Rei Thranduil (Em reconstrução)

3 Capítulo 2: O convite (Novo!)


Notas iniciais
Boa leitura! ♥

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Era manhã de um dia quase fim do inverno. Bateram em minha porta antes mesmo que eu preguiçosamente caminhasse enrolada pelas cobertas até a sala de minha casa para costumeiramente ler os roteiros do meu pai.

As pancadas fortes na porta da sala do nosso pequeno chalé despertaram-me dos resquícios de sono.

— Já vou! Céus! Já estou indo!

Levantei-me jogando na poltrona os lençóis.

— Sou eu, Anne. — A voz rouca soou do outro lado da porta.

— Tahile?

— Quer abrir logo essa porta?!

— Aqui fora está frio, Annael. – Uma voz doce e feminina completou.

Apressei-me em girar a maçaneta da porta. Dália abraçava-se tremendo de frio ao lado de Tahile protegido por sua capa de lã. Fiquei surpresa por ver Dália na porta da frente, não gostava muito da minha presença e muito menos da classe inferior a ela. Adentrou a sala como um furacão forçando-me a virar para abrir passagem.

Eu ainda estava de camisola, com cara de sono, e os cabelos...

Fechei a porta e me apressei a servir um chá quente a senhorita que tremia sentada na poltrona do meu pai.

— O que fazem aqui tão cedo? – Disse servindo chá a Tahile que rejeitou.

Dei de ombros e tomei um gole do chá por ele.

— Trouxe-a para você convencê-la a não ir – Tahile disse de cara fechada.

— Não ir para onde?

— Acho melhor eu começar desde o início. – Dália disse com empolgação.

— Já vai começar com a criancice. – Tahile resmungou.

— Por céus, falem logo!

Com um sorriso infantil, Dália puxou com graça a capa de tecido aveludado na cor roxa, rapidamente tirou da bolsinha preta, entrelaçada em seu punho, um pequeno envelope marrom detalhado com fios de prata em suas bordas.

— Vim dizer-lhe que serei rainha.

Engoli o chá como se empurrasse um nó na garganta.

— Esperai... como? — Perguntei achando ter ouvido bárbares de uma bêbada.

Tahile gargalhou como se tivesse ouvido uma piada. Por outro lado, Dália fechou a cara como um presságio de que iria me escravizar quando chegasse a hora.

— Perdoe-me, senhorita — Tentei me redimir — Por acaso algum rei solteiro pediu-lhe a mão em casamento?

—Ah! — Ela indagou ainda com forçada graça — Vou explicar:

"Estava eu sentada na varanda da minha casa conversando com algumas moças da nobreza quando um ser chegou a galopes em um belo cavalo da cor cinza. Com graça e equilíbrio ele desmontou. Levantei-me e desci as escadas da varanda, me aproximei e lhe cumprimentei, quando ele baixou o capuz verde percebi que se tratava de um elfo. Cheguei a sentir um deslumbre me envolver com tamanha beleza. O elfo sorriu com graça e me saudou com cortesia, depois me entregou esta carta."

Ela abriu o envelope e me entregou a folha amarelada, desdobrei-a e comecei a ler as letras tão bem escritas que cheguei a devanear:

É com grande satisfação que o Rei Thranduil e o Príncipe Legolas, vos convidam a festejar a chegada à primavera e em celebração aos vinte e seis anos em que elfos, homens e anões obtiveram vitória na batalha aos redores de Erebor.

Por intermédio do convite comunicamos que o rei, ainda solteiro, deseja novas alianças, e é com honra que comunicamos que a senhorita Dália de Valle foi uma das escolhidas para conhecer o rei em uma estadia de três Luas em nosso reino após a festa da primavera.

Por favor, preencham a ficha junto ao convite e entreguem-na ao mensageiro em confirmação da vossa ilustre presença.

Com honra

A realeza Greenleaf

Cai sentada sobre o espaço ao lado de Tahile no sofá velho, completamente atônita.

Era quase impossível de acreditar visto a fama que aquele rei possuía. Seriam fofocas, calúnias?

— Mas aqui diz que serão o senhor Denny e você. – Falei ainda com os olhos grudados na letra do convite.

— Papai não poderá ir, então Tahile vai em seu lugar.

— Eu daria o meu lugar para outro se pudesse.

— O elfo disse que uma senhorita deverá levar uma dama junto, e você vai comigo porque é a única serviçal que presta.

Incrível como ela simplesmente achava normal tal humilhação, não só a mim também como aos outros criados que tanto trabalhavam para mantê-los confortáveis em seu casarão. Nojo!

Mas era uma boa oportunidade de sair, finalmente, dos limites da cidade, e eu com certeza queria ir.

Meus vestidos eram quase trapos que de novos só os remendos, poderia escolher o melhor deles. Mas...

