Reis e Rainhas.
6 Novo Ano
– Melody.
– Acorde Melody! Acorde, acorde, acorde! – disse Lira. Eu abri meus olhos. Minha irmãzinha dançava por nosso quarto. Rodopiando em sua camisola como se estivesse em um vestido de gala. – Ah Melody – ela exclamou sorridente. — Hoje é ano novo! Vai ter uma festa linda, e todos virão, e....
Eu me levantei. Sorrindo. Lira ainda rodava pelo tapete, como se dançasse com seu príncipe encantado. Foi nessa hora que Helena entrou em nosso quarto.
– Ah meninas! – ela exclamou, sorrindo – Já de pé, que bom. Temos muitas coisas para fazer hoje. As duas para o banho, já – ela disse.
– America.
Eu acordei na cama de Maxon. Ele ainda dormia quando eu me espreguicei e me levantei, caminhando até a janela. O dia amanhecia lindo la fora. Seria um dia cheio. Teríamos um comunicado no Jornal Oficial, e câmeras por todos os lados, mostrando o ano novo da família real. Pelo menos a preparação dele. Depois, minha família passaria uns dias no castelo, junto também com a família da rainha. E por fim, a festa de fim de ano.
Eu suspirei, teria que começar a me preparar cedo. Eu estava pronta para voltar para meu quarto e chamar minhas criadas quando olhei de relance para a cama, e Maxon me olhava.
– O que você está fazendo? – perguntei, caminhando até ele.
– Admirando você – ele disse com a voz rouca. – Eu nã consigo entender como você consegue ficar estonteante para uma festa, quando está toda produzida, e parecer um anjo quando acorda e vai a janela, com as luzes da manha banhando seus cabelos.
– Parece que alguém acordou meio poeta hoje – eu disse beijando-lhe os lábios.
– Com uma musa inspiradora como você, não é difícil ser poeta. – ele respondeu, virando-se na cama para me olhar nos olhos.
Eu ouvi a porta se abrir ao fundo, e passinhos entrando correndo. A voz de Helena gritava ao fundo. – Garotas! Vocês não podem ir entrando assim no quarto de seus pais!
Melody e Lira entraram como um furacão. Elas já estavam lavadas e arrumadas para o dia. Melody usava um adorável vestido verde e um laço na cabeça. Lira usava azul claro e um laço branco. Helena vinha logo atrás, carregando o pequeno Miguel nos braços. O bebe, agora com oito meses, estava grande com um grosso cabelo castanho e grandes olhos azuis safira.
Quando Helena viu que eu e Maxon estávamos deitados, na mesma cama, ela enrubesceu.
– Vossa Alteza, mil perdoes, eu vou me retirar. Meninas, venham! – ela disse, olhando o chão, envergonhada.
– Obrigada Helena, as meninas e o pequeno Miguel podem ficar – eu disse tomando o bebe nos braços. Helena fez uma reverencia desajeitada e saiu as pressas do quarto.
As meninas sorriram uma para a outra e pularam na cama, onde Maxon ainda se deitava. O pai abraçou as meninas, que riam. Suas tranças se desfaziam quando ele fez cócegas nelas. Maxon era com as meninas tudo o que o Rei Clarksson nunca fora com ele. O rei nunca havia brincado com o menino, apenas o punia, e o mais próximo de afeição foi um conversa distante sobre politica. Maxon, por outro lado, brincava com as crianças sempre que tinha oportunidade.
Quando as meninas se cansaram, Maxon pegou Miguel de meus braços, e o jogou para o alto. O bebe gargalhava. Depois de quase uma hora rindo e brincando com as crianças, eu e Maxon decidimos nos arrumar para o dia.
Eu fui para meu quarto com nossos filhos, onde chamei minhas criadas e damas de companhia.
A doce Suy pegou Miguel. O principezinho tinha verdadeira paixão por ela.
– Como vai Lucas, Laura? – perguntei a minha dama de companhia, que tinha acabado de ter um garoto forte e sadio.
– Muito bem, vossa Alteza – ela respondeu.
– Laura, não estamos na frente da corte, e vocês são minhas amigas, eu já disse que prefiro que me chamem de America.
– Ele está ótimo, America – ela me olhou sorrindo – Teve uma febre algumas noites atrás, mas já está muito melhor.
– E você Rose? – eu perguntei, me virando para a garota do dois. – Já achou seu príncipe encantado?
Rose corou como uma garotinha. O que, na verdade, ela era.
– Beeeem – ela disse sorrindo. – o filho do duque, Maurice, parece interessado em mim.
