Até que a mente brilhante da casa, ou seja, sua tia Brittany (sério ela é um gênio) inventou que devíamos escolher um nome pra você, todos nós, já que àquela altura a gravidez da Rach estava agregada à todos daquela república. Mas não foi tão simples assim, fizemos um tipo de jogo: cada um colocou nomes da preferência em papéis picotados e colocamos juntos, sua mãe e eu sortearíamos, leríamos em voz alta e se fosse de nosso agrado ou não, diríamos e também o motivo.
Parecia uma boa ideia e pelo menos ocuparia o nosso tempo.
Eu quase implorei para sortear o primeiro nome, estava realmente empolgado com aquilo e já estava cansado de chamar você de Baby Bear (já conto como isso surgiu). Fiz um certo suspense remexendo os milhões de papéis colocados em um boné e sorteei um aleatório, abri e "Adam" estava escrito com um coração do lado. Perguntei quem havia opinado e tia Brittany levantou a mão contente, dizendo que significava "homem", e já que você era um menino, nada mais justo que Adam... Brilhante, Brittany, brilhante. Agradecemos e dissemos que iríamos pensar, mas com certeza não. Odiamos. Rach puxou o próximo papel e leu "Aladim". Todos olharam imediatamente pro seu tio Puck, que encolheu os ombros, quem não sabe que aquele moleque que conversava com um gênio que saía de uma lâmpada mágica era o personagem preferido dele? Não dissemos absolutamente nada, Rach apenas amassou o papel e jogou na cara dele fazendo um muxoxo, ninguém ousava irritá-la nessa fase da nossa vida. Abri outro papel e li "Benjamin", seu tio Kurt sorriu e disse significar "filho", olhei para sua mãe e ela fez uma careta balançando a cabeça negativamente... É, estava difícil agradá-la também. Mais um papel e dessa vez foi "Caleb", porém ela não deu nem a chance da pessoa se explicar porque argumentou algo parecido com cão do inferno que eu não entendi muito bem, mas só sei que esse estava fora de cogitação. "David" foi minha próxima opção, e mesmo com o significado bonito que Santana havia dito, nem eu nem sua mãe gostávamos desse nome. E foi uma tarde até que bem produtiva, afinal decidimos sua identidade, mas além disso foi uma tarde cheia de nomes que eu fiquei tonto. Eram tantas opções que ficava difícil escolher, confesso que no fim quase fiquei com a possibilidade de nomeá-lo Baby Bear, mas sua mãe não deixou. Ah vai, seria bem mais fácil.
Se eu te disser que foi o último papel daquele boné você acreditaria? Sério. Parece até coisa do destino. E o significado, quando a gente pesquisou, se encaixou perfeitamente. Quem colocou o seu nome foi a tia Santie, então se você gosta dele agradeça à ela, se não gosta, bom... Aí é com você.
O Evan sua mãe e eu decidimos colocar depois, pra ficar mais forte, sabe? Nathan significa enviado por Deus, presente. E como eu já disse, nós te amamos mais que tudo, meu filho, mas você não foi planejado, então o consideramos um presente.
Nathan Evan, presente agraciado e enviado por Deus.
Nome escolhido, tudo certo. E quanto ao meu carinhoso "Baby Bear"? A verdade era que eu não conseguia largar. Bem, esse apelido surgiu logo depois que eu "aceitei" que seria pai. Eu não sabia como te chamar, eu tenho uma coisa que se eu te chamasse de "meu filho" e fosse uma vagina entre suas pernas, você se sentiria ofendida. E mesma coisa ao contrário, chamaria "minha filha" e fosse um pênis entre suas perninhas gorduchas, como ficaria? Por isso eu decidi que teria que arranjar alguma forma de me dirigir à você sem que te magoasse, um apelido unissex resolveria isso. A essa altura da sua vida você já deve ter se dado conta que eu sou uma pessoa super dotada de altura. Pois é, acho que sua avó Carole colocou biotônico Fontoura na fórmula do leite ou na papinha ou sei lá, mas alguma coisa ela fez. Enfim, só sei que eu sou alto pra caramba e isso sempre rendeu apelidinhos (principalmente da sua tia Santana, aquela diabla), e um deles, ainda mais depois que entrei na universidade, era Urso, ou Irmão Urso pros mais chegados. Foi em uma aula de Estatística da faculdade que veio a ideia, Baby Bear era perfeito.
Até hoje quando encontro o pessoal que fez Estatística comigo no curso de Engenharia Civil eu me escondo.

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