Rei Thranduil (Em reconstrução)
18 A Fera(capitulo da primeira versão)
Notas iniciais
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Olhei em direção do rei pensando se seria verdade o que Thaile estava dizendo. Será que o amor do rei não seria forte o suficiente para me aceitar mesmo caluniada ou ele presaria a sua fama e me deixaria?
— Isso mesmo, pense Annael! Você sabe que ele não irá lhe aceitar.
Voltei-me para Thailer totalmente decepcionada com ele. Não acreditei que Thaile faria isso comigo depois de tantos anos que éramos amigos, praticamente a minha vida inteira, ele não era só o meu amigo era meu mentor, meu instrutor, meu mestre de espadas. Eu o amava, não como ele queria, mas o amava.
— Você teria coragem de fazer isso comigo Thaile? Você me conhece e sabe que não me entreguei ao rei, e Thranduil tem juízo apesar de você achar o contrário.
— Monte a sua égua Annael e vamos á Valle. – Thaile ignorou totalmente a minha explicação e a minha pergunta.
— Eu não vou com você Thaile! Eu amo Thranduil Greenleaf e não Thaile de Valle. Você consegue entender ou quer que eu escreva com letras gigantes?! — Berrei bem perto da cara dele.
Vi os olhos de dele mudarem de verdes para amarelo dourado, seu rosto ficar vermelho e seu maxilar se comprimir, parecia que ele iria explodir de raiva. Aquilo me deu medo, mesmo assim o enfrentei.
Thaile agarrou meu braço com tanta força que parecia que iria quebrar todos os ossos, aquilo doeu muito.
— Thaile você está me machucando. – resmunguei entre os dentes. — Thaile solte-me!
Dei um soco na cara dele com a minha mão esquerda, mas senti todos os ossos do meu punho estilhaçarem. Gritei de dor enquanto Thaile apertou ainda mais o meu braço completamente fora de si.
Quando dei por mim Thranduil segurou o antebraço de Thaile e foi puxando-o com a resistência do moreno, tinha tanta força envolvida que o braço de ambos chegava a tremer.
Logo juntou um bocado de gente curiosa ao nosso redor, a briga do rei élfico com o filho do mestre da cidade agora seria o assunto do mês.
— Controle-se criatura, ou você irá machuca-la. – Thranduil falou em voz baixa e severa.
Aos poucos fui sentindo cada vez mais os dedos de Thaile afrouxarem do meu braço, e quando finalmente ele baixou a mão pude agarrar meu punho quebrado com a outra mão.
— O que você tem na cara, ferro?! – Resmunguei. – Você é um bruto idiota!
— Não provoque a criatura. – Thranduil me repreendeu. Eu baixei a cabeça para analisar meu punho que me doía até o espírito. – Você virá comigo ao meu reino, não vou deixa-la aqui com esta criatura, ele irá mata-la.
Thranduil segurou o meu braço e me guiou até o seu servo, mas Thaile que me encarava desfigurado nos seguiu e me afastou do rei com tal brutalidade que me fez cair ao chão e depois deu um soco da face do rei. Os soldados logo se mobilizaram com as espadas em suas mãos e se posicionaram ao redor do rei.
Me virei e sentei no chão empoeirado segurando a mão quebrada, com a queda tentei me apoiar e sem querer feri ainda mais a mão que agora doía pior.
Mesmo que contorcendo de dor vi quando uma gota de sangue escorreu do nariz do elfo rei que elevou a mão e passou os dedos no local e em seguida analisou o sangue neles. Ainda ao chão, vi Thranduil se transformar deixando de lado todo o seu autocontrole libertando uma fúria que se igualava a Thaile.
Thranduil agarrou Thaile pela gola de seu sobretudo preto e levantou-o sem esforço e o jogou longe. Thaile saiu arrastando pelo chão de barro seco levantando poeira que quando baixou ele já estava de pé encarando o rei com um sorriso debochado e com os olhos amarelo dourado em pleno fulgor.
— O que está havendo com você Thaile? – Pensei assustada.
— Mas o que está havendo aqui?! – O mestre Dan, pai de Thaile, surgiu do meio da multidão.
— Controle o seu cão ou eu irei mata-lo. – Thranduil falou entre os dentes.
O senhor Dan, com medo, seguiu até Thaile a passos lentos e cuidadosos falando algo que eu não conseguia ouvir.
O rei veio em minha direção, me levantou nos seus braços e levou-me até seu alce acomodando-me nele. De cima vi Thaile com punhos cerrados seguindo apressado em direção para sua casa. O senhor Dan aproximou-se de Thranduil
— Perdoe o meu filho, ele é jovem e inconsequente. Espero que o acontecido não atrapalhe os seus planos para com minha filha. – O senhor Dan disse com respeito.
