Relatos de um garoto Enderman
11 Capitulo 10 - A lenda... parte 1
Notas iniciais
–- Então... – Dizia Chase – Quer dizer que você conheceu ambas as rainhas dos diferentes planos em um só dia?
Concordei com cabeça.
–- Bem, eu me lembro de quando você salvou a garota Wither daquele humano, mas meu pai apareceu de repente, e me levou para casa – Explicou Marion.
Chase então nos convidou para entrar em sua “casa”, bem era uma caverna, totalmente escura, pedras, e também um único minério de carvão visível em um canto, havia mais alguns Esqueletos na sala, na verdade somente três.
Dois deles eram crianças, gêmeos talvez. Ambos eram muito parecidos com Chase, tinham os mesmos cabelos brancos e olhos vermelhos, roupas brancas e os ossos de tórax humano formando uma armadura na frente de seu corpo. Eles no entanto não possuíam uma aljava de flechas nem arco, e pareciam ser um casal de gêmeos.
De pé ao lado deles havia uma garota Esqueleto. Ela também tinha cabelos brancos, amarrados em um rabo de cavalo e uma franja que cobria o olho direito, também usava roupas brancas, porem mais curtas, e sua armadura de tórax era de um padrão diferente que se ajustava em seu corpo feminino. Ela pendia a aljava nas costas, diferente de Chase e a dela era cheia de fechas.
–- Ah, Marion, Hyesung, esses são meus irmãos, Amber e Aaron – Apresentou indicando os dois menores com a mão. E então sua mão se voltou para a maior – Essa é Emily, minha prima.
–- Isso é uma garota? – Perguntou inocentemente um dos gêmeos, que percebi que era o garoto enquanto apontava para mim.
–- Não, Aaron, é um garoto – Explicou pacientemente Chase – Pode parecer uma garota quando olhado assim de repente, mas depois você percebe que é um garoto.
–- Ei! – Protestei – Quer dizer que você também me confundiu com uma garota?
–- Não, não, claro que não – Ele respondeu rapidamente – Na verdade quando eu te salvei aquele dia nem tive tempo para pensar nisso, ai você me disse o seu nome, e fiquei sabendo que você era um garoto.
–- Até você Chase... Marion me confundiu com uma construção, será que não há ninguém que não tenha achado que eu sou um homem?
–- Meu pai sempre dizia que não se deve julgar as pessoas pela aparência – Explicou o garoto Esqueleto – Por isso resolvi escutar seu nome primeiro. Isso foi antes dele morrer em uma noite de caça e ter seus ossos moídos para servir de fertilizante para plantações. Mas ele era um bom Esqueleto.
Tanto eu quanto Marion ficamos boquiabertos com a naturalidade em que ele disse algo como isso, o quarteto esquelético por outro lado pareciam não ter se importado muito.
–- Essa guerra entre humanos e mobs, isso é algo desnecessário – Admiti – Afinal qual o porque disso?
–- Fomos criados para isso – Emily se manifestou.
–- Sim... – Concordou Chase – Dizia uma lenda, que antes da nossa existência havia um entre os humanos que era visto como um deus, por ser o único diferente entre eles. O que gerou em um grande caos. Quando algo aconteceu, algo que eu não o que é, já que ninguém me conta as coisas direito, um erro dele e ele então começou a ser odiado pelos demais. Por fim o baniram do mundo humano. Então, dizem que seu ódio pela raça humana foi o que nos gerou, seres do ódio deste homem. E dizem que caçamos humanos porque compartilhamos o ódio dele para os demais... Bem, mais é só uma lenda. Só sei que desde cedo sempre foi ensinado a mim quem era o inimigo, e é isso o que eu faço hoje.
–- Costumavam contar a mesma historia para mim também – Disse Marion – Eu sempre achei que era muito mal contada para ser verdade, afinal, assim como Chase sempre fui ensinada a ver quem era o inimigo.
–- É... bem, já aprendi a me acostumar com isso – Chase dizia enquanto atirava uma flecha, objeto no qual cravou exatamente no ponto central do único minério de carvão visível – Mas, para falar a verdade, acho que nunca cheguei a matar um humano, preferia não ter que fazer isso.
