Relação Execrável
1 Capítulo I - Tio André Sequestra Digory
Notas iniciais
Eu não tive ninguém para revisar para mim, então apenas ignore os erros de português.
Digory e Polly acabaram de chegar ao quarto através do túnel. Os dois acharam que era um quarto vazio de uma casa vazia; não poderiam estar mais enganados.
– Não estou gostando disso – disse Digory –, é melhor voltarmos.
– Está com medinho, é? – retrucou Polly.
– Não é isso, eu só acho que é melhor a gente cair...
Digory não conseguiu completar a frase. A poltrona na frente do fogo da lareira moveu-se e de repente dela surgiu, como um diabo de comédia pulando de um alçapão, a figura amedrontadora do tio André.
– Minha nossa! – exclamaram as duas crianças em uníssono.
– Ora, ora, ora, vejam só quem está no meu estúdio proibido... – tio André mirou seus olhos nos de Digory.
Tentava se controlar diante do sobrinho, mas estava muito difícil, e Digory também não ajudava: com aqueles shorts curtos que usava, a mente conturbada de tio André ficava ainda mais confusa.
– Posso saber o que essas duas maravilhosas crianças estão fazendo aqui? – disse tio André, com os olhos fixos em seu sobrinho.
– Nós... é... é que... a gente estava... – Digory tentou gaguejar algo, mas estava com muito medo. Sabia que era estritamente proibido entrar no estúdio de seu tio, daí o nome Estúdio Proibido.
Na verdade, o motivo pelo qual tio André não o permitia entrar lá, era que sua mente velha estava muito confusa, não sabia exatamente o que era aquilo que sentia pelo sobrinho, apenas sabia que o desejava mais que tudo. Agora que não conseguia mais se controlar e suprimia esse desejo interno por tanto tempo, estava na hora de libertá-lo. Bom, quase...
– Por favor, senhor André, está quase na hora do jantar e tenho de ir para casa.
– Não, ainda não. Eu precisava mesmo de duas crianças para meu experimento. Utilizei um porquinho da índia e parece que deu certo, mas como um porquinho da índia seria capaz de relatar?
– Se o senhor permitir que a gente vá jantar, voltaremos amanhã! – falou Polly.
– E quem me garante que realmente voltarão? – perguntou tio André.
– Muito bem, se precisam mesmo ir, que hei de fazer? Podem ir jantar, meus filhos. – completou.
Polly começou a achar que tio André não era tão doido como Digory dissera. Voltou, então, pelo túnel que havia chegado e que dava direto no porão de sua casa. Quando Digory ia sair pela porta do estúdio, tio André enfiou-se na frente e a trancou ligeiramente.
– Pronto, assim sua mãe não poderá ouvir.
– Ouvir...? Ouvir o que? – indagou o garoto.
Tio André pegara um anel verde e um amarelo dos anéis dispostos em cima da mesa.
– Venha, Digory, eu querida dar-lhe um presente. Não é todo dia que um velhote recebe a visita de seu sobrinho, não é? Então, meu bem, fique com este anel amarelo. – André ajoelhou-se de maneira a tentar igualar-se à altura de Digory, porém sem sucesso. Colocou o anel em seu dedo, e, segurando sua mão, ambos foram transportados para um bosque, que mais tarde seria chamado de O Bosque Entre Dois Mundos, ou como André gostava de chamar, O Bosque dos Segredos.
– O-onde estamos...? – indagou Digory, ao sair da poça de água.
– Em um bosque. – respondeu o tio, frio. – Venha comigo.
Os dois caminharam até uma poça mais afastada, onde tio André, retirando as luvas e tocando com uma mão o anel verde e com a outra a mão de Digory, pulou em uma poça, levando o sobrinho para uma atmosfera totalmente diferente. Era um lugar sombrio, inóspito, gélido, morto. Não parecia haver ninguém lá, todo o lugar parecia uma cidade antiga, iluminada apenas pela luz da lua. Aquela lua, comparada com a que os dois estavam acostumados a ver do lugar onde moram, era muito pequena e não emitia muita luz.
– Para onde está me levando!? – gritou o sobrinho.
– Ora, isso são modos de falar com seu tio? Apenas venha comigo! – André puxava cada vez mais rápido a mão de Digory.
Por fim, chegaram a uma espécie de castelo abandonado. As paredes eram de pedra e lá dentro fazia muito frio. Os dois caminharam por várias salas, algumas vazias e outras com destroços e parecia que a cada sala que avançavam, o frio aumentava. Por fim, chegaram a uma sala um pouco pequena e tio André ajoelhou-se novamente.
– Escute aqui, Digory. Eu possuo os anéis capazes de transportar-nos pelos mundos, então se você quiser voltar para casa faça exatamente o que eu digo ou eu deixo você aqui sozinho para sempre, ouviu? – disse André friamente, quase em um tom de sussurro.
– Mas... Onde estamos? Por que estamos aqui? Por que me trouxe aqui?
– Você já vai descobrir.
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