8 de Dezembro de 2000

__Primeiro Ato__

Dez segundos separam a vida da não-vida, mas, do cano de fogo tudo é mais rápido. O que sai da boca fere a si mesmo.

–--Minha Casa---

Trombetas batem em meu cérebro, ouso lagrimas e choro, o sol esquenta a sombra bate em mim...

Grito alto e vejo que os gritos tremem o céu... Muraria cai!

Corpo fétido não sai de cima de mim!...

–--Chão---

Está frio, a terra está húmida. Parece de cemitério...

As nuvens céu lindo, poderia chover.---Areia---

Estou fugindo de quem?

–--Rua---

Um corpo nu.

Todos somos amigos.

O sol bate forte com raios na minha frente.

Crianças se escondem.

A lua, nas costas, cobre com as sombras as minhas lagrimas...

Tudo virá pó...

– É vergonha a comunidade! Filha feche os olhos e se esconda; menino esqueceu-se de tudo, eu prometi que darei tudo; agora venha aqui, me dê sua mão, o ajudarei; venha tomar um chá.

–--Silêncio---

Virei-me, sangue em minha mão. A machuquei, medo, sonhos, promessas vejo que não são somente minhas.

– Dois a cinco centavos!

Esqueci...

– Você está pisando no meu pé!

Oh! Agora compreendi. É tudo peça do mesmo circo...

Jogo-me no asfalto...

Nada acontece.

É... Sou palhaço, o astro sou eu, nunca vi uma multidão tão grande.

–--Cinema---

Ver não é desespero e não se assuste, sou apenas uma serpente.

Não duvido de nada, são apenas palavras.

Venha comigo e feche os olhos, não quero que seus pais vejam o que vai sentir. Somente desça os degraus e deixe que seus pés lhes guiem...

Agora abra os olhos, eu sei que não vê nada, seus olhos terão que se acostumar com a escuridão, mas quero que só sinta o cheiro, não a mim.

Imagine e veja.

São as rosas que colocaram no tumulo.

Não é meu, nem seu.

Mas não foi para isso que lhe trouxe aqui.

Quero que você desperte e não morra, confio em você.

__Segundo Ato__

–--Natal---

Eu quero um fim.

Este fim começará com você.

Se assustou!? Hahaha...

Agora que já veio aqui, não há como voltar.

Saiba que você é um profeta e os fatos que virão nada poderá fazer para evita-los. É filho da terra e seus pés ficam pregados sobre esse solo. Seus olhos ficarão cegos a tanto horror, como os meus ficaram.

Sentirá os humanos em tua carne e não fará nada, pois estará em pena.

–--Paraíso---

Veja!...

Segure em minha mão, não olhe para baixo.

A distância é assustadora, mataria qualquer homem.

Antes do tempo tu terás que saber quem é...

O que ver?

‘Vejo, fantasmas me incomodando...’

Não Acredite apenas em que seus olhos veem.

‘Vejo, uma mulher amamentando seu bebê e um homem de manto negro observando-a em seu cavalo... Uma arvore dourada... Os dois observam uma cratera.’

–--Vida---

Você estará sempre no meio do caminho.

Transforme o chumbo da sua vida em ouro.

Quem sobre essa terra é perfeito?

__Terceiro Ato__

Sinta-se em casa, não se incomode por tudo estar bagunçado;

A Ira, A Mascara, A Discórdia, A Boneca e o Pendulo.

Eis minha coleção de histórias...

Notas finais
Essa foi um pequena coleção de textos produzidos por mim em 1999 (a 2000). Foram elaborados para esconder num diário fatos importantes e relevantes sobre a minha vida que não pretendia revelar para ninguém. Mas sobretudo foi o inicio da criação de textos mais complexos e elaborados que se prosseguiram nos anos seguintes, que mais contribuiram ao processo criativo. Os contos de Relatos Psicodélicos foram frutos de autoanalise psicológicas sobre diversas questões que rondam a vida (e internamente), assim como serviu de experimento de utilização de diversos métodos textuais, com o objetivo de quebrar diversos paradigmas da literatura e de explorar novos elementos dentro da experiência da escrita. Sei que a maioria de vocês jamais apreciariam essa forma de escrita, pois foram treinados a gostarem do comum e do que é popular, mas mesmo que esses textos tenham sido feitos por mim, até hoje me admira tremendamente por ter criado algo de tão profundo conteúdo e harmônico em sua complexidade.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!