Remember Me
12 Capítulo 11 - Nate's 1st birthday
Notas iniciais
Querido Baby Bear,
tenho que lhe dizer que mesmo exausto eu estou aqui às 12:32 a.m. lhe escrevendo isso. Hoje o dia foi bem agitado e só agora há pouco que conseguimos ter nosso tempo merecido para descansar. A vantagem foi que, como você aproveitou bastante o dia, foi só bater na cama que desmaiou, e sua mãe e eu pudemos relaxar da melhor forma possível. Enfim, a casa dos seus avós hoje foi aberta à muitas pessoas, familiares e alguns amigos mais próximos, para a ocasião que estava sendo aguardada ansiosamente: seu primeiro aniversário.
Planejamos tudo com antecedência, claro, e cada dia que passava sua mãe pirava mais. Ela estava com medo de sair tudo errado, de que não desse tempo de organizar tudo, de não encontrar tudo o que queríamos, do lugar que faríamos, enfim, as paranoias dela. Todos estavam dispostos a nos ajudar, mas nem isso a acalmava. Começando pelo tema. Ficou decidido sem sombra de dúvidas que enfeitaríamos tudo com o tema Monstros S.A., afinal era seu desenho preferido e uma das únicas coisas que te faziam calar a boca. Era engraçado como você parecia entrar em uma espécie de hipnose quando te colocávamos para assistir, esse filme era uma bênção. Voltando... Depois de toda a maluquisse da sua mãe de que tudo não sairia conforme os nossos planos, finalmente o dia de hoje chegou e tudo valeu à pena.
A bagunça e o falatório me fizeram sair da cama cedo, o que me deixou irritado no começo, mas logo sua mãe me olhou com a cara feia e eu tive que me conformar. Como havia ficado decidido que seria na casa dos seu avós maternos, por conta do espaçoso quintal na parte de trás, fomos para lá logo depois do café da manhã começar a organizar tudo. Eu estou morto nesse momento, meu filho, como eu trabalhei! Sua mãe abusou de mim, pendurei faixas e balões, carreguei mesas e cadeiras, ainda tinha que correr atrás de você em alguns momentos em que você decidia que não queria ficar dentro de casa. E olha que Rach havia dito que não faria nada grandioso.
Quando os convidados começaram a chegar, nossa preocupação foi que você estranhasse ou ficasse com medo, mas pelo contrário você era só sorrisos com quem brincasse com você e estava adorando toda aquela atenção e paparico. Havia crianças que moravam pela vizinhança correndo de um lado à outro, aquilo estava uma maravilha, doces, barulhos, muita farra e gritaria. E você estava como pinto no lixo, eu realmente nunca tinha te visto assim e estava adorando. Sua mãe deve ter tirado milhões de fotos, e eu espero poder sentar um dia com você para vermos e lembrarmos juntos, mesmo que você não se lembre muito. Cantamos parabéns e então você fez a festa se lambuzando com o bolo, eu estava só esperando a hora que sua mãe iria pirar, mas ela me surpreendeu e acabou entrando na farra também. Assopramos a vela juntos e você bateu palminhas gargalhando. Estava se divertindo tanto. Se você vasculhar em algum lugar vai encontrar o vídeo da gente abrindo os seus presentes no fim do dia. Eu fiz questão de registrar.
Eu não via a hora do seu primeiro aniversário chegar... Até ele de fato chegar. Foi tão rápido que minha expectativa pareceu inútil, porque agora eu quero que o tempo demore a passar. Você cresce tão rápido, ontem mesmo eu estava assustado com a sua chegada, e agora o tempo está voando. Eu sei que faz parte da vida, mas eu vou fazer questão de aproveitar cada momento, porque sei que eles se vão e nos presenteiam com lembranças. E vindo de você, eu espero que eu tenha sempre as melhores.
Sei que já não é mais esse dia especial de julho de 2014, mas ainda posso te desejar um feliz aniversário. Agradeço aos céus por ter você em minha vida nesse 1 ano que passou e que sem você não seria o mesmo. Peço aos céus também que guie e guarde cada passo que você der na vida. Meu presente enviado por Deus, obrigado por trazer alegrias à nossa casa, por ensinar sua mãe e eu o verdadeiro amor de uma família, por nos agraciar a cada dia, por encher nosso coração com o mais especial dos sentimentos. Sei que ainda aprenderemos muito com você, e independente de qualquer coisa, estaremos sempre ao seu lado. Obrigado por se você, apenas você, único em nossas vidas. Obrigado por ter me dado a oportunidade de ser seu Déda.
Com amor,
Daddy Bear.
Fechei mais uma das cartas e guardei de volta na última gaveta com as fotos, onde eu sei que ninguém acharia. Agora eu tinha que achar o vídeo que Déda havia falado na carta, provavelmente estava na caixa no porão. Desci as escadas sem fazer barulho, já era noite e a casa estava toda escura. Cheguei ao porão e acendi a luz, indo até a caixa e revirando lá dentro. Achei um DVD intitulado "Nate's 1st Birthday" e deduzi ser o que eu procurava. Subi correndo de volta e fui até o aparelho na sala, coloquei e dei play.
