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16 XIV - Metido à conquistador


Notas iniciais
Oi tudo bom? Eu estou bem c: Sei que demorei, a semana foi corrida.. Escola, curso, jiu jitsu... é bem cansativo, e ficou bem difícil postar :c

Quero agradecer as três recomendações super lindjas e divas da Barbara, filha de apolo e Morganna, obrigada viu suas lindezas? *u*

LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Boa leitura e Até lá embaixo ô/

P.O.V Nico

Nesse pouco tempo de namoro com a Thalia, a minha vida foi resumida a olhares de reprovação. Por quê? Bom, pelo simples fato de que a partir do momento em que eu me atrevia a ficar no mesmo metro quadrado que ela, a empregada, a tal Janicy, me observava com um olhar nada amigável.

Provavelmente ela havia recebido ordens expressas de não deixar um estranho ficar no mesmo ambiente que a Thalia, talvez isso explique a sua total afeição em relação a mim.

Certo, eu não sou nenhum estranho, sou o namorado da Thalia. Mas de qualquer forma, para a velha ranzinza, digo, Janicy, eu sou e com certeza sempre serei um estranho naquela casa.

Mas o olhar que eu recebia dela era muito mais que simples reprovação. Havia algo alertante, como se ela quisesse dizer "Você não deveria estar aqui" ou "Saia enquanto é tempo". Claro, sempre contei com uma imaginação realmente fértil. Mas ainda assim, os olhares de Janicy me assustavam, e definitivamente aquilo não era imaginação fértil.

Tentei me libertar desses pensamentos assim que me encontrei em frente ao portão da casa da Thalia.

Antes que houvesse tempo para tocar o interfone, a minha segunda-sombra-Janicy abriu o portão.

–- Obrigada -- agradeci, mas Janicy continuou barrando a entrada.

–- Thalia ainda está se arrumando -- ela disse ríspida. -- Não tente nada, ouviu bem garoto? Você não deveria estar aqui. Deveria se afastar. Esse namoro só vai trazer problemas.

Franzi o cenho. É a primeira vez que Janicy fala comigo, ela só se direcionou a mim no dia do baile, quando encontrou eu e Thalia no jardim.

–- Que tipo de problemas? -- perguntei.

–- Thalia está feliz, mas isso não vai durar... Você não vai se afastar, certo? -- Janicy perguntou.

–- Por nada nesse mundo -- afirmei.

Janicy suspirou, como se já soubesse a minha resposta e só quisesse uma confirmação.

–- Olha garoto...

–- Meu nome é Nico -- interrompi.

–-... eu tentei avisar -- Janicy completou.

Antes que eu pudesse perguntar sobre o quê ela estava falando, a mesma saiu à passos largos e desapareceu assim que virou a esquina.

Como assim ela chega falando para eu me afastar da Thalia?

E como assim o meu namoro irá trazer problemas?

Definitivamente os olhares de Janicy são bem menos pertubadores que suas palavras.

[...]

–- Thalia, quer que eu volte outro dia? -- perguntei irônico. -- De preferência no dia em que você terminar de se arrumar.

–- Ora, cale a boca, Nico! Se não quiser esperar, vá sozinho à essa maldita boate -- Thalia esbravejou, ainda trancada naquele banheiro.

–- Alguém está nervosinha -- resmunguei, esperando que ela não escutasse.

Depois de mais alguns minutos em silêncio pude ouvir a porta do banheiro sendo destrancada. E de lá surgiu uma Thalia, realmente linda.

A examinei da cabeça aos pés, e balançei a cabeça negativamente.

–- O que foi? Está ruim? -- Thalia me perguntou, enquanto tentava achar algum defeito em sua roupa.

–- Essa coisa...-- apontei para o short que ela estava usando.

–- O short? -- ela arriscou.

–- Esse pedaço de pano -- balançei a cabeça novamente. -- Eu não vou deixar você sair por aí com ele.

–- Caso você não tenha percebido, eu tenho vontade própria, e sim, eu vou com esse short. E assunto encerrado.

–- Com isso–- arqueei as sobrancelhas e apontei novamente para o short -- Pode esquecer.

–- Ah por favor! Isso tudo é ciúmes? -- Thalia perguntou, com um ar superior.

