O que eu vou contar aqui é uma historia verídica, pode parecer um conto para entreter adolescentes, mas é uma realidade. Seres que você não acredita existem. E caminham entre nós, mas somos enganados pela mascara que eles usam. Vamos começar do principio então.

Fevereiro de 1822, eu era um humano normal, era um jovem que vivia em uma fazenda de café no interior de São Paulo.Meu pai servia o Coronel da região, cuidava dos cavalos, e sempre que podia eu ajudava ele nas tarefas. Felizmente o trabalho pesado ficava a cargo dos escravos. Mas o que eu mais gostava era explorar as matas da região, amava rastrear um animal e achá-lo apenas pelo gosto da caça, não pela matança. Mesmo porque nunca tive treinamento em armas, nem se quisesse poderia matar um animal na mata, mas gostava de explorar, se embranhar no mato e encontrar a saída novamente.

Mas um dia, após uma longa caminhada, decido deitar em baixo da refrescante sombra de uma macieira. O som dos pássaros ao fundo era como uma leve melodia entrando pelos ouvidos e acalmando os sentidos, o vento batia de leve e refrescava o intenso verão que passavam. Não demorou muito para as pálpebras se negarem a obedecer, sem perceber caio no sono, um sono profundo e calmo.

Quando acordo o sol não mais reinava. Mas graças a lua cheia conseguia enxergar muito bem. Logo me levanto e começo a caminhada de volta para a casa principal, já tinha feito o trajeto em noites mais escuras, não iria me perder. Mas de repente eu travo, minha pernas não respondem mais, e com muito esforço consegui manter elas firmes, acho que foi meu instinto de sobrevivência. Uma enorme figura de um lobo apareceu na minha frente, mas não era um simples lobo, ele andava em duas patas, e era simplesmente enorme! Um urso? Foi o que pensei, mas como? Nem ursos nem lobos deviam estar pela região. Não conseguia sair daquela espécie de transe, e logo observei que não deveria ser um urso, orelhas e focinhos completamente diferentes, não, aquilo era definitivamente um lobo, um lobo em pé!

Os olhos cintilantes e vermelhos da criatura me fitam por segundos que para mim pareceram uma eternidade. Aqueles eram os olhos de uma fera, mas tinha algo mais, era como se passasse uma certa inteligência no olhar. Não era simplesmente uma fera, tinha algo a mais.Não aconteceu mais nada nesta noite, o ser misterioso simplesmente sumiu, com uma leve movimentação da folhagem ao redor. Mas de uma coisa eu tive certeza, e estava certo, aquela noite mudaria a minha vida.

Não posso negar que tive pesadelos por muito tempo sobre aquela criatura. E o mais estranho para mim, é que nas minhas caminhadas eu procurava algo nas sombras, esperava ver novamente aquele ser misterioso. Tive uma impressão que por mais assustador que seja, ele não era um ser do mal. E eu estava em parte certo. Mas infelizmente em parte errado.

Comentei do acontecido com o filho do coronel, um rapazote supersticioso, acreditava em tudo, mas não tinha visto nada até o momento. Não preciso nem dizer que o jovem ficou fascinado, e logo me contou sobre um suposto caçador de seres sobrenaturais, que morava em São Paulo, e quando soube que eu tinha vontade de me encontrar com esse ser novamente, alem de me chamar de maluco com um sorriso no rosto, prometeu me ajudar a encontrar o caçador.

- Voce é simplesmente doido. – Lucas dizia isso com um sorriso no rosto.

- Eu sei, mas não consigo explicar, fiquei fascinado com essas criaturas.

- Mas e se ele decidir te destroçar na próxima vez?

- Pelo menos eu vou saber que não sou louco, que eles existem mesmo.

- Na verdade você vai saber que é muito louco, que vai morrer sabendo do perigo.

- Chega de papo de morte, você vai me ajudar com esse caçador ou não? – Eu deixei bem claro que agora estava falando serio.

- Tá, você venceu Luiz, amanha partimos para São Paulo. Você vai amar aquela cidade, é linda.

- E seu pai? E meu pai?

- Deixa comigo! – Lucas parecia tão confiante que deixei tudo por sua conta.

Claro que este dialogo não foi bem assim, entendam, faz uns 200 anos isso, eu já me acostumei com o português atual e não conseguiria lembrar exatamente das palavras, mas lembro muito bem do conteúdo dos diálogos aqui tratados.

A casa do caçador era incrível, claro que eu só me admirava desde que cheguei na capital, mas a casa do caçador era cheia de troféus de tiro e caçadas na prateleiras, nas paredes cabeças empalhadas e armas que provavelmente eram relíquias. A governanta nos levou até o escritório, uma sala empoeirada e pequena, mas com três prateleiras de tamanho respeitável repletas de livros. Em uma escrivaninha no canto da sala, do lado de uma janela, estava um homem que aparentava fraqueza, baixinho, magro e sem músculos aparentes. Essa não era bem a visão que eu tinha do grande caçador que Lucas tanto falava.Ele estava atrás de uma pilha de papeis e livros, aparentemente estudando algo muito sério, nem reparou nossa entrada de tão distraído que estava. Pelo menos foi o que pensei.

