Notas iniciais
Espero que gostem... Foi difícil continuar a escrever, mas agora várias idéias vieram à minha mente. Boa leitura!!!

“ Tyler tinha nove anos e Elle cinco. Eles estavam sentados em frente à lareira junto ao pai e esperavam ansiosos a chegada de Molly. Chovia muito naquela noite, e Lorraine havia entrado em trabalho de parto por volta das oito da noite. Agora já passava das onze e nada de Molly ter nascido.

- Ana? – disse Tyler – onde está a mamãe?

- Está dando a luz à sua irmãzinha querido – eu disse.

- Ela vai ficar bem, não vai?

- Claro que vai – respondi olhando para Elle, que fitava o fogo na lareira sem mencionar uma palavra – Elle? Você está bem?

- Eu sinto – ela olhou para mim – como se algo ruim fosse acontecer. Ontem eu tive um sonho muito ruim Ana, um terrível pesadelo.

- Como foi?

- Era a mamãe – ela apertou os braços contra o peito e encarou o fogo – ela estava deitada em sua cama e sombras a cobriu, e então – ela se esforçou para dizer as palavras – então ela sumiu.

- Geralmente os sonhos são algo ao contrário do que realmente eles querem dizer – eu disse – sua mãe nunca desaparecerá, ela nunca irá deixar vocês.

Elle deu um meio sorriso forçado, mas lá no fundo algo que ela disse me assustou, porque naquele exato momento, eu sentia a mesma coisa. Era como se dali para frente eu sentisse que nós nunca mais veríamos a Sra. Lorraine.

Foi neste exato momento em que a parteira, Celi, desceu as escadas as pressas e chamou o Senhor Magno. Ele estava até aquele momento andando de um lado ao outro, como ficava sempre que estava nervoso. Ele a olhou e a seguiu até o quarto com passos rápidos. Cinco minutos depois Celi desceu e chamou meu nome. Eu a segui, com insegurança, receio, e alegria.

Quando cheguei ao quarto eu parei na porta, assustada com a cena à minha frente.

O Senhor Magno estava à beira da cama de sua esposa e segurava fortemente sua mão. Lagrimas escorriam pelo seu rosto. Ele não parava de murmurar enquanto olhava Lorraine sobre a cama:

- Volte para mim – ele sussurrava – não me deixe, eu preciso de você.

Pelo desenrolar da cena, eu pude perceber o que se passava no quarto.

Lorraine não havia sobrevivido ao parto.

- Lô!- Magno gritava – Lô, não me deixe! Eu te amo.

Fui até a cama ao lado do senhor Underberg. Pus a mão de leve em seu ombro e ele olhou para mim desorientado.

- Ana – ele suplicou – diga a ela. Diga a ela que eu não posso viver sem ela, ela não me responde, ela não se meche... Por favor.

- Senhor – eu disse tentando acalmá-lo – ela se foi. Não adianta mais.

- Tem razão – ele ergueu a cabeça, mas ainda estava abalado – não adianta mais. Ela se foi não é mesmo?

- Sim – sussurrei – mas ela deixou esta menina.

Apontei para a garotinha nos braços de Celi. Ela dormia calmamente, toda coberta com uma manta branca. Ele se levantou e foi até a criança. Ele a pegou nos braços como se ela fosse feita de cristal e beijou sua testa.

Lorraine Underberg foi enterrada no dia seguinte em um cemitério a três quadras desta casa.

Quando a notícia chegou aos ouvidos de Tyler e Elle, eles disparam a chorar. A perda de um ente querido provoca um grande vazio, como se o chão à sua frente desse lugar a um abismo no qual você pudesse cair a qualquer momento. Sem ninguém para te segurar.

Todos os dias, Tyler, Elle, Magno, Molly e eu íamos até o túmulo de Lorraine. As crianças sentavam ao pé do túmulo e conversavam com a mãe enquanto Molly engatinhava pela grama. O pai levava rosas e as punha todos os dias sobre o túmulo. Eu ia para cuidar das crianças e dar um “oi” à minha eterna senhora.

- Ela amava rosas – Magno disse para mim – as brancas, é claro, ela dizia que as vermelhas eram muito fortes e as brancas mais delicadas e graciosas.

- Ela tinha razão – respondi sorrindo.

Todos os dias durante vários anos, até Molly fazer cinco anos, eles repetiam o mesmo ritual, nunca deixando o corpo de Lorraine sozinho. Mas isso mudou.

Um mês depois do quinto aniversário de Molly, Magno chegou com uma novidade em casa.

Estávamos todos sentados na sala, enquanto eu lia para as crianças um livro. Elas ouviram o barulho do carro do pai encostar-se a frente de casa. As crianças abriram um sorriso enquanto via a porta se abrir. O pai entrou e abriu os braços para receber as crianças com um forte abraço.

Enquanto eles entravam juntos eu vi uma figura encostada à porta. Uma mulher loira, com olhos azuis e um sorriso no rosto, com mais ou menos uns vinte anos encarava a cena que se passava na sala. Magno olhou para ela e voltou seu olhar para as crianças.

Tyler, o mais velho, encarou o pai já presumindo o que se passava.

- Pessoal – Magno disse – esta é Gabrielle Tinft, minha namorada.

- O que? – Elle disse – pai, como você pode?

Elle começou a chorar e olhou para Gabrielle dizendo:

- Você pode até tentar, mas nunca vai substituir minha mãe.

