Remember
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Passamos praticamente a noite em claro,
colocando todos os assuntos em dia. Annie me contou que Victoria Montez
continuava a mesma garota irritante de sempre. Se achando a rainha da escola
com suas duas seguidoras, as irmãs Catherine e Rachel Mackenzie. Contou também
que Noel Hansen pediu para ficar com ela três vezes, e ela o rejeitara.
-
Você ta doida, Annie? Você é louca pelo Noel desde o sétimo ano. Qual
é, vai me dizer que passou?
-
Passou, sério. Antes eu era a-rejeitada-da-escola, agora, pode-se dizer que sou
mais
popular do que a Victoria. Pelo fato de eu ter emagrecido alguns quilos
e ser loira e ter olhos claros.
-
E você quer passar na cara dele que é superior. Francamente, eu não te
reconheço. – nós rimos.
-
Eu aprendi que não posso ficar pra baixo por causa de um Hansen qualquer.
-
Mesmo que ele seja o mais gato de todos. – eu disse, fazendo gesto de protesto,
com o punho fechado acima da cabeça.
-
Certo. Agora, me conta como é a vida lá em Phoenix. – eu baixei os olhos. Não
gosto muito de falar sobre minha vida depois de ter saído de Grandview. Mas eu
não podia esconder nada dela, afinal, era minha melhor amiga.
-
Depois que saí daqui, eu e mamãe fomos morar em Los Angeles. Passamos uns dois
meses lá, e logos depois fomos para Phoenix. Sinceramente? Eu não construí vida
social por lá. Só conhecia algumas pessoas, mas nada de amizade verdadeira.
-
E...alguém se interessou por você lá? – perguntou Annie, animada.
-
Sei lá. Nunca perguntei. – ela fez um ar de desânimo.
-
Ok. Vamos dormir agora? Eu estou com sono, e amanhã nós temos aula bem cedo.
Isso significa que só temos duas horas de sono. – assenti, me virei e fechei os
olhos. – A propósito, Liz ficou sabendo que você voltou pra cidade. Ela estava
em Nova York, e, assim que soube, comprou a passagem e ta correndo pra cá.
Caramba. Olha o que eu fiz. A Liz ta
voltando de NY pra Grandview, Ally vai voltar a falar com a gente amanhã na
escola, Connor, Taylor e Bryan não vão mais se sentir culpados pelo fato de eu
ter ido embora e vão voltar a se falar. Só não sei o que vai acontecer com
Logan...
No outro dia, às seis da manhã, Chris bateu
na porta do meu quarto, nos acordando para a escola. Eu não mereço, pensei, mas logo depois, levantei e balancei os pés
de Annie, para ela acordar também.
Fiz minha higiene matinal, e coloquei a
farda do Lion High School, uma saia quadriculada vermelha que ficava no joelho,
mas que todas as meninas mandavam cortar para ficar extremamente mais curta,
uma blusa social branca de botões, que eu deixava os dois primeiros botões
abertos e enrolava as mangas da camisa, uma gravata preta e vermelha, que eu
colocava folgada em volta do pescoço, meias brancas até as canelas, e os
sapatos poderiam ser qualquer um que fosse preto ou vermelho. Eu escolhi meus
sapatos de salto vermelhos estilo boneca, com o bico redondo e o salto de 15cm.
Passei rímel, o único produto da maquiagem
que destacava meus olhos verdes, penteei meu cabelo preto e deixei solto,
caindo pelos meus ombros. Peguei minha mochila e desci.
Lá embaixo, Annie já estava pronta, me
esperando para irmos para a escola. Chris estava de costas fazendo panquecas
para ele mesmo. Peguei uma maçã e coloquei na bolsa.
-
Bom dia, Mary! – falou Chris.
-
Bom dia, Chris. Está fazendo panquecas?
-
Arrã.
-
Me dá só um pedaço, se não, vamos chegar atrasadas na aula. – ele pegou um
garfo e um pedaço da panqueca da panela mesmo. Estava uma delícia. – Obrigada,
eu amo você. Até mais tarde. – dei um beijo na sua bochecha e saí.
Entramos no carro e fomos o caminho todo
escutando e cantando música, e conversando besteira, claro. O carro da Annie
era um Volvo prata, o único da escola, então, todos sabiam quando ela chegava.
Assim que descemos do carro, Liz e Ally nos esperavam na calçada.
-
Mary! Annie! – exclamaram as duas juntas.
-
Meninas! – eu e Annie dissemos na mesma hora. Nos abraçamos e caíram algumas
lágrimas dos nossos olhos.
-
Senti tanto a sua falta, Mary. – falou Ally.
-
Também senti a sua. De todas vocês! Não sabem como foi difícil ir embora sem me
despedir.
-
Não vamos ficar chorando pelo leite derramado, não é mesmo? Está tudo bem
agora, vamos aproveitar a volta da nossa amiga, que, uau! Está mais linda do
que antes. – disse Liz.
-
Ah, pelo amor de Deus! Todas sabem que a Annie sempre foi a mais bonita de
todas nós. – falei, lembrando das palavras da minha melhor amiga. Agora,
sou mais popular que a Victoria.
