Rei Thranduil (Em reconstrução)
12 Querida Mamãe(capitulo da primeira versão)
Notas iniciais
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Estávamos em plena primavera e o reino da floresta parecia ainda mais radiante adornada com as flores e rosas. Na aurora da manhã o orvalho gotejava das folhas verdes das árvores do jardim, os pássaros cantavam na soleira da porta da varanda do meu quarto, as finas cortinas brancas que nela pendiam dançavam com a leve brisa.
Era bom e tranquilo. Eu fazia questão de algumas vezes acordar cedo para apreciar aquela calmaria e beleza o qual eu me tornara amante.
Passei a gostar do conforto que ali tinha, e da companhia das elfas; dos cuidados e sabedoria de Narir, da confidência de Aranin e dos sorrisos e brincadeiras da sonhadora Lauren. Mas nem todo o conforto do mundo faria esquecer-me do meu pai.
Já se passara duas luas que estava na minha prisão encantada sem notícias do mundo lá fora, sem notícias do meu pai. Eu estava preocupada com ele, àquelas alturas ele estava com crises de proteção e com certeza Thaile o estava impedindo de já ter chegado pessoalmente no reino para interceder por mim ao rei. Mas por que Thranduil ainda me mantinha no reino se eu não servia de nada para ele?
Peguei o meu manto azul e envolvi meus ombros e braços, caminhei calmamente até o corrimão da minha varanda, fechei os olhos e respirei fundo o ar úmido deixando a calmaria do lugar me envolver.
— Queria que estivesse aqui papai, com certeza o senhor iria gostar. – Pensei em voz alta.
— Ora, esta visão é a mais bela de se ver em plena manhã.
Do jardim abaixo da minha varanda a voz serena de Legolas gracejava aos meus ouvidos. Abri os olhos e o avistei sorrido para mim ao pé da árvore que envolvia a varanda.
— Isso não é horas de visitar uma senhorita, alteza. A não ser que queira corteja-la ou presenteá-la com a sua doce voz. – Disse entre um sorriso.
— Se a senhorita me der a honra, subirei até a sua varanda e presentearei com algo ainda mais interessante que a minha voz.
Entre alguns hábeis e ligeiros pulos pelos galhos no caule da árvore, Legolas chegou ao meu lado na minha varanda. Ele segurou a minha mão e após beija-la estendeu o beijo a minha face.
Eu amava Legolas de uma forma ingênua e inocente, e não conseguia me ver mais longe do seu rosto e de sua voz pacifica. Ele era claramente a outra face do seu próprio pai.
— Me parece que sou o primeiro a cumprimenta-la. – disse entre um sorriso gentil.
— O quê... Como você sabe?
— Querida Annael, somos elfos. – Ele gracejou. – Além disso, o seu registro pessoal foi escrito na carta-convite juntamente com os da sua senhora.
— Sim, mas eu não sabia que estaria a data do meu nascimento nele. – continuei resmungando – Mas que invasão a privacidade.
— Vem aqui senhorita de Barahir.
Legolas me presenteou com um abraço pelas minhas costas, e alguns beijos leves na minha cabeça. Apesar do constrangimento, cruzei os braços e deixe-o me envolver mais, fiquei quietinha por alguns instantes sob seus braços aconchegantes.
— Porque está evitando o rei? – Legolas perguntou tranquilamente bem próximo ao meu ouvido. – Ele sente a sua falta mesmo você estando ao alcance de sua mão.
Quis evitar o inicio daquela conversa, pois não queria falar do rei, não queria lembrar-me da ultima vez que estive com ele a sós, não queria ter ilusões com o rei, não queria ter nada a ver com ele nos meus sonhos ou na vida real, se é que estava havendo algo. Por isso respondi a pergunta de Legolas com outra pergunta.
— Porque mandou Aldir me vigiar?
Quebrei todo o clima.
— Você sempre responde com outra pergunta? – Legolas afrouxou os braços sobre meu corpo.
— Quando quero evitar uma conversa, sim. – Me afastei dele e apoiei minhas mãos no corrimão a minha frente. – Além disso, há tempos que quero perguntar-lhe isso.
