Reinado

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Apenas um teste. Qualquer relação com a realidade está bem longe de ser mera coincidência.

Não era difícil ouvir os passos firmes e rápidos da mulher que ecoavam contra o mármore branco que se fazia de piso do longo corredor que precedia a requintada sala.

Já dentro do recinto, Aaron estava distraído, refletindo sobre os últimos problemas de seu próspero reino. Mexia tediosamente na esfera ao final do escoro para seu braço. Estava tão distraído que não ouviu o som que ecoava do lado contrário a alta e pesada porta.

O homem caiu morto ao lado da porta, mesmo com a Alabarda e uma pistola no coldre fora incapaz de impedir uma belíssima e frágil mulher de literalmente passar por cima de seu cadáver para adentrar a sala. A porta de carvalho inquebrável se abriu com um som suave, suas arestas eram perfeitas para não gerar um som muito irritante de madeira se arrastando. Aaron ergeu o olhar e viu a mulher a porta, a luz de fora invadindo a sala pouco iluminada e fazendo a belíssima silhueta se destacar ainda mais. Ele se levantou e observou o corpo deslizar para dentro da sala, com o peito fundo sangrando.

— Depois eu que terei de explicar a mãe o que aconteceu com o pobre rapaz, Isabela.

— Deixe disso, Aaron. Apenas um reles humano, um servo inútil. Acredita que ele apontou essa armazinha de criança para mim — ela apontou para a ponta afiada da estranha lança.

— Apenas gostaria de te recordar que você não é realmente uma vampira e mesmo que com nossas diferenças, ainda somos humanos.

— Um mero detalhe que eu prefiro esquecer — ela suspirou e o observou com um sorriso sedutor.

O jovem olhou a moça de baixo a cima. Ela usava botas de cano curto e salto imenso, as pernas completamente expostas pela saia curtíssima e uma blusa branca, decotada e justíssima. Tinha um anel no dedo indicador direito, de ouro e com um rubi incrustado, símbolo de sua família.

Aaron andou lentamente em direção a Isabela. Nada falou, mas seu sorriso maroto evidenciava explicitamente suas intenções. Ele aproximou-se tanto dela que era quase capaz de tocar-lhe os lábios com sua própria boca quando ela se afastou sutilmente.

— Acha-me muito fácil, não é Aaron — ela estava de costas para o homem e nem se deu ao trabalho de fitá-lo.

— Você é muito fácil Isabela.

Ela virou-se bruscamente e correu em direção ao soberano, antes que ele pudesse reagir ela já o havia agarrado pelo pescoço e o colocado contra uma parede, próximos ao corpo do guarda. Aaron sorriu de forma brincalhona com a reação dela, simplesmente ignorando a falta de ar.

— Ainda mais fácil seria eu encravar meus dedos nesse seu pescocinho lindo pra mais nenhuma vadia poder beijar ele! — seu tom sádico era fácil identificado.

— Está — ele se interrompeu para tossir e depois prosseguiu, quase em um fio de voz — morrendo de ciúmes, Isabela?

Ela o lançou ao chão com o simples movimento de seu braço, dando uma risada debochada.

— Quando senti ciúmes de você, faça-me o favor de me internar em um manicômio e jogar a chave dele fora, só para em seguida queimá-lo por completo comigo dentro.

A esse momento Aaron já havia se erguido do solo e já se reaproximava de seu trono, sentando-se novamente a ele e fitando Isabela com curiosidade,

— Se não veio aqui para isso, o que quer comigo?

Quando finalmente conseguiu fitar o rosto de Isabela notou nele seriedade e leve tom de preocupação.

— Infelizmente Aaron, tenho algo sério a comunicar a você. Nós temos problemas.

— Que tipo de problema?

— Um novo reino, poderoso e misterioso tal qual fora no passado. Mais poderoso e misterioso inclusive que nós e nossos próprios domínios.

Aaron ergueu-se bruscamente de seu trono e fitou Isabela com assombro.

— Mas isso é... impossível! Nós não podemos ser superados de modo algum!

— Bem, então ficará surpreso quando te contar os outros detalhes sobre este assunto.

Aaron assentiu e com a mão, apontou a Isabela a saída, guiando-a até a sala de reuniões da Residência Real. Muitas coisas teriam de ser postas em foco.

Notas finais
Ficou bastante curta...