Remember Me

15 Capítulo 14 - Mommy's travelled? Heeeelp!


Notas iniciais
*fugindo de pedras* não vou nem pedir desculpa porque me sinto completamente culpada e ser desculpada é muito pra mim, então vou apenas lhes dedicar, à todos os meus leitores, esse capítulo e espero que não estejam planejando a minha morte :) O motivo de tudo é novamente o bloqueio, e com ele a gente não pode fazer muita coisa a não ser esperar a criatividade dar o ar da graça. Boa leitura.

Querido Baby Bear,

hoje rio dos acontecimentos daquele final de semana que pareceu pra mim o mais longo do ano, mas durante ele foi extremamente assustador e empolgante ao mesmo tempo. Você não deve estar entendendo nada, pois então vou explicar.

Começou com a sua querida mamãe nos pegando totalmente de surpresa em uma reunião de família — que consistia em eu sentado no meio do sofá da sala, você, com seus sapecas quatro anos de idade de um lado com as mãos atrás da cabeça e de pernas cruzadas , como um mini homem, e Bella do meu outro lado mais entretida em pentear os cabelos de uma Barbie do que no que sua mãe falava. Os três pares de olhos incrivelmente castanhos prenderam total atenção nela ao mesmo tempo quando ela pronunciou as palavras:

"Mamãe precisa viajar dentro de uma semana à trabalho. Terá uma convenção de Arquitetura em Nova York e minha presença é indispensável."

As reações foram diferentes.

"O quê? Nova York?"

"O que é "ispesável"?"

"Mama vai viajar?"

A primeira em tom incrédulo e surpreso, a segunda em total dúvida acompanhado de um cenho franzido, e a terceira carregada de tristeza e carência. Sua mãe nos olhava erguendo as sobrancelhas e acenando com a cabeça para confirmar o que temíamos. A Barbie foi deixada de lado finalmente e sua irmã desceu do sofá correndo até Rach e agarrando suas pernas, choramingando que queria acompanhá-la. Eu ainda estava meio perplexo de olhos arregalados enquanto você tentava chamar minha atenção em dúvida sobre a nova palavra em seu vocabulário limitado.

"E quanto tempo você vai ficar?" perguntei temeroso.

"Um fim de semana inteiro. Saio na sexta de manhã e volto no domingo à tarde."

Um final de semana. Um final de semana. Um final de semana. Em Nova York. Um final de semana inteiro. A gente aqui, em Boston. Sem a Rach. Eu sozinho com as crianças. Banho, fraldas, comida, atenção, lição de casa, colocar pra dormir, historinha, brincar. Eu sozinho. Dar conta da casa inteira. Sozinho.

"Finn?"

Eu estava em transe pensando tudo aquilo ao mesmo tempo em uma fração de segundos que eu realmente pensava não ser possível. Não que eu estivesse com medo de ficar sozinho com vocês (mentira, eu tava apavorado), mas acontece que eu nunca havia ficado mais que poucas horas. E agora eram três dias inteiros. Espero que você entenda o meu lado.

"O-ok... Eu-u dou conta de tu-tudo"

Uma vozinha irritante gargalhava dentro da minha cabeça, zombando de mim, não acreditando que eu poderia mesmo estar dizendo aquilo. Mas eu estava. Eu precisava fazer aquilo e provar pra mim mesmo que eu era capaz. Era só uma casa e duas crianças, humpf, seria ridículo.

Antes fosse.

Dia 1 — a.k.a. Mamãe Não Vá

A sexta-feira amanheceu um pouco deprimente. Não sei se era por causa do dia nublado anunciando chuva para mais tarde ou se era porque havia chegado o dia que sua mãe estava viajando. Ou os dois. As malas, arrumadas todas na noite anterior, estavam posicionadas no hall de entrada e aquilo parecia gritar que não era um sonho — ou pesadelo -, estava realmente acontecendo. Rach havia esperado vocês dormirem para organizar tudo porque ela sabia que haveria chororô e lamúrias dramáticas, e já bastava as que viriam de manhã.

Durante toda a manhã ela fez o que podia antes de ir com Bella pendurada em seu colo como um macaquinho, porque sua irmã se negava a soltá-la e sua mãe, mesmo que tentando dizer o contrário, estava na mesma situação. Quando o táxi para levá-la ao aeroporto parou em frente à casa — havíamos combinado assim porque seria menos doloroso -, ela se abaixou sobre os joelhos e agarrou cada um de vocês em um braço, dizendo que os amava muito e que morreria de saudades. Eu podia ver as lágrimas lutando para caírem e ela lutando para segurá-las, você tinha uma feição esquisita, parecia um pouco abatido, já Bella tinha o rosto vermelho e um bico projetado anunciando um choro sofrido que viria a seguir. Rach voltou a ficar de pé e veio se despedir de mim — com sua irmã novamente a tira colo se recusando a soltá-la. Caminhamos até o táxi parecendo que iríamos à forca, você agarrou uma perna minha e observava sua mãe com uma cara de dar dó, e Bella fazia seu esforço para não soltar sua mãe enquanto eu tentava puxá-la para mim. Essa menina era forte demais para dois anos.