Todas nós rimos, e ela riu conosco. Minhas criadas chegaram, carregando nos braços um lindo vestido.
– Desculpe a demora – disse Anne – Estávamos dando os últimos ajustes em seu vestido...
Minhas damas todas olharam, curiosas, mas Mary logo colocou o vestido no armário.
– ... que vocês só verão na hora da festa – concluiu Anne.
– O meu vestido é lindo! – disse Lira. Ela dançava nos pés de Leticia, que rodava com ela pelo meu quarto.
Melody ganhava uma nova trança pelos dedos delicados de Lucy. Assim que ficamos todas prontas, finalmente descemos.
Maxon nos esperava nas escadas. As câmeras estavam abaixo, ansiosos para gravar nossas vidas. Eu tinha colocado um vestido simples e levava o pequeno príncipe herdeiro no colo. Maxon estava ao meu lado, me conduzindo pelo braço. Melody segurou as mãos de Lira, e assim descemos.
Eu havia me acostumado com as câmeras. Melody não gostava delas, mas as suportava, como uma dama, ela exibia perfeita graça. Lira acenava, contente. Ela era a princesa do charme, sempre simpática e sorridente, me lembrava muito May.
Depois do “assedio matinal”, como Melody chama as câmeras, nós tomamos café e fomos para as salas das mulheres. Helena, ainda envergonhada pelos acontecimentos da manha, ficou com Miguel no colo. Minhas damas estavam lá, tricotando, conversando, ou brincando com as meninas. A rainha chegou logo depois, as damas delas foram fazer suas coisas, e ela sentou-se ao meu lado, com aquele doce sorriso encorajador.
– Mais um ano – ela disse suspirando. Pude ver que as rugas já se alojavam ao lado de seus olhos. A rainha tinha trabalhado duro des de que casara com o rei.
Um arrepio correu minha espinha. O rei também não parecia ter sido bom suporte para ela.
– Mais um ano — eu sorri para ela.
A rainha chamou Helena, e pegou o pequeno Miguel. Brincando com ele.
– Eles são minhas alegria – ela disse pra mim — meus netos. Eu rezava para que você não tivesse os mesmos problemas que eu, mas você encheu a casa com três crianças maravilhosas.
– Talvez até mais – eu disse sorrindo para ela.
– Oh, America! Você está esperando outro bebe?
– Não ainda, mas .... – eu lhe contei a respeito do meu sonho. Se alguém ali podia me entender, esse alguém era a rainha. Quando eu terminei meu relato, a rainha me olhou com os olhos serenos e um sorriso nos lábios.
– Oh America – ela disse. – eu mal posso esperar para conhecer as crianças que estão por vir.
Uma onda de emoção me atingiu. Talvez por as palavras da rainha serem tão verdadeiras.
Estávamos no salão principal, esperando a chegada de minha família, que tinha acabado de passar pelos portões.
Quando as portas se abriram, May correu até mim. Ela tinha se tornado uma linda adolescente, com os cabelos ruivos caindo pelas costas. Eu a abracei. Ah, como eu tinha sentido falta da minha irmãzinha.
– Você está linda! – ela disse com lágrimas a beira dos olhos. May agora tinha dezessete anos, a mesma idade que eu tinha quando entrei na seleção.
– Você também – eu disse limpando minhas próprias lagrimas. – Você está tão grande! Precisamos conversar enquanto você estiver aqui.
– Feito – ela disse.
Minha mãe, que segurava Lira, sorria para mim com lágrimas nos olhos. Eu a abracei.
– America, você está maravilhosa – ela disse orgulhosa.
– Obrigada mãe – eu respondi, colocando Lira no chão.
– E sua filhas, verdadeiras princesas, como são lindas... mas eu ainda não conheço...
– Ah, sim – eu disse. – Onde está Helena? Helena?
– Estou aqui, vossa alteza – disse Helena, se levantando da poltrona com Miguel nos braços.
– Oh, por favor, traga baby aqui – eu disse a ela.
– Baby? – meu pai interrogou.
Eu ri – É um apelido carinhoso que Lira colocou em Miguel quando ele nasceu. Nós o chamamos assim.
– America, eu não acho apropriado você apelidar o príncipe herdeiro de “ baby “ – minha mãe disse.
– Bobagem – interviu a rainha. – eu tinha um apelido para Maxon quando ele era bebe. Todas nos fazemos isso, príncipes ou não.
– Vossa Majestade – disse minha mãe se curvando para a rainha.
– Não há necessidades para tais formalidades – disse a rainha. – Somos todos família agora.
– Melody.