— Como você sabe sobre isso? Eu fiz o pedido em confidência. – Legolas expressou-se com dúvida.
— Esta sua suposta forma de confidenciar algum assunto está sendo muito bem executada.
Ironizei descaradamente. Légolas não entendeu e ficou parado me olhando feito um perfeito, lindo, sedutor bobo perdido na escuridão.
Revirei os olhos e continuei:
— Eu ouvi tudo, Legolas. Na noite que cheguei aqui eu sai para dar uma volta e peguei Aldir e você no flagra cochichando sobre mim, depois disso peguei muitas vezes Aldir me vigiando mesmo ele tentando não ser visto. – Cruzei os braços e ordenei. – Agora me diga por que Aldir me vigia, ou melhor, me explique porque todos ficam me olhando como se eu fosse um espirito amaldiçoado? Sou tão feia assim?
Legolas ficou com cara de bobo surpreso por mais alguns segundos antes de falar-me algo:
— A senhorita me surpreende a cada dia.
— Muito prazer, sou Annael.
— Não entendo. Não nos apresentamos antes?
Eu quis gargalhar, mas segurei o riso apertando os lábios um ao outro. Legolas era um fofo mesmo sendo um bobo com sua inocência sobre as picuinhas fora do normal que eu possuía.
— Deixa pra lá. Vai me dizer ou não?
— Muito bem! Permita-me lhe contar uma história antes. – Ele continuou com serenidade.
— Não sei o que terá a ver com o que perguntei, mas vamos lá! – Aceitei mesmo impaciente.
— Peço que me ouça com atenção. Se houver alguma pergunta, faça depois. Entendido?
Levantei a mão direita e gracejei mais um pouco:
— Prometo solenemente que perguntarei, com certeza perguntarei, depois.
Legolas sorriu e passou as mãos nos cabelos sem suas costumeiras tranças e encostou-se à cerca da varanda.
— Muito bem! – Ele começou a contar:
“Há muito tempo, na montanha de Gundabad, que fica entre as montanas cinzentas, um mal emergiu das profundezas da escuridão e ameaçava a existência da nossa era e da nossa terra. Gundabad tornou-se o pilar deste mal era a casa dos primeiros Orcs e do mestre da escuridão...”
“... A fim de eliminar tal mal o meu povo enfrentou a maior batalha já enfrentada sob a liderança do meu avô Oropher, Elrond e alguns reis dos homens, meu pai também estava lá...”
“... O meu avô morreu naquela batalha e junto com ele muitos elfos do exército. Meu pai ficou sozinho com as perdas, com sua dor, mesmo em sofrimento tornou-se rei...”
— Desculpe-me Legolas. – interrompi. – Mas o que isso tem a ver com o que lhe perguntei?
— A paciência da senhorita é curta. – disse ele segurando o riso.
— O motivo da minha impaciência é que a sua história não tem nada a ver comigo, mas sim com o seu pai, e eu não estou interessada no desastre do passado de Thranduil.
Peguei pesado. Legolas de imediato mudou a sua face serena para tristeza, percebi que tinha ferido ele com minha impensável rispidez.
— A minha mãe morreu em Gundabad. – Legolas explicou-se antes que eu me desculpasse.
Engoli as palavras. Aquilo não tinha passado na minha cabeça. Não se tratara só de Thranduil, mas também de Legolas.
— Sinto muito. – Disse envergonhada.
— Vi meu pai definhar em dor. – Ele continuou com tristeza e envolvido em pensamentos. – Eu senti muita falta dela. Muitas vezes implorei a Ada para me contar o que ouve lá, mas ele nunca falou nada. Sinto que até hoje ele sofre e se culpa pela morte da mamãe, ou melhor, ele sofreu até que... — Legolas hesitou a continuar.
Aproximei-me dele, levantei minha mão direita e acariciei seu belo rosto a fim de obter êxito em conforta-lo, não gostava nem um pouco de ver seus olhos ternos torturado pela tristeza.
