Relatos de Amor
1 Capítulo 1 - O Início
Notas iniciais
“Algo naquela manhã me dizia para não sair de minha cama. Algo me dizia que aquele dia estaria fadado ao mais puro fracasso... Mas por algum motivo, eu simplesmente segui, levantei e fui ver o que me aguardava.”
Terça-Feira, 12 de abril de 2016. Dois meses antes do tão aclamado dia dos namorados. Uma data comercial, a qual movimenta muito capital, dinheiro para todos os lados e em todos os mais diversificados produtos românticos os quais você pode imaginar. Para mim, é estranho que haja apenas um dia para se comemorar algo tão... “significativo” para as pessoas, no entanto, é o melhor que se pode fazer em tempos difíceis como este.
Eu nunca fui uma pessoa muito ligada a estas coisas, jamais tive uma pessoa com quem passar essa data junto a mim, com exceções de amigos, com os quais eu festejava e zombava dos casais que apareciam nos bares, reservavam mesas para os jantares mais caros da cidade, entre outras demais coisas. Não me entendam mal, eu já namorei, sim! No entanto, os mesmos nunca duraram tanto — coincidentemente ou não -. Não levo isso de forma ruim, mas seria interessante experimentar essa experiência alguma vez...
Bem, deixe com que eu me apresente de forma decente, mesmo que muitos não se interessem por isso. Chamo-me Diego, tenho dezenove anos e atualmente estou no segundo ano da faculdade de Direito. Moro em uma megalópe a qual fora inaugurada não há muito tempo chamada de Agápolis — sério, que tipo de megalópe surge do nada? Ainda mais com um nome ridículo desses — Mas apesar do nome não ser dos mais sugestivos, ele tem um significado grego. Agá provem da palavra Agápi, que significa: “Amor”. E pólis em uma tradução bem chula significa: “Cidade”. Logo, eu moro na cidade do amor.
O nome não é em vão, sem significado real. Nós somos a cidade a qual tem maiores índices de casais, espaços reservados aos mesmos, comércio especializado e também obras públicas e privadas acerca disso, como parques, esculturas, entre tantas outras coisas as quais irei me restringir em falar por agora, com o decorrer da história falarei mais detalhes de onde eu vivo. Por hora vou apenas apresentá-los a minha realidade, minha rotina inquieta. Eu vim de uma cidade do interior, com pouco mais que quatorze mil habitantes, uma cidade mediana, com amplo âmbito rural. Estou acostumado com a calmaria, com a paz. Mas tudo isso veio por água à baixo quando me mudei para Agápolis, tudo virou de cabeça para baixo, eu havia acabado de sair de um relacionamento e estava muito triste, deprimido. Fui aconselhado por algumas pessoas a abandonar os suportes que eu seguia em minha vida, tentar um recomeço... E foi assim que eu acabei vindo para cá, uma região a qual quase não existe o rural, apenas o central, tecnológico, centros urbanos.
Minha vida aqui é longe de ser algo invejável para muitas pessoas, no entanto, ela não é ruim. Eu sou apenas um novato nesta cidade tentando aceitação, fazendo a adaptação necessária para que eu consiga sobreviver à rotina — acredite você precisa de muito dinheiro aqui para que diga que está “vivendo” — Há muito tempo, eu vim com ideais de que todos os meus sonhos aqui dentro seriam realizados, e eu poderia alcançar o céu caso eu me esforçasse muito! Mas, isso logo foi destruído pela dura e fria realidade da sociedade, onde, eu apenas sou uma mão de obra qualquer, descartável para qualquer patrão que me empregasse. Apesar de tudo isso, tentei não me deixar levar novamente para a zona de depressão... Era algo não muito agradável de vivenciar.
Meu maior sonho sempre foi me formar em Direito, conseguir um emprego como Diplomata de meu país, viajar e conhecer o mundo e tudo o que ele tem a me oferecer de bom e ruim. Mas a rotina do dia-a-dia me faz ver que este sonho exige certas responsabilidades, as quais eu tenho muito receio de não tê-las adquirido ainda. Bem, como vocês sabem, eu sou um universitário. Mas não se enganem pelo o quê a indústria hollywoodiana oferece a vocês nos filmes, seriados ou até mesmo livros acerca disso, ela não tem quase nada de belo. São trabalhos para todos os lados, pressões internas e externas, professores os quais, quase que em maioria unânime não estão nem ai se você está se esforçando na matéria ou não a entendeu. Você tem que aprender a se virar ali dentro, tem de tornar-se um sobrevivente do sistema educacional.
