Relearn
22 XX - Estampas de animais não são excitantes
Notas iniciais
Agradeço à todas as últimas recomendações e os comentários também. Especialmente à Lyanna (Lady pierce) e Apaixonada por palavras, que se preocuparam em saber pq eu não voltava mais com Relearn.
Babem na capa nova, pq eu já estou fazendo isso u-u
Boa leitura.
P.O.V Silena
Eu e Charles havíamos combinado de nos encontrar numa lanchonete há duas quadras de distância da minha casa.
Assim que comecei a descer as escadas, pude ver Drew me esperando no hall.
— Onde pensa que vai? — ela perguntou, em tom autoritário.
— Ora, me polpe, maninha. Nossa mãe não faz esse tipo de pergunta, porque você teria o direito de fazer?
— Só queria ter certeza de que estaria sozinha em casa, sem nenhuma presença indesejada — Drew deu de ombros e foi direto para o centro da sala, se jogando no sofá.
— Como eu sou uma pessoa educada, direi aonde vou. Eu e Charles combinamos de comer alguma coisa no Junior’s, fique tranquila, a casa estará vazia para você e meu cunhadinho.
Drew semicerrou os olhos para o que eu acabara de falar, mas logo sua expressão suavizou e a mesma, revirou os olhos.
— Isso está ficando chato — informei — Toda essa coisa de eu-te-odeio começou a perder a graça.
— Eu o odeio, não é algo para achar graça, Silena — ela rebateu.
— A única coisa que eu sei, é que há uma forte tensão sexual entre vocês dois, devo concordar que toda essa coisa de amor e ódio deve deixar tudo mais interessante. Eu até faria isso com o Charles, mas não sou muito legal com facas, imobilizações e...
— Você é patética — Drew me cortou.
— E você está apaixonada, acredite, não há muita diferença entre um e outro.
— Eu quero que cortem o meu pescoço o dia que isso acontecer.
— Olha, se eu fosse você não diria isso — aconselhei, logo depois suspirei — Você não vai ter um Érick correndo atrás de você pra sempre, Drew. Uma hora ele vai encontrar alguém mil vezes melhor e a Sra. Odeio-todos-os-homens vai terminar sozinha.
Acho que, de alguma forma, isso atingiu minha meia-irmã. Pois a mesma abaixou a cabeça e passou a encarar o carpete.
— Volto mais tarde — anunciei, saindo porta a fora. Girei as chaves nos dedos e segui para a garagem.
•••
— Estamos aqui há mais de meia hora, e não ouvi uma só palavra sua Silena. Estou ficando preocupado, você costuma falar mais do que pode! — Charles exclamou, irônico. Dei um tapa em seu braço que o fez praguejar. Depois conversaria seriamente com Érick, com certeza a convivência dele com meu namorado estava o afetando.
— Caso não tenha percebido, eu estava comendo, é feio comer de boca aberta — informei. Charles arqueou uma das sobrancelhas e pude sentir um olhar malicioso de sua parte. Mais uma vez, estalei um tapa em seu braço. Definitivamente eu não conversaria com Érick, acho que partiria para a agressão física. — E também, estava pensando sobre o que você falou sobre o seu amiguinho traidor.
— Ele não é um traidor, e você sabe disso.
— Certo, certo. Sobre o seu amiguinho-suposto-traidor. Eu sei quando algo não se encaixa, e definitivamente, toda essa história não faz sentido para mim.
— Poderíamos saber alguma coisa, se alguém tivesse visto algo — Charles falou o óbvio.
— É... — e em questão de segundos, uma ideia me atropelou. — Charles você é um gênio!
— É óbvio que eu sou — ele concordou, mas depois franziu o cenho — Mas por que...
— Vem — agarrei o braço do meu namorado, tirando-o dela.
— Rapazinho, a conta — a garçonete reclamou.
Charles vasculhou o bolso e tirou de lá algumas notas.
— Acho que isso deve...
— Vem logo, Charles! — o cortei, puxando de vez para a saída.
— O seu troco, senhor!
— Pode ficar! — Charles gritou — Diabos, Silena! Qual é o seu problema?
— Não podemos perder tempo — esclareci. Vasculhei a bolsa a procura das chaves do carro, em seguida escutando o barulho de destravamento do mesmo. Ocupei o banco do motorista e olhei para o Charles que estava parado com um dois de paus — O que está esperando? Vem logo, Charles.
— E como a minha moto fica?
— Você a busca depois, agora vamos!
