Notas iniciais
Oi, gente! :) AAAAAAAAAA finalmente sábado chegou e eu vim atualizar a fic nos primeiros minutos. Se eu tô animada? Só um pouquinho haha Espero que gostem, boa leitura ♥

—Força! – o grito de Alice ecoou pelo salão. Ela repetia as palavras, como se fizessem parte de uma canção, enquanto segurava o saco de pancadas para que eu o esmurrasse repetidamente.

Alguns fios do meu cabelo desprenderam-se do rabo-de-cavalo e se moviam à medida que eu saltitava lançando golpes. O exercício ritmado e vigoroso era maravilhosamente catártico, e me ajudava a liberar a raiva e frustração.

—Vamos lá, sortuda, mais forte!

—Chega! – minha voz falhou por conta da respiração ofegante. Maneei a cabeça apoiando as mãos nos joelhos. —E sorte, certamente, é algo que não tenho no momento. Não tenho folga há semanas!

Apesar do local deserto, mantive a voz baixa, não queria ser ouvida. Tirei as luvas suadas e abri todas as torneiras para que o barulho abafasse nossa conversa. Enchi a garrafa de água e molhei o rosto, na tentativa de acalmar um pouco meu corpo.

—Do que está reclamando? Trabalhar para Edward Cullen é um sonho! – Alice deu um sorriso largo, entregando sua garrafa para que eu a enchesse. —Fingir ser namorada dele seria o máximo... Porque eu não fui escolhida? – um leve biquinho se formou em seus lábios avermelhados.

Arrumei os fios que caíam em meu rosto e sorri com malícia, enquanto Alice refazia seu rabo-de-cavalo.

—Sinceramente, não acho que eu seja a pessoa mais indicada para fingir ser uma secretária. Mas, se fosse para dividir a cama com ele, eu até desenharia umas joias... – Alice esboçou um risinho travesso. —Você é tão sortuda, Isabella Swan!

Sortuda. Aquela palavra nunca tinha sido tão associada a mim quanto naqueles tempos. A maioria das mulheres que sabiam sobre minha nova missão repetiam aquilo constantemente. Edward Cullen era mesmo um homem lindo, aquilo era um fato incontestável. Contudo, sua personalidade forte era tão famosa quanto sua beleza.

—Sorria, Bella! Você está com uma expressão horrível essa manhã. – a observação de Alice rompeu minha bolha de pensamentos. —Estamos em um dos melhores hotéis de Melbourne, temos todas as regalias imagináveis e aí está você com a cara fechada... Que tal uma sauna? – a última coisa que queria era entrar numa sauna àquela hora da manhã, mas fora lá o local combinado entre os detetives de se encontrar para conversar.

Revirei os olhos, em protesto, e dei um sorriso de desdém ao concordar com a cabeça.

—Como é a Ângela? — perguntei, quando já estávamos enroladas em toalhas na sauna, com a porta bem fechada.

—Eficiente. – Alice revirou os olhos. —E falante demais!

—É bom que seja assim. Graças à eficiência dela soubemos da ameaça na segurança.

—É, mas não temos muitas pistas. – Alice soou um tanto quanto decepcionada. —As flores enviadas para o hotel dele podem ser de uma ex-namorada.

— Duvido. – a interrompi. —Nas duas outras ocasiões em que Edward recebeu flores, ele poderia ter morrido. É muita coincidência, não acha? Já imaginou a péssima repercussão na mídia se algo acontecer a ele?

— É. – deu de ombros. —É que parece exagero. Um bando de detetives experientes atuando como guarda-costas. Até Erick foi escolhido para ficar servindo drinques no bar. Acho um desperdício usar policias que poderiam estar fazendo algo mais útil.

—Que Emmet não te escute dizer isso. – nós duas rimos juntas. —Ele está disposto a mover céu e terra para descobrir quem está por trás disso. O Cullen e ele são muito amigos.

Jogando algumas gostas de água na pedra quente e aumentando ainda mais a temperatura escaldante da sauna, Alice, ao contrário de mim, estava feliz demais para continuar falando sobre trabalho.

