Relatos de Adolescência
1 Diário da P.uberdade
Notas iniciais
Colégio. Horário do intervalo.
Poucas pessoas.
Uma garota ‘comum’ estava sendo intimidada encurralada contra o muro, uma grade de ferro que contornava o colégio, do lado de fora por um grupinho de três rapazes.
Estavam todos do lado de fora do mesmo.
Eu até que a conhecia, mas nem éramos próximos.
Bom, eu também fazia parte de um grupinho. Éramos até que populares.
Mas nunca intimidávamos os outros. Mesmo assim nossa fama também poderia ser classificada como ‘vândalos’.
Corri para ajudá-la.
Os três me encararam, com olhares de puro nojo e intimidação. Essa poderia ser uma típica rixa entre grupos, mas eu sei bem o porquê desses olhares.
Mesmo assim não cedi em tentar ajudá-la. Como poderia abandonar a ‘mina’ contra os marmanjos brutamontes?
Eles viraram os rostos e decidiram nos deixar sem maiores complicações.
Me aproximei dela, até ficar de frente.
— Como você tá? Tudo beleza? Acho que não te machucaram, mas quer ajuda?
— Não... Tudo bem. Só me encheram um bocado. Estou bem.
Até que era bonitinha...
Acabei apoiando o braço estendido em sua direção. Pressionando o muro com a mão um pouco próximo a sua cabeça.
Se fosse para dizer, acredito que agora parecia que era eu a intimidá-la. Pelo menos, era o que parecia visivelmente.
Só que foi por reação... Um impulso sem pensar. Não queria pressioná-la, ser um mala.
— Obrigada por me ajudar. Mas você dava conta daqueles ‘monstrão’?
— Duvido muito. Acho que ia apanhar um bocado. Mas eu meteria a porrada um monte, também.
— Oh. Ok. Então nós dois nos daríamos mal.
Ela falou. Aparentemente se deslocando pelo muro. Arrastando o corpo levemente. Escorada pelas grades. Uma típica ação de quem estava incomodada. Talvez eu devesse dar mais espaço.
Só que foi na direção diferente que esperava.
Ela se movia. Estava se aproximando levemente do meu braço.
Foi bem sutil. Levemente... Quase sem ser perceptível...
Me senti ‘motivado’ e posicionei o outro braço do outro lado de sua cabeça. Do mesmo jeito que o braço anterior...
‘Cheguei junto’, digamos assim.
Eu estava realmente ‘intimidando’ ela... Que péssima atitude.
Mas ela não parecia se importar. Acho até que tava gostando...?
Acabei soltando um leve sorrisinho.
Ela se aproximou um pouco e falou novamente “obrigada”.
Acabei me aproximando junto...
Ela moveu os lábios como quem iria falar algo. Mas nenhum som queria sair. Me movi também.
Mais perto. Mais próximo.
No ‘ângulo’ certo, se me entendeu.
Mas acabei virando o rosto a centímetros do alvo. Capturando um leve beijo na bochecha e um pouco dos lábios também.
Quis fazer uma de difícil.
Realmente. Foi muita maldade minha. Deu esta vontade de provocar. Só que não durou muito. Quando senti aqueles lábios quentes, o ‘gosto’ tão bom. A encarei e realmente rolou.
Começamos com um beijo leve. Dessincronizado. Era até um pouco ruim, falando francamente.
Mas foi mudando.
Começamos a nos acostumar ao ritmo... Tentando acompanhar... Até mesmo satisfazer.
Em pouco tempo, as sensações foram melhorando.
A tal ponto, que não queria mais largá-la. Já estava pressionando ela contra a grade e beijando profundamente.
Foi delicioso.
Só que tudo que é bom, acaba sendo atrapalhado.
Notei uma algazarra atrás dela. Do outro lado do muro. Parecia com dois alunos brigando.
Não uma briguinha ‘mansa’ de colegiais. Era, tipo, pancadaria de peritos!
‘Voadoras’, chutes, socos... Cada pancada parecia ter algum tipo de ‘arte marcial’. Sei lá, uma doideira.
É claro que os verdadeiros membros dos clubes de luta do colégio nunca iriam difamar e sujar a honra dessas técnicas ao se envolver em brigas. Então devo estar viajando.
De qualquer forma. Acabou atrapalhando o clima.
Parei de beijar.
Ela abriu os olhos, um bocado chateada comigo. Mas olhou na mesma direção que eu estava concentrado e entendeu o motivo.
Logo isso viraria um tumulto e chamaria atenção de outros estudantes desocupados neste intervalo.
O engraçado foi o que eu vi depois também.
O meu grupo dos ‘arruaceiros’.
Eles estavam descendo a rua. Se aproximando do colégio. Cada qual com o famoso ‘chilitão’ na mão. Salgadinhos.
Parece que os malandros saíram do colégio e foram comprar um lanche. E não me chamaram!
Filhos da mãe...
Bom. Eu também me dei bem, então tá firmeza.
Quando eles viram a cena como um todo:
Nós nos ‘pegando’; alguns marmanjos brigando que chegava a levantar poeira e vasos de plantas decorativos foram arremessados longe; concluindo com o leve tumulto de alunos curiosos se formando... Os pilantras que gostam de ‘atiçar’ ainda mais a briga.
Eles só podiam rir e tirar sarro da falta de sorte deles por terem perdido o início disso tudo de camarote.
Decidiram partir pra cima dos caras para separá-los, mas acabaram metendo o sarrafo também. Foi porrada por tudo que é lado.
Só não participei da farra por essa garota estar me segurando ‘daquela forma’. Estávamos bem ‘acoxados’, prensados muito um no outro...
Não achei ruim assim perder a diversão.
Acabei dando um leve selinho e a puxando pela mão até um lugar menos confuso.
Acabamos voltando pra dentro do colégio e indo pra aula...
Tanto faz.
Já que rolou essa ‘química’ tão forte entre a gente, agora é aproveitar pra quando tivermos sossego e saciarmos este impulso tão formidável.
Quem diria que por eu ter evitado uma briga, acabei ganhando a atenção da garota.
Tô nem ai se tem gatas mais bonitas no colégio e na sala. Ela beija bem...
#Continua...?
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