Então ela se retirou da sala correndo. O pai a olhou partir escada a cima e simplesmente disse:

- Então – ele sorriu como se a cena não tivesse ocorrido – quem quer bolo?

Todos o olharam assustados, inclusive eu, menos Gabrielle. Ela continuava sorrindo, como que nem ligando pelo ódio de Elle para com ela. Como se isso não importasse.

- O senhor não vai falar com ela? – eu disse olhando para Magno.

- Não – respondeu ele friamente – ela já tem dez anos. É idade suficiente para entender que ninguém desta casa deve fazer birra e interferir em minhas decisões. Espero que isto fique claro a todos.

- Acontece que se você não se importa com seus filhos – respondi furiosa – eu me importo. Com licença.

E me retirei com Molly e Tyler daquele lugar. Fomos para o quarto de Elle onde ela estava debruçada sobre a cama chorando. Me sentei no chão e eles me acompanharam.

- Como ele pode? – Elle disse – ele traiu a mamãe. Traiu a todos nós.

- Não traiu – disse – ele apenas quis seguir sua vida. Ele merece ser feliz.

- Mas você viu como ele agiu? – Molly disse – tão friamente, ele nem ligou que Elle estivesse chorando Ana.

- Eu não sei o que dizer – respondi olhando para Tyler, que estava encostado junto à janela olhando para o jardim. Todo aquele tempo, ele não pronunciara uma palavra. Apenas assistiu a tudo em silêncio – o melhor a fazer, é aceitar.

As meninas me abraçaram enquanto Tyler nem se mexeu.

- Meninas – eu disse – que tal irmos até lá e conhecer melhor a Gabrielle? É melhor julgar as pessoas depois de conhecê-las. Vai indo na frente, eu já vou.

Elas obedeceram, saindo assim do quarto me deixando sozinha com Tyler.

- Você não quer conversar sobre isso? – perguntei.

- Eu não sei como ele pode – ele respondeu, não tirando os olhos do que ele tivesse olhando através da janela – ele disse que nunca deixaria a mamãe, e agora...

- Tyler – eu disse baixo – sua mãe é insubstituível, sabe por quê?

Ele apenas virou para mim e fez um não com a cabeça e voltou a olhar para a janela.

- Porque ela foi, é e continua sendo a sua mãe. Ela, não importa onde estiver continuara te amando, sendo assim, insubstituível.

- Mas ela nos deixou – ele disse com os olhos cheios de lagrimas olhando para mim – é claro que eu não culpo a Molly, nunca culpei. Não foi culpa dela que a mamãe morreu, mas mesmo assim ela nos deixou. E agora quando mais precisamos dela, ela não está aqui. Molly nunca vai sentir seu abraço quente e confortador,nunca vai ouvir sua voz doce – as lagrimas o impediu de continuar – eu me sinto sozinho.

- Tyler, você nunca estará sozinho – respondi chegando perto dele – as pessoas que amamos nunca nos abandonam nunca nos deixam de verdade. Você sempre pode encontrá-las bem aqui.

Pus a mão sobre seu coração.

Ele pôs a mão dele sobre a minha.

- Você promete que nunca vai nos abandonar? – ele disse, parando de chorar.

- Prometo – eu disse – nunca vou abandonar vocês.

Descemos até onde eles estavam sentados tomando chá com bolo.

- Resolveram aparecer? – Magno disse olhando diretamente para o filho.

- Sim – respondi rapidamente com medo que Tyler dissesse tudo que estava entalado em sua garganta, pois isso lhe proporcionaria uns belos tapas.

Sentamos ao lado de Molly e Elle e esperamos Magno dizer algo.

- Por mais que vocês não aprovem – ele disse –eu gosto de Gabrielle, e nós vamos nos casar em duas semanas.

Aquilo foi um choque para as crianças, elas olhavam para mim e Tyler que estava ao meu lado apertou furiosamente a xícara em sua mão.

- Crianças – Gabrielle disse – não quero que me vejam como uma pessoa má. Sou apenas uma mulher apaixonada – ela olhou para Magno.

Ele sorriu de volta, e dentro de duas semanas eles realmente se casaram.

Foi uma festa simples, não grande quanto a de Lorraine e Magno. Foi simples, mas cheia de convidados por ser uma das famílias mais ricas de Florianópolis. Mas no dia eu vi algo estranho. Gabrielle estava atrás da casa com um homem e eles falavam bem baixo para que ninguém ouvisse. Aproximei-me devagar de um jeito que não notassem a minha presença e me pus a ouvir.

- Agora está feito – Gabrielle disse – assim que o velho bater as botas o dinheiro da herança é nosso.

- Então fugiremos para longe – o homem disse gargalhando – ficando com todo o dinheiro dos Underberg e deixando os pirralhos sem nada.

Eu na hora entrei em choque. Eu nunca poderia imaginar que Gabrielle seria capaz de uma coisa dessas. Ela estava casando com Magno por puro interesse nos bens da família. Tudo era meramente um golpe do baú.

- Você ouviu isso? – Gabrielle perguntou ao homem.

- Acho que tem alguém nos observando – ele respondeu.

Não esperei para ver as conseqüências, apenas sai daquele lugar o mais rápido que poderia.

Notas finais
E agora? O que será que vai acontecer?? Quem era o homem com o qual Gabrielle estava falando? O que será que Ana irá fazer? Continue acompanhando a história e deixem comentários no capítulo...
Beijinhos
Carlyluna