Reinventada
3 Indecisa
Notas iniciais
Meu computador quebrou, e meu pai demorou um tempão para arrumar ele, então só esses dias deu para mim escrever esse capítulo. Desculpas mesmo tá? Os computadores sempre quebram quando a gente escreve fic (já percebi isso), e isso é uma desgraça tanto pra mim tanto pra vocês.
Então vou deixar de bla bla bla e vão ler, tomara que gostem <4 xoxo
Depois de Katina ter jantado aqui e ter ido embora – o que foi bem tarde-, fui para o meu quarto fazer coisas aleatórias como varrer a casa, arrumar minha cama, limpar a minha mesa de estudos, arrumar meu guarda-roupa, e coisas do tipo. Já se passava das 00:00 quando o sono chegou e eu finalmente consegui fechar os olhos e dormir.
Acordei cedo, como de costume, e fui para o banheiro tomar meu banho. Hoje era o dia. Hoje é quando eu vou ter certeza de onde eu pertenço, e de onde vou passar o resto da minha vida, a não ser que eu fique aqui, obrigada a passar o resto dos meus dias falando a verdade, sempre. Eu sabia que não queria isso. Mas, nessa hora que eu precisava pensar primeiro nos outros, eu não pensava. Me condeno todos os dias, toda as horas. Mas só uma coisa me fazia pensar em sair daqui. Minha mãe me apoiava, acima de tudo. Era o que me fazia ter uma pontada de esperança de que eles não me odiassem. Não todos eles.
Terminei de lavar meu cabelo e saí do Box. Hoje sequei meu cabelo, para me ocupar com alguma coisa e não acabar enlouquecendo. Fui para o Armário, e peeguei as roupas de sempre – uma calça branca e uma blusa listrada em preto e branco, com uma jaqueta de malha preta. Hoje o dia estava frio, e coloquei uma bota de cano curto preta.
Fui para a cozinha e me deparei com Dayna sentada, olhando para seu café da manhã, perdida em pensamentos. Devo ter demorado com o banho, pois Dayna nunca aparecia na cozinha antes de mim.
– Então, nervosa? – Ela pergunta sem olhar pra mim. Day não precisa me olhar nos olhos para saber quando estou mentindo.
– Sim, e você?
– Também.
Isso me pega de surpresa, pois Day não é de ficar nervosa. Mas nesse dia, acho que todo mundo fica, nem que seja um pouquinho, com medo de que o teste dê outra coisa, mesmo que você tenha certeza de onde quer ir. Ou precisa ir.
Sentei ao seu lado e comi rapidamente, não queria conversar muito. Terminei e andei rapidamente para meu quarto. Escovei os dentes e penteei meu cabelo. Hoje eu estava mais arrumada que o normal. Kat perceberia isso. Mas ela sabe o quão estou nervosa, então não vai me preocupar muito, eu acho.
Peguei minha mochila e saí do quarto olhando para o chão. Quando passei pelo quarto de Dayna ela saiu na hora, e nós demos de cara uma com a outra.
– Ai! – Day reclamou colocando a mão na cabeça.
– Me desculpe, estou meio distraída.
– Como sempre – ela revira os olhos e atravessa a sala. Sigo ela e paramos no ponto de ônibus, como sempre.
Hoje ele chegou um pouco mais rápido que no dia anterior, e estava um pouco mais lotado, então ficamos no fundo do ônibus. Parece que demorou um século, mas finalmente chegamos ao prédio onde estudamos. Descemos e atravessamos a grande praça que ficava no centro da cidade. Chegamos na sala e me sentei lá no fundo.
Katina chegou cedo hoje, e se sentou ao meu lado, bem no fundo da sala.
– Oláááá Mels – ela me diz radiante.
– Oi Kat, por que ta tão feliz?
– Simplesmente porque hoje é o dia do teste de aptidão, e eu vou ter certeza pra onde vou. – ela diz isso com tanta confiança que sinto uma pontada de inveja, nunca tenho certeza de nada, e pelo teste, to mais nervosa que o normal.
– Sorte a sua, eu estou quase desmaiando de medo.
Ela da uma risada tão espontânea, que dou um sorriso.
– Isso é normal, só estou assim porque mal posso esperar para sair daqui – ela diz o final um pouco mais baixo, para que ninguém ouça a não ser nós duas.
Eu dou um sorriso. Ela sabe que eu também quero, mas não digo porque isso dói para mim, mesmo que seja completamente estúpido.