–- Muitos de nós... – Emily encarava e alisava a ponta de uma flecha enquanto falava – Entretanto, humanos não pensam assim. Se nós não os matarmos, eles nos matam, e seria o fim definitivo de nossa raça. Bem... É complicado ser um mob.
Os pequenos gêmeos somente concordaram com a cabeça, Marion forçava um sorriso, Chase deu de ombros, e Emily retirou a flecha do minério de carvão a guardando entre as suas.
–- Cara, ficar aqui dentro o dia todo é entediante – Chase reclamou já mudando de assunto – Esse lugar é escuro e não tem nada a não ser pedras!
–- E um solitário minério de carvão – Completou Emily – Que serve para Chase praticar tiro ao alvo.
–- Emily nunca conseguiu me vencer nisso – Disse ele – Nem mesmo com um arco encantado.
A garota sorriu, ele também, então todos nós estávamos sorrindo. Em tentava me distrair com eles, mas ainda sim recentemente eu havia adquirido informações demais para digerir, simplesmente não queria deixar as coisas do jeito em que estão. Quando me toquei todos estavam rindo de algo que não havia prestado atenção.
–- No que está pensando Hyesung? – Chase já estava ao meu lado, eu nem o percebi vindo – Não vai fazer algum outro tipo de loucura, vai? Bem, se for, conte comigo...
–- Não, na verdade estava pensando a respeito da historia que você contou.
–- Isso é só uma lenda – Ele deixou claro, mas minha mente estava em outro lugar.
–- Se pararmos para pensar, não estariam vocês pagando pelo erro que ele próprio cometeu?
–- Exatamente, Hyesung, exatamente.
Disse uma voz acima de nós, foi quando eu percebi na entrada na caverna, um par de botas pretas balançando distraidamente, apesar de não estar dentro da caverna, a conversa ainda podia ser escutada do lado de fora.
–- Illa? – Perguntei reconhecendo a voz e as botas pretas.
Ela desceu de onde estava sentada, mostrando que eu estava certo em reconhecê-la. Estava do mesmo modo da ultima vez em que nos vemos. Cabelos pretos até a altura dos ombros, olhos escuros sombrios e um curto vestido escuro de mangas longas que cobriam por completo suas mãos. Ao nível do solo, quando não está flutuando ela era mais baixa que todos na sala, a não ser os dois gêmeos Esqueletos, mas eu sabia que ela também era mais poderosa que qualquer um aqui presente.
–- Você é esperto Hyesung, gosto disso.
Ela deu um passo a frente, os gêmeos recuaram dois para trás, Emily também parecia apreensiva. Basicamente, todos saíram do caminho enquanto ela caminhava, até parar ao meu lado. Eu estava tranquilo, não totalmente tranquilo, até porque, na mesma hora as palavras da rainha Enderdragon começaram a ecoar em minha mente.
–- Se vocês são amigos de Hyesung, então não se sintam ameaçados, não vou fazer mal a ninguém – Foi o que ela disse, mas não conseguiu tranquilizar ninguém com isso, ela então resolveu continuar – Sou Illa. Mas conhecida como Wither, ou rainha do Nether. Prazer em conhecê-los.
Chase foi o primeiro que pareceu ficar aliviado e logo todos os outros foram se soltando, depois das devidas apresentações, Illa tirou os pés do chão, ficando na mesma altura que a minha.
–- Então vocês são mesmo amigos? – Marion perguntou surpresa.
–- Ele disse que não queria ser meu inimigo... – Illa esclareceu, mas eu a cortei já que meus amigos poderia mal compreender a situação.
–- Eu só acho que as raças não devem ser inimigas apenas por serem reinos distintos, mesmo com tudo o que aconteceu no passado – Disse eu na tentativa de me defender – Assim como eu não acho que mobs e humanos deveriam viver matando uns aos outros.
Illa estava parada no ar em posição horizontal, como se estivesse deitada em algo invisível.
–- Sim, entendo... Então quer dizer que todos vocês viviam escutando essa mesma lenda sobre sua origem? Bem, então... E se eu dissesse que essa historia não é uma lenda?
Fale com o autor