Relatos de Adolescência
10 Diário da E.ternidade
Notas iniciais
Muitos dias se passaram desde então.
Eu queria ficar cada dia mais perto dela, só que os festivais do colégio acabaram atrapalhando um bocado.
Tem sempre algo para cortar o barato...
Cada membro de clubes deveria apresentar alguma atividade. Seja artística, filosófica, científica, esportiva; shows em geral.
Quanto mais atividades o aluno participe, mais pontuação será acumulada. Podendo até substituir a pontuação das provas semestrais.
A melhor notícia é que nestes eventos não havia limitação de membros de outros clubes e o grupo poderia ser formado por alunos de diversas salas; independente de serem calouros ou veteranos.
Era óbvio que o meu time de futebol e basquete foi composto pelos meus brôs e eu...
Eu fui envolvido em mais dois clubes: o de culinária; e esse foi mó tensão... E o de interpretação; o famoso teatro.
Era uma espécie de musical.
Em ambos Stephanie e eu participamos juntos.
***
No futebol eu tava mó gelado. Petrificado...
Mas até que joguei o tanto que deu. Fiz só duas faltas brabas. Mas nem levamos nada...
No basquete, eu nem joguei. Mas fui chamado em cima da hora pra jogar no vôlei. Fiz alguns pontos e jogadas iradas! Nós fomos os campeões nele.
Bigode ganhou de lavada no xadrez e quase em dama. Além de ter conquistado com Pássaro, Cabeça, Mosquito e charmoso no handebol.
Cabeça ia participar das paradas desses jogos de tabuleiro também, mas acabou bem ocupado com outras atividades... Tipo como eu tava.
Pássaro e Dedão fizeram parte das competições de skate e hip-hop. Foi mó iradão.
Raw também tava na maioria desses esportes, mas pela turma dele. E ele também fazia mais outro papel... O cara era o apresentador nestes eventos. Tava com tempo pra nada...
Charmoso nem quis fazer muitas paradas. Só os jogos e os eventos de arte. Participou de um monólogo muito irado que fazia a gente filosofar sobre o valor da vida...
No fim, o nosso grupo ganhou um monte de eventos competitivos.
***
Eu e Stephanie nos esforçamos pacas pra fazer um cardápio de comidas doces e salgadas.
Tinha bolo; tortas; coxinhas; comidas tropicais.
Vou te contar, eu nem sabia que cozinhava aquilo tudo. Mas fizemos mais de dez pratos diferentes.
Foi frenético a bagaça.
Esses pratos ficavam a amostra na prateleira. Os manos chegavam, pegavam um bocado e davam sua nota depois de provar.
A gente levou muitas boas avaliações e acabamos em segundo lugar, no geral. Fiquei animadaço. Não só por ter me saído tão bem, mas porquê foi com ela que eu levei essas boas notas.
A gente se abraçou em comemoração.
***
O último evento do qual eu participei foi no do teatro.
A gente se reuniu e optamos por fazer uma ‘homenagem’ com a música “Caminhando e Cantando”, de Geraldo VandréN.
Cara, foi mó emocionante. A gente ensaiou pra cacete. E na hora do ‘show’, nossa. Foi uma energia radical.
Mosquito e Stephanie tavam no violão, um fazendo a ‘segunda voz’ por outro. Bem, não manjo muito dessas doideiras; mesmo com eles me explicando direto... Enquanto os outros manos e eu fazíamos a parte de cantar e recitar.
Caraca, o que as pessoas que passaram por toda aquela barbaridade não sofreram... É muito triste pensar nisso, então, voltando ao evento...
Bom, nessa apresentação, nem era uma competição. Só liberdade artística. Então nos saímos de boas.
***
Os últimos eventos foram os que mais puxaram as forças da minha galerada.
Mosquito se apresentou com sua banda. Os caras tocavam muito! Era só músicas de ‘letra’; de sentido. Com sentimentos... Era muito massa.
E fui surpreendido por Stephanie que também se apresentou mais duas vezes.
Na primeira com o grupinho das mina dela. Foram músicas bem radicais e energéticas. Mó rock irado!
E depois no solo. Com aquelas músicas calmas; country, que só ela sabe tocar daquele jeito.
Ela nem me contou que tava indo fazer essas apresentações.
Foram quase no final do festival. Eu já tava cansadão dos perrengues todos desses dias agitados. Nem tava com muita vontade de fazer mais nada... E ela com essa motivação que nem sei como!
Já imaginou se eu não tivesse vindo ver? Ia ficar mó pra baixo por ter perdido o show da minha gata. Que bom a amiga dela ter quase me obrigado a ver esses últimos eventos.
Acho que as duas tavam de combinados sobre isso. Mulher gosta desses lances.
Foi um momento muito bom; participar disso tudo.
Fiquei mó felizão por ela tá tão bem no palco.
E as palmas e assobios no final. Eu também ‘arrebentei’ a garganta pra comemorar.
Foram berros de tudo quanto é direção. Foi mó galera curtindo o show.
***
Quando todos esses eventos passaram, foi nos dado um período de férias.
A transição semestral...
Eu tava um pouco animado por isso, mas fiquei meio que agoniado.
Era quase um mês sem ver a minha namorada. Tava chateado.
A gente estava com esse lance tão bom rolando entre a gente e vem esse tempo todo pra nos distanciar.
Eu entendo que espaço e vida pessoal é um lance importante; e que um não deve se intrometer demais na vida do outro pra não sufocar. Mesmo assim, esse sentimento é muito forte. tava difícil me fazer de indiferente quanto a ele...
E outra vez fui surpreendido com as ideias dela.
A gente combinou de passar esse tempo juntos.
Reservando as primeiras duas semanas com ela na minha casa e as outras duas com eu na casa dela.
A gente nem tinha nada melhor pra fazer sozinho em casa, mesmo. E passear juntos era bem melhor.
Cara, essa passou a ser a melhor férias da minha vida!
Até o próximo mês, colégio bom;
Meus amigos;
E trabalho.
Hé-hé-hé.
Como minha vida mudou nesse pouco tempo.
“Agora é botar pra quebrar!!!”.
.
.
.
#Continua...? No Volume 2!
Fale com o autor