Depois que todos nossos convidados chegaram, eu me retirei para meu quarto. Fazia um lindo dia la fora, eu queria cavalgar, passear ou qualquer coisa ao ar livre, mas não podia por algum ataque de rebeldes imprevisto.
Eu queria gritar ao mundo que os rebeldes não me machucariam, mas não podia. Eu tinha conversado com meus pais, na noite em que voltei para casa. Contei tudo a eles. Meu pai ficou abismado com tudo o que eu revelei, minha mãe soltou algumas lágrimas quando mencionei crianças órfãs, e a fome que elas passavam. Embora eu tivesse sido bem cuidada quando estava la, essa não era a realidade a todos.
Quando terminei meu relado meu pai segurou minhas mãos e me olhou nos olhos. Com seriedade.
– Melody – ele dissera. – O que você acabou de contar é informação preciosa. Mama sabia disso, sabia que levaria tempo. Eu vou mudar as coisas e melhorar a vida dessas pessoas Melody, eu prometo. Mas até eu ser rei, e executar isso. Eu preciso ir com calma, passo por passo, para que ninguém fique desfavorecido nessa mudança. Então, tudo isso fica em segredo, tudo bem? Para todos que não são nossa família, as damas, helena e as criadas de sua mãe, você estava doente por todo esse tempo, e só agora você está boa, ok?
Eu concordei. Haviam muitas doenças que podiam levar meses para serem curadas. Essa era uma boa mentira.
Agora, alguns meses tinham se passado, mas nada tinha mudado ainda. Eu esperava pacientemente. Sabia que teria muito a esperar.
Fui arrancada de meus devaneios quando Lira entrou correndo no quarto, batendo a porta atrás de si. Ela segurava as barras do vestido, e quando virou em cima da cama, despejou dezenas de brigadeiros e doces, surrupiados da cozinha.
Ela sorriu para mim, abrindo os bracinhos para indicar a nossa mais nova fartura. Eu corri até ela, sorrindo.
– America.
– Jardim? – Maxon perguntou. Eu estava deitada na cama, com um livro no colo. – Tenho uma reunião daqui a uma hora. Pensei que talvez você gostaria de dar um passeio.
– Não poderia ser uma melhor ideia – eu disse. Ele me guiou pelo braço, como quando eramos mais jovens.
Eu sorri com a lembrança. Maxon e eu havíamos nos conhecido no jardim, e aquele tinha se tornado nosso lugar particular. Ao longe, Melody tomava aulas de arco e flecha. Maxon viu também, e comentou.
– Ela é incrivelmente coordenada para o arco e flecha.
– Puxou ao pai – eu sorri.
– Evidente. – ele inflou o peito, se gabando. – Mas tudo o que Melody tem parecida comigo, Lira tem com você. Eu a ouvi cantando esses dias. A voz dela é doce como a sua.
Eu corei com o elogio. Mesmo casada com Maxon, sua gentileza ainda era surpreendente.
O dia estava muito ensolarado, mas ventava frio. Eu esfreguei os braços, me esquentando. Maxon notou na hora que eu estava com frio e tirou o paletó, me envolvendo.
– Obrigado – eu disse beijando-lhe os lábios.
Nós nos sentamos no banco mais afastado do jardim. Teriamos mais pouco tempo juntos, antes de mais convidados chegarem. Eu precisaria fazer sala para as damas nobres que viriam para a grande festa, e Maxon tinha uma reunião com os conselheiros. O rei Clarkson anunciaria a aposentadoria, dando a coroa a Maxon.
De onde estávamos, eu podia ver May na sacada do quarto de hospedes que ela estava. Ela parecia sonhadora. O queixo apoiado nas mãos e os cabelos ruivos esvoaçantes.
– Ela parece você – Maxon comentou. – Quando você entrou para a seleção. Quero dizer, ela é muito menos mal humorada e mandona – ele riu e eu dei uma cotovelada nele. – Auch – ele disse.
– Mas é verdade, ela me lembra muito você com essa idade – ele continuou. – Ela tem algum pretendente? Aposto que com essa idade já esteja planejando de casar.
– Eu não tive tempo de conversar com ela ainda – eu suspirei. – Talvez depois da festa eu consiga passar mais tempo com ela.
– Falando em tempo, acho que o nosso acabou – Maxon olhou para o relógio, e nós nos levantamos.
Quando eu cheguei ao quarto, minhas criadas se levantaram, tagarelando animadas a respeito da festa. Helena estava la, e brincava com Miguel.
– Helena – eu a chamei. – Por favor me traga Miguel, e vá buscar as princesas. As damas vão querer conhece-las.
– Sim Vossa Alteza. – ela disse com uma reverencia. Eu peguei Miguel. Ele sorriu para mim.
