Reflexos Oblíquos

4 4. E de novo... a solidão (desilusão)



E mais uma vez a solidão triunfa,

levanta sobre mim o seu troféu de sangue

feito com os pedaços de sangue do meu coração.

Pedaços que eu não tenho certeza se vale a pena juntar.



Tudo à minha volta fica novamente longe,

mais (muito mais) do que consigo alcançar.

O céu sobre minha cabeça se fecha,

não sei mais o que devo tentar.



Por fora as pessoas me cercam,

tantas que nem consigo contar.

Por dentro é tudo superficial, apático,

me gela a alma e não sei até onde posso agüentar.



Me apóio então em minha busca

mas é tão difícil manter-me de pé sozinha,

seguir o caminho adiante,

arrastando todas essas correntes.



Minhas asas estão envolvendo meu corpo

tentando saber se alguma utilidade lhe resta.

É tão doloroso abri-las no meio de tanta gente,

gente de asa cortada que te apedreja por isso.



E continuo seguindo meu caminho,

os grilhões pesando e meu passo tornando-se mais lento.

Prometi a mim mesma jamais parar...

E se for pra descansar? Vou conseguir não me iludir e depois continuar?



Enquanto caminho, ouço o barulho das correntes,

barulho que me irrita profundamente.

Dou um grito, abro as asas,

Sequer consigo erguer-me do chão.



Um caminho solitário...

Pessoas passam junto comigo,

um abismo de cada lado

nunca vamos nos encontrar.



E eu só quero,

quero o que é meu por direito,

viver minha vida do meu jeito,

que as pessoas me aceitem como sou.


(25/09/2002)