-
Eu sei disso, né! – falou Annie. Pelo visto, ela tinha mudado mesmo. Nunca
tinha se importado em ser ou não a mais bonita. – Vamos entrar logo! As pessoas
vão adorar ver que a Mary voltou.
Enquanto andávamos pelo corredor, eu via
rostos muito conhecidos. E a cada cinco segundos, uma pessoa cumprimentava a
Annie, mas, assim que olhavam para mim, ela perdia toda a atenção. E isso
estava a deixando irritada.
As meninas me levaram para o mesmo armário.
Nós sempre tivemos os melhores armários, os quatro juntos, em uma fileira só.
Perto dos armários dos meninos do time de futebol americano. O sonho de
qualquer garota que estudava na Lion.
-
O mesmo armário. Credo, to até achando que isso é carma. – Liz falou e se
benzeu. Nós começamos a rir.
-
Pelo menos, continuamos perto do time de futebol, né? – falei. Senti uma
cutucada nas minhas costas, e, juro que por alguns segundos, parei de escutar a
respiração das minhas amigas. Me virei e dei de cara com Connor Payne, que,
segundo Annie, era o menino mais bonito da escola. Agora.
-
Mary? – perguntou ele, surpreso.
-
Oi Connor! Quanto tempo! Você mudou, tipo, muito!
-
Eu ainda não acredito que você voltou mesmo! Nossa! – ele me abraçou. Depois de
Annie, Ally e Liz, Connor era a pessoa de quem eu era mais próxima nessa
cidade.
-
Fiquei sabendo que agora você está popular. Aquela coisa de, tipo, “eu sou o
bonitão atleta da escola, cinco beijos”. – ele deu um sorriso.
-
Muita coisa mudou por aqui desde que você foi embora. Mas, confesso que senti
muito a sua falta. – Annie olhou para baixo quando ele falou essas palavras.
-
Eu também senti muito a falta de todos vocês.
-
Ei, Payne! Vamos logo, cara! – gritou Noel do armário dele. – Oi Mary! Seja bem
vinda de volta! – ele gritou de novo, e acenou. Eu acenei de volta.
-
Depois a gente se fala, Mary. – disse Connor. Deu um beijo na minha bochecha e
foi se encontrar com o Hansen. Olhei para Annie e cruzei os braços.
-
Por que não me disse que estava afim do Connor? – perguntei, levantando uma
sobrancelha.
-
Sei lá...não parecia importante. – ela falou, triste.
-
Combinamos de contar tudo umas pras outras. E você me esconde uma coisa dessas?
-
Pela lógica, todo mundo já sabia disso. – falou Ally. – A menina mais bonita da
escola afim do menino mais bonito da escola. É tradição.
-
Se você tivesse me contado, isso não teria acontecido. – fechei o meu armário,
e saí andando, com raiva.
Como ela pôde me esconder uma coisa séria
dessas? Ela é afim do meu melhor amigo, e não me fala absolutamente nada! Eu
tenho certeza que, se fosse eu que tivesse escondido, essas horas eu estava
passando pelo portão do céu.
Enquanto andava, esbarrei em alguém, e,
automaticamente, derrubei seus livros.
-
Parece que meu desastre anda voltando. – sorri, sem graça. Assim que olhei para
o rosto da pessoa, me espantei com o destino. Taylor.
-
Então, é verdade! Mary Owen voltou para Grandview! – ele falou, me dando um
forte abraço.
-
Que saudades que eu senti de você. Como estão as coisas?
-
Nada de novo. Continuo estudando como um louco, para ganhar uma bolsa numa
faculdade boa. Já que eu não posso ganhar como atleta, só me restaram os
livros. – eu ri.
-
Engraçado. A cidade continua a mesma, mas, as pessoas mudaram tanto por aqui...
– olhei para baixo.
-
Você está falando da Annie e do Connor né? – balancei a cabeça positivamente. –
Eu também percebi isso. Eles viraram “os populares”. Nem parecem os mesmos.
- Não
são os mesmos. Acho que a popularidade subiu a cabeça deles.
-
Pois é. Vem cá, você já se encontrou com o Logan? – pisquei rápido duas vezes.
-
Não. Por quê?
-
Ele falou que tava ficando maluco porque te viu na janela. Daqui a pouco você
vai esbarrar com ele por aí. Afinal, a escola não é tão grande como a de
Phoenix. – Taylor sorriu, e começou a se distanciar.
Continuei andando, pensando nas suas
palavras. Realmente, a escola não era assim, tão grande. Mas isso é uma das coisas que eu mais gosto nela.
Entrei na sala da minha primeira aula.
Inglês. Até que eu gosto, mas não é minha matéria preferida. Sentei na carteira
– que ainda era de dupla – e fiquei observando a sala. Tinha uma mesa, com
alguns livros empilhados em cima dela, e, logo atrás, o quadro negro. O qual
tinha escrito bem grande com giz branco Sr.
Osborn – Professor de Inglês. Senti que alguém sentou do meu lado, mas não
me dei o trabalho de olhar quem.
-
Bom dia, Mary. – falou uma voz conhecida. Da qual eu sentia uma imensa necessidade
de escutar.
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