Notas iniciais
Uma semana antes
— Todos os indivíduos para a quadra, o período de férias começará em breve. E seus responsáveis virão os buscar. — A diretora disse no auto-falante.
Eu simplesmente odeio quando ela nos chama de "indivíduos", nos faz parecer uns retardados sem cérebro. Peguei minha mala e sai pela porta, em seguida saíram Cake, Fionna, Marceline e Jujuba. Chegamos à quadra, joguei minha mala num canto perto da porta e sentei.
Até que vejo Finn chegando perto de mim e sentando do meu lado, abro um pequeno sorriso.
— Oi. — Eu digo.
— Oi. — Ele diz — Vai ser estranho sair daqui.
— É, vou sentir saudades.
— Eu também.
Passaram-se uns 5 minutos, e nós dois ficamos num completo silêncio. Até que sinto a mão do Finn encostar-se à minha, e em seguida ele diz:
— Flame, eu...
Nesse momento, Marceline chega e senta na minha frente, me solto da mão de Finn.
— Pensa na melhor coisa do mundo! — Marceline falou.
— Animes! — Eu e Finn dissemos ao mesmo tempo, nos olhamos, e rimos em seguida.
— Não, retardos mentais. Meus pais combinaram com os seus, e nós vamos viajar! Todos juntos! Não é demais?
— Que demais! — Eu gritei. Uma das inspetoras fez um sinal para eu fazer silêncio, então falei sussurrando:
— Que demais!
Nós três rimos, depois Marceline disse:
— Mas tem pequeno “porém”...
— O que?
— Seu pai falou que vai sair para uma viajem para o trabalho, então você vai ter que ficar com um de nós até viajar. — Ela suspirou. — Até gostaria de você vir pra minha casa, mas meu pai com certeza não deixaria e Jujuba mora com a avó e seus dois irmãos mais novos, Goliad e Stormo, então fica meio difícil.
— Você pode ficar na minha casa, se quiser... — Finn disse.
Olhei para ele, e só depois percebi que o próprio segurava minha mão novamente. Corei, e logo em seguida me larguei de sua mão, dizendo:
— O-obrigada, eu acho.
Ele desviou o olhar, levantou-se e em seguida disse:
— Bem, vou falar com Jake, tchau.
— Tchau — Eu e Marceline falamos ao mesmo tempo.
Quando vimos que ele saiu, Marceline virou-se pra mim e disse:
— Ele gosta de você!
Arregalei meus olhos e ao mesmo tempo corei.
— N-não, ele não gosta...
— OF COURSE que ele gosta!
Encarei-a, ela fez um sinal de “tá, você que sabe!” e saiu.
—Ela estava brincando. — Eu pensei
Peguei minha mala, levantei e fui para outro canto da quadra. Onde estava Cake e Jujuba.
— O que foi, Flame? — Jujuba perguntou.
— Hã? — Eu disse — Ah, nada.
Sentei, abraçando meus joelhos.
— Ninguém fica assim por “nada”.
— Não aconteceu nada!
Cake sentou do meu lado e disse:
— Ah, vai. Pode contar pra Titia Cake.
Encarei-a, estava preste a falar, quando Fionna veio falando:
— Finn disse que você vai ficar com a gente nas férias, é verdade? Que demais!
— Eer, acho que sim!
Uma hora se passou num piscar de olhos, e, quando vi, só sobraram no reformatório eu, Finn, Fionna e Jujuba.
— Coisa estranha. — Pensei em voz alta. — Quase todos já se foram. Eu me despedi deles?
— Foi a única coisa que você fez. — Finn disse quase num sussurro, ao meu lado. — Além de encarar essa planta estúpida.
Olhei para ele, e nós dois rimos novamente. Como eu não havia notado que, todo esse tempo, ele estava sentado do meu lado?
— Há quanto tempo você tá aqui? — Eu disse para ele.
— Há uma meia-hora...
Arregalei meus olhos.
— Wow... Eu fiquei seriamente muito tempo olhando essa planta...
Passaram-se uma hora, ficamos conversando como Animes são demais e como pizza é bom. Até que ouvimos a voz da diretora no auto-falante:
— Família Mertens, apresentem-se ao portão principal. Seus responsáveis chegaram e suas férias de verão darão inicio.
Finn levantou-se e pegou sua mochila, virou-se para mim e disse:
— Se você não quiser ficar o resto do verão aqui no reformatório sozinha, vem. — Ele me estendeu a mão, peguei-a e levantei. Peguei minha mochila e saímos em direção ao portão, logo após se despedir de Bonnie.
— Ai, ainda não acredito que você vai passar as férias conosco! Vai ser demais! — Fionna falou.
— É, vai ser MUITO legal.
E o portão se abriu. Lá estava Senhor e Senhora Mertens, mas também conhecidos como pais da Fionna e do Finn. Os cumprimentei e os agradeci por me receberem em sua casa, eu e os gêmeos guardamos nossas malas no porta-malas, entramos no carro e fomos para a casa dos Mertens, ou minha futura casa de verão.
Chegando lá, eles me mostraram o quarto onde eu ficaria, era lindo. Guardei minhas roupas no armário e arrumei minhas tranqueiras numa escrivaninha que havia do lado da cama. Lá para as seis horas da tarde, Fionna veio ao meu quarto, e ficamos conversando.
— Vai, agora é sua vez. — Eu disse, rindo. — Me conta alguma coisa que nunca contou pra ninguém!
— Bem, eu... Gosto do Marshall!
— Mas isso eu já sabia, já ta na cara. Tem ser alguma coisa que ninguém saiba!
— Ai eu não sei... — Ela pensou um pouco, depois falou. — JÁ SEI! Uma vez o Finn me disse que...
Fomos interrompidas pela Senhora Mertens do outro lado da porta falando:
— Meninas, o jantar está na mesa! Já podem descer!
— Já estamos indo, mãe! — Fionna gritou.
Levanto da cama com uma cara ainda curiosa sobre o que Fionna iria me dizer, mas fiquei com vergonha de perguntar, fomos até a cozinha e comemos o jantar. No meio da janta, conversamos como foi estranho estar em um reformatório para Senhor e Senhora Mertens, que ainda ficavam encarando os gêmeos com ódio.
Vi as horas, ainda eram 20 horas, mais ou menos, então, depois do jantar, fui para meu quarto, sente i na cama e comecei a escutar e cantarolar Fifth Harmony. Tive a estranha sensação de estar sendo observada, mas ignorei isso e, ás 22 horas e meia fui dormir.
Acordei ás, eu acho, nove e pouco da manhã. Sentei na minha cama e dei um berro quando vi Finn na escrivaninha jogando algum jogo qualquer no computador, o fazendo se assustar e gritar também.
— Me avisa da próxima vez que você fizer isso. — Ele disse. — Não me pergunte nada, esse quarto aqui é o único da casa que tem um PC, então cala a boca!.
Eu ri, fazendo ele se virar e rir também. Pedi para ele sair, pois iria me trocar de roupa. Não sei se ele ficou espionando pela fechadura, mas juro que ouvi umas risadas enquanto trocava de roupa.
E tinha quase certeza de que não era a risada do Finn.
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