— Não irei mais me casar com sua filha, não ariscarei a minha vida ou a integridade do meu reino por causa dessa sua cria o qual ela tem por irmão. – O senhor Dan fez uma cara de espanto e Thranduil esclareceu uma coisa que não entendi bem:
– Isso mesmo, eu sei quem ele é. Sugiro que leve a criatura para bem longe da cidade ou ele terminará matando alguém. Quanto ao noivado, ele está desfeito, se tiver dificuldades em arranjar um par para sua filha me encarregarei de ajuda-lo.
Em seguida, Thranduil montou no alce ficando atrás de mim, e deu partida nele que seguiu galopando para fora da cidade deixando para trás o senhor Dan completamente sem ação.
— Thranduil o que irão pensar? – Perguntei preocupada e segurando firme a sela do animal com a mão que ainda servia.
— Não me importo. – ele respondeu encarando o caminho.
— Mas e o meu pai? Eu não avisei a ele, ficará preocupado comigo. Ele vai ter um ataque quando Thaile ou o senhor Dan encher sua cabeça com afirmações sem qualquer verdade.
— Podem dizer o que desejarem não me importo.
— Mas eu me importo... – Parei para respirar fundo e tentar me concentrar nas minhas palavras e não na dor do meu punho quebrado. – é a minha honra de moça que está em jogo.
— A sua honra já é minha, embora não tenha acontecido nada além de beijos entre nós. – Fiquei calada sem vontade alguma de discutir. O rei era mais teimoso que eu. — Pedirei a Legolas para vir busca seu pai e explicar o acontecido, tenho certeza que ele entender. Ele viverá conosco no reino da floresta. – Thranduil passou o braço em volta da minha cintura. – Também ordenarei um mensageiro para pagar a divida de seu pai.
— Obrigada. – Agradeci em sussurro.
Após cavalgar um bom tampo o Sol já estava totalmente escondido no horizonte e Thranduil fez sinal para a comitiva.
Já avistávamos a floresta quando paramos. Dois dos oitos soldados coletaram madeira seca e fizeram uma fogueira, cinco deles montaram uma tenda de baixo de uma árvore, enquanto o que restou retirava alimentos de dentro de uma enorme bolsa de viagem que estava pendurada em seu cavalo.
Eu fiquei observando tudo morrendo de dor sentada sobre a raiz aérea da arvore coberta de musgos. Enquanto eu estava aguentando firme a dor do meu punho dilacerado, Thranduil amarrava as rédeas do seu lindo alce e dos outros cavalos em outra raiz.
Rapidamente a tenda ficou pronta, um dos elfos que veio sorrindo em minha direção estendeu a mão e me conduziu para dentro da tenda. Não havia nada de especial dentro dela, apenas duas mesinhas redondas nas extremidades da tenda, ambas sustentava uma lamparina que queimava um fogo azul, havia também uma cama larga com cobertores grossos e felpudos.
Fiquei admirada com tamanha organização, e imaginei como aqueles elfos carregaram tudo aquilo. Aproximei-me dos móveis e analisei cada um percebendo de imediato que eles poderiam ser destrinchados em várias partes. Sorri me divertindo com a inteligência dos elfos.
— Lhe trouxe algo para você se alimentar. — A voz calma e potente de Thranduil soou atrás de mim me fazendo virar-se em sua direção. — E também bandagens, seu punho deve está doendo, imagino.
— Sim. Acho que quebrei o punho socando a cara de Thaile. Eu sabia que ele era cabeça dura, mas não tanto.
Thranduil moldou um sorriso soberano em seus lábios e segurou meu antebraço para analisar meu punho.
— Ai! – protestei em um sussurro a pressão que ele fez no local.
— De fato está quebrado. – Concluiu.
— Da próxima vez que eu for esmurrar Thaile usarei uma luva de ferro. – Resmunguei.
— Você continua valente e corajosa, confesso que admiro suas qualidades. Mas não quero que chegue perto daquela criatura medonha. – Thranduil disse enquanto massageava devagar o meu punho com um óleo ardente.
— Por que nomeou Thaile de criatura medonha?
— Não observou o comportamento feroz? Os olhos amarelos e seu desejo de luta de modo a perder todo o seu raciocínio?
Tudo aconteceu tão rápido que eu mal percebi que a repentina mudança do meu amigo não era nada normal.
Não respondi o rei, apenas fiquei questionando algo sobre Thaile em minha mente, lembranças dos momentos de ataques de fúria dele era quando se afastava de mim e sumia por um tempo.
Thranduil enfaixou o meu punho deixando-o imóvel. Depois desatou os laços do punho direito do meu vestido marrom e levantou a manga até o meu ombro. Virei a cabeça par analisar a leve dor que sentia no braço e vi marcas roxas na minha pele branca, marcas que delineava perfeitamente a mão de Thaile. Fiquei triste ao me dar conta que Thaile seria capaz de me machucar. Thranduil passou o mesmo óleo ardente fazendo leves massagens e baixou a manga do meu vestido novamente.
Enquanto ele guardava os jarrinhos de prata com seus óleos curativos e bandagens em um pequenino baú e saiu com ele para fora da tenda, me deliciei com a comida que os elfos preparam na fogueira, era uma ótima sopa com ervas que eu nunca havia sentido o sabor.