–- Não sou ciumento -- dei de ombros.

–- Claro que é, olha só o que você está dizendo -- ela disse, e começou a rir. Em resposta continuei em silêncio.

–- Não vai falar comigo? -- Thalia perguntou entre risos.

Balançei a cabeça negativamente.

–- Pode parar de birra, Di Angelo! -- ela me repreendeu.

Gesticulei novamente a cabeça. Thalia se sentou ao meu lado, na cama. Ficamos em silêncio por cinco ou talvez até dez minutos.

Até que ela percebeu o meu olhar em sua coxa.

–- Está olhando o quê?

–- A sua coxa -- respondi indiferente.

–- Pode parar -- Thalia reclamou.

–- Eu não. A boate inteira vai poder olhar, por que eu não posso?

–- Você acha mesmo que numa boate, alguém vai se dar ao trabalho de olhar as minhas pernas?

–- Acho -- respondi.

Thalia se levantou e foi em direção ao closet, e logo voltou com uma nova peça de roupa em mãos.

–- Fique sabendo que só vou trocar de short porquê eu quero, e não porquê você quer, entendeu?

–- Claro, entendi -- respondi sorrindo. Thalia sempre será a punk marrenta por quem eu me apaixonei, e pessoalmente eu gostava daquele jeito de ser dela.

Passado alguns minutos, o iPad da Thalia que até então havia passado despercebido por mim, começou a piscar frenéticamente.

–- Thalia -- gritei. -- o seu iPad, está com algum problema.

–- Deve ser chamada de vídeo -- ela gritou de volta, ainda dentro do banheiro. -- Vê de quem é!

Levantei da cama e fui em direção ao aparelho. Na tela estava escrito...

–-... Bitch purpurinada?–- perguntei em voz alta.

–- Ah, é a Silena -- Thalia respondeu -- Atende, pra mim.

–- E eu lá sei como funciona essa coisa?! -- reclamei alto o bastante para que Thalia ouvisse. Na verdade eu sabia muito bem como aquele aparelho funcionava, o que estava me impedindo de atender, era pura e simplesmente: Preguiça.

Mais uma vez ouvi a porta do banheiro sendo destrancada, e dela pude ver sendo revelada uma Thalia diferente da anterior. O pedaço de pano que ela insistia em chamar de short ainda estava intacto. O que chamou a minha atenção foi a blusa, ou melhor, a ausência de uma blusa.

Thalia pegou o iPad e o colocou no criado mudo, voltado em direção a ela.

–- Prontinho -- ela disse deslizando os dedos algumas vezes pela tela.

–- Finalmente! -- a voz de Silena ecoou pelo quarto, e sua expressão não parecia nada satisfeita, mas assim que ela encontrou o meu rosto, a sua expressão tomou um ar malicioso. -- Hã... estou atrapalhando alguma coisa?

–- Claro que não, por quê estaria? -- Thalia perguntou.

–- Thalia... você percebeu que... -- Silena fez sinal para que a amiga olha-se para baixo. Para ser mais exato, o lugar de onde eu não tirava os olhos.

–- Ah, legal. Agora diga o que você quer -- Thalia disse indiferente. Espera, ela não ficou corada? Ou qualquer outra atitude de uma garota comum? -- A propósito, Nico pare de olhar onde não deve. O quarto é grande, há muito mais para se olhar.

–- Eu nem se quer estava olhando para você -- menti.

–- Você não sabe mentir -- Thalia me repreendeu.

Por reflexo, desviei o olhar.

–- Ótimo, agora você, Silena -- Thalia disse, voltando a sua atenção para a tela do iPad.

–- Só liguei pra confirmar se vocês vão aparecer na boate, mas acho que a resposta é sim, então eu vou in...

–- Espera -- Thalia interrompeu. -- Podemos chamar a Rachel para acompanhar o Érick. Ela precisa se enturmar.

Rachel? Que Rachel?

–- Ficou maluca? -- Silena perguntou, como se Thalia houvesse a chamado de gorda ou algum outro defeito que as mulheres odeiam. -- O Érick é exclusividade da Drew. E não é para o bico da ruivinha.

Rachel? Ruivinha? Isso deve ser alguma brincadeira.

–- Você quis dizer "Saco de pancadas exclusivo"–- Thalia acrescentou.

