Refúgio
21 Botânico
Sentados na beira do penhasco onde tantas vezes foram reclamar um do outro, Vincent e Naeedja dividiam uma maçã.
— Cheguei aqui tão assustado... — comentou, sorrindo discretamente em seguida. — Você não fez muito para me ajudar.
— Essa acusação é injusta.
— Tudo bem, eu entendo. — Ele mordeu a fruta, oferecendo-a de volta para Naeedja. — Mas eu queria dizer que, apesar de você ter sido chata pra caramba, acho que temos uma ligação.
— Amor.
— Q-que?
— Não desse tipo. Mas quando olho para você, sinto uma afeição muito grande. Admiração, empatia. Eu consigo me ver em você, Vincent. — Ela desviou o olhar para o longe. — Isso é bom. Talvez com você, os planos de Destino comecem a entrar nos eixos.
Esse era justamente um dos assuntos que Vincent gostaria de pleitear, porém evitava. Não seria gentil atormentar Naeedja agora, mesmo achando que se afastar dos humanos foi um erro.
— Você chegou aqui assustado. E eu estou assustada por ter de deixar esse lugar.
Vincent não queria falar sobre isso. Deu mais uma mordida na maçã, sentindo dificuldade para engolir.
— Obrigado pelas angiospermas.
— O quê?
— Plantas com frutos. Tenho me lembrado de algumas coisas. E quer saber? Acho que eu era botânico.
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