Relógio Imaginario
3 Cap 2- pode confiar em mim
Notas iniciais
Presos em uma pequena cela,estavam duas crianças—5 e 6 anos respectivamente-,machucadas,atormentadas,traumatizadas,vendidas como escravos para demônios,os garotos estavam sendo transportados em um suposto caminhão de carga,junto de varia outras crianças na mesma situação,junto com a tristeza de cada coração que ali se encontrava,o silencio era cortado por choros e gritos de lamentação de órfãos de 4 a 11 anos,e ali,encolhidos naquela cela estavam dois desconhecidos, a criança mais nova chorava com a cabeça entre os joelhos,e aquele pequeno emaranhado de cabelos loiros descia até seu pescoço,fazendo cachos de ouro,a criança mais velha sentada do outro lado da cela olhava fixamente o outro com aflição,e sofria a cada segundo,como se cada lagrima atravessasse seu peito como uma flecha envenenada e cada soluço fosse um soco em seu estomago,mesmo não conhecendo o garoto na sua frente,sentia um desejo forte de ajudar,todos ali sabiam como era a vida em um orfanato da vila do pecado ,e não era uma das melhores ,forçados a amadurecer rápido,sofriam na mão do mantes mais velhos e mais poderosos.
Haviam se passado 20 minutos dede que foram colocados lá dentro a força,em celas que mais pareciam gaiolas apertadas,existiam pequenas janelas lá em cima,perto do teto do veiculo,o que deixava o ar circular
Quando aquela cabeleira loira havia parado de chorar,e o resto das muitas crianças ali estavam dormindo de exaustão,haviam-se passado 2 horas,o mais velho sentiu-se na obrigação de consolar o pequeno que agora sentava agarrado nas grades olhando para o nada
–ei...qual o seu nome?-disse a criança mais velha,com uma voz rouca e baixa atraindo a atençao do menor,que dirigiu seus olhos azuis, vermelhos de tanto chorar diretamente nos olhos negros do outro,e com um sussurro macio respondeu
–meu nome? Eu não...eu não tenho um nome,ninguém me deu um até hoje-disse triste,olhando pra baixo
Com uma inocência infantil o mais velho chegou mais perto do mais novo e disse espantado
–sério? Mas... isso é horrível!
–eu sei...-disse o menor amuado,prestes a chorar de novo
–não ,não ,não chora,eu vou te dar um nome incrível,sabe,você vai até ficar feliz,deixa eu só pensar...e...ah!eu sou Nico,só pra você saber mesmo-disse olhando de relance para o menor,que agora sorria timidamente em meio a todo caos que passava,depois de alguns minutos o pequeno respondeu
–ei Nico,você jura que meu nome vai ser incrível mesmo?
–eu juro-nico sorriu pra ele
–você...sabe por que a gente ta aqui?
–não sei,mas eu acho que tem a ver com os mantes de sangue,eles são caras maus-ele disse sussurrando no ouvido do loiro-mas ninguém pode saber que eu te falei isso,se não eles podem bater na gente de novo
O menor assentiu com a cabeça,olhando nos olhos de Nico
–pode me falar qualquer coisa que eu não vou falar pra ninguém não ta?pode confiar em mim-disse sério,assustado,e começando a tremer com a idéia de apanhar novamente
–o que foi?Porque ta tremendo assim?
–eu to com medo -o menor disse começando a chorar novamente-eles vão fazer coisas ruins com a gente né? E se eles nos mat-matare...-não conseguiu terminar a frase
Nico abraçou o novo amigo
–se eles tentarem fazer alguma coisa com você eu vou te proteger ta bom?não vou deixar eles te fazerem chorar de novo-sussurrou pro loiro e afrouxou o abraço se sentando do lado dele-pode confiar em mim.
Disse e se sentou na mesma posição do outro,abraçando os joelhos e com a cabeça de lado olhando naqueles olhos azuis,o menor falou entre os soluços com um pequeno sorriso inocente
–obrigado
Nico também sorriu,e eles continuaram lá,naquela pequena cela,naquele grande caminhão,indo por um caminho desconhecido.O silencio prevaleceu pelo resto do percurso,que durou horas,dolorosas horas de sede e frio,brisas geladas que saiam das pequenas janelas e cortavam a pele daquelas frágeis crianças como facas bem afiadas,fazendo a junta de todas doerem e seus pequenos queixos baterem fortemente,e a cada segundo,aquele frio congelava parte a parte seus corações,ate que alguns,parassem de bater,e alguns,ficassem mais fortes a cada segundo.
Uma verdadeira amizade que resistiria a quase tudo tinha acabado de surgir bem ali.
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