Rei Thranduil (Em reconstrução)
27 Não irei condena-lo!(capitulo da primeira versão)
Notas iniciais

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No dia do teste, ou dia do Ista como os élfos o chamavam. Eu estava uma pilha de nervos. Tinha medo de falhar, de fazer alguma coisa errada, tropeçar no meio de tantos olhares, agir como uma idiota, sei lá! Tantas coisas vinham em minha mente.
Pelo menos eu estava aliviada. Tive sete dias para pressionar Galadriel a me explicar o que foi àquele dia confuso que tivemos. Mas ela apenas sorria graciosamente e nada comentava.
Depois de tanta pressão e ameaças que Thranduil em vão fez, ela decidiu explicar. Talvez fosse melhor ela não ter explicado, fiquei ainda mais confusa.
A única parte que entendi foi a que tudo foi real, porém os sessenta anos que parecerem passar na minha cabeça enquanto dormia, na verdade foram apenas seis dias. Eu dormi apenas seis dias desde que fui lanceada por Sauron. Graças aos céus não perdi uma vida dormindo!
Durante os seis dias dormi profundamente tendo sonhos e o retorno das minhas antigas lembranças. Foi a única coisa que entendi, pois a parte que ela fez um feitiço para que nós mudasse a trajetória da festa de noivado e todos esquecessem do que passaram menos eu, deixou-me perdida.
Eu estava feliz por ter meu pai ainda com vida. Dália não era velha e ainda tentava se jogar nos braços de Legolas.
Narir, Aranin e Lauren se deleitavam com o novo vestido, que de acordo com a tradição élfica estava na cor branca, que providenciaram para aquele dia especial.
— A senhorita está linda! – Disse Lauren.
Sorri para ela. Já tinha notado como ela andava confiante ultimamente.
— Obrigada. Gostaria que todas vocês caminhassem comigo até o altar. – falei.
— Não se preocupe, senhorita; tudo será perfeito. E nós estaremos lá.
Uma batida seca à porta interrompeu a conversa. Aranin abriu, e fiquei feliz quando vi que era Legolas.
— Estou aqui para acompanha-la até o Ista, senhorita Annael. – Ele disse com um sorriso gentil.
Respirei fundo, me lembrando da multidão de elfos à minha espera no grande salão de festas.
— Preparada? – Legolas perguntou.
Fiz que sim com a cabeça, ajeitei a tiara élfica em minha cabeça e segui em direção à porta, olhando para trás uma só vez para ver os rostos felizes de minhas criadas. Dei o braço a Legolas, e seguimos pelo corredor.
— Você está bem? – Perguntei – Parece preocupado.
Legolas apertou os lábios e franziu a testa, mas não respondeu nada.
— Tem medo que eu não me saia bem, filho?
Ainda era um pouco estranho chama-lo de filho pela diferença enorme de idade que tínhamos, ou melhor, que a Annael tinha.
— Acho que a senhora irá se sair muito bem, seja como for.
Fiquei nervosa ainda mais. Legolas não estava confiante, percebi na maneira como ele escolhia cada palavra antes de pronuncia-las. Era evidente que escondia algo.
Seguimos o resto do corredor em silêncio. Mas quando chegamos ao portão do grande salão, ele parou, olhou-me com olhos ternos e falou com voz doce:
— Sempre pensei como seria tê-la em minha vida novamente. – ele estendeu a mão e delicadamente tocou o meu rosto. – Isto é como um desejo realizado. Revelo que minha vida se encheu de alegria novamente, mamãe.
Não resisti ao desejo de acariciar o seu rosto e de beijar ternamente a sua face. Ele inclinou um pouco a cabeça e rosou o seu nariz ao meu. Senti uma felicidade arrebatadora e uma ternura imensurável.
Legolas era o filho que sempre sonhei em ter. E era bom saber que a minha memória estava preservada em suas lembranças mesmo ele sendo apenas uma criança quando parti.
Ele afastou-se e disse:
— Agora vá e seja a minha mãe, justa a sua maneira.
Sorri graciosamente, e aporta do grande salão se abriu. Thranduil já estava sentado em um trono de carvalho no fim do salão, ele mantinha seu ar de soberania e altivez de sempre.
