Reflexos Oblíquos

25 25. Fim da história II (desilusão)



Acabou o espetáculo,

as cortinas do palco caem bruscamente sobre minha cabeça.

Não suporto o peso e caio inconsciente no chão.

Quando volto a mim, tenho de companhia a escuridão.



Ajeito a estante com a partitura,

pego meu violino e toco para meu público,

toco a música de uma luz que se foi e não virá mais,

toco o início do meu espetáculo que me recuso a ver acabar.



Queria muito que essa melodia chegasse até você...

A melodia de sonhos a flutuarem no ar

que ficam mais nítidos com a escuridão a se adensar.

Toco como se estivesse presente, com a escuridão a te rodear.



E vivo os começos repetitivos do show

constantemente aplaudida de pé por ela na primeira fila

que vem correndo me abraçar e me incentiva a recomeçar,

e faz ser para ela tudo o que eu desejar.



Pra ela vão-se as músicas mais bonitas,

dela são meus planos mais dignos.

Nela terminam todas as minhas ações,

com ela desaparecem minhas melhores emoções.


(20/11/2005)