Podia-se dizer cena de filme. O táxi deu partida enquanto sua mãe nos observava pela janela e limpava o canto dos olhos, Bella esperneava em meus braços se esticando para ela e você só olhava tudo em silêncio. Era realmente de cortar o coração, vocês nunca haviam se afastado dela por tanto tempo e os comportamentos eram compreensíveis. Tratei de levá-los para dentro e nos sentamos no sofá, um olhando para a cara do outro sem ter alguma ideia do que fazer, Bella coçava os olhos agora molhados e você piscava lentamente me encarando como um cachorrinho sem dono. A essa altura eu já morria de saudades da Rach.

Tentei de tudo. Brincadeiras ao ar livre, jogos de montar, cabana com lençóis, filmes infantis, jogos de beisebol na tela plana. Vocês pareceram se distrair, mas ainda estavam cabisbaixos. Então tive uma ideia. Eu jogaria tudo aos ares, faríamos o que quiséssemos e na hora que quiséssemos. Sem regras, sem rotina, sem nada. Eu transformaria nosso final de semana sem a mamãe em o melhor final de semana de todos os finais de semana sem a mamãe.

Dia 2 — a.k.a. Missão Déda No Comando: Diversão Na Certa

No sábado de manhã tratei de pular para fora da cama bem cedo e começar a missão de tornar aquele o final de semana mais divertido. Fiz o café da manhã com crianças sonolentas sentadas sobre o balcão, havia uma mistura de farinha, açúcar, ovos e leite em uma vasilha, no chão, no balcão e em vocês, mas eu ainda tinha tudo sob controle. Depois de montar panquecas e derramar xarope de maple sobre as montanhas em cada prato, deixei que vocês comessem sozinhos em seus acentos elevados, junto com um copo de suco para cada e algumas tiras de bacon para mim. A ideia de ter vocês por si só se alimentando resultou em uma certa lambança, mas vocês sorriam e meu propósito número tinha sido alcançado.

A segunda parte da missão era um passeio. Depois de arrumar uma cesta com guloseimas e uma toalha qualquer e vestir vocês, fomos rumo ao Boston Common, um dos parques públicos mais frequentados da cidade. Eu tinha que ter me preparado para, depois de doses de açúcar e crianças entediadas em casa, vocês dois sairiam correndo em suas perninhas desengonçadas quando se vissem livres por todo aquele verde, como passarinhos. E eu ia atrás tomando todo o cuidado para não perder vocês de vista, já que resolveram que correria cada um para um lado diferente. Jogamos um pouco de bola no gramado, alimentamos algumas garças no lago, vocês chutaram seus tênis para fora de seus pés e pularam em uma espécie de piscina ou lago artificial bem raso onde outras crianças também brincavam contentes. Estava um belo dia familiar e eu me senti orgulhoso de mim mesmo pela ideia do parque.

Perto da hora do almoço, eu já tinha a toalha estendida sobre a grama embaixo de uma árvore que nos proporcionava sombra naquele dia incrivelmente quente. Vocês só pararam de brincar quando a fome apertou e nos empanturramos de balas, pop-tarts de chocolate, de baunilha e de cereja, bolinhos, cookies, marshmallows e muitas outras coisas que fariam sua mãe ter um colapso nervoso. Com mais doses carregadas de açúcar, vocês gastaram toda aquela energia correndo pelo parque enquanto eu os observava e tirava algumas fotos. Na volta para casa vocês estavam capotados no banco traseiro do carro, o que facilitou meu trabalho da soneca da tarde.

O dia terminou com nós três sentados em volta de uma fogueira artificial no quintal de casa, assando marshmallows e juntando com biscoitos crocantes e chocolate Hershey's para formar s'mores. Dia 2: missão cumprida.

Dia 3 — a.k.a. Último Dia, Mas Não Menos Divertido

Fomos completamente presenteados com uma ligação de sua avó Carole no domingo de manhã nos convidando para o churrasco de almoço que ela e seu avô estavam dando. Talvez ela estivesse ciente da minha atual situação de comandante-general do quartel chamado "Família" naquele final de semana e nos convocou para uma folga dos afazeres domésticos, poupando os queridos soldados dela de terem macarrão instantâneo no almoço.

Estivemos dentro de nossas roupas de banho antes mesmo do que pude perceber e logo rumávamos para a casa dos meus pais com músicas animadas tocando no aparelho de som do veículo. Assim que nos viu, sua avó coruja já tinha cada neto em uma mão os levando para dentro, enquanto eu ficava para trás para carregar os aparatos que seguiam você para todo lugar depois que você virava um pai. Ao entrar, vi que vocês já bajulavam seu avô que dividia a atenção entre vocês e a churrasqueira onde havia alguns bifes de hambúrguer e salsichas para cachorro-quente. O dia estava bonito e a piscina pedia para ser usada, e nosso dia foi recheado de boas memórias futuras.

Quando Rach chegou, no início da noite, nós três assistíamos a Monstros S.A. jogados no sofá, exaustos do dia divertido. Nos cumprimentamos matando a saudade de três dias e ela beijou carinhosamente cada rostinho sonolento de olhos praticamente fechados prestando atenção no desenho na TV. Colocamos juntos vocês em suas camas e desejamos boa noite como todos os dias, e você simplesmente me encarou, meio dormindo meio acordado, e abriu seu sorriso de covinhas, agradecendo pelo maravilhoso final de semana.

"Vejo que conseguiram sobreviver sem mim." ela brincou quando já havíamos deitado também.

Sorri internamente me lembrando dos três últimos dias. É, nós havíamos sobrevivido.

Com amor,

Déda.

Notas finais
Finn, seja o Déda dos meus filhos T.T Vejo vocês nos reviews ;)