Remember Me

2 2. O vínculo entre nós


Notas iniciais
|bem pessoal, Edvampire decidiu não esperar pelos cinco reviews por que pelo que ele ta vendo eles não virão... Pois prossigamos ( ou só eu prossiguirei...)no capítulo seguinte...esse que seguirá aí embaixo...Eu ainda tenho esperanças de que leiam isso!

Era assim agora, Andy pegava quem quisesse e a hora que quisesse. A vítima da vez era Carla, uma garota esbelta de madeixas acastanhadas que lhe caíam sobre os ombros como as águas de uma imensa onda recaem sobre o mar. Andy a beijou mais uma vez para que quando o tempo passasse e eles nunca mais se vissem não sentisse falta. Afinal, ela não passava de mais uma diversão, e seu coração partido não seria mais do que um coração partido.

Carla o afastou um segundo para respirar. Um forró qualquer tocava alto. Os ânimos estavam afiados e a noite era só uma criança. Ao olhar diretamente nos olhos verdes de Andy, Carla teve certeza de que estava apaixonada. Passou as mãos trêmulas de felicidade nos cabelos curtos dele, cortados num mínimo moicano. Era perfeito que o garoto em que todas suas amigas estavam de olho estivesse debruçado sobre ela numa relva úmida de uma festa junina qualquer.

Nada mais perfeito.

- Quer algo para beber, meu amor? – Andy sabia mais do que ninguém o quanto era importante tratar uma mulher como se fosse uma divindade. Por em prática era mais importante ainda. – Você me espera aqui então? Volto num pulo.

- Não demora mesmo, Andy... – choramingou Carla manhosamente. Ela também tinha lá seus truques.

- Claro que não.

A noite estava agitada, e o espaço do ginásio daquele colégio que Andy nem conhecia parecia insuficiente para tanta gente. Não importava, seu andar seguro e bastante teatral mostrava o quanto ele se sentia o dono da noite. Parou numa barraca onde vendia espetinhos. A senhora que estava sozinha na barraca o atendeu prontamente. Andy pediu dois, depois mudou de idéia e pegou apenas um mesmo. Não bastava ser um arrasador de corações, ele ainda era pão-duro.

Já se dirigia ao local escondido de todos onde deixara Carla – debaixo de uma árvore num esconderijo pouco iluminado. Para ela, ele só comprara a bebida que prometera. Mulheres fáceis são fáceis por que precisam de pouco, ele pensou otimista, com um sorriso largo de orelha a orelha.

- Ei, idiota!

Andy voltou-se para trás de uma vez, descrente que seria com ele que estivessem falando, mas só para ter certeza.

- Ainda bem que reconhece.

Igor estava parado a sua frente, alguns centímetros de distância, mas perto o bastante para Andy reparar em sua face pouco satisfeita. O garoto vestia uma calça jeans simples e uma camisa azul básica. Pobre Igor, não sabe nem como se vestir para uma festa, disse Andy para si mesmo, desprezível.

- Você não sabe com quem está falando. Se soubesse calaria a merda da boca! – Andy limitou-se a apenas a esperar pela expressão frustrada que veria transmutada na face de Igor, mas nada aconteceu, o garoto permaneceu inabalável, ainda julgando-o com seus olhos vorazes.

- O quanto Isabela sabe sobre hoje? – indagou Igor, provocando. – Será que seria muita idiotice da minha parte avisá-la de que está sendo traída nesse exato momento por seu namoradinho popular perfeito? – Igor abriu um sorriso vago ao fingir imaginar a cena.

- Seu canalha... – Andy partiu pra cima de Igor, deixando cair na terra arenosa a latinha de refrigerante que daria a Carla. Investiu com a mão direita para a face escarnecedora do garoto. Acertou sem dificuldades, sentindo o sangue respingar do nariz do outro para seu punho fechado. Agora que o atingira uma vez estava seguro de que faria aquele intrometido pagar por suas palavras e fazê-lo nunca mais ameaçar Leandro Trindade sem temer pelo pior.

O que Andy não esperava era que Igor fosse tão persistente quanto um escravo quilombola lutando pela liberdade. Sua camisa pólo verde fora agarrada pelas mãos nervosas do outro, que o puxou num solavanco e deixou que a cabeça pousasse com toda a força contra a sua. Andy viu tudo ao redor girar, e girar. Igor ainda o segurava, mas parecia afrouxar a mão cada vez mais. Sua visão se tornava turva e antes que ele caísse no chão sua consciência se tornara um vazio repleto de escuridão.

