Relatos de uma fracassada

6 Capítulo 6 -Inseparáveis (parte 1)


Notas iniciais
-...eu...eu... -Quando eu ia dizer, ainda de cabeça cabisbaixa, ele me interrompeu.

-Você não precisa dizer, apenas, sentir! -Ele disse levando minha cabeça, me dando um beijo inesperado.
*o*

É domingo, e eu queria tanto que isso não passasse de um sonho, meu coração está tão apertado, mas Aline está aqui do meu lado, me apoiando como sempre, ela é realmente a melhor amiga que se pode ter.

Já faz um mês desde que meu pai foi chamado para trabalhar em Los Angeles. Ontem ele aceitou o trabalho, mas nem eu, nem minha mãe iremos com ele. Estou tão triste, próxima semana ele já vai se mudar para lá. Eu sei, é muito rápido.

Desculpe esse tempo sem escrever, eu estou um pouco depressiva, minha vida virou de cabeça para baixo, não sei o que está acontecendo comigo, estou me sentindo tão fraca ultimamente, eu não sou de ficar assim. Mas algumas palavras que ouvimos podem matar uma alma, sem ninguém perceber. As pessoas tem que aprender a não mexer com os sentimentos dos outros e depois jogá-los fora como um saco de lixo.

Era sexta-feira e fui com Aline até a casa de Daniel, nós íamos fazer um trabalho de química, e eu estava louca para contar o meu “drama familiar” a eles. Não tinha contado antes, para que ambos não ficassem tristes, mas agora que meu pai decidiu ir sozinho, era um bom momento para explicar a situação.

–Meu pai vai trabalhar em Los Angeles. –Digo, e Aline derruba a tesoura que estava na mão. Eu só conseguia reparar na expressão de Daniel ao me ouvir.

–Como assim? –Ela perguntou incrédula, já pegando a tesoura que deixara cair.

–Você não vai com ele! Vai? –Disse Daniel, jogando os matérias do trabalho de lado.

–Não...eu não vou! Já faz um tempo que chamaram ele para trabalhar em um jornal lá, e ele por esses dias decidiu aceitar e ir sozinho. Não queria preocupar vocês. –Eles me deram um abraço tão forte que eu estava a ponto de explodir. E mesmo gostando os afastei. –Vamos continuar, então?

–Sim, vamos. –Ambos disseram.

Quando terminamos o trabalho, fomos até um fast food. Enquanto Daniel fazia os pedidos, Aline me puxou para conversar.

–Eu preciso te contar uma coisa!

–O que?

–Sabe ontem, quando saí com o Nath para aquela festa? Então...

–Não, não sei. – A interrompi. –Como assim você foi a uma festa ontem com o Nathaniel e não me contou?

–Eu mandei uma mensagem, você não recebeu?

–Acho que não.

–Tá, agora deixa eu continuar a história. Nós fomos a festa, ele me buscou em casa, e chegando lá, adivinha...

–Hum, o que?

–A gente dançou, e ele me beijou! –Ela disse quase pulando de alegria. Eu só consegui rir, a reação dela foi tão engraçada que me deixou com dor na barriga. –Por que você está rindo?

–Não, nada, eu já disse que vocês formariam o casal perfeito? –Antes dela responder, Daniel chega com a comida. Ele se senta perto de mim, e a cada vez que falava comigo olhava tão profundamente nos meus olhos, que eu não conseguia respirar direito, ele segurou minha mão percebendo meu desconforto, quer dizer, meu nervosismo.

–O que houve? –Ele me perguntou, tentando disfarçar, e parecer ingênuo, mas eu sei que ele já percebeu que tenho uma “quedinha” por ele. Fiquei sem resposta na hora, e só consegui dizer...

–Nada.

Estou tentando parar de pensar no Daniel, estou tentando! Mas nós estamos tão próximos, ele é meu segundo melhor amigo, e eu não quero me decepcionar, porque as vezes tenho a sensação de que ele não sente o mesmo por mim. Só que todos esses sinais, como segurar na minha mão ou falar muito próximo do meu rosto, estão me deixando iludida.

