Relatos do Comendador
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Eu vim de muito longe, com muita ambição, vontade de vencer! Hoje, meu esforço valeu a pena, pois tenho todo um império e com muito orgulho e cabeça erguida digo:
- Eu sou o Comendador José Alfredo Medeiros!
Realmente, muitos querem me derrubar, derrubar meu império, começando pela minha mulher Maria Marta Medeiros de Mendonça Albuquerque. A pessoa em que um dia despejei confiança, hoje é minha maior inimiga.
Cheguei ao Rio de Janeiro no final dos anos 1980. Fui à casa de meu irmão, Evaldo. Ele era casado com uma linda e doce mulher, Eliane, mas que tinha uma perversa irmã: Cora.
Cora era do mal, cruel. De cara não gostou de mim, mas eu também não fui com a cara dela. Me apaixonei por Eliane perdidamente e vice-versa. Mas aquilo era uma tremenda falta de respeito com Evaldo, que me acolheu em sua casa.
Eu e Eliane vivemos um lindo romance proibido, sempre ameaçado pelas “intuições” de Cora. Não tinha jeito, tínhamos que fugir.
A Cora não nos deixava em paz. Ela, sempre me provocando. Era cada vez mais insuportável aguentar tudo aquilo.
Falei para Eliane para fugirmos. Acho que Cora suspeitou de tudo, pois minha amada me mandou ir à frente dela.
Depois, me surpreendi. Era quem? A merda da Cora! Que mulherzinha insuportável, não é a toa que nunca arrumou ninguém, dizia como uma “desculpa” que era pura e ilibada. Era maquiavélica e cruel, isso sim.
Mas a notícia que ela me deu era insuportável. Era o que? Que Eliane não queria mais me ver, para eu ir sem ela. Dentro de mim, não acreditei naquela barbaridade. Não era possível Eliane ter desistido! Mas eu não poderia jamais bancar o frouxo na frente de Cora, me impus como um leão se impõe como o rei da selva:
- Pois então diga a ela que vocês nunca mais terão notícias de mim! Irei rodar o mundo inteiro!
- Boa sorte na sua jornada! – disse Cora
Fiquei extremamente triste com tudo aquilo. Não era possível! Mas como prometido, comecei a minha jornada pelos quatro cantos do mundo. Nesse vai e vem, conheci Sebastião Ferreira, um dos responsáveis do nascimento do meu grande império!
Ele me sugeriu começar a contrabandear joias. Será que era uma furada? Bom, eu ia dar um tiro no escuro, mas resolvi apostar naquela oportunidade.
Sebastião Ferreira me levou a Suíça, e logo depois veio a falecer. Mas ele havia deixado tudo para mim! Eu estava tão feliz. . .
Conheci uma empresária portuguesa, chamada Maria Joaquina. Ela me apresentou o mundo do contrabando de joias, dizendo que o dinheiro aparecia bem mais rápido do que um trabalho honesto. Na minha visão e na deles, era impossível discordar dessa afirmação.
Eu lembro que no avião que viajei com Sebastião, encontrei Maria Marta pela primeira vez. Ela era bonita, mais velha do que eu, mas assim como hoje, nojenta, arrogante. Encontrei ela no hotel logo depois, quando ela descobriu que havia perdido tudo e mal tinha onde ficar. Ela ficou comigo no quarto.
Tempos depois nos casamos. Mas eu não a amava. Como esquecer o grande amor de minha vida, Eliane? Era impossível. Torturador era tentar esquecer.
Tivemos três filhos: José Pedro, o ambicioso, que assim como Marta, tenta me derrubar a qualquer preço, Maria Clara, minha preferida e João Lucas, problemático que não está nem aí com a hora do Brasil.
Enfrentei e enfrento desafios diários para continuar com tudo o que é meu. Todos querem derrubar meu império.
Recebi muito mais do que merecia. Sou uma exceção, a minoria que enriquece da noite para o dia, mas essa é a minha história, isto é o que eu sou. O Comendador José Alfredo de Medeiros, que nunca negaria suas origens humildes herdadas do Nordeste, minha eterna terra, a qual eu tenho saudades.
Milionário, famoso, destaque em todos os lugares, onde as pessoas sussurram:
- Ei, aquele ali não é o Comendador?
Mas algo faltava para a receita do meu bolo ficar completa, entra nos trinques. Felicidade. Marta não era mais minha mulher. Ao papel passado era, mas dentro de mim não é isso que vale. Se não posso ao menos confiar nela, então ela é minha inimiga, e não esposa. Um amor, uma distração, qualquer coisa. Essa era Maria Ísis.
Maria Ísis era linda, uma ninfetinha. Era extremamente mais jovem que eu e mais nova até que meus filhos. Tinha quase a mesma idade que João Lucas. No início, ela não tinha nada demais para mim, era uma mera distração. Mas isso mudou bastante conforme o tempo foi passando.
Eu fui ficando cada dia mais apaixonado por ela. Sua beleza, sua delicadeza, sua inocência, sua essência. Tudo nela foi me cativando cada vez mais, cada dia mais. Era impossível negar que eu havia me apaixonado por ela.
Até o momento ninguém sabia de nada. Ainda bem! Apesar de tudo, não sei ela seria a candidata para substituir Eliane, que apesar de quase trinta anos depois ainda estava em minha cabeça. Talvez não tivesse candidata para substituí-la. Mas, conforme for, irei aproveitar Ísis ao máximo.
Será que Eliane teve filhos? Um? Dois? E Cora, continua solteirona e amarga? Prometi ficar longe daquela gente, mas eu não sei se era realmente possível. . . Eliane foi e ainda é meu grande amor, e amores não esquecemos nunca. . .
FIM
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