– Ele é lindo – Lucy comentou, olhando docemente para o bebe por cima de meu ombro.
Eu concordei com a cabeça. Ele era mesmo. Com oito meses, ele era grande e forte. Já tinha o corpo todo durinho e se erguia nas perdinhas gorduchas, ainda sem nenhum equilíbrio, enquanto eu o segurava na cintura. Ele tinha grossos cabelos castanhos. Lisos como os meus. Seus olhos eram o que mais tiravam o folego. Olhos azuis glaciais.
Ele deu uma gargalhada quando alcançou uma mecha do meu cabelo. Eu o apertei contra mim. Meu precioso garotinho.
Helena voltou com ambas as princesas. Melody vestia roupas de ginastica e os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo. Lira estava com um vestido manchado de doces, assim como sua boca. Eu não pude deixar de rir.
– Mandou nos chamar mãe? – Melody perguntou.
–Sim meninas. Receio que terão que deixar a diversão para outro dia. Temos que ficar no salão das mulheres hoje, e mais tarde, temos a festa.
– Mas mãe.... – Lira reclamou.
– Lira – eu a repreendi – é uma das obrigações que todas nós precisamos cumprir.
– Podemos ao menos tomar banho aqui? Seu quarto é tão mais legal!
Eu olhei para Anne, que assentiu.
– Bem, já que minhas criadas concordam em ficar de olho em vocês, pimpolhas, podem sim.
– Eba! – Lira exclamou. Mary e Anne foram cuidar das meninas. Deixando eu e Lucy a sós.
– Quer segurá-lo? – eu ofereci a Lucy, realizando que nenhuma de minhas criadas tinha segurado Miguel até agora.
– Ah, não. Ele é o príncipe herdeiro, eu não posso....
– Ele é só um bebe Lucy – eu disse lhe estendendo ele. – Segure-o.
Lucy o ajeitou nos braços, delicadamente. – Eu sempre quis um desses – ela disse em voz baixa. Sempre quis ser mãe. A alguns anos atrás, antes de ser vendida para o palácio, eu pensava em me casar e ter uma dúzia deles.
– Bom –eu disse sorrindo – Quando eu foi rainha, talvez possa dar um jeito nisso – eu sorri.
– O que você quer dizer com isso? – ela arregalou os olhos.
– Quero dizer que aposto que tem algum guarda atraente com quem você queira se casar. – eu disse, e Lucy corou. – Não é só porque não deu certo com seu primeiro amor, que você nunca va encontrar felicidade.
– Mas... ai eu não poderei mais trabalhar para você... não vir mais aqui, eu não sei se suportaria.
– Quando eu for rainha – eu repeti – daremos um jeito nisso.
– Ah Senhorita America! – ela exclamou, me envolvendo com o braço livre. – Muito obrigada!
– E finalmente, o vestido – Anunciou Anne, indo pegar o misterioso vestido no armário.
O resto do meu dia passara calmamente. Um chá com as damas, e as princesas tinham se portado muito bem. Agora, chegara a hora da festa, e eu já estava quase pronta. Meus cabelos estavam arranjados em um complicado coque, o qual eu precisaria da ajuda de minhas criadas para desatar.
Anne trouxe o vestido e eu perdi o folego. Como era o costume para o ano novo, o vestido era branco, com um lindo cinto dourado, ele era transpassado e justo no busto, mas longo e solto abaixo do cinto. Era maravilhoso.
– Anne, é lindo! – eu exclamei.
– Obrigada senhorita – ela disse sorrindo – Fiz o melhor que pude.
Quando eu finalmente terminei de me arrumar, me sentia uma verdadeira princesa. Anne veio com uma caixinha de madeira e eu voltei a me sentar. Ela colocou o diadema aninhado no meu cabelo. Agora eu estava perfeita.
Encontrei Maxon perto da escada, onde ele esperava por todos nós. Ele usava um lindo terno, com a gravata dourada e a camisa branca.
– Você está incrível – ele disse me examinando com os olhos.
– Obrigada, você também – eu disse.
Melody e Lira surgiram de mãos dadas. Mels usava um lindo vestido rodado, com uma fita dourada nos cabelos. Lira também usava um vestido branco, mas o seu era cheio de borboletinhas douradas. Estavam encantadoras. Helena veio atrás delas, e me entregou Miguel. Ele estava em um macacão branco, e usava uma camisetinha dourada. Estávamos todos combinando.
O rei e a rainha chegaram logo depois. Mels segurou a mão da rainha Amberly, que sorriu para a neta. Lira, que era um poço de alegria, foi até o avô. Me surpreendi quando vi o velho rei sorrir para a netinha mais nova, e segurar a mão dela com delicadeza.
