Remember Me

4 Capítulo 3 - Big brother


Notas iniciais
Hey e depois de muuuuuito tempo com o Nyah fora do ar, estamos nós aqui de volta para a alegria da humanidade (aka escritores e leitores). Capítulo novo no ar para vcs :) Boa leitura.

Querido Baby Bear,

se eu parar pra pensar, acho que não teve época mais engraçada da sua vida do que quando sua mãe estava grávida da sua irmã. Você foi a criança mais bipolar que eu conheci, era realmente muito engraçado. Mas eu tinha que me controlar para não rir na sua frente e bancar o pai sério, mostrar que não tinha porque você se comportar daquela forma e dizer que era pra você ficar feliz com a chegada do novo bebê, mas quem disse que você aceitava?

No início você não entendeu muito bem, estava com quase dois anos quando sua mãe engravidou e era muito querermos que você compreendesse o que aquilo significava, mas mesmo assim contamos que a partir daquele dia você ganharia um irmãozinho ou irmãzinha. Sua primeira reação foi perguntar aonde ele ou ela estava, apontamos a barriga da sua mãe e você se assustou, fazendo a pergunta que rende piadas internas até hoje entre nosso grupo de amigos: "mama, você comeu o neném?". Estou gargalhando enquanto escrevo esta carta, foi hilário. Deixa eu me controlar que sua mãe se remexeu na cama, o relógio aponta 2:41 a.m., ela acabou de conseguir dormir porque a Bella só pegou no sono há pouco. Voltando... A barriga foi crescendo (bizarramente outra vez, mas dessa vez eu já estava acostumado, então não foi tão assustador quanto da sua) e seus ciúmes também, você ficava agarrado à sua mãe o tempo todo, parecia que ela iria sumir e você não veria, porque você estava um chiclete, ela estava amando isso, claro. Eu fiquei um pouco de lado, mas não liguei porque eu te entendia de certa forma, você sempre foi o bebê da mamãe e de repente tem outro bebê da mamãe pra dividir o posto com você. Injusto, não?

Mas durante os nove meses a gente não só presenciou crises de ciúmes, não. Como eu disse, você era uma criança bipolar. Tinha seus momentos carinhosos também, e adivinha o que sua mãe fazia quando você se transformava no grande irmão mais velho? Isso mesmo, Baby Bear, ela chorava. Você passava minutos à fio "conversando" com a sua irmã, fazendo carinho, beijando, e sua mãe babando mais do que o possível em cima de vocês dois. Era uma cena bonita de se ver, ela se recostava nos travesseiros e você sentava nas pernas dela, em frente a barriga, e encostava a cabecinha tentando "ouvir" o que a Bella tinha a dizer. Era isso até você pegar no sono no peito de sua mãe. Eu chegava do trabalho (alguém tinha que colocar o pão na mesa, né?) e me deparava com vocês dormindo, dava até inveja, mas era tão lindo. Isso quando eu não participava do momento família, aí sim era bem gostoso, você sempre foi uma figura.

Quando fomos na ultrassom saber se quem vinha aí era Bella ou Alex, decidimos levar você. Isso te deixou bem ansioso e animado, dessa vez veria o neném "ao vivo", não só pelas fotos que a gente levava dos exames. A médica (ainda a adoro) da sua mãe era a mesma que acompanhou o seu pré-natal, ou seja, ela estava que era só carinho com você, e você que nem adora ser paparicado, fez muito charme e ganhou (subornou) um pirulito. Todas as perguntas sobre o bebê eram dirigidas à você, se estava ansioso por ganhar um irmãozinho ou irmãzinha, sua preferência, se já tinha nome e essas coisas, você respondeu a todas contente, mas eu sabia que era questão da gente voltar pra casa que você voltaria a ser o menino ciumento de antes. Não estou dizendo que era isso que eu queria, meu filho, mas eu te conhecia muito bem, você era 8 ou 80.

A médica fez o costumeiro suspense de sempre (como eu odeio essa parte) e dessa vez ela usou palavras diferentes (óbvio, o sexo era diferente), porém também inesquecíveis: "Dessa vez a mamãe terá companhia para as compras."

O choro dessa vez veio diferente. Fiquei feliz igualmente, não se sinta por baixo, Baby Bear, mas sabe como é? Pai de menina! Uma princesinha, a garotinha do papai, alguém pra você me ajudar a proteger dos marmanjos aproveitadores. Sua mãe ficou radiante por realizar o sonho de ter um casal e você ficou lá, parado, meio sem saber o que fazer, acho que a ficha ainda não tinha caído porque antes era só o bebê, o neném, agora tinha uma identidade, era a Bella. Saímos do consultório e passamos no shopping porque bateu uma crise psicótica na sua mãe que ela já queria comprar o mundo cor de rosa. Ficou combinado entre nós que o quarto dela não seria rosa assim como o seu não foi azul, mas isso não impedia a senhora compras de comprar milhões de coisinhas naquela cor vibrante.

A partir daquele dia eu teria que aprender muito sobre o mundo feminino, eu tinha certeza.

Guardei a carta ao ouvir a voz da minha irmã me chamando. Coloquei tudo dentro da caixa rapidamente e empurrei ela até um canto mais escuro, acho que ninguém acharia ali. Subi correndo e fechei a porta, quase trombando com o corpo da Bella no corredor que vinha apressada também.

— Ai, Bella. Cuidado.

— O que tava fazendo no porão?

— Tava procurando uma coisa que achei que tinha perdido.

— E não perdeu?

— Ahn... Não. Quero dizer, perdi.

Ela ficou confusa.

— Mas então...?

— Deixa pra lá, Bella. É coisa minha.

— Ok, então. — ela deu de ombros — Mamãe tá chamando, o jantar está pronto.

Segui minha irmã até a sala de jantar e Déda já estava lá, mamãe estava pondo a mesa e sorriu beijando minha cabeça assim que me viu.

— Onde estava, filho? Não te vi quando cheguei.

— Ah, mãe, eu tava ocupado.

— Ocupado?

— Ele tava procurando uma coisa que ele achou que tinha perdido, mas ele pensou que não perdeu, mas na verdade ele perdeu mesmo.

Mamãe e Déda se entreolharam confusos com a explicação da Bella e eu revirei os olhos.

— Ignorem ela. — pedi.

— Ei! — ela gritou.

— Não foi assim, Bella. Você não entendeu.

— Você que não sabe explicar nada direito.

— Hey, não briguem. — Déda interferiu — Nate, seja o que for, depois você procura. E Bella, é coisa do seu irmão. Vocês brigam por qualquer coisa, meu Deus.

— Tá bom, desculpa, Nate.

— Tá. Desculpa também, Bella.

— Ae, todo mundo feliz, agora vamos comer. — Déda gritou.

Talvez o Déda tivesse certo na carta, desde sempre eu e a Bella seríamos assim. Desde a barriga da mamãe nós tivemos nossas desavenças, mas ela era a minha irmã e eu sempre a protegeria, sempre a amaria e sempre sentiria ciúmes. Sejam eles de dividi-la com meus pais ou dividi-la com outros meninos, mas eles sempre estariam lá.

Notas finais
Quero por o Nate em um potinho e guardá-lo para sempre *u* E aí, oq acharam? Deem opiniões!!! Depois de tanto tempo longe, seria um bom presente de "re-boas vindas".... se é que isso existe '-' Até a próxima, migs :)