/Dormitório do Ulrich, 11 e alguma coisa da manhã

?: Eu preciso de um banho, na real mesmo…

O homem entra no quarto, e fecha a porta. Logo, ele joga a mala perto de uma cama, a abre, pega uma toalha e tira a camisa. Ulrich entra, e o vê. Estranho, alguém simplesmente entra no quarto dele, se instala, sem ninguém falar nada?

Ulrich: Ei! Como assim você chega no meu quarto e vai se instalando assim? Quem é você?

O homem olha de volta pra ele, sem se preocupar com por uma camisa. De qualquer forma, ele parece preocupado com não ter causado uma boa primeira impressão.

?: Ahn… Então você é o outro dono desse quarto? /sem graça/ Foi mal, eu sou novo aqui. Acabei de chegar, na verdade… /Ele olha ao redor, mãos na cintura./ Meu nome é Bruno, e o seu?

U: Ulrich. Aliás, essa cama é minha.

Ele aponta pra cama onde Bruno jogou suas coisas. A cama estava visivelmente desarrumada, e o travesseiro obviamente havia sido usado não muitas horas atrás, assim como a outra imediatamente ao lado. Enquanto uma terceira, mais distante, estava sem roupa de cama alguma.

B: É, eu deveria ter percebido… Desculpa, viagem longa. 23h de avião fazem isso com uma pessoa. /Ele diz, tirando as coisas da cama de Ulrich com um sorriso amigável no rosto, e logo senta na mesma./ Então, me fale sobre você.

Aquele dia seria longo… Ulrich se senta na outra cama, e trata de ser breve na hora de se apresentar. Ele nunca gostou de enrolação, afinal. Menos ainda com gente (aparentemente) folgada. Tudo bem, talvez ele estivesse exagerando… Até onde ele sabia, Bruno havia acabado de chegar. Mas de qualquer forma, ele nunca foi a pessoa mais paciente do mundo.

U: Aliás, regras da casa: 1- Não toque nas minhas coisas. 2- NÃO toque as minhas coisas. 3- Sugiro que use tampões pra dormir, porque o outro que mora aqui ronca demais.

B: “Outro”? Mais alguém mora aqui?

Como se tivesse sido invocado, um garoto loiro de cabelo melhor definido como um fósforo aceso entra no quarto.

Odd: Ulrich, vai se atrasar pro almoço! E hoje tem o seu favorito, purê de batatas!

Os dois olham pra Odd Della Robbia, o fósforo em questão.

U: Sim, e falando no diabo…

Odd olha pro estranho no ninho, Bruno, e sorri. Algo se passa pela cabeça dele, e nada de bom, naturalmente. É Odd, afinal.

O: /afinando a voz num tom mais alto/ Ulrich, querido, quem é esse? Decidiu me trair com outro, é? Por que não me falou nada? /Ele diz, pegando na mão de Ulrich./ Você podia ter me avisado que eu não te agradava… Será que--

Bruno observa a cena, meio desconfortável, enquanto Ulrich puxa a mão de volta pra si.

U: Odd, para com essa merda, o que ele vai pensar?

B: Eu não sei, que vocês são gays...? /Bruno parece confuso. Sente como se estivesse interrompendo algum momento do casal./ Eu não tenho problema nenhum com isso, contanto que não comecem a se comer na minha frente… Não sou muito chegado a ficar de vela.

Odd sorri, e senta no colo de Ulrich. Ulrich joga o mesmo no chão.

U: /obviamente impaciente/ Não, não somos gays. Ele que tá de palhaçada. Somos só bons amigos.

O: Bons amigos tipo você e a--

Odd é interrompido por um tapa na nuca. Ele não deveria mencionar esse nome perto dele, não depois do que aconteceu. Então era melhor evitar que o mesmo nome fosse dito, pra evitar desconfortos. Bruno observa, sem entender absolutamente nada.

B: Ahn, é costume de vocês franceses se bater à toa? Digo, é comum amigos se espancarem até a morte? Fortalece laços ou algo assim?

O: Não somos franceses…

U: Não sei você, mas eu sou bem francês.

Na verdade, Ulrich é alemão. Mas por ter sido criado maior parte da vida na França, e por causa de seus pais, hm, menos que considerados com ele, ele não gosta de se referir a si mesmo como alemão. Liga ele a coisas às quais ele não quer ser ligado.

O: Eu sou italiano, e ele é alemão. Moramos aqui há anos. Estudamos juntos, até, éramos da mesma sala, até dormíamos no mesmo quarto…

Odd deslizava a mão ao redor do pescoço de Ulrich, que dá outro tapa no garoto. Bruno decide que é hora de entrar na brincadeira.

B: Então vocês estão praticamente casados, ne… /rindo discretamente/

O: Não, não, o coração dele é de outro… Outra, na verdade, uma garota chamada--

Ulrich interrompe Odd violentamente, falando por cima.

U: A gente vai almoçar, ou vamos passar o dia inteiro falando de passado?

B: Sim, eu to morrendo de fome, ne? Por que vocês dois não me mostram onde é o RU desse lugar, e vocês se batem ou se beijam enquanto eu recupero a energia que eu perdi no avião?

Bruno se levanta, sorrindo. Ulrich e Odd se levantam e saem do quarto depois dele, Ulrich com expressão de derrota.