—Adoro isso aqui. – expressou com alegria. —Parece um spa.

—Queria mesmo estar em um spa. Aliás, queria poder tirar os próximos dois dias de folga. – fiz uma pausa para elaborar as próximas palavras. —Tenho coisas para resolver.

O suspiro de Alice ecoou pela sala calorosa, mesmo sem estar olhando diretamente para ela, vi sua postura mudar completamente. Quando se sentou ao meu lado não havia sinais de brincadeiras em sua postura.

—O que foi, Bella? É por causa de Mike?

—Também. – assumi com um suspiro longo. —Vou sair do apartamento que dividíamos. Ele vai comprar minha parte. – Alice me escutava no mais profundo silêncio. —Ou seja, preciso arrumar um lugar para morar, cuidar da minha mudança... Preciso reorganizar toda minha vida. De novo.

—Pode ficar comigo. Sabe que sinto falta de quando morávamos juntas. – suas palavras foram doces e sinceras, foi impossível não sorrir diante tanto carinho. —E você vai encontrar alguém muito melhor que o babaca do Mike. – seu braço passou por meus ombros. —Aliás, já encontrou. Edward Cullen é todo seu.

Minha gargalhada saíra alta e longa. Alice era uma pessoa fantástica e sabia me animar como ninguém.

—Ainda acho que Mike está com inveja da sua promoção. Inspetora Isabella Swan. – no fundo eu concordava com ela. Alice sabia, tão bem quanto eu, como era difícil ascender e ser reconhecida em ambiente bastante masculino.

—Ainda não está nada certo. – deixei claro. — Mas ele disse que não tem certeza se esse é o tipo de trabalho que gostaria para sua futura esposa.

—Babaca. – Alice bufou e rolou os olhos. —Te colocou contra parede.

—Sim, promoção ou casamento. – mesmo depois de dias, aquilo ainda me parecia absurdamente ridículo. —Pelo visto, não posso ter os dois. – mesmo sem querer, minha voz entonou certo grau de tristeza.

É claro que eu queria me casar e formar uma família. Mas jamais passaria por cima dos meus sonhos e conquistas para satisfazer alguém.

—Aí, Bella. – a voz de Alice fora pura piedade. Recostei a cabeça em seu ombro, me permitindo alguns segundos de tristeza. Esse problema era comum na vida de mulheres detetives: conciliar o amor com o trabalho. Por mais atraente, linda e inteligente que fosse, uma detetive jamais conseguiria ser a esposa dedicada que os homens, ainda tão ultrapassados e machistas, esperavam. Porém, isso não tinha a menor importância, até que aparecesse alguém que realmente fizesse a diferença.

—Não vou ficar remoendo isso. Terminamos. Acabou. E é isso. Vida que segue. – ergui a postura, Alice pareceu gostar do meu tom decidido.

—É isso aí! E pelo menos, vai poder chorar suas lágrimas em alto estilo! – abriu ainda mais o sorriso. —Tudo pago em um salão de beleza, e ainda namorar com Edward Cullen. Quem melhor para se tentar uma história de amor?

—Com Edward Cullen não há histórias de amor. – a corrigi, sentia-me muito melhor por ter desabafado com Alice. —Andei lendo sobre ele ontem à noite. O homem tem uma biografia inacreditável! Sempre foi mulherengo, mas no ano passado ele se superou. A lista de casos é interminável. As mulheres mais lindas do mundo: atrizes, realezas, modelos, mulheres de jogadores de futebol...

— Quem? – Alice perguntou, curiosa. —Alguém que eu conheça?

—Conhece. E quase todos os casos acabaram em lágrimas... derramadas pelas mulheres, é claro.

—Ele é tão cruel assim?

—Pior que isso! – além de cruel, era lindo. —Espero que ele se comporte.

—Se não se comportar, pode passá-lo para mim. Sei muito bem como divertir o rapaz.

—Você ia se sair bem melhor do que eu, tem muito mais a ver com Edward Cullen.

— Não sei se foi um elogio ou se está dizendo isso só porque, uma vez, coloquei botox. – me empurrou com o ombro, não contive a risada.

