Reinos em Guerra
2 Capítulo 1: O baile de máscaras

Todos correm, cozinheiros, criadas, tudo isso para o meu dia começar bem. Sem meu café forte, e um pouco de música é impossível o resto do meu dia sair perfeito, e é assim que sempre tem que ser: perfeito. Meu mordomo, o Otto, é muito dedicado, ele era o melhor amigo do meu pai. Nem parece que já completou um mês que eles morreram.
— Bom dia, senhorita.
— Bom dia, Otto. Como vai? — perguntei, enquanto sentava-me à mesa que parece tão maior agora depois que meus pais se foram — Notícias?
— A rainha Eleanor irá dar uma festa, de casamento para um de seus filhos.
— Qual dos dois? — perguntei, fingindo desinteresse.
— O mais novo, Lucas.
— Hilário! Ele só tem 15 anos.
— É minha rainha... Seus pais se casaram quando sua mãe tinha quatorze. Além disso, a rainha Eleanor convidou todos do país, até mesmo plebeus e plebeus. Vão ganhar mais votos assim.
— Isso é inaceitável! — aumentei o tom de voz — Ela está mesmo passando dos limites. Convidar todos? Isso é uma piada? Ela nunca faria isso se não fossem para ganhar esses malditos votos.
— Sugere alguma coisa, Rose?
Ele me chamava de Rose, e isso me fazia lembrar do meu pai, ele sempre me chamou assim. Otto tinha cabelos grisalhos e nunca o tinha visto sem terno, era quase uma fantasia. Fantasia?
— Na verdade, sim, tenho uma ideia. Apenas me diga, quando será o casamento?
— Daqui a três dias, senhorita.
— Ótimo, vamos fazer uma festa também!
— Daqui a três dias?
— Hoje, Otto. Vamos fazer um baile de máscaras, e chame todos, além de presentear cada pessoa com máscaras, vestidos, e ternos. — Esfreguei as mãos, limpei rapidamente o canto da boca, e me retirei da cozinha. Afinal, a rainha precisa de um vestido.
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Como esperado, meu vestido era longo e branco, nas costas uma pequena parte azul, que ia do começo até a calda do vestido o que o tornava ainda mais bonito. E foi feito pela minha melhor estilista; Mas eu não usava máscaras, nem no baile, e nem na vida real.
Era por volta das cinco horas da noite, quando o primeiro convidado chegou.
— Senhor Prefeito, olá! — cumprimentei-o, e ele fez uma reverencia.
— Está magnífica, Rainha Rosalie. Lembro-me de quando seus pais deram uma festa aqui pelo seu nascimento, era tão pequenina.
Ao seu lado, uma garotinha, cabelos lisos pretos, olhos claros, um vestido impecável, além de sua linda máscara rosa.
— Essa é a sua filha? — perguntei, me abaixando um pouco para abraçar a menina.
— Sim, o nome dela é Camile. — eu sorri, e avistei mais convidados entrar no palácio.
— Com licença. — e então me retirei.
O salão já estava lotado às sete horas, mas nada da família real. Talvez estivessem lamentando o fato de minha ideia ser tão boa. Mais um convidado chega, comemorei rápido demais. Era o Príncipe Henrique, usava uma máscara preta, e seu terno da mesma cor, seus cabelos eram loiros e cortados perfeitamente, entretanto o que destacava mesmo eram seus olhos azuis claros.
—Rainha —disse ele, fazendo reverencia, e beijando a palma da minha mão.
—Onde está a sua mãe? —perguntei, enquanto ele me puxava delicadamente para dançarmos no meio do salão.
—Ela não vem. Hoje é o noivado do Lucas. —disse, me puxando pra mais perto.
—Ele não se incomoda? Só tem 15 anos...
—Ele não liga, a noiva dele é linda, e é da monarquia.
—Rótulos, de quê isso vale no fim? —perguntei ironicamente.
—Pobre Rainha. Tão ingênua.
—Cale a boca, você nem é rei. —bufei.
—Ainda. —acrescentou, e eu sorri.
Minha relação com Henrique era casual, sempre nos encontrávamos em festas, e comemorações. Ele era apenas um ano mais velho que eu, e tínhamos muita intimidade, até demais, suponho.
—E onde está sua máscara? —mudou de assunto.
—Não preciso de máscaras, já a sua mãe...
Ele revirou os olhos, ignorando a situação, e então mudou de assunto novamente:
—Vamos sair daqui, por favor .
—Você sabe que eu não gosto de você, não sabe, Henri? —pergunto sorrindo. —eu só acho você bonito, e são tantos problemas que às vezes preciso de deslizes, e...
—Eu sei, e eu também.
—Sua mãe mataria você se soubesse...
—Mas ela não sabe.
—Tudo bem. —cedi.
O levei até o meu quarto, que ficava no último andar, ele trancou a porta, e começou a me beijar. Desceu para o meu pescoço, e eu sentei na cama, tirando a máscara do seu rosto enquanto ele também se sentava. Ficamos nos beijando até algumas horas até que alguém bateu a porta.
—Minha rainha? Está ai? —gritava, por trás da porta.
—É o Otto! —exclamei. —se esconda.
—Por quê?
—Então, apenas se arrume. —disse, passando a mão no meu vestido para que ele voltasse ao estado normal. —como eu estou?
—Uma rainha.
Assenti com a cabeça e abri a porta, o Otto claramente devia ter desistido de me chamar, mas mesmo assim eu saí do quarto para ver o que estava acontecendo. Senti cheiro de queimado vindo de fora do palácio, e fui em direção à porta.
—O que está havendo? —perguntei a mim mesma.
Henrique estava ao meu lado, e então eu vi: as estátuas que foram feitas para meus pais sendo queimadas. Estavam em chamas, era como ver meus queridos pais sendo mortos novamente. Comecei a chorar, quando Henrique se aproximou.
—Saia de perto de mim! —ordenei. —O que você era hoje? Uma distração? Manda um pequeno recado para a sua mãezinha: Eu odeio vocês, são uns monstros. Todos vocês. —chorava loucamente querendo o quente colo da minha mãe, mas isso não era possível. —A festa acabou! Você venceu.
Porém, ele continuava lá, imóvel. Era tão cínico.
Corri para dentro do salão e entrei no meu quarto deixando a porta entreaberta, quando Otto entrou com a expressão abatida.
—Me perdoe por isso.
—A culpa não é sua. —lamentei, ainda chorando sentada na cama. —eu só queria os meus pais aqui, sabe?
Se meus pais estivessem aqui, nada disso teria acontecido. Era tudo minha culpa. Todos me odiavam tanto! Otto naquele momento se sentou na cama também, e então me desabei em seu colo.
—Me desculpe por isso. —choraminguei.
—Eles estão levando isso muito a serio. Parece uma guerra!
—Sabe, Otto, se é guerra que eles querem, é guerra que eles vão ter. —garanti.
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