–- E outra, você tem contato com ela? -- Silena perguntou e Thalia negou. -- Ótimo, agora vou desligar, encontro vocês daqui há vinte minutos, o.k?

–- Certo -- Thalia respondeu.

Silena se despediu com um aceno desnecessário e a tela do iPad escureceu.

–- Vinte minutos é o suficiente -- Thalia se levantou da cama e pegou o iPad.

–- Rachel? -- perguntei.

–- É uma garota que eu conheci, ninguém importante -- Thalia deu de ombros.

Quantas Rachel's ruivas existem no mundo?

Espero que muitas.

Essa não poderia ser a mesma Rachel. Não, definitivamente não. Ela está em Nova Orleans, não iria aparecer do nada aqui em NY, e ainda por cima criar algum tipo de amizade com a Thalia.

Não mesmo.

Esqueça isso, Nico. Não existe lógica nisso tudo.

Não mesmo.

–- Thalia -- chamei, ela se virou esperando o quê eu iria falar. -- Temos vinte minutos.

–- É, eu tenho boa audição, ficou sabendo? -- ela irônizou.

–- Acho que podemos aproveitar esses tempo -- eu disse enquanto me levantava e ia em direção a ela.

–- Nada disso -- Thalia me parou com as mãos, tentando manter uma distância saudável entre nós -- Eu vou me arrumar e você Sr. Safado, irá ficar quietinho, me esperando como um bom namorado.

–- Namorados não devem ser sempre quietos, sabia? -- argumentei, a segurando pela cintura e impedindo que ela pudesse se afastar.

–- Acontece -- Thalia beijou meu pescoço -- que agora -- depois subiu para o meu rosto -- você vai ficar -- ela me encarou e mordeu o meu lábio inferior -- quietinho.

Antes que eu pudesse reagir, Thalia me empurrou e correu até o banheiro. A segui em vão, pois logo percebi que ela havia trancado a porta.

Segui em direção à cama e me sentei.

De uma coisa eu sabia.

Thalia queria me deixar louco e definitivamente ela estava conseguindo.


P.O.V Drew


Sabe o quê é pior que uma Silena?

É uma Silena descendo uma escada com um salto alto irritantemente barulhento.

–- Estou pronta -- Silena disse se materializando em minha frente.

–- É, seus sapatos me avisaram alguns segundos antes -- respondi irônica.

–- Tem certeza que não quer vir? -- Silena perguntou com uma leve tristeza. Uma leve tristeza falsa. -- Vai deixar o Érick sozinho?

–- Por mim o Litcher pode ir para o raio que o parta -- respondi secamente. -- E outra, você acha mesmo que do jeito que aquele idiota é, ele iria ficar um minuto sozinho?

–- Ciúmes, maninha? -- Silena perguntou.

–- Ciúmes? Daquele traste do Litcher? -- soltei uma risada forçada. -- Não me faça rir, maninha.

"Vai dizer que não dói pensar que uma qualquer pode usar e abusar daquele corpinho que você tanto deseja" -- minha consciência zombou.

–- Já estava demorando -- resmunguei.

–- Demorando o que? -- Silena perguntou.

Está vendo consciência? Já estou ficando louca com esses seus comentários infelizes. O quê eu devo fazer pra tudo isso acabar?

"Admita que ama o Érick, e eu a deixo em paz"

É, você vai ficar aí para sempre.

–- Drew! -- Silena exclamou.

–- Fala, porra!

–- Primeiro: Se você está naquela maldita TPM, não desconte em mim. Segundo: Eu estou atrasada, quero saber se você vai ou não comigo.

–- Eu. Não. Vou. Quer que eu desenhe?

–- Bom-humor abaixo de zero.

–- Paciência também -- acrescentei.

–- Desisto -- Silena admitiu e fez sinal de que ia embora.

–- Espere -- eu disse. -- Onde estão todos nessa casa?

–- Mamãe saiu com um namorado que eu não faça a miníma ideia de quem seja. O Érick... eu não vi ele o dia todo.

–- Deve estar se pegando com alguma vadia -- resmunguei alto o bastante para que Silena ouvisse.

–- Você fica tão fofa com ciúmes do meu futuro cunhado.

