Reiches Rot

2 Outra visão!


Sie tinha acordado cedo naquele dia, estava animada, saltitante, estava ajudando na biblioteca de sua vó, adorava livros, e sabia de cor e saltiado onde cada um deles ficava até mesmo quantos tinha, e olha que a biblioteca não era nada pequena.
Estava tudo calmo (como sempre, as pessoas daquela vila se preocupavam mais com vendas do que livros, bem, se fosse para vender, a coisa mudava de figura), logo sua vó a liberou da obrigação. A loira deu um beijo na bochecha da anciã e saiu. Diferente da livraria, as ruas eram uma bagunça sem fim, pessoa gritando para chamar atenção dos clientes, muitas pessoas desfilando pelas ruas, entrando e saindo de lojas, um dia comum em uma vila que vive do comércio.

A loira andou até adentrar na floresta que cercava a vila. Conforme foi se afastando, os sons foram ficando cada vez mais baixos, adorava aquela floresta. Tinha árvores altas e grossas, boas para praticar escalada. Sendo metade jaguar, adorava aquela brincadeira, sem contar que era um ótimo treino. Pulava de árvore em árvore, até que ouviu um barulho muito alto de coisa batendo. Correu até o som, parou antes de ser vista pelas meninas que ali se encontravam, uma estava em pé e de costas, era alta e tinha cabelos negros, apenas pelo cheiro podia identificar que era uma ninfa, a outra tinha acabado de ser jogada contra uma pedra, inconsciente, era ruiva e tinha asas, uma fada.

Quando a morena se preparava para lançar uma magia, Sie se transformou e pulou ficando entre as duas. Uma vez de frente para a ninfa, rugiu visando assusta-la, mas teve o efeito contrario, só a irritou mais, atirou mais um feitiço contra o animal, porém esse evitou o ataque por pouco. Como era maior e mais forte, o felino avançou contra a mulher com as garras pra fora, fora muito rápido, mas acertou a semi fada no braço, jogando-a longe pela força do impacto e fazendo ela gritar de dor pelo tamanho da ferida, que quase arrancou o membro. Olhou para o animal assustada, pronunciou umas palavras e desapareceu.

Sie voltou a sua forma humana, aproximou-se da fada desacordada e pode ver o sangue que saia de sua cabeça. Pegou-a e colocou-a nas costas, só ai percebeu o pequeno dragão caído perto de uma árvore. Na hora pensou ser da fada, então meio sem jeito pegou e segurou com um braço enquanto o outro mantinha a menina desacordada no lugar. Mesmo sem jeito, tinha força suficiente para carrega-los até a casa de sua vó.
Chegando lá, persuadiu sua vó para deixa-los ficar, colocou a menina deitada na cama e seu mascote na cadeira ao lado, correu ao banheiro e pegou um kit de primeiros socorros, tratou a garota primeiro. Ela tinha um corte na cabeça, perto do olho, limpou e enfaixou o machucado, trocou as roupas sujas de sangue; tudo pronto. Começou a verificar se nada tinha acontecido ao dragão, percebeu que ele tinha deslocado a asa. Tratou dele, e o olhou impressionada, logo deduziu ser um filhote pelo tamanho, nunca antes tinha visto um, eram um dos seres raros daquele reino.


Dirigiu-se á porta, dando uma ultima olhada para os novos convidados.

– Espero que acordem logo — Falou saindo.

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– Não foi nada, meu pai me ensinou quando era criança — Falou com um sorriso.

– Onde ele está agora? — Perguntou a ruiva

– Ele e minha mãe morreram quando eu tinha 10 anos — Disse com um sorriso, mas dessa vez era um sorriso triste — Foram mortos por Orcs, enquanto andávamos pela floresta. Acidentalmente entramos no território deles, meus pais se sacrificaram por mim, distraíram monstros enquanto eu fugia. Não queria deixar meus pais, porém eu estava tão assustada que na hora nem pensei em ajudar eles, simplesmente sai correndo. Me arrependo disso — confessou encarando o chão, porém logo sorriu e acrescentou — Mas tudo bem, minha vó cuida de mim e eu amo muito ela.

Mad conhecia esses monstros, tinha quase certeza que um vivia no lago perto da sua casa, mas nunca foi lá por medo. De peles enrugadas e reptilianas com uma tonalidade que vai do verde musgo ao marrom escuro, eles são conhecidos como seres bárbaros de notável força e igual crueldade, sendo hostis a qualquer criatura que os pareça mais fraca.

– Minha mãe morreu quando eu nasci. Meu pai fico muito mal, nunca conversamos mais que o necessário, acho que ele me culpava pela minha mãe, mas nunca teve coragem de admitir — Falou a fada olhando o dragão em seus braços — Com 7 anos, sai pra cuidar do jardim, depois de terminar voltei pra casa e meu pai simplesmente tinha sumido. Foi quando eu achei o ovo do Kreuz, tinha um bilhete o qual dizia "Por mais que eu não esteja mais perto, sempre cuidarei de você — Mamãe". Na hora eu realmente chorei.

Depois da sua ultima fala, a ruiva olhou a loira e ambas sorriram, perceberam que tinham muito mais em comum do que imaginavam. De certa forma até o animalzinho sorria.
Do nada um som alto de explosão quebrou o silencio. Quando as meninas olharam pra cima viram uma grande nuvem negra e um forte cheiro de queimado se espalhando pelo ar. Vinha da vila.