Charles bufou e deu uma última olhada para sua moto antes de sentar no banco do passageiro.
Manobrei o carro, saindo do estacionamento do Junior’s e acelerei assim que me encontrei na rua.
— Seja lá pra onde estamos indo, pretendo chegar vivo lá — Charles disse. Fiquei na dúvida se ele estava sendo irônico ou estava realmente falando sério.
Cinco quadras depois, eu estacionei o carro em frente à casa dos Stoll. Desci do carro e esperei que meu namorado também saísse para que eu pudesse ativar o alarme.
— Ah, que ótimo, mansão dos Stoll? Isso deve ser alguma piada!
— A ideia foi sua, Charles — provoquei, tocando o interfone.
— Quem é? — fiquei na dúvida se aquela voz era do Travis ou Connor, mas com certeza era de um deles.
— É a Silena, preciso conversar com você — evitei dizer algum nome, eu mesma sabia o quão irritado Travis ficava ao confundir ele com o irmão, e vice-versa.
No mesmo minuto, o portão destravou e sem cerimônia o empurrei. Antes que eu chegasse até a porta, um dos Stoll estava a minha espera, e do Charles.
— O que devo a honra? — o Stoll fez uma quase reverencia a mim. Era o Travis, com certeza.
— Travis...
— Connor — ele corrigiu.
— Espera, onde está o seu irmão? — perguntei.
Connor olhou para Charles que estava logo atrás de mim e fez uma careta.
— Acabou de sair com a eu-sou-boa-demais-para-o-resto-do-mundo — ele fez questão de enfatizar a última parte.
— Isso é ciúme do seu irmãozinho? — provoquei.
— Claro que não! O problema é que o Travis não é mais o mesmo desde a eu- sou-melhor-que-você-em-tudo.
— Gostei desses apelidinhos que deu à Katie — comentei.
— Você não viu nada — Connor disse. — Então, você não veio aqui para discutirmos sobre os apelidos que dou à minha cunhada.
— É, eu preciso de um favor seu — eu disse. Connor fez sinal para que eu entrasse e com muito custo, para que Charles também fizesse isso.
— Então...
— Você colocaram câmeras pela casa, no dia da festa a fantasia, certo?
— Como você sabe?
Revirei os olhos.
— Tenho mesmo que responder? — esperei uma confirmação que não viria. — Bom, eu preciso vê-las.
— E o que eu ganharia com isso? — Connor perguntou. Charles me puxou pela cintura, para que eu e ele pudéssemos ficar mais perto.
— Aquele trabalho de química que ouvi você e Travis reclamarem, Annabeth pode cuidar disso — blefei, mas eu sabia que de um jeito ou de outro, teria que convencer minha amiga a fazer isso.
Connor pareceu decepcionado com a ideia, mas aceitou assim que ele lembrou que Charles estava lá.
— Vem — ele nos direcionou até uma salinha embaixo da escada, onde, provavelmente, mais de dez telas estavam na parede. Encarei Connor com a boca aberta — O que? Isso é questão de segurança.
Ele foi até um canto da sala e voltou com dois CDs cheios de números marcados.
— Aqui está, tudo que eu tenho daquela festa.
Colocando o primeiro no laptop, todas as telas foram tomadas por imagens conhecidas do dia da festa. Os Stoll e Katie recebendo os convidados, o momento em que eu, Charles e ou outros da turma chegaram. Não havia nenhuma novidade em tudo aquilo.
A não ser quando Nico se afastou do grupo. E por algum motivo passou a conversar com Rachel. Mas câmera se focou no resto da galera que dançava e em uma garota que estava dando um showzinho no meio da pista. Pedi para que Connor voltasse o vídeo para o momento da conversa entre Nico e Rachel, mas não dava para saber o que eles falavam, principalmente pelo barulho e pouca duração de filmagem.
Na verdade, eu queria entender, de onde os dois se conheciam. Rachel era caloura, não havia chance alguma dela conhecer o ex da Thalia.
O vídeo continuou passando, foram quase uma hora de impaciência que logo virou tédio. Charles me chamou para irmos embora e devo dizer que a essa altura, fiquei tentada a ceder.
Até que a câmera se focou na escada. Onde Nico subia aos tropeços. Isso não seria importante, se uma ruiva não estivesse o seguindo há uma distancia de poucos lances de degraus. Novamente pedi para que Connor voltasse o vídeo, mas não adiantava, o rosto da ruiva na aparecia de modo algum.