–- Cunhado? -- perguntei, e Silena arqueou uma das sobrancelhas -- Você não estava atrasada?

–- Não tenho hora pra voltar -- dito isso Silena saiu fazendo aquele maldito barulho de salto alto ecoar pela casa vazia.

Levantei do sofá e suspirei.

–- Finalmente paz -- concluí.

Liguei a tv e para a minha sorte estava passando um filme de terror. Dei de ombros e fui até a cozinha fazer a melhor coisa já criada: Brigadeiro.

Já com todos os ingredientes na panela, comecei a mexer a colher em movimentos ciculares e inevitávelmente um turbilhão de pensamentos tomaram conta da minha mente. O pior de tudo é que o foco de todos os meus desvaneios estava em apenas um nome: Érick.

Por quê raios ele teve que ser tão idiota?

Ele é um homem, homens são criaturas estúpidas. Eu não deveria esperar algo melhor.

Peguei a panela e encaminhei-me até a sala.

–- Droga, esqueci o fogão ligado -- resmunguei. Deixei a panela no sofá e voltei para a cozinha.

Quando olhei, o fogão estava desligado.

–- Ótimo, estou ficando louca -- pensei.

Voltei para a sala à passos largos e pesados e deparei-me com a última pessoa no mundo que eu precisava ver.

–- Litcher -- eu disse entre dentes. Ele virou-se para me ver e sorriu de lado.

–- Nem um brigadeiro sabe fazer, Drew? -- ele reclamou.

–- Faça melhor então -- grunhi, pegando a panela de brigadeiro e me sentando no outro sofá.

–- Eu até faria, mas eu posso me contentar com o que você fez -- ele disse se sentando ao meu lado.

–- Muito engraçado, agora desapareça daqui. Estou tentando assistir o filme.

–– Brigadeiro e filme de terror? Ótima combinação -- ele disse, só fiquei na dúvida se foi uma irônia ou não.

Resolvi não responder.

Litcher se levantou e saiu da sala. Finalmente ele entendeu que eu não o quero aqui.

Mas como eu sou a pessoa mais sortuda que existe, ele voltou com uma colher em mãos. Sem pedir permissão, ele encheu a colher de brigadeiro e começou a fitar a tela da tv.

–- Quem deu permissão pra você comer o brigadeiro que eu fiz? -- perguntei.

–- Permissão? Eu deveria ser pago pra comer essa coisa que você chama de brigadeiro -- ele respondeu, enchendo mais uma vez a colher de brigadeiro.

–- Eu vou...

–- Vai o quê, Drew? -- ele perguntou firme. -- Vai quebrar os meus ossos? Me imobilizar no chão? -- ele se aproximou da minha boca e a minha respiração acelerou. -- Você pode fazer qualquer coisa, mas depois que o brigadeiro acabar -- Litcher roubou a panela de minhas mãos me tirando do estado de choque anterior.

–- Devolva -- ordenei.

–- Que tal uma trégua? -- ele sugeriu.

–- Até o brigadeiro acabar -- afirmei.

O Litcher sorriu de lado e me devolveu a panela. Depois disso começamos a assistir o filme.

–- Acho engraçado o quanto idiota a moçinha do filme é -- admiti.

–- E o quanto é linda também -- Litcher acrescentou.

Por raiva atirei a colher em sua cabeça.

–- Droga Drew! Isso doeu -- ele reclamou massageando o lugar atingido.

–- Pede pra moçinha do filme cuidar do seu machucadinho, Litcher -- eu disse sarcásticamente.

–- Eu prefiro mil vezes você.

–- Ah, vai à merda -- grunhi.

–- Viu? Quem precisa de cuidados quando se tem todo o ódio do mundo vindo de você?

Involuntáriamente sorri com o seu comentário.

–- Você fica ainda mais linda sorrindo. E ainda mais engraçada com a boca suja de brigadeiro.

–- Suja? Onde? -- questionei passando o indicador sobre os meus lábios, com certeza ainda estavam sujos, pois o Litcher continuou rindo.

–- Aqui -- ele murmurou se aproximando e em seguida tocando a ponta da sua língua nos meus lábios, onde provavelmente estava sujo.

Ofeguei levemente surpresa com aquela atitude.

