Reload Lyoko
6 Capítulo 6
Um tempo e mais papo furado mais tarde, Bruno prepara uma mochila pra sair.
U: Vai a algum lugar?
B: Vou sair por aí, explorar a cidade. Vai que eu acho alguma coisa… Ta afim?
U: Vou ficar por aqui mesmo, ainda tenho aula amanhã.
B: O nativo pretende me dar alguma dica de sobrevivência nas terras desconhecidas?
U: Só mantenha um olho nas suas coisas, bater carteira por aqui é comum.
Bruno ri. Talvez não devesse estar rindo.
B: Nada de diferente de onde eu venho, então… /Bruno vai pra porta, com a mochila/ Não me espere acordada, amor!
U: Vai logo.
Bruno sai e fecha a porta…
… E logo abre de novo.
B: Aliás, qual é a estação mais próxima daqui?
U: A de metrô? A Jussieu.
B: De lá eu vou pra qualquer canto que eu quiser?
U: Aqui, você vai pra qualquer lugar de metrô. Não sabia?
B: Eu não to acostumado com esse tipo de luxo… Mas OK, valeu.
Bruno fecha a porta de novo.
O prédio residencial é grande e vistoso por fora, mas os corredores que levam aos quartos são estreitos. Algo comum e inevitável, de certa forma, quando a cidade tem quase 20 milhões de habitantes. A diferença de tamanho dos corredores pros quartos — significantemente maiores — faz com que o lugar passe uma sensação de hotel a quem entra pelas primeiras vezes. Uma sensação estranha pra Bruno, que vem de um lugar onde os corredores costumam ser tão largos quanto os quartos, e a preocupação com espaço praticamente não existe.
Bruno segue em direção à estação, olhando constantemente a direção no celular. É perigoso andar sozinho numa cidade desconhecida, quem dirá sem um mapa. Quem dirá uma cidade grande na qual se acabou de chegar. Especialmente quando a cidade em questão é Paris.
Bruno segue olhando os arredores, escuros e brancos, como o usual do inverno europeu. Muito diferente do sol tórrido de onde ele vem. Fora que a ideia de uma noite que começa às quatro da tarde não exatamente encaixa facilmente na cabeça de alguém vindo de um lugar onde às seis ainda faz mais de 30 graus e o sol não dá o menor sinal de enfraquecer.
Um tempo andando e outro tempo de metrô depois, Bruno chega ao distrito industrial da cidade. Ele desce na estação chamada Pont de Sèvres, uma estação rodeada por prédios comerciais, como os do resto da cidade. Prédios aparentemente antigos em meio a novos, salpicados por pequenas oficinas e prédios industriais. Nada de muito diferente do restante da cidade, fora os edifícios industriais. Bruno anda, olhando ao redor enquanto tira umas fotos. Parte de um registro pessoal. Um tempo depois…
B: OK, acho que foi exploração o suficiente… /Bruno olha o GPS, que aponta uma ilha no rio Sena, perto da posição dele./ Tinha uma fábrica nessa ilha, ne? Será que sobrou alguma coisa dessa fábrica que possa ser útil…?
Então, Bruno segue em direção à fábrica, da qual a única coisa que sobrou foi a fachada, preservada como um memorial do que se passou por lá na história da cidade.
A fábrica da ilha Seguin foi palco de inúmeros eventos desde sua construção, no começo do século 20. Uma fábrica de construção de transportes de tropas na 2a Guerra, o palco de várias manifestações comunistas na Guerra Fria… Agora, o que havia sobrado era um jardim, no qual Bruno havia acabado de entrar. Não é possível que eles tenham jogado tudo de útil fora… Quem sabe uma coisinha ou duas não sobraram?
Bruno entra no jardim, andando pra lá e pra cá perdido, como se procurasse algo em específico. Nada mais interessante que uns parafusos velhos e o eventual ratinho, do tipo comumente visto rodando por Paris. Até que, em meio a uns arbustos, ele vê um alçapão. Grande o suficiente pra uma pessoa passar, e convenientemente destrancado.
B: Parece fácil demais… /Bruno pensa, olhando ao redor pra ter certeza de que ninguém estaria olhando./ Mas bom, ta na hora de pesquisar mais a fundo… Quem sabe lá embaixo não tem um complexo subterrâneo com tecnologia alienígena que eu possa explorar?
Bruno abre o alçapão e desce por ele o mais rápido possível, cuidando pra que ninguém tenha visto ele entrar. O lugar era absolutamente escuro, e a escada parecia não ter fim. Logo que o último degrau chegou, Bruno pulou, rezando pra achar um chão rápido o suficiente pra não se ferir na queda — o que felizmente não aconteceu.
B: Que haja luz!
Bruno acende a lanterna do celular, olhando ao redor do lugar onde ele caiu. Parecia uma pista de corrida escondida no subsolo. Marcações no chão, zebrado nas curvas… Ele estava parado numa calçada elevada a uns 2 metros do nível da pista. Então, ele passa a andar ao longo da pista, esperando eventualmente encontrar um boxe ou uma sala de controle a qual ele pudesse vampirizar por peças.
O lugar é escuro e úmido, cheira a mofo e metal enferrujado, com notas de borracha podre. Não era o cheiro mais agradável do mundo, mas é um cheiro ao qual alguém que quer trabalhar com máquinas deve se acostumar. Seria um treino perfeito pra Bruno, se ele sobrevivesse. Ele andava na direção onde o cheiro de metal e óleo de máquina velho ficasse mais forte, e na eventualidade de achar uma máquina, ele puxava o que pudesse soltar, e martelava o que resistisse e não tivesse parafusos. E enfiava os frutos da colheita na mochila. Eventualmente, a mochila ficou pesada demais pra carregar, então Bruno parou pra descansar numa conveniente sala localizada do outro lado da pista, aparentemente a sala de controle dos engenheiros.
Aparentemente. No final, a sala era bem mais que isso.
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