Deitei-me na cama extremamente fofa, fechei os olhos e fiquei ouvindo Thranduil dar instruções aos soldados para a troca de vigília durante a noite. Acho que eu dormi porque quando recobrei o sentido Thranduil acariciava a minha face deitado ao meu lado. Abri os olhos.
— Acordei você. – Ele disse ternamente.
— Aposto que qualquer uma queria ser acordada sob as carícias do rei da floresta.
Thranduil pareceu sorrir ao meu gracejo, em seguida perguntou:
— E seu punho e braço?
— Não estão mais doendo graças aos seus cuidados.
— Aquele covarde e insolente pagará pelo que fez. – senti raiva nas palavras de Thranduil.
— Não quero que o machuque.
O rei levantou-se da cama e ajeitou o manto negro puxando-o por sua gola.
— Aquele fedelho insolente lhe machuca, te fere e ainda o defende? – Agora ele estava realmente com raiva, mas não de Thaile, sim de mim.
Levantei-me também da cama, me pus de frente ao rei, levantei a mão direita e acariciei o seu rosto, pareceu dar certo, Thranduil mudou totalmente a sua expressão rancorosa para a serenidade que tanto me agradava.
— Por que nos preocuparmos com Thaile agora? Não vê que estamos aqui, sós mais uma vez. Eu estava usando o colar élfico que você deixou em minha casa, mas ele foi arrancado de mim.
— Então me aceita, e não está aqui porque eu a raptei? — O rei perguntou-me tranquilamente.
— Eu aceito você, rei Thranduil.
Esbocei um largo sorriso este que Thranduil retribuiu do mesmo modo. Mas quando o rei fez menção em me beijar um soldado gritou do lado de fora:
— Estamos sendo atacados!
Thranduil pegou a sua espada e saiu às pressas para fora da tenda, e eu por impulso o acompanhei.
No lado de fora os soldados esperavam algo encarando o escuro depois da linha circular da luz da fogueira. Olhei para o lado e vi um elfo sentado no chão encostado à árvore, estava ferido na perna por uma flecha, me aproximei rapidamente para ajudar a estancar o sangue, mas quando segurei a flecha reconheci a marca de estrela manualmente desenhada nela.
— Thaile! – Sussurrei abismada.
Coloquei os joelhos na perna do elfo e arranquei a flecha com a mão livre.
— Viram alguém ou algo? – Thranduil perguntou.
— Não meu senhor. Vimos apenas quando Lanun foi atingido. – respondeu um deles.
Eu sabia quem tinha atirado a flecha e iria dar um fim naquilo de uma vez. Deixei o elfo pressionando o ferimento com um pedaço de tecido que rasguei da borda do meu vestido e sai de fininho para a escuridão atrás da tenda.
— Thaile? Thaile você está aí? Apareça – Sussurrei.
Esperei alguns instantes forçando a minha visão para ver se enxergava o vulto do corpo alto de Thaile, mas só via escuridão. Resolvi tentar mais uma vez, quem sabe se eu o insultasse ele aparecia:
— Thaile seu insano idiota, apareça! – insultei aos sussurros. – Não vou permitir que machuque os elfos por causa de seu obsessão por mim, ouviu? Eu vou quebrar a sua cara assim como fez com o meu punho.
Ouvi um grunhido que parecia de um animal feroz perto de mim, forcei um pouco mais a visão e quando meus olhos finalmente clarearam minha visão, vi um animal grande e peludo que correu em minha direção e abocanhou a minha perna me puxando com impressionante rapidez em direção a floresta.
— Thranduil!
Gritei pela ajuda do rei morrendo de medo. Aquela besta faminta estava me arrastando para morte.
— Annael onde você está! – Ouvi a voz do rei gritar meu nome. Eu já estava longe quando ouvi as ordens desesperadas do rei: — Procurem-na!
Tentei cravar as unhas na terra, agarrar a grama, apalpar alguma pedra, mas tudo fugia das minhas mãos. Com a perna livre dei um chute no focinho da coisa que me arrastava, chutei tão forte que ele largou minha perna e grunhiu em dor.
Levantei-me e sai correndo no escuro em campo aberto em direção o pequeno feixe de luz da fogueira do acampamento do rei, mas a coisa pulou por cima de mim e ficando a minha frente esbaforindo ódio e com os seus olhos brilhantes, freei a corrida e parei bem cima dele. Fiquei imóvel para não atiçar a coisa, mas a coisa passou a cabeça entre as minhas pernas e me jogou para cima de suas costas e começou a correr floresta adentro.
Eu estava sentindo a morte chegar, aquela coisa tinha inteligência e estava me conduzindo ao meu fim. Na morte eu não teria mais honra para defender, morria conhecida como uma plebeia cortesã.
— Tenho que matar essa coisa! Se eu sobreviver deixarei Thranduil matar Thaile, ou eu mesma o mato.
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