Seu olhar se alternava entre os meus olhos e a minha boca. Sem perceber eu estava encurralada no sofá, com um Érick praticamente me devorando com os olhos.

–- O filme acabou e o brigadeiro também -- anunciei o empurrando com tudo. Peguei a panela e corri até a cozinha.

Droga, droga, mil vezes droga.

Coloquei a panela na pia e liguei a torneira.

–- Isso deve ser um pesadelo, só pode ser isso -- pensei.

Se é um pesadelo, estava longe de acabar, porquê logo senti uma presença atrás de mim.

–- Eu ainda acho que a sua boca está suja de brigadeiro -- a voz rouca dele sussurrou em meu ouvido, o Licher passou o nariz no meu pescoço e logo depois o beijou. Continuei me fingindo de indiferente. -- Não vai dizer nada? -- ele me perguntou. Me virei já furiosa, mas me arrependi quando deparei-me com ele. Para ser mais exata com os seus olhos. Eu nunca havia percebido, mas os olhos do Litcher tinham leves pintinhas verdes, o que de certa forma, poderia passar despercebido para quem olhasse de longe. E esse novo fato contribuiu para que eu continuasse em silêncio. -- Não vai falar comigo? -- ele envolveu minha cintura em seus braços, enquanto beijava todo o meu rosto, tudo menos a boca. Nossos lábios ficaram à milímetros de distância, nossas respirações se fundiram e eu já esperava um beijo -- Então acho que não tem beijo.

Ele me soltou e fez menção de que iria sair da cozinha. Mas em um ato totalmente contra os meus conceitos, acabei segurando o seu braço, impedindo-o de sair.

–- Fique, Érick -- eu disse involuntáriamente. O Érick por outro lado pareceu surpreso, até porque foi a primeira vez que eu o chamava pelo nome, depois do ocorrido com a aposta.

Como eu já havia ido contra todos os meus conceitos, o que viria depois não faria tanta diferença assim. Quando dei por mim eu estava beijando o Érick, e ele correspondia me puxando ainda mais contra o seu corpo.

Meses sem beijar aquela boca, pelo qual só saía irônias e brincadeiras idiotas.

Não fazia o menor sentido estar ali, beijando o Érick. O garoto do baile. O idiota da aposta. E o meu hóspede incoveniente.

As suas mãos já invadiam por baixo de minha blusa, fazendo o beijo se intensificar ainda mais. O engraçado é que se aquilo acontecesse há alguns meses atrás, o infeliz que fizesse isso nunca mais iria conseguir se mexer, afinal, pessoas mortas não se mexem, certo? (N/A: existem os zumbis.. ok, parei)

O problema era que a presença do Érick me fazia ser impulsiva. Quando se é impulsiva, você só age, não pensa em como fazer e nas consequências dos seus atos.

–- Não -- eu disse o empurrando. Érick ficou atônito com a minha súbita sanidade. -- Fique longe.

Me desvencilhei de seus braços, mas fui impedida de sair dali.

–- Do que tem medo?

–- Medo? -- repeti e continuei. -- Eu não tenho medo de nada, Litcher.

–- Então você é bipolar ou louca, ou até mesmo os dois. Porquê primeiro você pede pra eu ficar, depois me beija e agora diz pra eu ficar longe?

–- Está desapontado, Litcher?! -- perguntei com o tom de voz já elevado. -- Procure uma vadia qualquer pra satisfazer os seus desejos.

–- Eu deveria fazer isso mesmo! -- ele esbravejou de volta.

–- Ótimo, faça isso! -- eu disse furiosa, dando as costas para ele.

Mais uma vez fui puxada pelo braço, mas dessa vez fui prensada contra a parede fria da cozinha.

–- Você me odeia não é mesmo? -- Érick perguntou, já sabendo a resposta.

–- Anda lendo mentes, Litcher? -- respondi fazendo outra pergunta.

–- Sabe, eu queria poder te odiar -- ele disse. -- Seria tão mais fácil. Tantas garotas no mundo e eu fui logo gostar de uma oriental metida à lutadora de jiu jitsu.

Ele estava falando de mim?

"Você conhece outra oriental metida à lutadora de jiu jitsu que por um acaso está sempre ameaçando o Érick?"–- a minha consciência perguntou.

