Remember Me
13 Capítulo 12 - How it's good to be a child
Notas iniciais
— Nate, olha pra cá, filho.
Revirei os olhos.
— Todo ano você faz isso, mãe. É chato.
— Eu gosto. — Bella falou pulando ao meu lado enquanto pegava uma caixa cor de rosa embaixo da árvore.
— Você é exibida. — resmunguei e ela me deu língua.
Era manhã de Natal e estávamos abrindo os presentes, finalmente. Noite passada eu até que havia implorado aos meus pais, porém não funcionou e agora estávamos os quatro amontoados na sala com milhares de embrulhos em nossa volta. Mamãe, como sempre que tinha oportunidade, estava segurando a filmadora e apontava para mim e minha irmã perto da árvore.
— Olhem para cá, crianças, e digam o que ganharam até agora. — mamãe pedia.
— Eu, eu, eu primeiro! — Bella se empolgou — Ganhei duas Barbies com roupas de fada, uma maleta de maquiagens. — ela levantou a maleta roxa para a câmera e sorriu abertamente.
Déda rolou os olhos sentado no sofá com o velho Shadow.
— Eu vou matar o Puck. — ele murmurou.
Mamãe riu baixo e Bella ficou confusa.
— Por que vai matar o tio Puck, Déda?
— Por nada, meu anjo. — ele sorriu falsamente e depois bufou desviando o olhar. Minha irmã deu de ombros.
— Vamos ver. — ela engatinhou até algumas caixas verdes com desenhos de mini Papais Noéis. — Ei, mamãe. Será que o Papai Noel gostou dos cookies com leite que deixamos na mesinha?
— Ah, Bella. Não é possível que você ainda acredi-
— Nathan! — Déda interrompeu me lançando um olhar para calar a boca.
Revirei os olhos outra vez. Já estava na hora dela saber a verdade. Aposto que quem comeu foi Déda, já que quando acordamos e descemos o prato estava com migalhas apenas e o copo de leite quase vazio.
— Aposto que sim, baby. Ele adorou.
Minha irmã assentiu sorrindo e abriu seus presentes.
— Não acredito! Um laptop da Barbie TODO.COR.DE.ROSA! Obrigada, Papai Noel! — ela gritou pulando animada. — Há também alguns livros de história e um álbum de fotografias para colar. Eu amei todos.
— Tem mais ali, querida. — mamãe apontou.
— MONSTER HIGH! Há algo como roupas para Draculaura e Frankie Stein. Melhor Natal de todos!
— Vire, deixe-me ver. — ela pediu — Tudo o que você queria, meu amor. Papai Noel acertou.
— Abra os seus também, Nate. — Bella me empurrou de leve.
Peguei uma das caixas e abri, era uma mini mesa de hockey para duas pessoas.
— Wow. Eu estava querendo muito uma dessas.
— Agradeça ao Papai Noel. — Déda zombou de mim. Ignorei.
Abri outro pacote e fiz uma careta.
— Meias. — mostrei para a câmera que me era apontada — Obrigado, vovó. — os três riram.
— Não fale assim, filho.
— UM SKATE? Oh, meu Deus. Obrigado. — olhei para a câmera agradecendo.
— Nate, abre o meu. — Bella me entregou uma embalagem menor.
Fiz o que ela pediu e tirei lá de dentro uma caneca de porcelana azul marinho com uma imagem desenhada de super-herói que tinha o meu rosto. Embaixo estava escrito "Melhor irmão mais velho". Sorri de lado e olhei para Bella, que tinha as bochechas vermelhas me observando. Sem avisá-la, pulei em cima dela dando um super abraço que nos derrubou.
— Obrigado, pirralha. Eu adorei.
— De nada, seu chato.
— Tenho um para você também. — lhe entreguei um pacote cor de rosa e ela pegou sorrindo.
— Vamos ver, vamos ver. Oh, meu Deus. Headphones da Monster High! Obrigada, maninho.
— De nada. Vê se agora escuta as suas músicas sem perturbar ninguém.
Ela estava empolgada demais para me dar ouvidos. Peguei outra caixa e abri.
— Um celular novo! Há, valeu pessoal. E vem com caixa de som portátil! Diga adeus às suas músicas, Bella Boo.
— Déda, há algum embrulho com headphones para Nate também?
Déda e mamãe gargalharam e eu lhe dei um tapinha na cabeça. Déda então parou de rir e ficou pensativo, estranhei aquilo.
— O que foi, Déda?
— Nate, aonde ouviu esse apelido da sua irmã?
Franzi o cenho de início e então arregalei os olhos quando me dei conta da besteira que havia feito.