Apesar de nossa megalópe ser referência nessa parte de casais, comércios e algumas outras coisas envolvendo políticas internas e externas, o funcionamento das instituições educacionais não era lá muito aclamado pelos exames que mediam os níveis de rendimento regionais do país. Era como se eles se concentrassem apenas em um ponto e quase que esquecessem completamente os demais, principalmente os fundamentos básicos para um bom funcionamento da sociedade como um todo: a saúde e educação.
Esquecendo a parte chata, vamos voltar. Eu como universitário, tenho um horário quase que nada flexível para nada. Rotina de estudos para mim seria quase que o ideal, para que eu pudesse me aprofundar principalmente em assuntos diplomáticos, para que eu já me preparasse para o mesmo. Mas não existe tempo para isso! Eu tenho faculdade na parte da manhã e alguns dias da semana até mesmo na parte noturna, enquanto as tardes são ocupadas com meu estágio em uma grande companhia de advocacia, conhecida como “B&W Empreendimentos”. Meu trabalho lá se constituía de servir guloseimas para os engomadinhos ou arquivar/preencher uma pilha de papelada que me eram instruídas.
Geralmente nos dias em que tenho aulas noturnas, são mais presenciais, em tribunais espalhados pela cidade, para que os professores nos proporcionem uma “experiência de verdade!”. Mas não passavam de sessões de delitos leves, como multas de transito ou discussões acerca da genuinidade de algum teste de DNA (principalmente os que se remetiam à paternidade). A pior coisa que eu presenciei nestes dois anos que vou ao tribunal foi quando um cara foi preso pelo delito de andar na grama durante a madrugada — Sério – A parte que eu não contei é que ele estava pelado, mas vamos deixar fatos nojentos de lado.
Já estava se tornando monótonas as idas ao tribunal para ver apenas as pequenas causas, mas eu não me atrevia a faltar, pois representava quase que 70% da nota total. O professor tinha boas intenções para nos ensinar, mas não na prática não tinha muita desenvoltura... Dr. Benjamin Offstard era meu professor deste semestre, um advogado renomado país a fora. Em suas entrevistas sempre se apresentava elegante, confiante e também com um ar superior, mas acredito que com o passar de seus anos lecionando, percebeu que não era necessário se produzir todo para estudantes que ele acreditava não ter muito potencial, como no nosso caso. Quando está nos ensinando em sala de aula, costuma usar um moletom folgado e uma camiseta qualquer de uma banda dos anos 90’, como se o mesmo tivesse acabado de sair da cama e apenas jogado uma água na cara antes de começar as lições. Todos continuam respeitando-o, e até mesmo comentários pelas costas são abafados ao máximo — Por medo, ou talvez respeito mesmo – Não entendam errado, ele até podia ser um bom professor, mas algo deve ter feito com que ele desanimasse deste cargo para sempre...
Boatos surgiram ao redor da universidade, mais especificamente no setor de Direito de que o professor Offstard seria expulso da instituição por terem encontrado menores de idade em sua residência no campus junto a drogas e bebidas. Uma notícia um tanto quanto perturbador para ser sincero... Mas a mudança de professor poderia significar uma melhora na parte tributária — ou piora -. Por hora nós continuamos com ele, e realmente ele nas aulas sempre parece preocupado com algo, ainda mais distraído que o comum...
Voltando ao nosso assunto principal, quando não estou nos tribunais, ou eu faço bicos pelos restaurantes da cidade — Coisa que não falta por aqui – ou eu saio com meus amigos para tentar achar diversão nesta vida que levo. Eu sou um cara reservado, quase que nenhum amigo próximo de verdade, mas alguns eu posso destacar e até mesmo citar para vocês. Existem três, na verdade: John Khrushchev — o bêbado - Aldrien Murata — o geek - e também, Peter Jules — o nerd - Todos eles tem uma grande significância na minha vida, e por isso achei válido destacá-los aqui.
E foi naquela noite que tudo iria mudar...
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