Legolas e eu entramos ao som de aplausos e trombetas. Logo assumi meu lugar em pé ao lado dele que se posicionou ao lado do pai.
Os aplausos pararam assim como o toque das trombetas.
Thranduil avançou até a beira da escada de cinco degraus e começou a falar em sua linguagem Sindar:
— Eldalië, povo da floresta! Hoje uma plebeia de sangue élfico e humano foi escolhida para demonstrar que é capaz de se tornar rainha. De fato nunca houve tal acontecimento entre os elfos. No entanto, para provar que Annael de Esgaroth é na verdade a princesa Ellenya Aurë que foi renascida de seu sono dos élfos, e em honra ao povo élfico, ela aceitou a submeter-se ao Ista a nossa antiga tradição. Agora peço aos conselheiros que julguem-na conforme a sabedoria que ela demonstrar, ou condene-a se falhar. Hoje terão uma rainha, ou uma eterna prisioneira.
Prisioneira? Como prisioneira?! Deste fato eu não estava ciente.
Olhei para Legolas ao meu lado que estava tão sério que me fazia tremer dentro do longo vestido élfico. Corri os olhos pelos acentos do júri e fiquei surpresa quando vi Elrond sentando em um deles. Eram doze e o único que conhecia era o rei de Rivendell.
Um dos élfos à porta soou a trombeta.
— Que tragam o criminoso Thaile de Valle à presença de sua Majestade o Rei Thranduil e da Alteza Real o príncipe Legolas.
— Thaile?! – Sussurrei sem acreditar. – O que farei com Thaile?
Olhei atônita Thaile entrar pelas portas do salão acorrentado pelas mãos e pés. As grossas correntes demonstravam que os elfos foram cautelosos ao evitar um massacre se por acaso ele se tornar um lobo em público, coisa que Thaile não seria burro o suficiente para fazê-lo.
Legolas aproximou-se mais um pouco de mim dando a impressão que gostaria de segurar a minha mão e dizer que estava tudo bem.
— Agora, convido a plebeia Annael de Esgaroth a julgar o criminoso e dar sua sentença conforme os crimes cometidos pelo réu.
— Agora você caminha até a frente ao réu. – Sussurrou Legolas ainda olhando para frente.
Eu estava completamente perdida diante daquilo tudo. Mesmo assim, segui até Thaile que foi forçado a se ajoelhar.
Quando parei em frente a thaile e há alguns passos atrás dele um soldado abriu um pergaminho e começou a ditar todos os crimes que o tal réu cometera:
— O réu é acusado de caluniar, confrontar, ameaçar a sua Majestade o rei élfico e também ao seu povo. Saquear o precioso arsenal dos elfos Gondolin. E invasão ao reino pelas câmaras secretas.
Fiquei pasma! Como Thaile teve a coragem de saquear arsenais élficos?! Quando foi que ele fez àquilo?!
Engoli em seco e cravei os olhos aos de Thaile:
— E qual é a duração da pena? – Perguntei alto e claro.
— A eternidade nas prisões élficas, senhorita. – O elfo esclareceu.
— Qual a duração? – Direcionei a pergunta ao idiota do Thaile.
— Não será muito tempo. – Ele disse entre os dentes.
Eu queira bater nele até ele implorar perdão, mas não podia, não ali na frente daquele mundo de élfos me observando.
Eu tinha que encontrar um jeito de tirar Thaile daquela enrascada. Sabia que Thranduil o odiava, mas não tanto para aprisiona-lo pelo resto da vida, não por ameaças ou saques.
Mesmo que Thaile detestasse élfos, ele não teria coragem de cumprir com as ameaças de morte para com eles.
— Thaile – eu disse, com voz suave.
Thaile desviou o olhar do rei para me encarar.
— Quanto do arsenal você roubou? – perguntei.
Ele engoliu em seco e cravou os olhos no rei.
— Algumas das melhores flechas, e o melhor arco que tinham.
Assim que ele desviou o olhar triste para mim, percebi que as lágrimas nos cantos dos seus olhos.