Legolas fechou os olhos e percorreu a sua mão desde meu antebraço até a mão que acariciava o seu rosto, e segurando-a, deu-lhe vários beijos:
— Até que Ada conheceu você. – Ele completou e abriu os olhos.
Naquele momento era eu quem estava feito boba encarando Legolas. Faltavam-me palavras para perguntar, retrucar, murmurar ou até mesmo gritar.
Vendo Legolas a minha falta de reação aproveitou para continuar, coisa que depois preferi que ele não tivesse dito mais nada.
— Há muitas histórias nos registros élficos sobre a nossa vida e imortalidade, e também sobre nossa morte. – Ele acariciava a minha mão já fora de sua face. – Acreditamos que um elfo pode renascer depois de sua morte, e pode vir em um corpo élfico ou humano. O elfo renascido carrega consigo todas suas habilidades e toda sua memória.
Legolas soltou a minha mão e acariciou o meu rosto me olhando com uma ternura que chegou a aquecer meu coração, em seguida falou:
— Você não sabe o quanto senti a sua falta. – Arregalei os olhos. — Se não é lhe pedir muito, não me deixe nunca mais, e nem a Ada.
Eu reagi feito uma desvairada no mesmo instante. Ri feito uma louca na cara do elfo. Ri tanto que chorei.
— Você não está me dizendo que sou a sua mãe renascida, está? Então foi por isso que colocou um vigia a me perseguir?
Legolas nada disse, no entanto vi a decepção em seu rosto. Eu recuperei a minha sanidade e educação só então continuei:
— Perdoe-me Legolas, mas tenho que decepcionar você. – Me aproximei dele e coloquei a mão em seu peito. – Eu não fui elfa e nunca serei. Olha para mim, eu não pareço uma elfa, eu sou apenas uma plebeia de Barahir.
Legolas, evidentemente magoado, retirou a minha mão do seu peito e baixou-a. O ato dele me doeu, não sei dizer por que, mas me doeu.
— Já se olhou no espelho? — Fiz uma cara de indagação. – Você é a imagem de uma elfa, tirando suas olheiras que aparecem por vezes, cansaço e outras coisas que só os da raça humana possuem.
— Isso, vamos lá! Haja como seu pai e me rebaixe impiedosamente. – Retruquei com rispidez.
— Você é impossível quando quer ser. – Legolas me repreendia tão serenamente que chegava a fazer-me sentir a mais cruel das mulheres.
Respirei fundo e tentei não feri-lo mais:
— Legolas, você disse que elfos renascidos possuem todas as suas memórias e tudo mais. Desculpe lhe decepcionar, mas eu não sou a sua mãe. Mas que ideia é esta?!
— Convidei-a a lutar comigo para testar as suas habilidades, e você as superou. Quando pedi para você escolher uma arma eu já sabia qual você escolheria, as espadas gêmeas eram da minha mãe. Sem contar que você é a cópia perfeita dela, tudo em você lembra-me ela.
— Legolas, eu não sou a sua mãe! – Falei alto até demais.
— Você diz que não se lembra de nada... – Ele continuou – mas porque não me revela que sonhos, visões lhe perseguem desde sua infância?
As perguntas na voz dele pareciam me acusar, me torturar com as lembranças dos meus sonhos, pesadelos, ou será que eram realmente visões? Não sei. Mas aquilo estava mexendo comigo.
— Vamos Annael! – Legolas segurou em meus ombros. – Por favor, mamãe, me revele.
— Me solte Legolas! – Gritei no desespero das lembranças dos sonhos em minha memória. – Eu já disse que não sou elfa coisa nenhuma, e muito menos sua mãe. Nunca seria e nunca serei. Você me entendeu?!
Sai da presença dele e segui quarto adentro em direção a porta, Abri-a com o objetivo que ir tirar satisfação com o elfo velho e falso.
Andei apressada pelos corredores e pontes em direção a sala do trono, sob a tortura dos meus pensamentos.
— Então era por isso que o tal reizinho de meia tigela estava me tratando tão bem? Acha que eu sou uma elfa velha e morta que por ventura renasceu? Ah, mas você não vai me enganar mais com sua repentina bondade Thranduil, não vai mesmo.
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