Rember Me...
2 Uma Visão Nada Agradável...
Notas iniciais
Descemos até o convés inferior para a sala de reuniões que ficara muito vazia desde que um certo sátiro mau humorado tinha ido embora. Reyna e Nico também já haviam partido e algo me dizia que no tempo em que eu estivera fora, muita coisa havia acontecido. Ele estava mais... Frio.
Piper estava sentada com Jason á seu lado e Leo aparecia de um holograma que havia inventado para poder estar ao mastro e nas reuniões ao mesmo tempo. As vezes ele era bem engenhoso...
Hazel estava de pé fazendo com que uma colher se transformasse em um lépis e depois em uma adaga semelhante a que Annie costumava carregar. Frank se pôs ao lado da namorada. Seu rosto ainda levemente vermelho.
–O que foi? -Annabeth perguntou preocupada.
–Piper viu uma coisa que pode preocupá-la... -Jason começou.
–O que está acontecendo aqui, não estou entendendo nada... -Falo confuso.
–Ah, novidade... -Leo murmura sorridente.
–Acontece que... -Piper levanta o rosto que me parece um tanto abalada. -Annabeth, precisamos conversar.
–Anh... Claro.
–É vamos lá... -Falei passando um braço pelos ombros de Annie.
–...Em particular... -Piper termina.
–A-ah... Sim, óbvio. -Sorri amarelo.
Elas seguiram até a cabine de Piper, que chamou Hazel com elas. Fiquei incomodado pelo fato de algo ruim estar para acontecer -E por estar para acontecer para a minha namorada- e não confiarem em mim.
–Isso envolve todos nós cara... -Jason diz observando-as sair como se lesse meus pensamentos. -Piper acha que você não deveria saber por enquanto...
–Não me interessa o que Piper acha! É a minha namorada! A minha Annie! -Falo grosso.
–Hey... -Leo chama sem sucesso.
–Ta certo, é a sua Annie, mas são as nossas vidas que estão em jogo! -Ele devolve em um tom desagradável.
–Hey... -Leo tenta de novo.
–Cale a boca! Não fui eu quem desmaiei e deixei a tripulação ser atacada! -Grito me aproximando. Ele com uma cara irritada.
–HEY! -Leo por fim consegue atenção. -Não vão brigar agora, okay? Percy, não esquenta, nada vai acontecer a Annabeth. Jason, cale a boca picachu! -Ele ri.
–Vou te mostrar quem é o picachu... -Ele fala nervoso erguendo um braço invocando as tempestades.
Do lado de fora as nuvens já estavam carregadas e trovejava bastante. Jason estivera passando por momentos difíceis desde que cai no Tártaro. Comandar sete meio-sangues para a morte não é nada relaxante. Acredite, eu não queria ser um semideus...
Mas agora, ele estava deixando que toda sua raiva tomasse seus sentidos e estava estourando. Ao contrário dele, eu não tive tempo para explodir, e toda aquela raiva por não ter nascido uma pessoa normal e por tudo isso estar acontecendo, ainda estava controlada dentro de mim, presa por um único pensamento: Annabeth.
Ela sempre fora minha razão, me motivo. Para devolver o raio, para navegar no mar de monstros, para segurar o céu, para me perder no labirinto e para enfrentar Cronos. Quando perdi a memória, ela fora a única coisa que me mantinha preso ao mundo grego e quando perdi metade de minha mortalidade para o Estige, ela fora o que me segurara vivo.
Perdido em pensamentos não percebi quando Leo por pouco não fora atingido por um relâmpago, e o teria sido, se não fosse por Annabeth e as outras voltarem a tempo:
–Jason, pare! -Piper botou tanto charme na voz para conter o namorado que até mesmo eu tive vontade de correr e me jogar á seus pés.
Annie deve ter percebido porque fechou a cara em um bico fofo e emburrado. Eu ri e a puxei para um selinho. Ela sorriu e me abraçou de lado:
–O que aconteceu aqui? -Hazel perguntou. -E onde está Frank?
–Acontece que o picachu está com raiva... -Leo riu pelo holograma.-E quanto ao namoradinho... Não sei...
–Também não o vi desde que discutimos. -Afirmei. -Jason?
–Também não...
Ficamos uns dez minutos procurando por ele quando o achamos em forma de um filhote de um cachorrinho bem fofo dormindo debaixo da mesa do jantar.
Quando Frank acordou, disse que estava com medo de sobrar pra ele e resolveu tirar um cochilo. Bem típico...
Acabou que fomos todos dormir, mas a insônia me atingiu e passei a noite em claro. Lá pelas três da manhã, resolvi que tinha que descobrir o que a tal adaga havia mostrado á Piper e aos outros.
Segui sorrateiramente até a cabine de Piper que dormia profundamente. Peguei a arma e voltei para minha cabine. Você deve pensar: "Por que simplesmente não pergunta á sua namorada?"
Quer dizer, eu poderia perguntar, mas não acho que Annabeth me contaria qualquer coisa. Ela se preocupa demais comigo e com os outros, daria sua vida para me proteger. E eu não quero se o culpado pela morte da garota que amo.
Sentei no beliche e posicionei a adaga de forma que o reflexo mostrasse o que eu queria ver. Quer dizer, o que eu não queria ver...
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