Pisquei algumas vezes para tentar extinguir as lágrimas que começaram a se formar em meus olhos. E me lembrei de um fato ocorrido em minha vida há muito tempo, um fato que Thaile estava envolvido. Eu jamais deixaria que os elfos fizessem isso com ele, mesmo que custasse a minha felicidade.
— Levante-se – eu disse.
Thaile olhou para mim, confuso.
— Por favor – insisti, e tentei ajuda-lo, puxando suas algemas.
Thaile percorreu o corredor comigo até o primeiro degrau da escada do altar aonde estava a realeza élfica. Ao chegar perto das escadas, voltei-me para ele e respirei fundo.
— Responda aos minhas perguntas diante do rei. – Eu disse e continuei – Você matou algum élfo em toda a sua vida?
— Não. – Thaile respondeu obediente. – Até troco palavras com os mais suportáveis. – Ele brincou entre um leve sorriso cansado.
— Há quantos anos invadiu e saqueou o arsenal do reino?
Thaile estreitou os olhos. Ele havia descoberto o que eu pretendia com todas as perguntas. Mesmo assim respondeu.
— Há vinte e dois anos.
Houve um burburinho em todo o salão que só se extinguiu quando eu intervi.
Deixei Tahile encarando o rei e me voltei a multidão, precisava deixar de choramingar a minha posição atual e ser o que eu realmente era.
— Povo élfico! — fez-se silêncio no grande salão. – Este homem ameaçou, assaltou e saqueou o nosso povo e reino, acho que é motivo o suficiente para condena-lo.
A multidão vibrou com o anunciado.
Do centro do salão virei para o altar onde estava Legolas que me observava com o cenho franzindo certo de que não acreditava o que eu havia falado, e Thranduil que se mantinha na defensiva, de certa forma sabia que eu escondia algo por baixo da manga.
Thaile me encarava atônito. Fiquei magoada em descobrir que ele duvidou da minha lealdade a nossa antiga amizade.
— Desejam condena-lo?! – Perguntei em alto e claro tom.
— Condenação!
Um elfo em meio a multidão gritou. Depois outro elfo gritou, e depois outro e outro. Logo toda a multidão em uma só voz gritavam:
— Condenação!
— Muito bem! – Continuei direcionando-me para Thaile após aquele som perturbador se extinguir :
— Agora diga ao rei o que fez com o arco e flechas que saqueou.
— Anne, eu...
— Diga. – Insisti firmemente.
O salão estava em um silêncio súbito. Todos os elfos estavam apreensivos com o rumo que aquele julgamento tomou, por certo esperavam uma condenação rápida e fim de conversa. No entanto, eu não podia condenar Thaile pelo simples fato de me amar, ele era o meu amigo, o mais leal e o mais protetor. Devia a ele a minha vida por todas as vezes que me salvou ou me abraçou quando eu caia e me machucava quando criança. Ele me ensinou e me fez sorrir quando eu estava triste, e estava ao meu lado quando mais precisei.
Thaile desviou o seu olhar para o rei, agora como o amigo gentil que eu conhecia apesar de ser um chato as vezes.
— O arco está nas mãos de sua própria esposa Ellenya que é renascida como Annael de Esgaroth.
Não houve um só som no salão.
— Confessa que sabia desde o início que eu era renascida dos élfos? – Perguntei confiante.
— Sim.
— Quem lhe contou?
Antes de responder, Thaile desviou o olhar para o elfo alguns degraus abaixo do altar.
— O elfo Aldir me contou e depois o príncipe Legolas afirmou.
E o silêncio tornou-se ensurdecedor.
— Aldir? – chamei o elfo ainda encarando Thaile.
— Sim mellon.
Cochichei no ouvido do elfo e logo ele saiu do salão. Quanto isso pedi para o guardião das chaves retirar as algemas de Thaile. Ele meio que pediu permissão a Thranduil com os olhos. Por sorte, o rei fez um leve sinal concedendo-lhe permissão.
O guardião já havia retirado as algemas e eu já estava estava tentando encontrar palavras para enrolar os elfos até que Aldir voltasse, mas graças aos céus, ele adentrou o salão. Respirei fundo em alivio.