Eu podia ouvir a musica tocando no salão. A festa já havia começado a algum tempo e a maioria dos convidados já estavam presentes. Era a nossa hora.
A musica parou, e eu ouvi alguém lá dentro anunciar.
– Por favor, deem boas vindas, á família real!
Então entramos. Eu sorria e acenava com a mão livre, com a outra eu segurava o sorridente Miguel. Maxon também sorria, e Lira e Melody conduziam graciosamente nos avós.
As meninas rapidamente sumiram pela festa. Eu as via de relance, conversando, dançando, e se divertindo. Melody era mais bem portada. Conversava com embaixadores e mostrava todos os modos com que Silvia lhe educara. Lira era mais elétrica, rodava para lá e para cá no meio das crianças, e sempre levava alguém para a pista de dança com ela. Helena agora cuidava de Miguel, e varias damas estavam em volta dela, paparicando o principezinho.
– Por favor, abram espaço para a primeira dança do rei e da rainha! – anunciaram.
Os dois foram até a pista, e valsaram belamente. Quando o locutor anunciou a dança do príncipe e da princesa, eu e Maxon fomos até a pista. Eu precisei de anos, mas finalmente aprendi a danças apropriadamente, nós rodávamos pelo salão com graça.
– Princesas, vocês podem se juntarem a dança, caso queiram.
Lira foi a primeira a entrar, arrastando um garotinho com ela. Melody parecia perdida, mas logo um garoto da idade aproximada a dela a tirou para a dança, e ela se juntou a nós.
Quando a musica chegou ao fim, vários outros viram para a pista. Eu e Maxon ficamos para mais uma dança. Corpos colados, concentrados somente no som de nossas respirações.
Ao fim da segunda musica, porem, tínhamos deveres a cumprir.
Maxon se dirigiu aos inúmeros nobres que estavam na festa. Muito educado, ele falou com cada um deles, deu risada, e fez o seu papel como futuro rei.
Eu também tinha meu papel a fazer. Muitas damas tinham chego ao palácio naquela tarde. Muitas mais do que eu pude recepcionar. Eu falei com todas, algumas delas não falavam inglês, como as francesas, mas eu fora preparada para situações como essa ao longo de meus anos de castelo. Eu arranhei o meu melhor francês, e as damas pareceram satisfeitas.
No final do salão, eu reconheci uma dama a quem a muito eu não via.
Nicoletta estava sentada entre suas primas. Maxon tinha me dito que as italianas iriam comparecer, mas eu tinha me esquecido. Assim que ela me viu, Nicoletta sorriu e acenou, suas primas bridaram as taças de vinho tinto e me chamaram até elas.
– Rainha America – Nicoletta disse com uma reverencia. Ela ria, um pouco bêbada. – Eu sempre soube que você ganharia aquela competição estupida.
– Nicoletta! – eu exclamei. – eu não sou rainha ainda.
– Ainda – ela repetiu com um olhar sugestivo. – Aqui não é hora nem lugar para discutirmos politica, talvez amanha?
– Seria ótimo. Um passeio nos jardins talvez?
– Adoravel.- Ela concordou.
Eu conversei com elas durante muito tempo. Quando faltava um minuto para a virada do ano, eu me juntei a minha família no meio do salão. Maxon estava com Miguel no colo e Lira em seus ombros. Melody estava abraçada comigo.
O ano virou e as meninas começaram a saltitar, animadas. Lira desceu dos ombros do pai e Melody pegou Miguel. Abraçando o irmãozinho sorridente. Maxon me beijou daquele jeito que eu tanto adorava. E Nós dançamos o resto da festa.
Helena tinha tirado a noite de folga, então quando a festa terminou, vi as meninas deitadas no sofá. Melody aconchegava o irmãozinho nos braços.
Maxon pegou Lira, e depois de aconchega-la apoiada em um ombro, ele pegou Miguel. Eu segurei Melody, e sorri ao perceber o quanto ela crescera, mas mesmo assim cabia perfeitamente em meus braços.
Três lances de escadas depois. Entramos no meu quarto. Eu coloquei Melody em minha cama e logo peguei Miguel dos braços de Maxon. Eu tirei os vestidos de festa das meninas, deixando-as de roupa intima. A noite estava quente, Miguel só usava fraldas quando eu e Maxon nos deitamos na enorme cama de casal, e entre nós, nossos lindos filhos estavam adormecidos.
– Obrigado por tornar real a vida que eu sempre sonhei – ele disse antes de adormecer.
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