Reinado Sombrio
1 O Homem de Preto
Londres, Meia-Noite...
Nas vazias ruas de Londres, um homem se escondia nas sombras de uma rua estreita. Apoiado contra a parede de um antigo edifício, fumava seu charuto constantemente soprando fumaça por seu nariz e boca. O misterioso homem vestia um longo sobretudo preto e chapéu de couro da mesma cor. Sua mão desliza de dentro de seu casaco para o seu bolso, apanhando um relógio de bolso prateado. Desviando o olhar, notou a presença de alguém. Do outro lado da rua, um homem vestindo roupas de padre olhou nervosamente em volta antes de atravessar em direção ao prédio antigo. Apesar da escuridão, o homem pode ver medo nos olhos do padre, conforme ele se aproximava em passos rápidos.
- Está atrasado — disse olhando o relógio uma vez mais, colocando-o novamente no bolso.
- Desculpe-me — respondeu o padre olhando por cima do ombro — Eu estava me certificando de que não estava sendo seguido.
O homem de preto sentiu o desespero na voz do padre. Aquela não seria apenas outra caçada, ele havia notado que algo estava errado. Monstros não se revelavam pelos últimos dois séculos, não daquela forma. Algo havia mudado; ele conseguia sentir isto no ar. O tempo em que as pessoas temiam aquelas malditas criaturas e bestas terminara quando seu bisavô matou o Principe de Walachia, conhecido como Vlad Dracul — O Filho do Demônio — e pôs um fim em seu Reinado Sombrio.
Com voz de súplica o padre sussurrou nervosamente:
- Seus ancestrais nos ajudaram uma vez matando o filho do amaldiçoado, agora pode ser nosso fim se seu plano suceder — disse o padre fazendo o sinal da cruz então juntando suas mãos como em oração.
- Quem? — perguntou o homem.
Ele olhou através dos olhos do padre, tentando lê-lo, mas tudo o que viu era medo.
- Aquele que uma vez se rebelou contra seu criador e sua criação, amaldiçoado e enviado para a parte mais profunda do inferno. A personificação do mal.
Silêncio. Fumando seu charuto uma vez mais, jogando no chão e então pisando nele, olhou para o céu noturno estrelado, organizando sua mente.
- Não consigo... não sozinho — encarando novamente o padre assustado — ligue para ele.
- "Ele"? — A expressão no rosto do padre se transformou em repulsa e respondeu cuspindo as palavras — aquele garoto?
A expressão do homem se tornou severa.
- Chame Lucian Carter — disse o homem com autoridade em sua voz — ou estaremos todos perdidos.
Por um segundo o padre hesitou encarando seus pés, e então respondeu relutância:
- Como desejar, Sr. Helsing.
Virou-se e caminhou para longe com passos rápidos. O nome "Lucian Carter" ecoava na mente de Liam. Talvez apenas Carter e o herdeiro dos Helsing não seriam o suficiente para impedir isto. O destino do mundo e de todas as almas vivas estava em jogo. Não havia tempo para hesitação. Caminhando na direção oposta, Liam adentrou novamente na escuridão da noite. O lugar da qual ele pertencia.
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