—Estou querendo dizer que você é uma namoradeira irremediável. – seu riso se uniu ao meu. —Estou querendo dizer que é tão linda que ninguém ia estranhar se a visse abraçada com o Cullen. Ao contrário de mim. Vou me sentir tão estranha e deslocada ao lado dele, que tenho medo de cometer gafes.

—Você vai se sair bem. E você é linda. – Alice discordou. — Vai vestir roupas diferentes, receber tratamento de beleza e se divertir muito. Pena que eu não possa dizer o mesmo. Ângela já demonstrou que está enciumada por eu ter sido “contratada”. – seus dedos longos fizeram aspas no ar. —Acho que está com medo de perder o emprego.

—Se ela é eficiente como você diz não deve estar entendendo o porquê de uma assistente pessoal.

— Eu sei. – Alice mordiscou o lábio inferior e então suspirou. —Acho que já chega de sauna. Mais um pouco e vou desidratar. – levantou-se. —Chega de moleza. Mãos à obra, e vamos logo para o salão de beleza. Tenho de começar me transformar em uma mulher de negócios chique, enquanto você, Isabella Swan... – Alice diminuiu o tom da voz enquanto eu choramingava.

—Vai ser divertido. – insistiu me puxando pela mão. —Como naqueles programas de TV em que as pessoas se transformam: o antes e o depois; uma detetive de terno e coturno que se torna uma designer de joias, riquíssima e glamorosa.

—Que veio a Melbourne para vender suas preciosidades. – completei o texto exaustivamente ensaiado.

—Bem, seja lá quem você for ou de onde venha, Mike vai ficar se remoendo, quando a vir deslumbrante e arrasando. – ponderei diante suas palavras, ia gostar daquilo. Alice encarou o relógio e fez ar de preocupação. —Mas é bom irmos logo. Você já está atrasada.

Aquela era uma situação bastante peculiar. Ir ao salão e passar por longos cuidados estéticos antes de entrar de vez em uma operação. Eu sabia que era para não levantar suspeitas. Ninguém podia, se quer, sonhar com verdade por trás daquilo tudo. A vida de Edward Cullen corria perigo, e além de ser um dos homens mais importantes dos Estados Unidos, ele era o melhor amigo —irmão— do meu chefe.

Toda a operação fora pensada e arquitetada perfeitamente. Eram mais de trinta agentes, todos infiltrados. Com os pais, com a irmã, com o irmão, até mesmo a ex-mulher receberia certa atenção. Contudo, Emmet deixara claro: A prioridade era Edward e sua filhinha de cinco anos, Melissa.

Eu só esperava que aquilo não demorasse muito. Estava deixando toda a bagunça da minha vida de lado, para cuidar da de outra pessoa. E mesmo estando acostumada com toda aquela entrega que minha profissão exigia sentia-me bastante cansada.

O salão de beleza do hotel parecia não ter fim. Não conseguia medir a dimensão daquelas salas que opava três andares, e estavam equipadas com as coisas mais luxuosas. As paredes de vidro ofereciam uma bela vista para o rio Yarra, que atravessava toda a cidade, e era um verdadeiro cartão postal.

—Então, você marcou hora para fazer unha, maquiagem e escova? – Kim, a esteticista perguntou, enquanto enrolava uma toalha quente em minha cabeça, guiando-me, em seguida, para a sala de maquiagem.

Assenti com a cabeça, sentando-me em uma cadeira e tentando soar descontraída.

—Mas não sei se vai dar tempo para fazer as unhas. Tenho um encontro daqui a pouco.

—Não tem problema. A Lucy pode cuidar da sua unha, enquanto faço a maquiagem – respondeu Kim, obviamente, acostumada com clientes apressadas e ocupadas. —Deixe-me dar uma olhada em você.

Parou a minha frente e sua beleza me deixara impressionada. Era alta, tinha curvas fartas que o vestido cinza justo exibia perfeitamente. Os olhos que me analisavam tinham uma cor cinza bastante peculiar, o que me fez pensar se não eram lentes de contato. O cabelo caramelo estava preso em um rabo de cavalo alto, mas mesmo assim pude perceber como eram hidratados.

