Notas iniciais
E ai pessoal, como estão?
Quem leu a minha shortfic ShikaTema para o Desafio de Maio, a Encontro ao Acaso, sabe que eu fiz um Kankuro extremamente chato. Como recompensa, fiz essa oneshot bem focada nele. Espero que curtam :)

Kankuro suspirou enquanto se sentava na cadeira do Kazekage. O Damyou do País do Vento havia solicitado uma reunião de urgência e o irmão mais novo teve que ir viajar o deixando cuidar da papelada durante esses dias. Ele não gostava nada de ficar com aquela papelada, preferia ter ido junto, mas desde o recente noivado da irmã, parecia que Gaara não queria desgrudar dela, levando Temari como sua guarda costas no lugar dele.

O noivado não era exatamente oficial. Cerca de uma semana atras, Temari voltou de Konoha numa alegria nunca vista antes comentando que finalmente Shikamaru havia lhe pedido em casamento. Ele e Gaara ficaram felizes pela irmã, sabiam o quanto ela era apaixonada por aquele homem e ambos sabiam que Shikamaru a correspondia, além de ser um incrível ninja e o futuro conselheiro de Naruto Uzumaki, o bobalhão de Konoha que fez Gaara abrir seus olhos, além de ter sido importante para decisão da Guerra. Contudo, o conselho de Suna era altamente conservador e para oficializar o noivado apenas com a aprovação deles. Casamento entre pessoas de outras vilas eram complicados no mundo ninja e a coisa só piorava com Temari sendo irmã do Kazekage.

De todo modo, Temari havia dito que o processo começaria em Konoha, onde o conselho de lá aprovaria a proposta que seguiria para o Hokage. Este enviaria uma carta formal a Suna e o conselho de Suna votaria para então o Kazekage dar a palavra final. Quanta burocracia só para os dois poderem casar, pensou Kankuro. Pelo menos isso demoraria tempo suficiente para que Gaara retornasse e ele não tivesse que lidar com o conselho de Suna.

Retornou a olhar a papelada tentando adiantar o trabalho do irmão. Como Gaara suportava uma vida chata dessas? Ele preferia estar lá fora no meio da Areia treinando jovens shinobis ou estar no lugar de Temari como guarda do caçula. Com toda certeza Temari lidaria com a papelada melhor do que ele, ela sempre soube lidar com esse tipo de coisa melhor.

Três batidas na porta o fizeram levantar e responder um entre. As portas do escritório se abriram revelando um homem com aparência de uns vinte e poucos anos e três crianças de 12, um time de genins.

—Boa tarde, onde está o Kazekage-sama? – perguntou o homem mais velho. Kankuro já havia visto o rapaz algumas vezes, mas nem mesmo sabia seu nome.

—Ah, ele está em missão. – respondeu Kankuro nada muito formal. –Ele me deixou responsável durante esses dias. Vocês vieram receber a próxima missão de vocês, certo? – os quatro concordaram com a cabeça. Kankuro pegou um pergaminho em que listavam missões de nível D, deu uma pequena olhada se perguntando como um dia fizera missões tão bobas.

—E então? – perguntou o líder jounin da equipe percebendo que Kankuro demorava demais a sua leitura.

—Ah, essa é boa! – disse o manipulador de marionetes colocando o dedo na descrição da missão. –O Sr.Kitamura, que vive na fronteira do norte da aldeia cria escorpiões e parece que um dos espécimes mais raros sumiu, ele solicita uma equipe de busca.

—Como procuraremos um escorpião?- perguntou o menino moreno, o mais baixo dos três genins.

—Ah, vai ser mais fácil do que vocês imaginam, está escrito aqui que esse espécime tem cerca de 50 cm de comprimento.

—Cinquenta centímetros? – falou a menina do grupo com voz trêmula, Kankuro apenas riu.

—Se acalmem, ele não é venenoso e não deve ter ido longe. – disse entregando o relatório que tinha ao líder jounin. –Boa missão para vocês.

Após a equipe ir embora, Kankuro sorriu. Certo que Gaara era bastante assustador quando os três eram genins, mas ele sentia falta de quando as missões eram mais tranquilas e ele não tinha tantas responsabilidades. Mesmo sendo novo, ele se sentia como um velho, já era responsável pelo treinamento de vários jovens e já estivera em uma guerra. Experimentara a sensação de quase morrer mais vezes do que podia contar nos dedos. Aqueles genins medroso mal sabiam a sorte que tinham, o rapaz pensou retornando sua atenção o que estava fazendo antes da chegada da equipe..