–- Deu pra ser comediante, Litcher? Cuidado, a metida à lutadora de jiu jitsu pode querer quebrar esse seu rostinho de metido à conquistador -- ameacei.

Érick revirou os olhos e por um momento pensei que ele me soltaria. Pensei errado. Totalmente errado.

Ele me prendeu ainda mais contra a parede e me beijou. Dessa vez o beijo foi mais intenso, voluptuoso, sedento e ansiado. Comecei a bagunçar seus cabelos de um jeito desgovernado. E logo me vi obrigada a ter que me apoiar enroscando as minhas pernas em sua cintura. Os beijos foram logo saindo dos meus lábios e indo para o meu pescoço, e depois evoluiu para leves mordidas em minha orelha, me fazendo estremecer totalmente.

–- Então quer dizer que você reage quando faço isso? -- Érick perguntou inocentemente, voltando a morder o meu ponto fraco. -- Então você tem um ponto fraco. Gostei disso -- ele admitiu sorrindo pra mim.

Nada respondi. Eu possuia o dom de estragar tudo quando abria a boca pra falar. Então resolvi ficar em silêncio.

–- Silena me disse que vocês se odiavam. Nossa, vocês se odeiam mesmo -- ouvi uma voz feminina dizer há poucos metros de nós.

–- Mãe? -- perguntei me virando para encarar a figura dela que estava parada segurando um copo cheio d'água.

–- Não se incomodem com a minha presença, já estou saindo -- ela disse calmamente, mas antes de sair ela continuou. -- Um aviso: Sou nova demais pra ser avó, então se cuidem.

Ela saiu da cozinha me deixando totalmente sem reação.

–- Gosto da sua mãe -- Érick disse, me tirando do meu transe.

Desci do seu colo e o empurrei.

–- Não ouse me seguir, ouviu bem? -- avisei e saí da cozinha.

Minha mãe ainda estava subindo a escada, provavelmente estava tentando ouvir algum "ruído" vindo da cozinha.

Subi as escadas com aquela velha sensação de estar sendo seguida.

–- Drew, espera! -- ouvi a voz do Érick vir lá da escada.

Corri para o meu quarto e tranquei a porta.

–- Eu não vou desistir de você -- ele esbravejou do outro lado da porta.

–- Pensa que eu não sei que você só me quer pra satisfazer esses seus desejos torpes? -- eu disse alto para que ele pudesse ouvir.

–- Se fosse só isso eu já teria desistido de você e ido procurar uma garota mais fácil -- ele argumentou.

–- Ah, obrigada pela parte que me toca -- agradeci irônicamente.

–- Lembra no vestiário? O que eu iria dizer? -- ele perguntou e eu me mantive em silêncio. -- Eu só queria dizer que gosto de você, eu amo você, Drew. Esse seu jeito de me rejeitar e ao mesmo tempo me desejar. As suas ameças, as suas irônias, os xingamentos, eu amo tudo isso. Porra! Eu estou apaixonado pela oriental mais linda que eu já vi e ela me odeia, é lindo tudo isso não acha?

Fiquei em silêncio.

Érick esmurrou a porta e suspirou.

–- Se você não gosta de mim, me diz agora e eu paro de pertubá-la -- ele disse em um tom triste.

Novamente fiquei em silêncio.

–- Então acho que vou tomar isso como um "Eu te amo Érick, só sou uma cabeça dura idiota que odeia admitir as coisas" -- ele irônizou. Sorri com o seu comentário, e acho que ele ouviu, pois acabou sorrindo de volta. -- Como eu já disse, eu não vou desistir de você. Então... boa noite, minha Made in China, vou sonhar com você.

Ouvi seus passos ecoar pelo corredor e a porta do seu quarto bater em um estrondo.

–- Boa noite, meu metido à conquistador -- sussurrei em resposta, já sabendo que ele não ouviria.

Notas finais
Desculpem qualquer erro c:

A Vachel ou Rachelcada não apareceu :c não fiquem tristes porque ela vai aparecer muahahahhahaha

Só eu que achei o Érick um fofo? awwwwwwwwwwwn ele é muito lindjo, sério.

Quero chegar a 300 reviews, se isso acontecer até terça eu posto ok?

Recomendações todo mundo gosta e eu tumein...

Até logo gente lindja oooooo/

Bjs