Remember Me
5 Capítulo 4 - Simply you
Notas iniciais
Querido Baby Bear,
a coisa mais intrigante que eu percebi nas crianças é o fato de como elas são diferentes uma das outras e o quão diferentes elas podem ser. Você pode não estar entendendo nada do que eu estou falando, mas essa diferença que eu digo é uma diferença estranha, é de como vocês são capazes de serem como são, tão... Peculiares. Você foi a primeira criança com quem tive contato direto e convivi todos os dias, vi crescer e se desenvolver, então foi em você que eu vi essa diferença se mostrar tão nitidamente. Depois foi vindo a sua irmã e as outras crianças que nós conhecemos.
Não sei o que tinha em você, meu filho, mas você era um bebê da noite. Você passava o dia todinho dormindo tranquilamente e não havia raio de ninguém nem nada que te acordasse, só a fome mesmo ou a fralda suja, mas isso era questão de minutos para ser resolvido e logo ia você para o mundo dos sonhos novamente. Aí chegava a noite e pronto, parecia que ligavam você na tomada e sua adrenalina subia de tal forma que nada fazia você pregar seus lindos olhinhos castanhos. Sua mãe e eu tentamos várias formas de te manter acordado durante o dia para você ter um pouquinho sequer de sono à noite, nem que fosse três horinhas porque a gente precisava dormir, as aulas da faculdade estavam puxadas já que a formatura se aproximava e, com isso, as últimas provas de fim de semestre. Não adiantava, você chorava querendo dormir e a gente acabava cedendo porque também estava cansado.
Depois que sua mãe saiu da licença maternidade, parou de estudar a distância e voltou pra faculdade, você começou a passar bastante tempo na casa dos seus avós. Claro, com o suado salário que eu e sua mãe ganhávamos, ela como garçonete e eu em uma delicatessen, não dava pra pagarmos alguém que olhasse você enquanto estudávamos, e sua avó Carole se ofereceu de bom grado já que não tinha o que fazer naquele horário mesmo. Dizem que vó faz mágica, porque você voltou outra criança depois que passou a ficar lá. Sua mãe e eu alternávamos os dias de ir te buscar na casa da sua avó no fim da tarde e era questão de chegar em casa, você tomava banho, comia a papinha, mamava um pouco e DORMIA A NOITE praticamente TODA (seria muito se quiséssemos que fosse ela toda, afinal você era um bebê e tinha necessidades noturnas ainda), era um grande avanço.
Você foi crescendo e suas peculiaridades foram vindo junto com o tempo. Você gostava de dormir agarrando nosso dedo, gostava que a gente te carregasse nos ombros, tinha mania de, se a gente fizesse um caminho a pé até em casa, você queria pegar todas as pedrinhas que encontrasse, dizia ser seus tesouros. Depois que você largou as fraldas e começou a usar o troninho, a única coisa que te mantinha quieto lá até você acabar as suas necessidades fisiológicas era o iPad, é pode parecer suborno, mas se assim você não sujasse a casa, então tudo certo. E com isso você adorava objetos eletrônicos, nossa câmera fotográfica já passou alguns apuros nas suas mãozinhas. Você gostava de ajudar sua mãe na cozinha, mesmo sem ela pedir, você ia lá e queria mexer a massa, colocar os ingredientes, se sujar, colocar a mão na comida antes da hora. Eu só ouvia os gritos da Rach com você por ser tão bagunceiro. Ah filho, foi cutucar onça com vara curta. Você nunca teve problemas para comer vegetais... Você nunca teve problema para comer qualquer coisa, se a pedra tivesse bem temperada você comia. Sua mãe tentou te colocar na dieta vegana, mas você se negou a ficar sem seu bifinho e sem o Mc Lanche Feliz, tudo bem ela não ficou triste por isso, ela entende quem nem tudo é perfeito e que apesar de você amar os animais (outra peculiaridade), os churrascos do vovô Will você não dispensa. Seu filme favorito é Monstros S.A., você ama o Mike Wazowski e se pudesse todos os seus objetos se chamariam Mike Wazowski. Outra coisa, você nomeia seus objetos. É, isso mesmo. Seu cobertor favorito se chama Sulley, sua chupeta se chama Giny, suas mamadeiras são a Roz, Celia, Boo e Charlie. O troninho é o Mike Wazowski.
E tem a forma de você chamar as pessoas também, porque claro você tem um jeito só seu de chamar. Tem a "tia Shatana" (o que me faz rir muito toda vez que você chama, filho), o "tio Urt", o "tio Pucman", "tia Bit Bit" (Brittany caso você não se lembrar), "tio Gel" (ah, esse é o tio Blaine graças à tia Santana que te ensinou a chamá-lo assim), "tio Tie" o Artie e a "tia Q", a namorada do tio Puck, Quinn. Meu Deus, você tem muitos tios. A sua mãe você sempre chamou de "mama" mesmo, não tinha nada tão anormal aí. Mas comigo... Comigo foi algo meio que único, sabe? Eu não sei se, ao ler isso, você ainda estará me chamando dessa forma ou se lembrará disso, provavelmente não porque você já estará mais velho, mas enfim... Ninguém sabe da onde veio, como veio, só que você um dia me chamou assim e ficou pra sempre: Déda. Eu considero como uma variante de Daddy, não sei, porque bebês nunca acertam de primeira (só bebês superdotados, o que não era o seu caso), sempre tem as suas variações antes de finalmente eles se dirigirem à nós corretamente. Mas você, não. Você chamou assim a primeira vez e chama assim sempre. Tá bom, posso estar sendo precipitado e talvez um dia você me chame normalmente (eu no fundo espero que não), mas se com Déda você está satisfeito, com Déda nós ficaremos. E sua irmã pegou a mania mais tarde também, hoje são dois tons de "Déda's" que eu escuto em casa.
Mas apesar de tudo, Baby Bear, eu passaria por tudo o que passei até agora de novo. Se for pra ver o seu sorriso quando você acorda, eu passaria. Se for pra ouvir o seu "Déda" ou da sua irmã, eu passaria. Se for pra ouvir você falando que o tamanho do amor que você sente por mim e pela sua mãe vai e volta das estrelas mais vezes do que a Bella usa cor de rosa, eu passaria. Se for pra ouvir você parar de chorar depois de eu te dar colo, eu passaria. Sabe por que? Porque vale à pena. Vocês valem à pena. Você, a Bella e a sua mãe são tudo pra mim e é por vocês que eu faria tudo de novo. Porque vocês são peculiares pra mim.
P.S.: Peculiaridade... Eu escrevi tanto essa palavra, afinal, você sabe o que ela significa?

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