Incrivelmente, o dia passou rápido. Quando resolveu parar de ver a papelada, os céus do deserto já estavam tingidos de um vermelho forte e a temperatura começaria a cair, fazendo com que todos fossem se abrigar no conforto de suas casas. Contudo, mal teve tempo de relaxar contemplando a bela paisagem do deserto quando uma figura conhecida entrou na sala.

—Ah, Kankuro, é você. Pensei que Gaara só partiria amanhã pela manhã. – comentou Baki, o antigo sensei dos irmãos, uma das raras pessoas que se referiam ao Kazekage pelo seu próprio nome -Bom, já que está no lugar dele, venha logo, reunião semanal com o conselho.

Reunião com o conselho, Gaara o havia alertado sobre isso já que saíra mais cedo da vila. Esse era o tipo de situação que Kankuro gostava de evitar, odiava ter que falar com os velhos sobre assuntos que já eram de conhecimento de todos, e depois ainda ouvi-los pedir favores pessoais. Ele achava que já tinha passado da hora de renovar esse conselho de Suna, contudo sua vila era tradicional demais para isso. Pelo menos Gaara havia feito o favor de deixar aquele relatório da semana pronto.

Com toda a calma que possuía, leu o relatório aos anciãos. Era inútil? Provavelmente, mas o Kazekage não ficaria nada feliz se soubesse que seu irmão havia feito um mal trabalho ou ter sido rude com algum conselheiro. Ao terminar, percebeu todos os olhares a sua volta um pouco curiosos, era a primeira vez que Kankuro ficara no lugar de Gaara.

—Bom trabalho, Kankuro. – disse o ancião Toujuurou, o segundo mais influente por ali. -Mas me permite perguntar por que o Kazekage saiu antes do previsto?

—O senhor Kazekage sentiu uma forte tempestade de areia vindo,e, tendo em vista a importância de sua reunião com o Daymiou, ficou apreensivo de ficar preso na tempestade e acabou partindo antes da hora deixando-me substituí-lo por esse período de tempo. – o rapaz respondeu formalmente, Gaara de fato, decidira sair em cima da hora justificando a provável tempestade de areia.

—E por que Temari foi na escolta desta vez? – perguntou um outro ancião o qual Kankuro esquecera o nome. -Normalmente, ela quem ocupa o lugar quando o Kazekage precisa viajar.

—Por ser melhor nos discursos diplomáticos, Temari foi escolhida para acompanhá-lo para essa reunião de tamanha importância para vila.

—Bom, Kankuro, temos um outro assunto a tratar a respeito da sua irmã. – começou Ebizou, o chefe dos anciãos. -Hoje pela manhã, recebemos uma correspondência de Konoha. – Kankuro paralisou nesse momento, mas manteve a expressão impassível. Aquilo havia chegado tão rápido assim? Provavelmente Shikamaru já estava com tudo planejado quando fez a proposta a sua irmã. Era claro, aquele rapaz cuidara de tudo que podia. -Sendo aprovada pelo conselho de Konoha e pelo próprio Hokage, a carta é um pedido de Nara Shikamaru para desposar sua irmã, Sabaku No Temari. Nós conselheiros já chegamos a uma decisão sobre o assunto.

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Ele podia sentir a tempestade de areia se aproximando. Se não acelerassem o passo, ficariam presos nela por tempo indeterminado.

—Acelerem o passo até que eu ordene o contrário. – disse Gaara numa voz calma, porém firme. Sabia que se avançassem alguns quilômetros em poucas horas, eles estavam livres de qualquer empecilho. Não seria problema para ele sozinho, porem era difícil acelerar com um grupo grande de escolta.

Gaara não entendia porque precisava de mais cinco ninjas além de sua irmã para fazer sua escolta, ele podia até mesmo viajar sozinho sem correr grandes riscos. E se algo muito pior acontecesse, Temari era forte o suficiente para os dois darem conta de uma situação. Um grupo grande de ninjas apenas chamava a atenção e os atrasava, porém eram exigências do conselho.

Depois de varias horas correndo junto a escolta, Gaara sinalizou a todos que já podiam parar, já estavam fora da zona de risco. Todos já estavam muito cansados, correr no deserto com um sol de 50°C não era para qualquer ninja, mas todos ali haviam crescido na Vila da Areia e aprenderam a aguentar esse tipo de situação. Gaara sentou-se no chão de areia contemplando o por do sol tão vermelho quanto seus cabelos.