Sua respiração funda me fez manear a cabeça, um pouco envergonhada, por tê-la encarado demais. Kim retirou a toalha e passou os dedos por meus fios úmidos.

—Trabalho ou lazer? – cerrei os olhos encarando-a confusa e Kim explicou melhor a pergunta. —O encontro? Quero saber como vou fazer a maquiagem.

—Trabalho. – respondi com segurança. —E quero estar maravilhosa. – e precisava estar.

—Pode apostar que ficará. – Kim me lançou uma piscadela apanhando a base sobre a enorme bancada que corria por toda a sala.

Fechei olhos e comecei a papear com Kim sobre as joias e peças exclusivas que supostamente criava, já praticando a personagem que teria de atuar pelos próximos dias.

—Quanto tempo vai ficar no hotel?

—Tenho de sair hoje. – dei de ombros, fingindo desapontamento. —Quando me registrei estava esperando ficar uns quatro dias, mas, aparentemente, o hotel está lotado há semanas. Algumas pessoas poderosas estão chegando hoje. Devem estar trazendo minhas malas, agora. Enquanto isso, o pessoal da recepção está buscando outro hotel para eu ficar.

—Vê se pode! – exclamou com as mãos na cintura. — Dispensando os hóspedes...

—Mas estou até gostando. Só espero que consigam achar um hotel apropriado para mim; algum lugar com um salão decente, pelo menos. – tentei soar o mais fútil possível. — Quem são essas pessoas que estão chegando, você sabe?

—Bilionários. – respondeu com um suspiro teatral. —Uns magnatas americanos, donos de uma cadeia de hotéis. Disseram que tenho de caprichar na aparência e no serviço... que tal marrom?

—Como? – a encarei sem entender.

—Nos olhos. – explicou com certo divertimento. — Você disse que queria algo neutro, um marrom esfumaçado vai enfatizar a incrível cor dos seus olhos; são mais dourados que avelã.

—Não quero nada muito forte. – não estava acostumada com aquelas maquiagens carregadas ao estilo das Kardashians. Gostava de algo mais leve. —Realmente, prefiro um toque mais neutro.

—Confie em mim. – Kim insistiu, as unhas longas e vermelhas circulavam no pó, enquanto me encarava. —Você vai ficar deslumbrante. Basta uma varinha de condão e vou transformá-la em uma nova mulher.

Era exatamente aquilo que eu precisava. Mudar o visual e encarar aquele personagem.

Com um suspiro fechei os olhos e deixei que Kim e Lucy cuidassem de tudo. Nem sequer me olhei no espelho, quando tive de se sentar para fazer a escova. Peguei meu celular, enquanto minhas mechas eram esticadas abaixo dos ombros.

—Pronto! – a voz de Kim era triunfante, ao tirar o avental que me cobria. —Vou pegar um espelho para que veja a parte de trás.

Normalmente, minhas visitas aos salões de beleza eram experiências frustrantes — dizia um obrigado simplório e me arrependia do tempo perdido. Desta vez, no entanto, me contive para não sorrir, pois devia fingir que estava acostumada àquilo; a ficar divina e encantadora.

Olhando-me atentamente através do espelho, mal conseguia me reconhecer. Os fios acobreados eram uma cortina de seda, hidrata e reluzente. Mas não foi apenas o cabelo que me deixou fascinada. Era todo o conjunto! Meus olhos cor de ouro que contrastavam com os cílios bem negros e as pálpebras amarronzadas. Meu rosto estava macio como veludo e os lábios vermelhos bem mais carnudos e sensuais.

O sorriso escapou por meus lábios. Era incrível como minha carreira era dinâmica: havia uma semana estava em uma churrascaria, vestida de moletom e jeans. Bem diferente do estilo que estava tendo de assumir, naquele momento. Na última missão, tive de espionar cafetões e traficantes. A refeição consistia, basicamente em copos e copos de café, para me manter acordada em companhia de Emmet e Erick.

