Notas iniciais
Página 2 do diário de Júlia Almeida, encontrado nos escombros do que foi a sua casa:

Afastei-me rápido de minha irmã com medo que ela estivesse sonâmbula, mas ela falou e zumbis não falam. “Eu não consigo dormir, Júlia”. Eu tentei acalmá-la, mas estava tremendo muito e chorando compulsivamente. Não sei se ela viu algo que aconteceu. Saímos do quarto e ninguém estava lá. Então olhei a rua pela janela e só o que vi foram zumbis errantes, entre eles reconheci a Priscila que devorava um gato selvagemente, talvez todos os meus amigos tenha se transformado, acho que não enxerguei uma alma verdadeiramente viva, estou só com uma criança e com medo do que terei que enfrentar.

Só queria ficar em casa para sempre, mas já se passaram alguns dias e com eles foi-se toda a comida, se eu soubesse o que iria acontecer teria feito as compras que prometi a minha mãe que faria. Todas as casas da vizinhança devem ter comida e lugar para nos esconder. As opções eram enfrentar os zumbis ou morrer aqui, então eu escolhi lutar. Eu e minha irmã nos armamos com facas e saímos pelo quintal. Deus me perdoe por isso, mas agradeci imensamente que já haviam matado todas as pessoas da casa ao lado. Assim que passei pelo portão um zumbi correu ao meu encontro e chamou a atenção dos outros, mandei Layza correr para a próxima casa, mesmo sem ter certeza se realmente lá estava seguro, com a minha faca pude me defender do zumbi. Surpreendi-me com a força que o medo nos dá, era eu ou ele e não hesitei, cravei a faca em sua cabeça e juro que tive vontade de esmagá-lo até não sobrar rastro de um corpo humano, mas outros estavam vindo e tive que correr. Tentamos forçar a porta da casa de Tamara, mas estava tudo trancado. Para nossa surpresa, meus amigos estavam lá, não todos, encontrei Murilo, Pedro, Ariane e Fran. Não tenho forças para escrever o que aconteceu com minha irmã mais nova. Estavam todos discutindo a necessidade de deixar a cidade, com certeza em outros lugares encontraríamos ajuda. Resolvemos vasculhar as casas vizinhas em busca de recursos e armas. Eu, Ariane, Pedro e Murilo vamos sair nessa missão, não quero ficar aqui pensando em tudo que aconteceu.

Oi, eu sou a Fran, desde ontem os outros se foram em busca principalmente de armas e não voltaram, encontrei o diário e pensei em contar o que houve lá na casa da Júlia. Recebi algumas mensagens de Ianca, eles não conseguiram fugir por ar, mas pegaram a estrada assim mesmo, não existe mais noção de fronteiras, nem nada, muitos carros parados na estrada, ataques a todo instante. Ouviram no rádio que a epidemia é causada por um vírus, ele só é ativado durante o sono. Qualquer um pode estar contaminado. Estávamos conversando na cozinha para não dormir, Bel lia na sala, até que ouvimos os gritos de Nathália, não deu tempo de fazer nada, quando chegamos à sala, ela estava rasgando o frágil corpo da menina com as mãos, suas mãos eram garras, eles ficam terrivelmente fortes quando se transforma. Pedro conseguiu tirá-la de cima de Nathália, mas já era tarde. E Pelo que Ianca me informou qualquer arranhão transmite o vírus. Abrimos as portas para tirar Bel ou o que quer que ela seja agora daqui e outros zumbis vieram atrás de nós. Não houve tempo para salvar os outros, nem nada disso, só corremos como loucos, na hora do perigo cada um só pensa na sua pele. Se amanhã o pessoal não tiver voltado, pego o carro e me mando daqui.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.