Ele havia achado o que pedi. Eu sabia que meu pai enfinhou todas as minhas coisas naqueles dois baús que chegaram dias antes em Mirkwood.
Aldir carregava em suas mãos o arco forjado pelos elfos de Gondolin da primeira Era, o arco que era a minha herança e por isso Thranduil odiara tanto o ladrão que o tirou dele, Thaile.
Tomei o arco nas mãos e fiz com que Thaile o segurasse. Ainda tirei o meu colar das gemas brancas e coloquei na outra mão dele.
— Vá súdito! Pague em dobro sua dívida para com o rei, e seja livre.
Quebrei o silêncio com a sentença de Thaile. Ele seguiu sorrindo até Thranduil e o reverenciou como um cavalheiro e estendeu as mãos contendo o arco e o colar.
O rei estava atônito, todos ali ficaram. Então, Thranduil levantou-se e tomou a oferta das mãos de Thaile.
— Vá! A sua dívida está paga. – Disse o rei.
Ao fazer uma reverência ao rei e ao príncipe que sorria discretamente, Thaile me abraçou e sussurrou em meu ouvido.
— Obrigada Anne. Venho visitar você quando puder.
— Da próxima vez, eu mato você. – Disse sorrindo.
— Duvido! Você me ama. – Ele afirmou com um sorriso largo.
Depois ele virou para a multidão e gritou:
— Vida longa a princesa Annael!
Quase morri de vergonha quando nenhum elfo se pronunciou. Eu já estava quase tendo a certeza que ninguém aprovou o que o fiz e com certeza iria perder Thranduil.
Eu queria sair correndo debulhada em lágrimas, até senti as lágrimas quentes se formarem em meus olhos enquanto eu esperava a minha sentença ao lado de Thaile.
— Vida longa a princesa. – Disse Elrond levantando-se de seu lugar.
Depois os outros jurados um a um me saudaram. Logo todos euforicamente e em uma só voz me saudaram:
— Vida longa a princesa Annael!
Thranduil deixou o seu trono e veio até mim. Thaile logo se afastou.
O rei tocou em rosto e me presenteou com um sorriso e expressão aliviada, estivera tão tenso quanto eu estava. Pisquei algumas vezes para eliminar minhas lágrimas.
— Não há nada o que temer agora, minha querida. Você é oficialmente a princesa dos élfos. Mas tenho que dizer que eu sabia que você iria livra-lo desde o início.
Sorri entre as carícias que ele fazia em minha bochecha.
Depois, ele estendeu a minha mão direita e colocou um anel que parecia ramos entrelaçado em meu dedo.
— É lindo. – Disse com a voz embargada.
— É simples assim como você é.
Acariciei o anel por alguns instantes para me certificar de que aquela vez não era um sonho.
Os elfos nos observavam em silêncio, talvez esperassem a minha recusa, alguma ação, alguma reação que eu não apresentava.
— Há algo de errado, Bela? – Ele perguntou docemente.
Levantei as mãos e acariciei o seu rosto. Sorri após sentir a maciez de sua pele.
— Estou me certificando de que não seja um sonho.
Com um sorriso malicioso o rei curvou-se um pouco até que seu rosto ficou próximo ao meu.
— Posso garantir de que não seja. — Ele sussurrou.
Ele chegou a tocar os lábios aos meus. Mas, de repente, um amontoado de elfas alegres e sorridentes chegaram ao nosso redor jogando pétalas de rosas para o alto enquanto algumas tocavam flauta, alúde, e harpa. Outras dançavam enquanto três delas me levantaram e me fizeram sentar em cima de uma, acho que cama, e seguiram comigo à caminho da porta do grande salão sob as palmas rítmicas e os risos da multidão de elfos.
— Thranduil!
Gritei entre risos estendendo o braço em direção ao rei que se divertindo até tentou chegar próximo a mim, mas Narir e Aranin o impediu cochichando alguma coisa que o fez rir ainda mais.
Evidentemente era real o eu estava sentindo dentro de mim. Era real aquele sorriso feliz emoldurado na face dele. Foi real o toque de seus lábios aos meus. Era real a alegria dos elfos.
Naquele momento, segundo a tradição do meu povo, eu era oficialmente noiva e princesa.
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