A aula começa. Dessa vez presto atenção, e percebo que fazer isso é bem melhor do que me deixar levar pelos pensamentos. Isso enche minha mente, e leva embora meu nervosismo, como a água quando escorre pelo meu rosto. Deixa minha mente vazia, leve, até boa demais. Mas a aula acaba, e o almoço chega. É essa a hora do teste.
Fomos para o refeitório onde se encontravam 5 imensas mesas, cada uma para cada facção. Várias pessoas já estavam sentadas, e eu e Katina fomos para a mesa da Franqueza.
Próximo de onde nos sentamos, algumas pessoas estavam tendo uma discussão meio idiota. Típico, penso.
Passei esse tempo olhando fixamente para as minhas mãos, que estavam tremendo a ponto de eu nem conseguir contê-las em baixo da mesa.
Respire fundo. Vamos, respire, expire, respire, expire. Mantenha a calma. Você é forte.
“Sempre conte comigo, em todas as suas escolhas.” Lembro das palavras de minha mãe. Espero que isso seja verdade mãe, porque eu não vou agüentar isso sozinha.
Não percebi que já era a minha hora até ouvir meu nome.
– Da Franqueza: Lilian Clind e Melissa Silver.
Tinha que ser Lilian? É, o meu azar sempre pode ficar pior. Ela se levanta majestosamente, ajeitando seus longos cabelos pretos. Olha com desdém para mim e segue para a sala. Kat olha de relance para mim como se dissesse: Boa Sorte.
Sigo Lilian pois não tenho outra opção. Ela é alta, anda sempre com os passos calculados com um salto de uns 10 centimetros, e balança os cabelos exageradamente, o que me faz dar um sorriso. Mesmo com toda essa confiança em sua postura, vejo que as mãos dela também tremem. Assim como eu desconfiava, todo mundo fica nervoso essa hora.
Ela abre a porta da sala 9 e eu a da 10. Quando olho pra Lilian, sua expressão está meio distorcida, numa mistura de medo e confiança forçada.
– Boa Sorte – ela diz para mim e entra na sala antes que eu possa dar uma resposta.
Também entro na minha sala e uma mulher da abnegação, de mais ou menos 30 anos, com cabelos loiros e olhos castanho-claro, mexia em um pequeno computador em uma mesinha ao lado de uma cadeira reclinada. Toda a sala é revestida de espelhos. Observo meu reflexo e vejo confiança passando pelos meus olhos, mas minhas mãos continuam tremendo muito.
– Tudo vai fica bem, é só uma simulação – ela me diz encorajadoramente. – Meu nome é Abbey. Sente-se aqui.
Faço o que ela manda e fico sentada olhando para cima enquanto ela coloca alguns fios na minha cabeça.
– Como é a vida na Abnegação?
Minha curiosidade me traiu. Sempre me trai. Mas estou sendo franca, não?
Ela tira os olhos dos fios e olha pra mim. Sorri quase imperceptivelmente.
– Simples, bonita. – ela diz voltando ao seu trabalho no computador.
– Você nasceu lá? – eu sabia que estava passando dos limites, mas Abbey provavelmente já lidou com pessoas da Franqueza e deu um riso fraco.
– Não. Era da Erudição.
Aquilo me deixou abalada. Eu soube que a Erudição estava acusando a Abnegação de roubar os alimentos das facções. Eu não concordava com aquilo. As pessoas da Abnegação são mesmo boas, nunca fariam isso. Abbey deve sofrer com isso, pois seus pais são da facção de que estão a acusando. Sinto um pouco de pena dela, mas ela não parece nem um pouco abalada com isso. Ela coloca alguns fios nela e se posiciona atrás de mim.
Seu braço aparece do meu lado com um frasco transparente, e dentro tem algo parecido com água.
– Beba, vai ser rápido.
– O que é isso?
– Só beba.
Sinto os pelos da minha nuca se arrepiarem, mas bebo o que tem no frasco. Antes de conseguir distinguir o gosto dessa substância, eu fecho os olhos.
---- xXx ----
Abro os olhos e vejo que estou em um ônibus. Todos os assentos estão ocupados então fico de pé, sem me importar. Fico de frente para um homem que está lendo um jornal com uma manchete bem chamativa, escrito “Assassino Brutal é Finalmente Preso!”. Abaixo, tem uma foto de um homem que acho que conheço, mas não sei de onde.
– Você conhece esse sujeito? – o homem atrás do jornal me pergunta e fico com medo de responder. Eu sei que acontecerá algo horrivel se eu contar, então, faço uma coisa que trai tudo o que eu aprendi.
Fico ereta e falo friamente.