— Eu, hmm... Er... Ah, Déda, lembrei da personagem Boo do meu antigo filme favorito. Só isso.
— Ah, ok então.
Ele não pareceu muito convencido, mas foi uma boa desculpa.
Bella e eu voltamos a abrir nossos presentes, ganhamos mais alguns jogos, brinquedos, roupas e acessórios. Mas a burrada que eu havia cometido não saía da minha cabeça. E se agora ele desconfiasse? Será que ele perguntaria onde eu REALMENTE havia visto? Eu esperava imensamente que minha resposta tivesse sido o suficiente.
...
Querido Baby Bear,
Super-homem, Batman, Wolverine, Capitão América, Hulk. Barbie, Monster High, bailarinas, princesas da Disney. Monstros S.A., Peter Pan, Toy Story, Bob Esponja, O Rei Leão, Procurando Nemo, O Mágico de Oz, Scooby-Doo, As Meninas Super Poderosas, Tom & Jerry, Padrinhos Mágicos. E muitos outros que minha memória de elefante não pode recordar agora. Se me perguntarem, conheço cada personagem e até desconfio que posso bater altos papos sobre algum episódio em questão ou o roteiro do filme. Uma coisa eu sei: depois que virei pai, desenhos animados e personagens de todos os tipos fazem parte da minha rotina e vocabulário.
Acordar com os sons de Tom & Jerry na TV era fato, estranho seria se fosse diferente. Os produtores das emissoras deviam ter algo contra pais, ou eles mesmos não eram, porque transmitir um desenho TÃO legal quanto aquele às 6:30 a.m. era pra deixar qualquer um louco. E deixava os baixinhos hipnotizados. Tá, até eu ficava de vez em quando, mas é que era muito divertido mesmo. E depois vinha vocês repetindo as falas, utilizando frases únicas de cada animação em seu dia a dia, imitando a palhaçada de um ou outro ou simplesmente rindo com uma lembrança do programa. E eu adorava aquilo.
Acho que a maior vantagem em ser criança é vocês serem verdadeiros consigo mesmos e sempre verem o lado puro das coisas. O mundo aos olhos de vocês parece perfeito, não há preocupações ou responsabilidades chatas, sua única preocupação é brincar e não esquecer a hora do desenho. As manhãs dos finais de semana são sagradas no sofá com cobertor e algo colorido na TV, uma caneca de leite e pronto, vocês estão felizes. Algo tão simples, mas que faz a diferença. Isso é o bom de ser criança, o simples é o bastante, o essencial está nas pequenas coisas. Vocês soltam gargalhadas gostosas em frente à TV, quando tomam banho de chuva, ao pular em poças na rua e espirrarem água para todos os lados, ao brincarem de super-herói, onde o fundamental naquela hora é salvar algum brinquedo de pelúcia em apuros. Se sujarem de tinta, de comida, de lama. Os olhinhos brilhando ao ouvir a mamãe ou o Déda contarem uma história e fazê-los viajarem para um mundo encantado, onde você pode ser vilão, mocinho, princesa, dinossauro, o que importa é se divertir. As manhãs de Natal onde o mais legal é abrir os presentes esperados o ano todo pelo bom velhinho, as cartinhas escritas em letrinhas tortas pedindo algo do desejo. Brincar de cavalinho nas costas do Déda, que de uns tempos para cá anda sentindo dores nas costas porque agora tem pequenos cavaleiros em dose dupla. Tudo isso é o bom de ser criança.
Ver vocês me faz sentir saudades do tempo em que as coisas eram fáceis. O único medo era do bicho-papão, e não de uma mágoa ou decepção da vida. Se eu pudesse, protegeria vocês para sempre do mundo lá fora, mas nada melhor para aprender com a vida do que caindo, tropeçando, mas levantando de novo e seguindo em frente. Eu só espero que demore mais um pouquinho até vocês passarem por isso. Aproveitem bem essa melhor fase da vida, que, infelizmente, você só descobre depois que cresce.
Com amor e mãos meladas de doce,
Déda.
— Nate, querido, vamos antes que a gente se atrase. — ouvi a voz da mamãe no andar de baixo e guardei a carta.
Desci as escadas pulando de dois em dois degraus e encontrei meus pais e minha irmã já prontos na sala.
— Vamos logo que seus avós já estão nos esperando para o almoço. — mamãe avisou e então saímos.
— Mamãe, será que vamos ganhar mais presentes na casa da vovó Shelby e do vovô Will? — Bella perguntou animada.
Não prestei atenção mais na conversa, mas eu esperava que sim. Afinal, qual é a melhor parte do Natal se não é ser criança?
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