—O que houve? – perguntou Temari sentando-se ao seu lado.

—Nada. – Gaara respondeu sem olhar para o rosto da irmã.

—Gaara. – Temari disse calmamente, fazendo-o estranhar. –Fale logo, o que te incomoda? Já passamos pelo risco da tempestade de areia, como você mesmo sinalizou e eu sei que tem algo te incomodando que não tem nada haver com tempestade. Você vai me contar por bem ou por mal? – e ali estava a Temari que ele conhecia. Existia maneira de mentir para sua irmã? Ele suspirou.

—Última coisa que fiz antes de sair de Suna, foi chegar o e-mail. – o ruivo comentou, ele ainda não tinha se familiarizado com esse tipo de tecnologia, mas admitia que era bem útil.

—E então? – Temari perguntou já inquieta.

—Kakashi me enviou um e-mail ontem à noite informando que o pedido do seu casamento chegaria hoje pela tarde.

—O que? – Temari segurou o irmão pelos ombros. –Como assim você deixou Kankuro responsável por convencer o conselho sobre o meu casamento? – ela sacudiu o irmão pouco se importando se aquele era o Kazekage da Vila da Areia. –Gaara, o conselho vai negar! Kankuro sabe sobre isso?

—Não. – ele viu os olhos verdes da irmã se arregalarem ainda mais, fazia tempo em que não via Temari tão nervosa. –Eu não podia adiar a viagem e Kankuro se recusaria a ficar no meu lugar de soubesse.

—Por isso mesmo ele deveria saber! – sacudiu ainda mais o ruivo. – E eu! Estamos falando do meu casamento! Você deveria ter trazido Kankuro no meu lugar!

—Eu pensei nisso. – disse Gaara tirando as mãos da irmã com delicadeza de seus ombros e as segurando. –Mas eu realmente preciso de você nessa reunião, para o bem da nossa Vila. Além disso, confio em Kankuro. Duvido que ele vá fazer algo que nos prejudique.

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—E então? – perguntou o Kankuro desconfiado. Os conselheiros tinham realmente que fazer tanto mistério?

—Nós negamos. – respondeu Ebizou em tom decidido.

—O quê? – Kankuro perguntou surpreendido. Onde estava Gaara nessas horas? Por que havia sobrado para ele aquela situação? -Não! Por que?

—Shikamaru é um homem de Konoha. – começou o ancião que Kankuro não conseguia lembrar o nome, era alguma coisa com A? Pouco importava. -Suna é uma vila que dá a devida importância nas relações sanguíneas. Chegamos à conclusão de que Temari deveria se casar com um homem do País do Vento, isso nos manteria mais unidos. – tão unidos que Kankuro não se lembrava do nome de metade do conselho, nem mesmo do jounin que viu mais cedo, e este devia ter idade próxima à sua.

—Ouvi dizer que o Daymiou tem um filho em idade de casar... – começou a dizer um terceiro conselheiro. Kankuro respirou fundo antes de interrompe-lo, por seus irmãos, precisava manter a calma.

—Pra começar, não vou oferecer minha irmã para filho de Daymiou coisa alguma. Temari é uma mulher livre e só se casará se esta for sua vontade. – ele respirou fundo mais uma vez, precisava manter a calma. -Acho que temos outros modos de nos manter unidos além de obrigar a irmã do Kazekage a casar com alguém que não é de seu interesse. Além disso, devo-lhes lembrar que Nara Shikamaru é de um dos clãs mais influentes de Konoha além de que, futuramente, ele será conselheiro de Uzumaki Naruto quando este se tornar Hokage.

—Continua sendo contra os nossos valores Temari se casar com alguém do País do Fogo. – concluiu Ebizou fazendo Kankuro respirar fundo mais uma vez. Aquela vida não era para ele, ele devia estar lá fora no meio do deserto treinando os mais novos. Esperava que Gaara não soubesse disso antes de sair da Vila, porque se soubesse, Kankuro seria preso por tentativa de assassinar o Kazekage. Respirou fundo mais uma vez. Não iria desapontar sua irmã.