Foram quarenta e oito horas de confinamento em um micro-ônibus, aparentemente abandonado. Histórias e realidades totalmente diferentes das que descobria na pele de uma executiva rica: um suco de laranja feito na hora foi a primeira coisa que tomei ao invés da habitual caneca de café. E agora o banheiro de mármore substituía o banheiro de plástico do micro-ônibus.

Não era outro mundo, mas outro universo. E a vida opulenta em que estava agora era o mundo a que eu pertenceria, pelos menos por alguns dias. Eu iria tentar me divertir, assim como Alice. Viveria a fantasia de ser obscenamente rica. Estava sempre tendo de lidar com situações ruins. Talvez fosse hora de aproveitar a mordomia.

Encarei-me no espelho e alisei o veludo macio do vestido preto que cobria meu corpo. A ansiedade me deixava com o estômago trêmulo, as mãos suadas e uma leve falta de ar. Me recompus no instante em que as portas do elevador se abriram.

Caminhar sobre saltos de agulha que eram, além de desconfortáveis, altos, não era uma missão fácil. Contudo, mantive a postura que a maioria das mulheres ali tinha. Queixo arqueado, ombros para trás. Olhava a tudo de cima, com uma superioridade que não era minha.

Não precisei procurar por muito tempo para vê-lo. Estava sentado em uma das mesas mais privilegiadas, a sua frente havia uma xícara e algumas torradas, seus olhos peculiares e lindos estavam fixos no celular. Edward era muito lindo, e a camisa branca que vestia enfatizava todos os músculos de seus braços.

Lindo e gostoso.

Prendi o ar nos pulmões indo até o balcão, Erick me olhou por um breve instante, visto que preparava um drink, mas pude ver a perplexidade em seus orbes negros. Contive o sorriso sentando-me em uma das banquetas. Talvez aquilo fosse mais divertido do que eu pensara.

—Senhorita. – manou a cabeça ao me estender a taça onde pedaços de morango flutuavam na água de coco. Agradeci com um breve sorriso. Enquanto estivéssemos ali, somente Erick poderia preparar meus drinks, visto que era proibida a minha ingestão de álcool.

Tomei o devido cuidado de manter a postura enquanto bebericava o drink fresco, cada movimento fora pensado e ensaiado centenas de vezes, por isso, quando Erick gesticulou o pano de prato pelo balcão, soube que ele estava se aproximando. Estava de costas para ele, porém podia sentir o calor de seu olhar fixado a mim. Tomei mais um gole da bebida, sentindo-me um animal em uma jaula. Apesar da sensação desconfortável, quase de medo, e mesmo que todos meus sentidos me alertassem da aproximação dele, me mantive impávida. Esse era o meu trabalho, minha missão.

Esforcei-me para manter as mãos tranquilas comendo um pedaço de morango que boiava no drink. Meu coração pulsava de tensão, prevendo a proximidade dele. O desejo de sair dali correndo aumentou, mas permaneci como se nada estivesse acontecendo, estava determinada a resistir ao ataque de Edward Cullen e tratá-lo de forma profissional.

Ele parou ao meu lado, apoiou os braços fortes no balcão, seu perfume era forte e marcante. Engoli a seco apoiando as mãos em meu colo, provavelmente derramaria a bebida se pegasse a taça, visto o quão trêmula estava. Contive a vontade de bufar, empunhava uma arma firmemente, mas estava com dificuldades de segurar uma taça.

—Bom dia. – sua voz sedutora soou mais perto do que pensei que ele estava. Prendi o ar nos pulmões ao me virar lentamente para olhá-lo. Alguém deveria proibir aquele homem de existir. Ele era lindo demais, acabava com a sanidade de qualquer mulher.

—Bom dia. – agradeci mentalmente por minha voz não ter falhado. Ele lubrificou a ponta dos lábios com a língua e sorriu. Ergueu uma das mãos e correu os dedos longos pelo cabelo ruivo que estava cortado em um degrade perfeito.

Seus olhos me estudavam cerrados. Estavam mais vividos do que nunca. Era um misto de sensações tê-los voltados para mim.

—Está sozinha? – jogou direto, voltando a apoiar o braço no balcão. O relógio caro reluziu em seu pulso.