Eu gostaria tanto de poder contar a ele o que eu sinto, mas eu tenho medo, sou uma medrosa, que tem medo do mundo e das pessoas.

Após comermos e rimos muito, fomos para casa, Daniel nos levou para casa, com o carro do pai. Ele não tinha carteira de motorista nem nada, acho que ele pegou o carro escondido, então se algum policial nos parasse, eu não quero nem imaginar o que vai acontecer. Fomos o caminho todo ouvindo o rádio, as músicas que passavam não me emocionavam nem um pouco, mas eles só faltavam pular do carro ouvindo as músicas, e eu só fiquei sentada no banco da frente tentando fingir que aquilo não estava acontecendo. Mas aí passou uma música que me fez sentir intensamente livre, e eu não queria que aquele momento acabasse, estava tão perfeito, eu, Aline, e Daniel entramos em sintonia na hora, então paramos o carro no meio da avenida não muito movimentada, pois já eram quase 23 horas, e ouvimos a música com toda aquela emoção contida nela. Depois que a música acabou, continuámos a viagem, e quando eu cheguei em casa, levei uma bronca da minha mãe, pelo horário, mas posso dizer que valeu a pena.

Já no sábado, eu fiz uma grande besteira.

Daniel ligou pra mim, me chamando para um piquenique, com alguns amigos dele, Aline e outras meninas da nossa classe que eu não suportava. Aceitei, e pela primeira vez demorei para escolher a roupa com a qual eu iria. Eu nunca fui vaidosa, esses tempos eu não estou conseguindo me entender.

Eram duas da tarde, e cheguei no parque, os meninos estavam com seus skates, e a garota mais superficial e fútil que eu haverá conhecido estava lá, Marisa. Como o Daniel teve a coragem de convidá-la sabendo que eu não a suporto? Será que ele gosta dela? Fiquei pensando nisso por um bom tempo, e meu coração apertou.

–Ei! –Daniel disse vindo em minha direção.

–Hey! –Falei tentando disfarçar o meu ciúme.

–Você está bonita! –Corei na hora, quase desmaiei.

–Obrigada. –Minhas bochechas continuavam vermelhas, e ficaram assim por um longo tempo.

Ficamos todos conversando, e tive que aguentar Marisa falando. Eu não a suporto por inteira, não suporto sua voz, muito menos a pessoa que ela é, e ainda Daniel parecia estar babando por ela, ou flertando com ela mas talvez aquilo era coisa da minha cabeça. Que, tomada pelo ciúme saí dali de tão nauseada que estava, me levantei arrogantemente enquanto ela falava de suas viajem exuberantes. Daniel veio atrás de mim.

–O que aconteceu? –Ele perguntou enquanto me seguia.

–Eu só não aguento mais ela! Simples assim. Por que você a chamou? Você gosta dela é isso? –Disse sem pensar, eu não acredito que falei aquilo.

–Eu não a chamei, e eu não gosto dela! –Dei as costas e ele me puxou pelo braço.

–O que está acontecendo? você não é assim! E não é só por causa da Marisa.

–Eu não quero... –Falei baixo, um pouco orgulhosa.

–Você não quer o que? –Daniel tentou me arrancar uma resposta concreta.

–Eu não quero...eu não quero que você goste dela.

–Mas o que...?

–Você fica babando por ela, e não minta, você sente algo por ela.

–Eu não sinto nada por ela! –Fechei os olhos e abaixei a cabeça deixando escapar uma lágrima.

–Ei... –Ele me deu um abraço.

–Daniel, eu...eu... –Quando eu ia dizer, ainda de cabeça cabisbaixa, ele me interrompeu.

–Você não precisa dizer, apenas, sentir! –Ele disse levando minha cabeça, me dando um beijo inesperado.

Notas finais
E aí, o que será que vai acontecer depois desse beijo? *o*