— Perdoe-me senhorita, mas é melhor escolher outra serviçal. — desisti.

— Tarde demais. Ela já preencheu e entregou ao elfo. – Disse Tahile.

— Desculpe-me, Annael. Eu sabia que você não aceitaria por causa da sua...

Ela tentou, tentou mesmo escolher palavras gentis, mas após da breve pausa fez-me sentir uma ninguém:

— Condição miserável.

— Tudo bem. – concordei humilhada.

Dália levantou-se e se despediu mantendo distância como se eu fosse um cão sarnento. Depois de proteger-se com a capa e capuz, ela saiu sorrindo. Tahile fingiu que iria acompanhá-la, mas parou e fechou a porta.

—Por favor, chame seu pai.

— Você não vai acompanhar a sua irmã? – Perguntei curiosa.

— Anne, não é necessária a sua presença lá. Eu mesmo farei companhia a minha irmã. Só haverá nobres e você é apenas uma plebeia, se sentirá perdida lá.

O encarei sem acreditar no que estava ouvindo. Eu sabia que eu era inferior, mas não a ponto de não saber lhe dar com as realeza.

— Então acha que eu não sou capaz de me comportar entre os nobres? — Indagou retirando rejeitando as caricias de sua mão em meu rosto.

— O quê?! Não... — Tahile pausou apenas para suspirar — Por favor Anne, chame seu pai.

Eu queria confrontá-lo mas achei inútil. Então decidi ignorar e ele me seguiu até meu pai na sala de jantar. Meu objetivo era devorar alguns biscoitos de cevada e leite, tudo o que tínhamos para comer, mas...

—Bom... vou direto ao assunto. — Disse Tahile, um pouco relutante.

— Espere Tahile. — Interrompeu meu pai — Acho melhor eu começar.

Fingi não perceber a troca de olhares desconfiados. Peguei um biscoito na cesta e despejei chá na xícara do meu pai.

—Annael minha filha, você sabe que eu gostaria de vê-la com uma vida melhor e se possível bem casada...

Me engasguei quando percebi o rumo da conversa. Meu coração acelerou-se e algo revirou o meu estômago. Procurei algo para firmar os pés, mas não havia nada concreto, apenas a expectativa ruim puxava-me pelos pés.

Sem conseguir respirar normalmente deixei cair o biscoito no prato enquanto encarava meu pai.

—O senhor está propondo...

—Sim Annael — Respondeu Tahile cautelosamente como se tentasse domar uma leoa — Casar-se comigo. Vai fingir que não sou um bom partido?

O encarei sem demonstrar cortesia ao gracejo. Desejei que ele morresse engasgado com o chá quente qual calmamente bebericou.

Antes que eu pudesse protestar, Tahile continuou:

—Seu pai tem uma dívida para com o meu pai e deve pagá-lo.

—Não acredito que me forçará a isto!
Segurei as lágrimas de tristeza nos olhos e engoli o nó que se formava em minha garganta:

— Pensei que fossemos amigos. Pensei que tinhas um laço forte, mas agora percebi que na realidade é diferente. Sou apenas sua serva sujeita aos seus propósitos... não... não imaginei que estava à venda.

—Anne...

Tahile pareceu se importar com minha aparente tristeza, mas continuou friamente:

— Você não é uma mercadoria. É... é para seu próprio bem. Seu e do senhor Alíon.

Tranquilamente ele enfiou a mão no bolso e retirou uma caixinha vermelha e a abriu. Sobre a almofadinha aveludada jazia uma anel com um pequeno diamante.

—Aceite este anel como representação do nosso compromisso e do nosso futuro enlace, e a dívida do seu pai será perdoada, bem como sua condição de serva na casa do meu pai depois que eu falar com eles.

Tudo revirou de ponta a cabeça. Fiquei um cima de um alto muro decidindo se me rendia ou se lutaria até o fim.

Mas do que me adiantava alimentar esperanças de ser livre se tudo iria contra este desejo?

Sem me importar com mais nada, muito menos pensar sobre algo de futuro que sonhava, e mesmo apunhalada e ferida de morte, peguei a caixinha e enfinhei o anel em meu dedo:

"Pelo menos papai ficará com a casa." — Reconfortei-me em pensamentos.

— Considere-se noivo. — Disse friamente. — Está na hora de ir trabalhar, ser escrava da sua mãe. Espero que a senhora Leona não acabe comigo quando souber desta loucura.

Não tive coragem de olhar para meu pai quando deixei a mesa e me dirigi a sala.

—Bom dia papai! — Saudei já na porta — Tem sopa no caldeirão e pão no cesto.

Naquele dia, haja o que houvesse a senhora Leona estava disposta a tirar-me a paz:

"Annael faça biscoitos e ferva o leite. Lave a roupa e passe-as. Chacoalhe a tapeçaria e limpe o piso. Ajude Dália a arrumar as malas. Annael. Annael. Annael!"