—Sim, estou. – forcei um sorriso. Eu tinha que ser fácil. Não podia dificultar as coisas. Mesmo que aquilo me incomodasse profundamente. —E você?

—Vim a trabalho. – respondeu com certo orgulho após assentir com a cabeça. —Posso te fazer companhia? – se virou exalando ainda mais aquele perfume viciante.

Tomei fôlego pela boca e sorri convidativa vendo-o puxar a banqueta para mais perto de mim, e sentar-se. Pude sentir o calor de seu corpo, o poder sufocante, contagiante da presença dele. Tinha de assumir o controle, para o bem de nós dois.

—Você é? – ignorei o calor que seu corpo passou para o meu. Tomei um grande gole do drink na vaga tentativa de me refrescar. Ele piscou de um modo extremamente sedutor e abriu mais o sorriso.

—Edward Cullen. – sua mão grande se direcionou até mim. —E você?

—Bella Swan. – meus dedos pousaram sobre os seus e quando nossas peles se chocaram o formigamento correu todo meu braço. Engoli a seco vendo-o guiar minha mão até seus lábios, que tocaram minha pele em uma maciez indescritíveis.

Em um movimento de autopreservação, desconectei nossas mãos. Mas não havia refúgio que me protegesse daquela masculinidade brutal. Mordeu o lábio inferior deixando-o ainda mais vermelho, desviei os olhos no mesmo instante. Deveria ser pecado um homem ser tão sexy daquele jeito. De soslaio podia ver seus ombros largos, o peito forte, as pernas musculosas cobertas por calças de tecido fino. Respirei fundo e tomei o último gole do drink. Agora a predadora era eu. Pisquei algumas vezes ao voltar a encará-lo e os nervos, que antes ameaçavam derrubar-me, firmaram-se como aço.

—Então... Edward. – parei um instante para cruzar as pernas, seus olhos migraram para minha pele exposta por um breve momento. —Posso te chamar de Edward?

—Claro que sim. – sorriu largo exibindo lindos dentes retos e brancos.

—Me acompanha no café da manhã? – franziu a testa, aparentemente não esperava pelo convite ousado, mas era assim que eu deveria ser. —Ou você já comeu? – perguntei diante seu silêncio.

—Vai ser um prazer te acompanhar. – se levantou ostentando aquele belo corpo dentro daquelas roupas extremamente luxuosas. Ofereceu a mão para me ajudar e aceitei sem receio. Seu toque era quente e viciante. Assim como sua presença. —Você não deveria derrubar um copo de água em mim? – sua voz soou baixa próxima a minha orelha. Ignorei o arrepio que correu minha coluna e lhe abri um sorriso sutil, arqueando as sobrancelhas diante a pergunta bem-humorada.

—Não foi necessário. – minha voz saíra tão baixa quanto a sua, estava me divertindo com a sensação de superioridade que sentia, divertindo-me com o personagem de uma linda e rica mulher acostumada a lidar com homens poderosos.

—Porque? – seus orbes eram curiosos.

—Porque não. – dei de ombros. — Não podemos falar sobre isso aqui.

—Onde podemos falar sobre isso?

Não lhe respondi, apenas deixei que me guiasse até a mesa onde estava sentado antes. Alice estava logo ao lado, de olhos no macbook, dentro de um terninho formal cinza escuro. Ela representava bem, sabia que prestava atenção em tudo que acontecia ao nosso redor, sem levantar a mínima suspeita.

Edward puxou uma cadeira para que eu me sentasse e na mesma hora o garçom ofereceu-me um guardanapo. Olhei ao redor e viu Erick e Mike a poucos metros de distância, aparentemente compenetrados nos respectivos celulares. No entanto, sabia que eles nos observavam, que suas atenções se concentravam em nós.

Agradeci com a cabeça quando o garçom me encheu uma xícara de café e esperei que estivéssemos a sós para responder as perguntas que Edward fizera.

—Aquilo era apenas um plano B, mas acho que começamos bem. – Edward me estudou com os olhos enquanto se arrumava na mesa. —Só tinha de ser uma aproximação convincente.