—Konoha e Suna sempre tiveram relações muito estreitas. Temos um pedaço de terra fértil cedido pelo Primeiro Hokage. Konoha nos perdoou quando rompemos a aliança com eles e os atacamos junto à Aldeia do Som. – ele olhou a expressão dos anciãos, todos pareciam neutros ao seu discurso. -Devo-lhes lembrar que quando Gaara foi levado pela Akatsuki, Konoha mandou excelentes times para resgata-los, onde estavam presentes o atual Hokage e Uzumaki Naruto. Também vale lembrá-los que eles mandaram a segunda melhor ninja médica que tinham para me curar do veneno, pois a melhor era a Hokage da época, e se não fosse por Haruno Sakura, eu não estaria aqui hoje conversando com vocês.

—Nós também fomos solidários a Konoha em diversas situações! – esbravejou mais um conselheiro que Kankuro não lembrava o nome. Total sinal de união.

—Eu sei, muito bem colocado. A história das duas vilas interligam-se o tempo todo, certo? Então por que não estreitar ainda mais a relação entre as duas?

—Porque Temari é da linhagem do Kazekage e é seu dever manter essa linhagem dentro do País do Vento. – disse Toujuurou impaciente.

—Engraçado você dizer isso, Temari é da linhagem do Kazekgae.- disse Kankuro calmo, mas porém com deboche, aquilo estava irritando-o. –Se me lembro bem, quando meu pai morreu, vocês ofereceram o posto de Kazekage a mim e depois a Gaara. Nem mesmo a cogitaram, mesmo ela sendo a mais velha de nós três, a que sabe lidar melhor com assuntos diplomáticos e sofreria bem menos oposição que Gaara. – ele colocou a mão no queixo fingindo uma expressão pensativa. – Qual era o motivo mesmo? Ah, claro, pelo fato dela ser mulher. Então acho que se Temari não poderia ser Kazekage de acordo com as regras de vocês, então vocês não deveriam se importar tanto sobre com quem ela vai casar.

Todo o conselho olhou horrorizado para Kankuro, Gaara nunca jogaria tantas verdades no ar.

—Mas e se ela e o Nara tiverem um filho e algo acontecer a você e Gaara? Não podemos ter uma criança de um clã influente de Konoha como nosso Kazekage. – disse Ebizou. Ele entendia que o casamento de Temari com Shikamaru traria benefícios para ambas as vilas e se envergonhava do conselho ter recusado Temari como Kazekage, mas o que faria numa situação como a que estava sugerindo?

—Tenho certeza de que o conselho é capaz de pensar em algo. – Kankuro respondeu educamente. –Agora por favor, considerem o pedido de casamento de Nara Shikamaru.

—E se isso significasse que você teria que se casar? – Toujuurou perguntou com um sorriso sarcástico no rosto e Kankuro engoliu a seco.

—Bom, acho que a linhagem do Kazekage deve ser passada de pai para filho, não de tio para sobrinho, a não ser em situações extremas. – respondeu Kankuro, ele sabia que falavam do seu casamento para que ele fosse atrás da sua decisão de que deveriam aprovar o casamento de Temari.

—Tudo bem, Kankuro, o conselho vai repensar sua decisão e passar adiante ao Kazekage quando este retornar, certo? Obrigado por compartilhar sua opinião. – Ebizou fechou a reunião e Kankuro saiu da sala orgulhoso de si mesmo.

Pelo olhar dos conselheiros, sabia que os havia convencido e Temari ficaria feliz quando seu pedido de casamento fosse aprovado. O rapaz voltou para casa feliz, nem percebendo nas consequências que a sua última fala poderia gerar.

Notas finais
E então, o que acharam? Deixem seus comentarios :)
Sim, eu li a novel do Gaara e quero deixar algumas considerações para quem leu.

ALERTA DE SPOILER

Eu achei esse conselho de Suna MUITO escroto e quando eles falam no inicio da novel pro Gaara "até nós concordamos" eu sempre imaginei que teve alguma resistencia, mas pela descrição, parece que Gaara não acompanhou o processo.
E eu tambem nunca aceitei muito bem o conselho dizer que Kankuro quem disse que Gaara deveria se casar logo. Sei lá, o conselho de Suna me parece tão escroto que sempre tive a sensação de que eles distorceram as coisas.

E eu sempre me perguntei por que eles colocaram Gaara como Kazekage já que as pessoas tinham tanto medo dele na vila. Acho que é imaginavel que Kankuro fugisse da responsabilidade, mas não consigo ver a Temari fazendo o mesmo. Então eu pensei nessa possibilidade: nunca a cogitaram.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!