— Você deve ter instalado câmeras nos quartos — dessa eu vez, eu não falei com tanta certeza. Verdade ou não, Connor negaria até a morte.
— O que você pensa que eu sou, Silena? Isso seria um ato horrível, mesmo a casa sendo minha, o que acontece nos quartos diz respeito a quem está nele. É uma questão de privacidade e...
— Mostra logo a droga do vídeo — interrompi. Os Stolls eram conhecidos por não saberem mentir muito bem. São ótimos com pegadinhas, mas mentir não é algo do que eles possam se orgulhar.
Connor abriu e fechou a boca por alguns segundos e foi para o canto da sala, trazendo logo em seguida, mais cinco CDs.
— Ato horrível, Connor? — repeti suas palavras.
— Sem gracinhas, ou nada de vídeo pra você — Connor ameaçou. Ele colocou o CD no laptop e as telas foram tomadas novamente pelas imagens, só que dessa vez, um quarto onde Connor se agarrava com...
— Ei! — protestei, querendo saber quem era a garota.
— Ops, parte errada do CD — ele gaguejou, com toda a certeza aquele era o Connor, pois Katie não deu um só minuto para Travis respirar na festa. Depois de clicar algumas vezes no laptop ele suavizou a respiração — Essa é a parte certa.
Dessa vez, as imagens eram do mesmo quarto da cena interior, mas vazio e assim ficou durante 15 minutos, o que para mim, pareceu 1 hora.
— Como você vê, esse não tem nada importante — Connor assegurou, pronto para colocar outro CD.
— Espere — pedi. Um vampiro havia entrado no quarto, cambaleando, provavelmente bêbado ou algo assim. Ele tropeçou algumas vezes até chegar à cama e seu corpo desmoronar na cama. Era o Nico, o vampiro bêbado ou algo assim, era o ex da Thalia.
Poucos segundos depois, a mesma cabeleira ruiva espiou pela porta. Com a cabeça baixa, ele entrou no lugar e encarou o garoto na cama.
Ela disse alguma coisa e riu, divertida com a cena. Perguntei à Connor se poderia voltar o vídeo e aumentar o volume. Assim que o fez, a voz da garota tomou todo o ambiente da sala.
— Será uma pena quando Thalia nos ver e você estiver dormindo, Nicolas — havia puro veneno e sarcasmo em sua voz. Uma voz conhecida. Uma voz que... ela levantou o rosto.
Não poderia ser ela, não era a Rachel no vídeo. Eu sempre desconfiei de sua perfeição. O fato de ela ser tão inocente, doce e adorável, me dava nos nervos. Ninguém é capaz de ser tão impecável como ela, e eu estava certa. Rachel não era inocente, doce ou adorável. Ela era uma vadia, nojenta e desprezível. O vídeo continuava, ela retirava a fantasia de Nico calma e lentamente, intercalando com sorrisos irônicos.
— Não preciso ver mais nada — eu disse. Connor que parecia estar entretido com a cena voltou à realidade assim que pausou o vídeo.
— Eu sempre soube que a ruivinha não prestava — ele admitiu.
— Você pode me dar uma cópia desse CD?
— Não, não posso — Connor disse rispidamente. Retirou o CD do laptop, colocou em uma capa de papel e me entregou — Pode levar o Original e se for mostrar a alguém, não se esqueça de adiantar... Aquela cena.
Dou um meio sorriso a ele e pegou o CD.
— Obrigada, isso vai resolver a vida de muitas pessoas — sai da sala, seguida por Charles e Connor.
Quando saímos da mansão, meu namorado suspirou, parecendo aliviado em sair dali.
— Silena! — Connor gritou logo atrás de nós, me virei em sua direção — Sobre o trabalho de química, bom, não precisa.
Agradeci novamente, com um aceno de cabeça. Annabeth também agradeceria se estivesse aqui.
Destravei o carro e abri a porta do motorista.
— Agora temos que ir a mais um lugar — expliquei, já sabendo que Charles resmungaria todo o trajeto.
Assim que dei a partida no carro, pensei sobre tudo. A festa, as brigas e o vídeo. É impressionante como as coisas podem mudar de uma hora para outra. Eu sabia que qualquer plano idiota, não faria com que Thalia e Nico voltassem. Apesar do projeto de diabo ruivo ter armado tudo isso, a cabeça oca do di Ângelo não disse para minha amiga da sua ex-namorada. Muito menos que ela estava convivendo com todos, como se nada houvesse acontecido. Eu teria que ser original, e Percy me ajudaria com isso.
