Notas iniciais
Dedico essa fic ao meu amado Matt Jeevas ♥
SAUSHAUHSAUH, brincadeira. Bem, isso surgiu quando eu percebi que todos os meus M&Ms falavam do ponto de vista do Mello, o que é uma heresia, já que o Matt é meu personagem preferido desde o maldito dia em que eu resolvi re-analisar Death Note focando-me na personalidade dos secundários.
Então, eu cuidei ao máximo para colocar a personalidade dele exatamente do jeito que eu tinha lido quando vi o mangá: um pouco perfeccionista, que não confia fácil, mas quando confia se entrega; e bem ligado à vida, apesar do jeito meio frio. Sim, eu vi ele assim. E me apaixonei, é. Só espero que tenha me saído bem nisso.

Através da janela perfeitamente limpa e solitária, era possível ver uma árvore comprida e grossa, espalhando folhas amareladas em seu entorno. E, ao pé dela, um vulto sentado despreocupadamente, mantendo uma perna dobrada e outra esticada sobre o chão, com um cigarro entre os dedos que expelia fumaça.

Não que alguém fosse se incomodar em observar de qualquer forma.

Era ali que Matt estava a maior parte de seu tempo, desde que chegara no maldito orfanato. Era assim desde sempre, e os outros haviam rapidamente aprendido a se acostumar. Ninguém sabia a sua história ou o que se passava na sua cabeça tão aberta a coisas novas, mas tão fechada a expressá-las aos outros, e ninguém tampouco nutria mais qualquer tipo de curiosidade.

Talvez o ruivo pudesse ser classificado como traumatizado. Ele fora abandonado pelos pais simplesmente porque eles não o compreendiam, e desde então, confiar no afeto das pessoas não era algo que ele fazia muito bem.

Chegara na Wammys muito cedo e rapidamente a compreendera; era sua casa, mas não seu lar. Ele não queria se aproximar dos outros garotos e portanto não o fazia. Apenas os observava daquela mesma árvore, notando seu comportamento, sua forma de agir (mais tarde, esse hábito ajudaria bastante em seu trabalho como espião). E acabara se tornando um excelente leitor da mente humana, apesar de ninguém saber disso, muito menos ele mesmo. Mas de vez em quando ouviam um risinho sarcástico, quando ele reparava certas coisas por trás das palavras dos colegas.

Estes viam o ruivo como uma pessoa amargurada e só, que não tentava mudar essa situação, nem se importava em tentá-lo. Mas isso não era verdade. Matt adorava viver; adorava o ar que nunca deixava seus pulmões vazios, adorava as batidas ritmadas do seu coração, aquilo fazia sentido para ele. E queria realmente aproveitá-las. Mas não confiava facilmente em alguém, e pensava que se queria viver, tinha o direito de ser seletivo acerca do “com quem”. Aproveitava muito a companhia dos animais, das plantas e da nicotina. E também desenvolvera um grande amor pelos videogames, onde ele era de fato capaz de viver ao limite sem ninguém.

Era uma cabeça tão complicada e simples em sua totalidade, que ninguém queria gastar seu tempo tentando decifrá-la. Aos garotos normais, era muito complicada ao seu raciocínio; aos gênios, era tão simples e pura que eles se viam incapazes de decifrar, imersos em cálculos muito mais complexos e resoluções demoradas, para ver o óbvio.

Até que ele chegou.

Era uma criança incrivelmente inteligente, mas também emotiva, quase esfuziante em tanto expressar o que sentia ou pensava. O comportamento dele interessava a Matt, e, involuntariamente, levava um raro sorriso a emergir de seus lábios. O garoto era muito diferente.

E Mello percebeu isso. Um tempo depois, tentou falar com ele. Sua abordagem (algo como “do que é que você tá rindo?” acompanhado de uma expressão engraçada e mãos na cintura) não fora gentil, nem grosseira, mas indicava curiosidade, o que levou um sorriso a se manifestar. Pela voz do loiro, o ruivo notou que não era a primeira vez que ele reparara, e por algum motivo isso o deixou feliz.