- Vocês vão ficar aí me olhando muito tempo? Sentem-se logo e vamos acabar com isso. – Ele disse isso sem nem tirar os olhos dos papeis, fiquei meio assustado com isso, mas era ingênuo naquela época, aquilo não era nada mais que habilidades humanas bem desenvolvidas.

-Desculpe-nos pelo incômodo senhor, este é meu amigo Luiz, e viemos aqui saber sobre seres estranhos.

- Seres estranhos? Desculpe, não posso ajudar, procure uma universidade.

- Senhor Rupert, eu sei muito bem que o senhor nos entendeu.

- Mas o que você espera de mim Lucas? Não sou uma bola de cristal, de mais detalhes.

- Era um lobo andando em duas patas, um lobo homem? — Eu disse as ultimas palavras com um tom de incerteza.

Sr Rupert imediatamente tira os olhos dos papei amarelados da sua mesa e me fita através dos óculos redondos.

- Como? Um lobo? Você tem certeza jovem?

- Absoluta.

- E vocês querem que eu me arraste até a cidadezinha de vocês para acabar com ele, é isso?

- Não senhor, eu quero saber mais sobre ele, quero tentar me aproximar e conhecer sua cultura.

Uma enorme risada enche o ambiente. Uma risada divertida por uma idéia absurda.

- Eu ouvi direito? Você quer apenas conhecer sobre ele? E para que? Quer tentar virar amiguinho?

- Não sei, primeiro quero conhecer tudo sobre eles.

- Bem, eu não sou especializado neles, meu negocio é caçar outra coisa. Mas posso lhe dar algumas informações...

Lucas parece ter percebido algo que eu não captei, e logo retira de sua carteira um maço de notas.

- Isso já é suficiente?

- Otimo, ótimo. Vejamos, os lobisomens são metade humano metade lobos, alguns mais feras, alguns mais humanos, mas eles podem assumir tanto a forma de lobo como de humano. E garoto, eles se irritam fácil, sem falar que ouvi dizer que alguns odeiam a civilização, quando cruzam um humano matam sem pensar. Acho que você teve sorte de encontrar um que tolera humanos. Bem, não sei mais que isso, mas tome. – O caçador escreve em um pedaço de rascunho uma serie de números e letras. – Aqui tem um código para um setor da biblioteca municipal. Nesse setor estão livros de ocultismo, tratado para a maioria como simples exemplares de culturas diversas, mas nesses títulos em especial que marquei, você deve encontrar as informações que quer. Mas cuidado! Esses seres não são muito sociáveis, não tente contato direto.

Minha obsessão não terminou quando eu consegui juntar informações ao longo de dois anos. Virei um caçador de Lupinos, mas um caçador como das antigas, apenas procurava e observava, mas nunca chegava perto, pois sabia da incrível percepção daqueles seres. Mas muita coisa ainda era obscura sobre aqueles maravilhosos seres. E eu gostava da minha vida como tinha se tornado, trabalhava em uma hospedaria, mas meu objetivo de vida era os Lupinos, eu vivia para isso, passava os dias apenas pensando no próximo encontro com um deles.

Até ai a minha vida já tinha mudado muito depois de uma noite luarada.Mas a grande mudança estava por vir ainda. E foi exatamente no mesmo local da primeira noite, em 25 de Maio de 1824 que minha vida deu uma reviravolta que não poderia nem se quer imaginar.

Estava na minha cidade natal andando pelas trilhas de baixo de uma confortante lua.Quando vejo um vulto passando pelo mato. É verdade que eu já tinha sido atacado por Lupinos, mas nas outras ocasiões, eu os espantava com o amuleto que copiei de um livro, geralmente eles decidiam que não valia a pena me matar. Por que? Eu não sabia pois o livro estava em uma língua desconhecida.Lhe disseram que podia ser útil e não pensou em mostrar o pedaço de madeira com a insígnia incrustada para o novo Lobisomem que o cercava. Estranhei, das outras vezes só de mostrar de longe já funcionara, mas com ele não. Eu não sabia que com alguns tipo de Lupinos, aquilo não significava nada, em especial para aquele que me cercava.

Me desesperei, tinha algo de errado, aquele era diferente, tinha que correr. E corri. Sério, nunca pensei que poderia correr tanto até aquele dia, e o maldito me seguia bem atrás, mas logo percebi que ele estava brincando comigo, que já poderia ter me pego, quando penso nisso ele aparece na minha frente. Aqueles olhos malignos me fitam e eu travo. Mas dessa vez não foi como na primeira, eu sabia o que era, sabia que poderia morrer, então tratei de sair correndo para o outro lado, mas quando percebo não estou mais correndo, estou no chão, sangue escorria pelas minhas costas, o maldito ser meio lobo abocanha meu ombro e tritura meus ossos enquanto bebe de meu sangue. Suas garras, com polegares e unhas me seguravam, e logo perdi a consciência.

Tudo que eu lembro depois foi de acordar em um buraco escavado na terra, as feridas tinham se curado, mas eu sentia uma incomoda queimação no estomago, como se não me alimentasse a dias. Quanto tempo passei lá dentro? Não sei, mas para mim parecia que foram semanas. Mas na verdade, eu realmente não sabia de nada.

Notas finais
Espero que tenham gostado, essa é a historia do meu personagem em um RPG
e postem reviews com a opinião do que aconteceu com o Luiz.

Obrigado aos que leram o