Rei Thranduil (Em reconstrução)
11 Entre as Rosas(capitulo da primeira versão)
Notas iniciais
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— Estou com medo Aranin.
Receosa, parei. Estávamos na porta de entrada para a sala do piano.
— Mas por quê? Você já tocou este piano antes, estou certa disso.
— Sim. Mas eu nunca toquei pra nobre nenhum, principalmente um como o Thranduil que é tão... tão... – comecei a enrolar as pontas de uma mecha do meu cabelo enquanto procurava palavras.
— Ele é tão o quê? – Impaciente Aranin perguntou-me.
— Ah ele é tão... tão... tão rei.
A elfa riu divertidamente da minha cara a ponto de ir apoiar-se no pilar mais próximo da porta.
— Mais isso é mais que óbvio Annael. Ele é o rei. – Disse ainda rindo.
— E bem arrogante quando não se agrada de uma coisa. – Sussurrei.
— Ora vamos Annael. – Os elfos tinham uma habilidade inacreditável de ouvir nitidamente sussurros quase inaudíveis:
– Você vai se sair bem tenho certeza. Além disso, a música que você compôs é linda e mais que especial, tenho certeza que Thranduil vai apreciar.
Mesmo sentindo as minhas pernas tremerem, assenti. Narir abriu a porta que agora estava adornada de flores azuis. Respirei fundo e desci.
As escadas estreitas estavam iluminadas à luz branca das lamparinas élficas que na primeira vez que estive lá estavam empoeiradas sobre os ganchos na parede.
Quando avistei a grande sala, me senti em um conto de uma das histórias que meu pai possuía em suas prateleiras.
Àquele lugar estava diferente, estava cheio de vida e luz. Toda sorte de flores havia brotado dos ramos que outrora estavam secos; eles pendiam do teto branco ornando as paredes e boa parte do chão, alguns se enrolavam nas pernas do piano branco no centro da sala dando a ele um toque de cor e delicadeza, e as rosas encharcavam o ar com uma mistura de aromas suaves.
Parei no alto do quinto degrau e admirei, atônita, o salão cheio de vida.
— Bem-vinda plebeia de Barahir.
Olhei em direção da voz, Thranduil caminhava tranquilamente ao meu encontro vindo das grandes portas da varanda. Parecia que aquele rei rejuvenescia a cada dia, sua roupa majestosa na cor cinza detalhada com pequeninas esmeraldas no centro de cada bordado, os anéis que ornavam seus dedos e sua chamativa coroa de bagas e flores do campo que o distinguia rei élfico, o deixava ainda mais glorioso.
Desci os últimos degraus concentrando-me neles e no meu equilíbrio, estava tão nervosa que poderia jurar que travaria a qualquer momento.
De relance vi o rei me observar. Agradeci mentalmente a Narir, Aranin e Lauren por passar a tarde inteira me preparando para o encontro com o rei; o vestido vermelho era composto e leve como sempre, porém o modelo era mais voltado para uma nobre do reino dos homens que do élfico; Aranin modelou as leves ondas meus cabelos e prendeu-os meio soltos, depois Lauren assentou em volta da minha cabeça uma tiara élfica de prata; Narir reavivou o vermelho dos meus lábios com alguma coisa que tinha cheiro de amoras e beliscou de leve as minhas bochechas para ficarem um pouco mais coradas. No fim, as elfas fizeram um ótimo trabalho com minha aparência afim de não me sentir uma desprovida de beleza diante a perfeição do rei.
Desci o ultimo degrau, e ficando de frente ao elfo fiz mais uma das incontáveis reverências o qual o ele fez questão de retribuir, porém de um modo bem mais altivo que o necessário.
Ele me conduziu até o piano sem dizer uma palavra, e eu estava muda de nervosismo.
Sentei-me ao piano e Thranduil se posicionou ao lado dele voltando os braços para trás enquanto não tirava os olhos intimidadores de mim.
Desviei os olhos dele, encarei as teclas do piano e pensei desesperadamente:
— Vamos, vamos Annael de Esgaroth! Não seja covarde, toque a música.
Repousei meus dedos nas teclas, fechei os olhos, respirei fundo e comecei a tocar os primeiros acordes.
A cada nota, acorde, modulações, sentia o nervosismo desaparecendo, logo eu estava entregue a melodia. Linda melodia! Eu realmente tinha conseguido retira-la do meu sonho e trazer para a realidade. No entanto, estava faltando algo, a voz alçada com a letra élfica.
Não havia mais o que temer, já estava com a faca e o queijo nas mãos, só me restava corta-lo de uma vez.
Abri a boca e comecei a cantar em élfico na melodia em que cuidadosamente prestei a atenção no meu sonho, em uma letra que na linguagem comum dizia:
“Eu vou caminhar além da floresta onde o mundo se desfaz e a luz branca para sempre encherá o ar."
Estava tão entregue a melodia e a poesia que elas mexeram comigo. Esqueci que o rei estava o meu lado, esqueci-me da minha posição para ele, esqueci-me do lugar onde estava. Apenas eu existia.
Os sonhos vieram em forma de visão para mim, alguns que tinham se perdido nas minhas lembranças de infância, tantas coisas eles me revelavam, mas sempre existia uma face nebulosa neles, uma face que de forma alguma eu conseguia enxergar. Porém, o que eu sempre via daquela pessoa enigmática eram suas mãos e os anéis que adornavam seus dedos.
Então me veio em mente o ultimo sonho, ele me revelara a face até então desconhecida. Enquanto no sonho dançava com o rei Thranduil ao som da música que estava tocando no piano em realidade, eu sentia os anéis em seus dedos quando ele tocava em meu rosto, e via seus detalhes quando ele segurava a minha mão.