— Sim, senhora. — Era o que inúmeras vezes repetia durante todo o dia.

No fim do maldito dia sentia-me sem vida, sustentada apenas pelos resquícios de força que me restava. Os calos nas minhas mãos doíam e todos os ossos do meu corpo protestavam a cada movimento.

O meu último ato no casarão dos senhores da cidade era organizar todos os livros da biblioteca, este sim era considerado um trabalho alegre, aproveitava o suficiente a estadia e me demorava o máximo para ter tempo de ler antigos livros quais a pequena biblioteca do meu pai não tinha o prazer em tê-los.

Livre dos donos da casa não me importava em passar horas lendo. Mas naquele dia eu não contava com presença estranhos.

Estendi a mão até a maçaneta e me demorei encarando o anel que brilhava em meu dedo. Era tão estranho estar noiva sem sentir que realmente estava. Forçada a um laço por puro egoísmo alheio. Não era o que sonhava para mim, jamais.

Girei a maçaneta.

A biblioteca estava impecável. Todos os livros organizados e postos em seus lugares. Na mesa de centro alguns livros estavam empilhados e abertos, nas poltronas três senhores de cabelos longos e vestimentas diferentes das que eu já vi.

Em silêncio dei meia volta a fim de sair, mas fui interrompida por uma voz cortês:

—Nos dê a honra de sua companhia, senhorita...?

—Annael, senhor — respondi após fechar a porta.

Não era apenas um simples senhor. Fui surpreendida por um rosto jovial, perfeito, esculpido por um criador cuja dedicação foi inteiramente de sua magnífica criação. Ele era uma combinação perfeita dos cabelos com a pele e os olhos azuis.

Senti a minha boca secar enquanto o observava caminhar calmamente até mim. O elfo possuía um sorriso suave nos lábios enquanto me observava.

Erguendo a minha mão, sem se importar com as fuligens e poeira entre as unhas, ele beijou-a. Surpreendi-me com tal cortesia.

—É uma honra conhecê-la. — Ele disse.

—A honra é... é minha, senhor. — Gaguejei sem jeito.

—É a serva do senhor da cidade, presumo.

"Escrava" — pensei

—Sim, meu senhor. Deseja chá e biscoitos? — Ofereci em reverência a cortesia. — Perdoe-me, não fui informada que visitantes esperavam na biblioteca.

—Estamos aqui para acompanhar a senhorita Dália até o reino — Disse o outro elfo de olhos cor de avelã, tão belo e gentil quanto os outros.

—Ah sim. — Falei sem entusiasmo.

—Suponho que irá acompanhá-la já que é sua dama.

—Sim, meu senhor.

—Então me permita entregar-lhe isto. — O elfo me apresentou um pequeno pergaminho enrolado por uma fita cor prateada e selado com o brasão real. — Em nosso reino, não fazemos distinção. Você é nossa convidada.

Peguei o pergaminho sem esconder a minha curiosidade referente às palavras do elfo, principalmente "O nosso reino." Curiosidade esta que outro elfo percebeu.

—Permita-me apresentá-lo — Ele disse — Este é Legolas, filho de Thranduil, príncipe do reino da floresta. Eu sou Haldir, general do exército do reino de Lothórien.

A análise rápida em espanto que fiz ao príncipe foi o suficiente para ele formar um sorriso leve em seus lábios suave.

—É um honra recebê-lo, meu senhor. — Fiz uma reverência sem ter certeza que fazia-o corretamente.

—Soube que a dama da filha do senhor Denny Valle é ótima com espadas bem como arco e flechas.

Pisquei algumas vezes em saber se diria sim ou não. Poderia ser boa em comparação aos homens, já com aos élfos... não me atreveria.

Também fiquei curiosa sobre alguém ter dito algo sobre mim, Dália certamente não agiria se não fosse para me prejudicar.

—Bom... talvez. — Respondi desconfiada.

—Convido-a para um dia de treino comigo quando estiver em Mirkwood. Aceita?

—Sim, meu senhor. — aceitei ignorando as perguntas que se formavam em meu subconsciente — Será um honra.

Após uma reverência e o sorriso gentil do príncipe e do general de Lothórien, eles se retiraram. Eu desmoronei em uma poltrona e urgentemente abri o convite.

A bela caligrafia estava cuidadosamente cravada com tinta negra. Lá continha algumas informações e algumas perguntas: Província, nome, idade, cor da pele, cor dos olhos e cabelos, nome dos pais, sonhos, pretensões, dons...

Preenchi sem intenção de entregá-la.

No dia seguinte o convite havia sumido da minha escrivaninha.

Notas finais
Até o próximo! ♥