“Isabela, minha linda, vem cá com o Andy, vem...”

Andy envolvia Isabela pela cintura com uma das mãos enquanto dominava seu rosto rente ao dele com a outra. Fios do cabelo negro da garota invadiam sua boca, e o faziam ofegar de prazer. Queria Isabela toda para si, seu corpo nas medidas certas, seu rosto macio e infantil, seus olhos azuis como o oceano. Tudo, ele queria tudo. Estava sendo dominado pela beleza dela, e, mesmo que isso fosse uma maldição, ele aceitaria pacificamente. Padecer aos seus desejos era melhor do que fazê-los inúteis.

- Ei, idiota, será que já pode parar?

Andy ouviu a voz de alguém atrapalhar seu namoro. E não era alguém cuja voz ele gostava de ouvir. Cessou os beijos em Isabela e olhou para os lados, cauteloso.

- Abra os olhos... – Andy começava a reconhecer a voz. – Obrigado.

Ele já devia saber quando sentira náusea a ouví-lo falar. Era Igor, novamente, mas agora não parecia enfurecido como antes, nem preocupado com coisa alguma. Estava recostado num muro pichado, sentado na relva úmida, seus cabelos ondulados cobrindo as sobrancelhas. A visão de Andy ainda estava meio embaçada, mas ele pôde perceber uma mancha vermelho-amarronzada na região do nariz de Igor.

- Ok, agora que já abriu os olhos, já sabe onde está e etc., será que poderia tipo, sair dessa posição? – Igor tentou reprimir um riso, mas sua voz saiu meio cortada na palavra posição.

Andy então se deu conta de como estavam dispostos seus membros pelo ar. Sua mão direita encontrava-se segurando o ar no local onde deveria estar o rosto de alguém, e a esquerda envolvia alguma coisa que estava acima do órgão genital do garoto. Andy corou incisivamente ao se dar conta de que estivera sonhando esse tempo todo com Isabela – um sonho obsceno, diga-se de passagem – e que havia alguém ao seu lado ouvindo cada palavra que ele pronunciara, e que era para Isabela; e cada movimento que ele fazia também. Tratou de ajeitar-se apressadamente e se posicionou sentado ao pé de uma árvore grande que cobria com suas folhas centenárias todo aquele espaço onde estavam.

- Obrigado novamente. – Igor não pode resistir mais, riu e gargalhou ao notar que o Andy enrubescia a cada som que sua voz produzia.

- O que você é? Um idiota? – Andy encarava o chão, mal-humorado. – Nunca viu alguém sonhar com a pessoa que gosta?

Igor de repente parou de gargalhar e virou o rosto para encarar um Andy que não parecia mais tão seguro de si.

- Você é mesmo um cara sem escrúpulos – disse Igor, pronunciando cada palavra com um ódio afetado. – Como pode falar que gosta de alguém se a única coisa que você faz é magoar quem supostamente você gosta? E não é só Isa a quem você machuca fazendo isso – aquela garota, Carla, coitada, não tem idéia do monstro com quem se deixou envolver.

Andy levantou-se obstinado a fazer Igor calar a boca, mas sua cabeça foi atingida por uma pontada por dentro e ele desistiu, retornando ao chão, cansado e incrédulo.

- Ai... Quem é você pra se meter na minha vida, porra?! – Andy sustentava a testa com a mão no local atingido. – Ninguém pediu sua opinião sobre o que eu posso ou não fazer. E a Isa nunca vai saber disso, por que eu nunca vou contar. E nem você.

- Quem vai me impedir? Você, e sua cabeça ainda mais inválida do que sempre foi? – Igor levantou-se de onde estava e se dirigiu a Andy. O outro fez a mesma coisa, com mais dificuldade, claro, mas sem desistir dessa vez.

- O que você quer, hein, Igor? O quê? – Andy encarava o colega com apenas um dos olhos, e tampava o outro com a mão direita por que este fazia sua testa latejar ao entrar em contato com a luz. Mas pela primeira vez Andy percebeu que a única fonte de luz ali era uma lampadazinha velha que descia por um fio descascado, de um dos galhos da árvore. – Vai, fala, eu te entrego qualquer coisa pra você manter o bico calado.