Parei de cantar e abri os olhos quando me dei conta de quem se tratava o rosto sob uma neblina em meus pesadelos. Direcionei minha visão a uma das mãos do rei, que estava repousa sobre a caixa de ressonância do piano, quando prestei a atenção nos detalhes daqueles anéis senti lágrimas se formarem em meus olhos e uma sensação de surpresa e angustia me envolveram, percebi que em toda a minha existência eu tive alguma espécie de visões com o rei Thranduil mesmo eu não o conhecendo.
Senti-me ofegante e sem concentração, parei de tocar. Tirei minhas mãos das teclas do piano e segurei firme nas bordas dos dois lados do banco. Fiquei alguns segundos atônita. E o rei nada falou mesmo vendo o meu estado emocional.
Eu precisava ficar sozinha para analisar o que ainda não conseguia acreditar. Como poderia aquilo ser possível se eu nunca tinha visto Thranduil antes? Foi então que me lembrei da visão que provavelmente Galadriel, a senhora de Lórien, me revelou no dia do ataque dos Orcs.
— Não estou me sentindo bem majestade, preciso voltar ao meu quarto. Humildemente peço que me libere do compromisso.
Tentando disfarçar a voz embargada, levantei-me do banco e me posicionei ao lado do piano com os olhos voltados para as mãos do elfo. Thranduil ignorou meu pedido.
— De onde conhece esta música? – Percebi uma leve agitação na quase sussurrante voz do rei.
— Eu a ouvi no meu sonho majestade, e a copiei sobre um pergaminho.
Quase não consegui falar, já sentia as lágrimas transbordarem dos meus olhos. Baixei a cabeça e fitei o chão.
— Em um sonho ou visão? – A voz dele estava mais próxima a mim.
Mais uma vez Thranduil elevou a minha cabeça afim de que nossos olhos se encontrassem, e quando isso aconteceu toda a neblina que cobria aquele rosto em meus sonhos se desfez. Vi nitidamente a face, antes escondida, bem ali ao alcance de minhas mãos.
Comecei a chorar perante o rei, não aguentei segurar. Eu sabia que a partir daquele momento o rei me consideraria fraca e incapaz de controlar minhas emoções. Mas pouco me importei, chorei mesmo.
De repente Thranduil me abraçou, e apesar de me surpreender em primeiro momento, não rejeitei o ato. Senti-lo tão próximo a mim era bom, era muito bom.
Ele afagava os meus cabelos com sua mão direita enquanto a outra envolvia as minhas costas.
Senti o seu rosto repousar no topo da minha cabeça. Mandei para as profundezas do abismo a posição dele e a minha naquele momento.
Pouco me importei se quem me abraçava era o rei. Envolvi os meus braços em sua cintura e pressionei-o mais em meu corpo enquanto me esvaia em lágrimas.
— Annael... Minha jovem, doce e adorada Annael.
Ainda sentia o rosto do rei no topo da minha cabeça quando me livrei dos braços dele impulsivamente. Enxuguei as lágrimas e olhei em seus encantadores olhos azuis, foi quando percebi que o abraço que me doou foi verdadeiro.
Thranduil mantinha em sua face uma ternura imensurável, seus olhos estavam embargados por lágrimas que ele mesmo insistia em contê-las. Ali, naquele raro momento de um Thranduil sem os grilhões de sua posição, eu pude perceber que ele era apenas um elfo solitário em seu mundo vazio.
– Em alguns minutos o jantar será servido, majestade. – retrocedi um passo para longe de Thranduil e ele adiantou outro mais próximo a mim. – O senhor Elrond, Legolas e Arwen nos aguardam.
Tentei me afastar aos poucos dele, mas a medida que eu me afastava ele se aproximava, até que o piano tornou-se um barreira em minhas costas.
Thranduil colocou as mãos no piano fechando as saídas por ambos os lados e eu fiquei presa com ele apenas um palmo de distância de mim.
— Não precisamos ir. – Ele inclinou a sua cabeça um pouco e sua a face ficou a poucos centímetros da minha. – Você poderá se alimentar em seu quarto, e eu não necessito disso, não agora. – Eu sentia o hálito doce do rei soprar em minha face enquanto ele sussurrava ternamente. – Se escolhermos não ir nada nos acontecerá porque eu sou o rei.
Fez-me fechar os olhos, foi quando eu senti a testa dele se apoiar à minha, depois senti uma de suas mãos repousar delicadamente em meu rosto, e a outra à minha cintura. Thranduil me puxou para perto do corpo perfeito e másculo que se escondia dentro do enorme manto, fazendo-me levantar e ficar na ponta dos pés. O meu coração parecia socar incessantemente o meu peito...
— O que quer de mim rei Thranduil? – Falei quase lutando ao transe de sua face próxima a minha e de seus lábios quase tocando os meus.
— Não é evidente? – Ele encostou a testa na minha. – Annael de Esgaroth, como eu desejo revelar-lhe tudo... eu
— Por favor, deixe-me ir. – Interrompi quase entregue.
Sem hesitar, o rei afastou-se atendendo o meu pedido. E eu fui-me a passos largos sem dar a ele mais uma costumeira reverência. Deixei Thanduil sozinho na sala de piano sem nem olhar para trás.
Não fui ao jantar e praticamente expulsei as elfas do meu quarto. Fiquei remoendo deitada sobre a cama todos os sonhos que tive em busca de algo que não tivesse a ver com aquele elfo Sindar, no entanto todos eles culminavam na magnitude e majestade da presença do rei Thranduil.
Senti que estava ligada a ele de um modo que não mais conseguia tira-lo dos meus pensamentos. Ele era o intruso nos meus sonhos e agora dominava a minha mente, e possuía o meu solitário coração.
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