– Não. Não sei quem é este sujeito.
– Vocês está mentindo, eu vejo em seus olhos!
– Eu não sei quem é este sujeito. Me desculpe.
O homem se levanta e vejo que está usando óculos escuros. Sua boca estava deformada, o que o tornava ainda mais assustador. Ele chegou perto de mim e falou suplicantemente, e seu hálito cheirava a cigarro.
– Fale a verdade, você sabe quem é este sujeito.
– Eu não sei quem é este homem. – eu digo o olhando já com raiva.
– Se você soubesse, poderia me salvar! – ele disse suplicante.
Hesitei. Esse homem precisava de ajuda, e eu poderia salvá-lo se dissesse que conheço esse homem do jornal. Uma parte de mim dizia para eu mentir, e dizer que eu não conheço, para o meu próprio bem. Mas outra parte de mim dizia para mim falar a verdade, isso salvaria a vida desse homem. E ela venceu.
– Sim, eu conheço esse homem.
Ele da um sorriso que mais parecia uma careta.
– Eu sabia disso.
Então tudo se dissolveu. Outro cenário apareceu no lugar do ônibus, e percebo que estou no refeitório da escola. Está um dia lindo lá fora, mas outra coisa me chama a atenção. Vejo que em cima da mesa que está à minha frente tem dois cestos. Um contém um pedaço de queijo e o outro uma faca.
– Escolha – diz a voz de uma mulher, friamente.
Eu teria protestado, mas não queria prolongar as coisas. Pensei em qual seria o melhor. Eu não sei o que vai vir depois, então fico em duvida entre o qual escolher. Minhas mãos estavam tremendo. O nervosismo voltara.
– Mais rápido! – diz a voz que me faz ficar cada vez mais nervosa.
– Eu não sei o que escolher! – eu digo com raiva.
Antes que eu possa pensar em qual dos dois pegar, os cestos se dissolvem. Minhas mãos estavam suadas e tremendo, não sabia o que ia acontecer agora.
Ouço um barulho atrás de mim e viro para ver o que é. Um cachorro rosna para mim, coma baba escorrendo em sua boca. Eu gostava de cachorros. Mas esse não parecia nem um pouco fofo. Ele avança lentamente para mim e eu entro em pânico. O que fazer agora? É assim? Vou morrer? Pensamentos se enrolam e sua cabeça parece que vai explodir. Não sabe nada sobre cachorros. Não tem o que fazer, só ficar paralisada e esperar ele a atacar. Na metade do caminho ele para. Ele olha fixamente alguma coisa atrás de mim. Viro para olhar, e uma criança com um vestido azul grita:
– Cachorrinho!
Ela corre para ele, e antes que consiga alertá-la, o cachorro corre para ela, grunhindo e pronto para atacá-la. O cachorro abre a boca para dar o bote, e a menina grita. Eu estava em choque, mas meu corpo age antes de eu conseguir pensar em alguma coisa. Pulo na frente da garotinha e o cachorro me ataca. Mas eu não sinto nada, abro os olhos, e em uma fração de segundo, tudo se dissolve.
Abro os olhos e levanto minha cabeça assustada, mas os eletrodos que estavam ligados à minha cabeça me impediram e bati minha cabeça com força no apoio duro. Minha cabeça lateja e minhas mãos estão suadas.
Abbey aparece em meu campo de visão e pergunta preocupada.
– Você está bem?
– Sim, um pouco assustada, mas sim. – eu digo sentindo a cabeça latejar.
– Acalme- se. Tudo correu bem – ela me disse sorrindo. O que será que deu em meu teste? Só de pensar sinto um calafrio.
Abbey tira os eletrodos lentamente de minha cabeça, e depois, da sua. Me levanto e esfrego minhas mãos na calça. Sinto que não poderia ter sido ruim o teste, já que Abbey estava sorrindo, mesmo que discretamente.
– O que foi que deu? Qual facção Abbey?
Ela me dá um sorriso.
– Seu teste deu Abnegação, Melissa.
Notas finais
No teste dela, eu não podia mudar muita coisa, pois segundo a Tori em Divergente, a cada escolha é uma simulação diferente. E como eu só sabia a da Tris, não tive muita opção a não ser colocar os dela, só que com o ponto de vista da Melissa. As falas e as cenas da simulação foram iguais por causa disso
Gostaram? Odiaram? Acharam estranho? Expressem suas opiniões mas não sejam leitores fantasmas por favor c:
Fiz esse cap bem grande para me desculpar, me perdoem :3
Reviews ok? <4
Fale com o autor