- Há, há, há, há... – Igor gargalhou desaforadamente na cara de Andy, achando muita graça na falta de tato que o colega tinha com os outros. – Leandro, você me faz rir. Sério, você é muito engraçado. – Igor encarou Andy nos olhos, agora deixando que a raiva o tomasse por completo e atingisse a consciência do outro. – Eu não quero nada seu, nada! Você não percebe? Não se trata só de você, o mundo não gira ao seu favor. Deve parecer muito fácil pra você não é? “Ah, papai, me dá um carro? Ah, papai, eu quero ir pra Nova York; Ah, papai...” Não, porra! Você pode ser o riquinho miserável que quiser, mas não se brinca com o sentimento dos outros! – Igor sentia sua pulsação fervilhar por todo o corpo. Finalmente estava jogando todo seu descontentamento no causador dele. Andy parecia pela primeira vez parecia um coelhinho assustado, que temia até piscar, com medo de ser devorado pelo amigo lobo.

O tempo se passou sem que os dois percebessem. Igor tentava recuperar a calma, mas ainda não deixava que o olho bom de Andy lhe escapasse. Se ainda tivesse algo a mais a ser dito, com certeza diria.

O forró que tocava desde o inicio da festa foi trocado por uma musica eletrônica. E a noite prosseguia.

- Eu já entendi – disse Andy depois de alguns minutos. – Eu não tinha me tocado, mas é isso. Você gosta da Isa. – Um riso nervoso atravessou a boca de Andy, que lutava para permanecer calmo. – Essa é a causa de tanto ódio. Igor, meu amigo, é isso, certo?

- Demorou pra perceber, mas conseguiu. – Igor já demonstrava sinais de brandura. – Sim, é isso.

- Desde quando?

- Desde sempre, Andy. Desde que eu a vi pela primeira vez no parque, nas férias, antes da sétima série. Ela estava com você ao lado, eu lembro, e os dois esperavam para andar na Montanha-Russa. – a voz de Igor era distante, vaga, e ele encarava o chão. – Você até sugeriu que eu os acompanhasse, lembra? – então ergueu o olhar para Andy. – Naquele tempo ainda andávamos juntos, e você não tinha se tornado tão desprezível...

- Entendo... Você está de olho nela desde que eu comecei a namorá-la. Então foi por isso que você se afastou? Era por ela que você não queria mais andar comigo? – perguntou Andy, deixando livre o outro olho para encarar melhor seu amigo.

- Não, não. Não foi por isso. Não entenda mal. – Igor enterrou as mãos nos bolsos da calça jeans, pensativo. – Olha Andy, é verdade que eu sou muito apaixonado por Isabela, mas não se trata dela. Não é apenas isso... Sabe, a gente é amigo desde pequeno – ou pelo menos costumávamos a ser – e eu pensei que te conhecesse bastante para tanto tempo, assim como achava que você me conhecia. Mas aí o tempo passou, a gente foi crescendo, e fez 15 anos. Foi nessa época que eu realmente percebi que não sabia nada sobre Leandro Trindade, e nem você podia falar quem era Igor Valença.

“Você conheceu novos amigos (e eu nem os chamaria assim), aprendeu novos valores, e principalmente aprendeu a venerar o dinheiro. Eu ainda me pergunto se você sabia o que estava fazendo naquela noite em que se embebedou todo e teve de ser carregado por três pessoas até sua casa por que lhe faltavam forças. Cara, quanto tempo nós passamos sendo parceiros e você troca isso por alguns minutos de falsa felicidade? Tudo bem, eu posso está sendo um pouco dramático, ou muito, e não me olhe com essa cara feia. Brincadeira. Sério, Andy, você sempre foi o meu melhor amigo. Como você pôde ter sido abduzido por esse novo Leandro em tão pouco tempo? Ah, me desculpe, eu não queria me exceder nisso.

Igor desviou o olhar e contemplou o céu acima de suas cabeças. Finalmente. Finalmente tinha dito tudo o que entupia sua garganta por séculos sempre que olhava seu amigo em algum lugar, sendo quem não costumava a ser. Finalmente esclarecera sua paixão por Isabela, e o quanto ele mesmo sentia-se magoado pelas atitudes de Andy. Finalmente as coisas pareciam começar a se resolver. Finalmente.