"Hey, filhão. É o seu aniversário!"
A voz do Déda soou enquanto aparentemente ele direcionava a câmera para um garotinho loiro sentado no tapete batendo palminhas. O bebê então arregalou os olhos olhando pra câmera e se levantou, andando meio cambaleante até a mesma e tentando colocar a boca na tela.
"Não, bebê. Não pode colocar na boca."
Agora era a voz da mamãe, que apareceu e tirou o garotinho de perto e o sentou novamente onde ele estava antes. Ele ameaçou chorar mas então se distraiu com as embalagens coloridas que eram colocadas a sua volta.
"Hora de abrir os presentes, campeão. Vamos lá, isso vai ser divertido."
Mamãe se sentou ao lado do mini eu e ofereceu a primeira embalagem, eu não sabia o que fazer então fiquei batendo em cima como se fosse um tambor. Ela riu e começou a rasgar o papel de presente para me ajudar, e o que surgiu foram alguns caminhõezinhos de pelúcia.
"Esse foi de quem, amor?" Déda perguntou.
"Foi do tio Artie." ela respondeu olhando na embalagem "Vamos agradecer o tio Artie, Nate. Muito obrigado, tio Artie." ela segurou em uma de minhas mãos e acenou para a câmera.
Ela então pegou outra embalagem dessa vez maior e colocou na minha frente.
"Esse tá pesado. De quem será?"
Ela abriu e era um andador que tinha o formato de carrinho onde eu poderia sentar e me arrastar pela casa inteira.
"Agora que a gente perde ele de vista de vez." Déda gargalhou.
"Muito obrigado, vovô e vovó."
O mini eu levantou e sentou no carrinho, porém não saiu do lugar por não ter forças nos pés o bastante para empurrar. Mamãe então pegou uma sacola dessa vez com o nome da loja e abriu, tirando de lá duas roupinhas de bebê. Ela riu alto olhando para as roupinhas.
"O que foi, amor? O que tá escrito?"
Mamãe virou o primeiro para a câmera e eu pude ler 'Eu tive seios no café da manhã'. Déda gargalhou e mamãe levantou o segundo, 'Feito na vagina'.
"Posso fazer alguma ideia de quem foram os presentes." Déda riu.
"Santana Diabla Lopez!"
Eu gargalhei. Só a tia Santie pra ter uma ideia dessas. Por isso mesmo que eu a adorava.
"Tinha que ser essa diabla. Isso me fez lembrar quando o Puck deu aquele babador."
"Claro, como esquecer? 'Esses tolos colocaram minha capa de trás pra frente'. Ninguém merece!"
Depois de abrir mais alguns presentes dos nossos amigos, dos familiares e dos vizinhos que foram, Déda apoiou a câmera em algum lugar.
"Eu vou buscar o nosso presente, babe."
"Tá, vai lá. E cuidado."
Eu já podia ter ideia do que era, o que me fez sorrir. Alguns segundos se passaram e Déda voltou segurando um filhote de gato miúdo e branquinho com manchinhas cinza. Ele o colocou na minha frente e eu soltei um gritinho animado estendendo a mão pro bichinho. Nosso pequeno Shadow.
"Meow! Meow!" eu comecei a gritar e Déda e mamãe riram colocando o gatinho no chão.
"Cuidado, hein, bebê. É neném." mamãe falou acariciando a cabeça do gatinho.
"Nhenhém?"
"Isso, é neném. Qual nome vamos dar à ele, babe?" ela perguntou.
"Pensei em Shadow."
"Shadow? Gostei." mamãe sorriu "Esse é o Shadow, bebê."
"Sado."
"Isso, o Shadow."
O vídeo rolou por mais alguns minutos até que Déda se levantou e pegou a câmera, ele desejou mais uma vez feliz aniversário para a tela, mamãe fez o mesmo e o vídeo terminou comigo soltando uma risada de bebê. Senti algo em minhas pernas e me abaixei pegando um pesado e preguiçoso Shadow e o colocando no meu colo. Dei um beijo em sua cabeça e continuei acariciando seu pelo.
P.d.V. autora
No silêncio do cômodo escuro iluminado apenas pela claridade da televisão, sem se deixar ser percebido, uma figura alta observava aquela cena que o fez primeiramente tomar um susto e depois sorrir de lado. Ele havia sido descoberto, não esperava que tão cedo, mas havia sido. Cruzou os braços sobre o peito e se recostou na parede, vendo a cabeleira loira do filho mais velho sentado no sofá com o gato deles. Ele havia chegado há pouco ali e pegara o garoto assistindo o vídeo, assistiu com ele e sorriu se lembrando de quanto tempo havia feito aquilo. E Nate o achara, então provavelmente ele já sabia.
Não falaria nada no início, esperando que o garoto viesse até ele. Enquanto isso, ficaria imaginando as reações do primogênito a cada leitura das cartas do Daddy Bear.

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