O café estava mais quente e mais forte do que eu gostava, mas evitei a careta ao engolir o liquido. Edward passou a mão pela barba cerrada perfeitamente desenhada em seu maxilar quadrado, parecia pensar em tudo que estava acontecendo.

—Mas não acho que seja bom conversarmos sobre isso aqui. – coloquei diante seu silêncio incômodo. —Responderei a todas suas dúvidas no quarto.

Um sorriso torto nasceu nos lábios desenhados de Edward e eu pude ver a malícia brilhar em seus olhos peculiares. Minhas bochechas coraram automaticamente. Pigarrei tentando conter a vergonha.

—Para mim parece ótimo. – me lançou uma piscadela pegando sua xícara e a levando aos lábios.

Ainda envergonhada vi de soslaio um funcionário do hotel se aproximar, fora um tanto quanto educado ao pedir desculpas pela intromissão.

—Senhorita Swan, fiz uma reserva para a senhorita em um hotel bem próximo daqui. A poucas quadras...

—E por que ela não pode ficar neste hotel? – pergunta de Edward foi curta e autoritária, e fez com que o rapaz gaguejasse antes de responder. —Está me dizendo que não há um único quarto livre nesse lugar?

—Há sim, mas apenas quartos simples. Os de luxo estão ocupados, senhor. Expliquei a senhorita Swan, quando ela fez a reserva ontem, que o quarto onde a hospedei só estaria vago por uma noite e que depois só haveria o simples, que, naturalmente, não atenderia às suas necessidades.

—Então, encontre um que atenda! – Edward parecia enfurecido e, por um instante, me esqueci que ele apenas atuava. Mordi os lábios com certo nervosismo. Edward era um homem acostumado a ter suas ordens prontamente obedecidas e, pelo medo e tensão na expressão do funcionário, tudo indicava que a ordem seria atendida. Foi então, que, me deu conta de que apesar dos protestos convincentes de Edward, a última coisa que poderia acontecer era que ficássemos em quartos separados.

—Vou ver o que posso fazer... – respondeu o homem, nervoso. — Senhorita Swan, se incomodaria em ficar em uma das suítes de solteiro? Não são tão luxuosas quanto à que está agora, mas posso pedir que...

— Não. – o interrompi para que não houvesse qualquer chance de que me arranjassem outro quarto. Obviamente, Emmet não foi claro o suficiente ao dar as coordenadas Edward. Engoli a seco antes de responder ao funcionário, me sentia envergonhada por tal atitude. —Não vou admitir tal tratamento! Quero um carro imediatamente para me levar a outro hotel.

Levantei-me e ajeitei o vestido antes de começar a andar até a saída do restaurante. Não evitei olhar para os meus colegas, que pareciam em pânico. Mentalmente pedia que Edward tivesse o bom senso de aproveitar a deixa e contornar a situação.

—Leve as malas da senhorita Swan para a minha suíte. – a voz grossa e impositiva me paralisou. Me virei um tanto quanto aliviada, Edward encarava impassível o pobre funcionário.

—Para sua suíte, senhor? – o coitado estava visivelmente perdido e alternava o olhar entre Edward e eu.

—Foi o que disse. – respondeu com superioridade antes de voltar seus olhos para mim. —A senhorita Swan ficará em minha suíte. Comigo.

Sabia que tudo aquilo era encenado, que fazia parte do meu trabalho, e que só ficaríamos juntos para que eu pudesse protege-lo. Mas fora impossível controlar o arrepio que cobrira meu corpo. Era meu dever proteger Edward Cullen, mas quem me protegeria dele?

Notas finais
Quem tá apostando que esse relacionamento vai ser explosivo, tá no caminho certo. Mas logo virá a dúvida... Quem é que tá tentando matar o Edward? Mais peças do quebra-cabeça no próximo sábado. Vou ter que me controlar para não postar antes, confesso hahahaha Me digam nos comentários o que estão achando e o que esperam ver nessa fanfic. Espero que tenham gostado, tenham um ótimo fim de semana e aproveitem o feriado com consciência! É isso, se cuidem, amo vocês ♥