Ele mal reparara, mas era a primeira vez em que ele ria para alguém desde que se encontrara entre as paredes da Wammys.

Aquele dia foi o começo do que, bem mais tarde, e gradativamente, se tornou a mais forte amizade que já viram entre essas mesmas paredes. Matt lia Mello com facilidade, não só o que ele sentia, mas o que dirigia esse sentimento. E, acima de tudo, ele confiava no loiro. Confiava porque sabia que ele era espontâneo, e por ter sido a primeira pessoa em que ele vira um objetivo. Todos ali só queriam alcançar L, etc, sem real motivo para tal, apenas pelo hábito dos demais. Mello tinha um. Queria mostrar, acima de tudo para si mesmo, que era capaz de dar a volta por cima. Que não importava o quanto ele havia sofrido, ele conseguiria subir. E se livrar de todas as pessoas que ainda machucavam umas às outras.

Havia algo nesse objetivo que Matt achava incrivelmente genuíno. E ele acreditava em Mello, e que ele era capaz e que havia algo de nobre no que ele fazia. E de tão espontâneo e lutador que o loiro ela, o ruivo acabara por confiar totalmente nele.

Mas apesar disso, não importava o quanto ele lutasse, havia aquela pessoa que sempre o atrapalhava, que parecia querer mostrar-lhe que ele não era capaz. E foi assim que seu ódio mais profundo se originou.

Matt já assistira inúmeros ataques de baixa auto estima de Mello, por culpa de Near. Mello nunca fora confiante, e o albino só piorava. E era sempre o ruivo quem o ajudava. Ele o entendia, e acima de tudo, ele se importava. Mello era a única pessoa que realmente importava para o ruivo. E, aos poucos, aquela forte amizade evoluiu para um forte amor entre os dois, que no entanto nunca foi expressado realmente.

Algo do qual ele, agora, se arrependia.

L estava morto. E a raiva e a decepção de Mello devido a isso o levaram a abandonar a casa, fugir. Fugir em direção a seus medos, suas inseguranças e suas apostas sem voltas. Era para lá que ele estava indo, e ambos sabiam disso. Matt sabia que o loiro não queria arrastá-lo por um mundo tão arriscado e controverso e era por isso que fora só, mas...

Mas...

Mas o dejá vu era inevitável, não era? Abandonado entre as quatro paredes daquela utopia solitária. Deixado sozinho por quem ele sempre estivera ao lado. E naquela mesma árvore, observando as mesmas pessoas. Não era um depressivo sem vontade de viver. Era apenas um perfeccionista que não via graça em fazê-lo de qualquer jeito.

– Mello...

Sem querer, o nome se manifestou, logo depois perdendo-se no ar. Exatamente como seu dono o fizera.

Queria ter ido. Não se importava com os problemas, ele estaria vivendo. Vivendo no limite e ao lado de quem queria. E queria ter dito isso a ele, bem como o modo que se sentia.

Ele não sabia, mas ainda teria essa chance. E ainda viveria.

Em algum lugar longe dali, o loiro também lembrava dele, um tanto quanto culpado, um tanto quanto feliz por ter seu rosto na memória.

Em algum lugar longe dali, soava uma explosão.

Notas finais
Bem, essa fic foi um pouco complicada, eu realmente queria MUITO escrever uma fic do ponto de vista do Matt, mas estava sem inspiração, então eu passei um tempo "forçando" ela. Mas lá pela metade eu realmente peguei o jeito e a coisa saiu. Na verdade eu coloquei muita coisa minha ai, tipo: Matt (já disse que amo o Matt? Eu amo o Matt) e o meu ódio pelo Near em uma explicação curta de porque ele é um babaca, etc.
Espero que vocês gostem e que eu mereça algum review. Acho que não, do jeito que isso tá abandonado, mas não custa tentar
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!