O portão estava aberto e Charles disse que não haveria problema em entrar sem avisar. Íamos bater na porta, mas o barulho vindo dos fundos da casa chamou nossa atenção.
Por curiosidade segui o som e encontrei um animal deitado na espreguiçadeira, perto da piscina. Certo, certo, não era um animal, mas estava perto de ser com aquele biquíni ridículo. Percy imergiu da água e sentou-se na beira da piscina, seu sorriso era forçado e nervoso.
— Charles, Silena! — ele exclamou. Havia total alivio em sua voz, ele agarrou uma toalha que estava em uma das espreguiçadeiras e se enrolou, cobrindo a sunga preta.
— Annabeth sabe que você está fazendo um showzinho particular pra estampa de tapete ali — murmurei para o Jackson, enquanto apostava para a garota.
— Aquela é a minha prima, Courtney. Tenho mantê-la entretida, já que ela passou a manhã inteira me cantando — a tal prima acena para Percy e ele devolve o aceno.
— Você deveria... Pare de olhar para ela, Charles! — disse entre dentes.
— Eu não estou olhando pra ela, ela que está olhando pra mim.
— Se você não estivesse olhando, não saberia que ela está observando você, idiota. Aliás, não sei por que um garoto olharia para aquele projeto de loira magricela — zombei. Ela era patética, com aquele maiô de estampa esquisita, parecida com pele de zebra misturada ao de girafa e para fechar com chave de ouro, brincos de argola, que me faziam querer vomitar.
— Você está brincando? — Charles zombou — Nada excita mais um homem que brincos de ouro gigantes e um maiô de estampa de animal. Rawr!
Estalei um tapa no braço do idiota do meu namorado, pronta para estalar outro e mais outro. Mas ele segurou levemente meu pulso, me impedindo.
— Estou brincando, Silena. Nem todas as estampas de animal do mundo, poderiam competir com você — ele brincou, tentando me beijar. Mas não deixei.
— Conversamos depois — rosnei e voltei minha atenção para Percy — Preciso que me empreste a sua casa de praia.
— Espera, quando eu disse que tinha uma?
— Ah, qual é? Seu pai é amigo da minha mãe, ele já tentou colocar eu, você e Drew para brincarmos quando erámos pequenos — objetei — Você era aquele protejo de surfista que jogou areia no meu cabelo, lembro disso até hoje, Percy.
— Espera... Era você aquela garotinha metida a manequim? Cara, aquele foi um dos melhores verões, eu lembro que meu pai e sua mãe queriam que nós namorássemos!
— É, eu até achava você bonitinho, mas não fazia meu tipo — argumentei.
— Eu sempre fiz o tipo de todas, você que era uma patricinha desde o berço — Percy objetou. — Mas se não fosse, eu teria namorado com você, claro, aconteceria se meus neurônios estivessem sido queimados pelo sol de Long Island.
— Hã... Eu ainda estou aqui — Charles interveio — Vocês nunca me disseram que se conheciam.
— Ora, não era importante — rolei os olhos. — Drew lhe deu a primeira surra lembra? Ela era demais e... droga estou mudando de assunto, o caso agora é que eu quero a casa de praia nessas férias.
— E porque eu a emprestaria pra você?
— Se você não emprestar, Thalia vai continuar um caco pelo término do namoro com o Nico. E se ela ficar triste, Annabeth também vai ficar triste, e com ela triste meu caro, nada de sexo pra você.
— Ei! — Percy protestou — Até parece que a minha relação com a Annabeth é apenas sexo. Tente novamente, Silena.
— Ah, okay então. Espero que esteja preparado pra ficar na seca. Vamos Charles — puxei meu namorado pela mão, pronta para sair.
— Espere — Percy pediu. — Eu empresto a casa, mas não pense que estou fazendo isso pelo, bem, você sabe. Eu amo a Annabeth, você sabe disso.
— É, eu sei disso, Percy. Mas não pense que é só emprestar a casa e ponto final. Isso vai envolver todos vocês. E se der errado para, dará errado para todo o resto.
— Você está falando sério? — ele esperou uma negação.
— Na verdade não. Mas você sabe, um plano sempre tem falhas, e no nosso caso, podem ser falhas catastróficas.
— Não exagere, apenas me conte oque que está se passando por sua mente purpurinada — Percy zombou.
— Bom, a ideia é essa.
Notas finais
Espero vê-los em breve, se aparecer uma recomendação, ao invés dos 30 comentários eu voltarei todas as semana com um capítulo.
Beijos e até mais ^^
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