Andy saiu de seu estado de ouvinte e sentou-se novamente no chão. Percebia o quanto Igor estava menos tenso depois do desabafo, e queria conhecer um modo de ser tão corajoso quanto o amigo. Permitiu-se ser complacente e admirar as estrelas que reluziam à madrugada. Queria falar. Queria expor tudo o que vinha à mente, confessar que sentia sim a falta de um amigo de verdade, confessar que Igor e suas palhaçadas eram partes saudosas em sua vida; que sentia muito por ter deixado de ser quem era, por que reconhecia isso, agora, mas antes parecia mesmo estar tomado por uma felicidade sem fim. Que se deixou levar pelos falsos amigos, pela diversão constante, pelo encanto do dinheiro. Desejava mais do que tudo naquele momento apagar todas as memórias do que fizera, por que era impossível voltar no tempo e refazer os erros. Sentia por Isabela, e por um momento chegou a pensar em deixar o caminho livre para Igor, por que com certeza ele seria um namorado melhor. Mas ele a amava de verdade, não importando o que fizera, ele sempre se sentia bem e em casa nos braços gentis dela. Tudo isso passou pela mente de Andy numa torrente de emoção, porém tudo o que falou foi uma única palavra, apenas para resumir tudo:

- Perdão...

- O quê? – disse Igor, surpreso.

- Perdão! E por favor, não me faça repetir de novo – Andy corava, mas não tanto quanto imaginava que o faria.

Igor sorriu, descontraído. Andy não o encarava, nem ao menos encarava o céu. Estava detido em seu próprio mundo, absorto em pensamentos. Aquela era a amizade dos dois retornam aos seus primórdios, e tal pensamento causou uma centelha de felicidade em Igor, o primeiro sinal de que tudo ficaria bem em toda a noite.

- Ei, idiota – chamou Igor, sentando-se ao lado do amigo. – Eu te perdôo. E vê se não cora mais como você está fazendo agora, é ridículo. – Os dois riram.

Mas havia ainda mais alguma coisa para ser resolvida.

- Agora eu quero saber, com sinceridade, por que você faz isso. – disse Igor. – Quero dizer, trair a Isa desse jeito, sem piedade. Por que você se tornou assim?

- Igor, você não entenderia. Eu estava cansado de ser quem eu era – Andy deu um longo suspiro. – Estava cansado de não ser reconhecido na escola, não ser convidado para os lugares mais freqüentados pela galera, entende? Não há mais nada o que dizer...

- Não entendo, não. – declarou Igor, meio decepcionado com a resposta do outro. – Mas tudo bem, quem sou eu para lhe pedir satisfações. Mas eu te peço uma coisa, Andy – Igor fitou o amigo para ter certeza de que sua promessa seria verdadeira -, não faça mais coisas que possam vir a machucar a Isabela, por favor. Eu prometo não contar nada do que vi hoje, para ninguém, prometo. Mas você vai ter que prometer mudar esse seu jeito, por ela, não por mim, nem por você — mas pela Isa.

- Sim, cara, eu prometo. – Os olhos de Andy passavam a confiança que ele desejava transmitir. Ele estava sendo sincero, prometera e faria tudo para cumprir a promessa feita a seu amigo, ali, debaixo de uma árvore grande numa festa junina em plena a madrugada.

- Obrigado. – Igor baixou os olhos, e por um segundo viu a imagem de Isabela sorrindo em sua mente, doce como só ela conseguia ser, e tão maravilhosa que ninguém nunca chegaria aos seus pés. Até que Andy levantou-se subitamente, confuso.

- O quê? – perguntou Igor, sem entender. – Percebeu o que prometeu e agora quer voltar atrás? – havia certa ironia na voz de Igor, mas ele temeu que a resposta fosse sim.

- Não! – Andy saiu correndo. – Deixei a Carla sozinha, tenho que me despedir. – Gritou ele enquanto se afastava correndo, para a claridade do festejo. Até segunda!

- Até... – murmurou Igor, feliz por reatar uma amizade que sempre fora muito importante para ele.

À espreita na escuridão, atrás do muro onde minutos atrás Igor estivera recostado, Carla o observava olhar para as estrelas distraído. Havia se passado pouco tempo depois da partida de Andy em busca dela, mas ele teria uma pequena surpresa ao não vê-la lã esperando por ele. Carla olhou para o celular que segurava na mão, e sorriu malicosamente.

- Onde estará agora o dono deste aparelho?

Afastou-se cautelosamente do lugar onde estava, e, com a autoconfiança enaltecida, retornou para os últimos minutos de festa.

Notas finais
E é isso, esse nao deu tanto trabalho, mas também nao ficou melhor que o outro...tem alguns erros, eu sei, muitos erros, mas vou treinar pra crescer, e tornar esse número de erros menores que os de acerto!
Então é isso, abraços!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.